| Welcome to Forsaken Legends. We hope you enjoy your visit. You're currently viewing our forum as a guest. This means you are limited to certain areas of the board and there are some features you can't use. If you join our community, you'll be able to access member-only sections, and use many member-only features such as customizing your profile, sending personal messages, and voting in polls. Registration is simple, fast, and completely free. Join our community! If you're already a member please log in to your account to access all of our features: |
| SIDEQUEST - A Busca pela Caixa de Pandora; Tártaro, 28/12/1548, alta noite [começo] | |
|---|---|
| Tweet Topic Started: Feb 22 2012, 11:36 AM (9,475 Views) | |
| Narrador Principal | Feb 22 2012, 11:36 AM Post #1 |
![]() ![]()
|
OFF: Esta é uma Sidequest, um tópico fechado, para o qual somente o jogador Oneiros dos Sonhos terá acesso por enquanto. Logo, os demais jogadores estão proibidos de postar aqui, sob pena de receber um warn. Assim que Oneiros atravessou o portal, sentiu-se livre. Uma sensação de liberdade absurda veio até ele. Logo, percebeu que era uma expressão do desejo latente de Chronos, que jazia aprisionado. Ele se encontrava num céu branco, no qual estava em queda livre. Num primeiro momento, o deus dos sonhos não conseguiu se controlar, mas logo percebeu que o cenário se estabilizou. O céu voltou a ser azul, e uma paisagem bucólica foi avistada por ele. ![]() A despeito da calmaria e da tranquilidade que a visão lhe proporcionava, completada com a presença de pequenos animais e sons característicos, como o canto dos pássaros, o leito florestal parecia pulsar e ter vontade própria. Oneiros sentiu algo que nunca pensou que sentiria: cosmo-energia vindo da própria terra, das plantas e dos animais! Era realmente algo novo, e ele precisaria pensar mais profundamente para entender o que acontecia, já que agora o sonho estava nas mãos dele. Teria Brijet sugestionado este cenário a Chronos antes de deixá-lo? |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Feb 24 2012, 03:44 PM Post #2 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
"O mundo de Cronos pulsa com energia... Mas é possui uma aparência deveras inesperada. No que mais você interferiu, irmão?" O deus menor encarava aquele cenário atônito. Esperava algo mais caótico e perturbador, como o mundo atrás do portal... e não um lugar pacífico e pastoril como aquele. Da colina, Oneiros examinou o mundo, fechou os olhos e sentiu a energia que emanava de todos os seres vivos dali, suspirando em um sorriso sádico; nem aos titãs seria dado o perdão, afinal, o senhor dos sonhos estava ali para destruir aquela imagem e transformá-la no inferno do Tártaro. Sem pensar duas vezes, Oneiros saltou da elevação na direção do rio, usando seu cosmo divino para, de tempos em tempos, diminuir a velocidade da queda, caindo ao lado do feixe d'água com uma suavidade impressionante. Ele seguia o rio a velocidades cada vez maiores, analisando o terreno ao seu redor com calma, na esperança de chegar nas montanhas que estavam no horizonte. O deus dos sonhos tentava usar sua percepção para discernir as forças que atuavam naquele mundo de sonhos... Ele buscava pela presença do titã Cronos. Seu corpo lentamente foi sendo envolto por um manto onírico que mesclava-o ao ambiente. O deus menor mascarava a sua presença dentro de todas as maneiras possíveis; precisava induzir o titã a lembrar-se do momento de sua prisão e já tinha uma ideia de como fazê-lo... Só esperava que tudo desse certo. "Nunca sonhei em brincar com um titã... Mas não devo baixar minha guarda. Meus anseios divinos devem ficar em segundo plano até que todas as etapas da minha missão sejam concluídas." |
[align=center]Thx, Lisianthus! [/align] | |
![]() |
|
| Narrador Principal | Feb 24 2012, 11:40 PM Post #3 |
![]() ![]()
|
A paisagem tranquila, por mais que Oneiros estivesse atento, era impossível de não passar calma e deixar o coração mais leve. Era algo contagioso mesmo. Parecia... um feitiço. Tarde demais. Quando Oneiros começou a perceber a verdadeira natureza do que estava ao redor dele, o meio-ambiente o atacou. E por todos os lados. Uma tromba d´água se formou do rio, avançando violentamente contra ele. O vento começou a soprar fortemente, e até mesmo vinhas começaram a crescer do solo, tentando abraçar o deus dos sonhos. Algo estranho estava ocorrendo, e ele não sabia para onde correr, para onde ir. Se não fizesse algo, estaria perdido. Quando Oneiros olhou para o céu, pensando em voar, viu as nuvens todas se converterem em uma forma humanóide, assemelhada à de uma mulher. Ao mesmo momento, uma voz feminina, mas grave, profunda como se ecoada num poço vazio, fez-se ouvir por todo o espaço, mesmo com o caos imperando ali. ![]() Quem é você, invasor? Deixe meu filho em paz! |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Feb 26 2012, 05:26 PM Post #4 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
O deus menor assustou-se por um breve momento por aquela manifestação da mãe-terra. Gaia, a deusa primordial que originou o titã Cronos, se identificava e atacava o senhor dos sonhos, mas ela não poderia mudar uma única coisa: nos sonhos, ele era o senhor. Elevando seu cosmo na medida suficiente, o oneiroi ergueu as mãos ao lado do corpo e usou o seu dom de manipular os sonhos para parar o ataque da mãe-terra, esforçando-se na medida do necessário para fazer a natureza voltar ao seu estado de calmaria; o deus menor virou-se para a imagem feminina no céu e saltou em um passo onírico para ficar de frente a ela, curvando-se em uma reverência nada digna de um deus dentro de seu próprio domínio, mas que Oneiros considerou necessária para iniciar um diálogo com ela: fosse o que fosse, a própria deusa primordial ou uma manifestação onírica de Cronos, Oneiros sabia o quão poderosos os sonhos poderiam ser. Seria ele capaz de enganar Cronos? - Ó, mãe-terra! - A exclamação fora simples, não muito alta. Ele sorriu para ela. - Não sou invasor, não um malévolo, pelo menos. Venho aqui por curiosidade... Tenho certeza que vossa onipotência sabe do local onde seu filho, Cronos, foi preso no Tártaro... Da maneira como ele vem sendo punido por séculos depois que o seu trono como senhor dos deuses foi usurpado por Zeus. Eu vim aqui para estudar sua prisão e procurar meios de dar-lhe felicidade muito além dos sonhos. Oneiros articulava o mesmo tipo de oratória que convencera os espíritos da caixa a ajudá-lo. Sua principal intenção era convencer Cronos, ou talvez Gaia, de que sua presença ali não representava ameaça e, ao mesmo tempo, plantar pequenas passagens da história, através das suas palavras, da titanomaquia. O deus menor sabia o quanto memórias eram manipuláveis e como as piores delas poderiam aparecer facilmente apenas pelo tom da palavra. O deus menor sorriu para tentar passar confiança àquele sonhador. [spoiler=Observação]Passo Onírico: Os deuses menores dos sonhos, enquanto estiverem trajando suas kamuis, possuem movimentação de quase teletransporte dentro do domínio dos sonhos (Morphia, Phantasia e Fobia), e poderão se locomover instantâneamente de um ponto a outro. Sem as Kamuis, eles poderão ainda se mover na velocidade da luz, mas precisarão gastar cosmo-energia para isso. Nome da Habilidade: Mestre dos Sonhos Efeito: Oneiros pode adentrar, do Mundo dos Sonhos, os sonhos de outras pessoas – deuses inclusive, podendo manipulá-los e ocultar-se neles. Uma das peculiaridades do oneiroi é sua capacidade criar um sonho dentro de um sonho, prendendo indivíduos no seu subconsciente (mas, para tal, o indivíduo não deve possuir cosmo-energia ou, então, possuir alguma ligação com o mundo dos sonhos). Se lhe for dado tempo suficiente, Oneiros pode aprisionar memórias e criar novas na forma de sonhos, mudando completamente um indivíduo, cavaleiro ou não. Entretanto, isso só ocorre quando o trabalho é ininterrupto e leva bastante tempo, de meses a anos dependendo das alterações a serem feitas. Para entrar na mente de deuses, Oneiros precisa gastar uma quantidade de cosmo diferente, dependendo do nível da deidade. O gasto pode ser de médio a grande para deuses menores, em patamar semelhante ao oneiroi, mas para deuses maiores (como Hades, Hypnos e Thanatos) é necessário um grande gasto de energia, muitas vezes monstruoso. Os efeitos reais da habilidadeficam a critério dos narradores.[/spoiler] |
[align=center]Thx, Lisianthus! [/align] | |
![]() |
|
| Narrador Principal | Feb 27 2012, 05:38 PM Post #5 |
![]() ![]()
|
Oneiros foi bem-sucedido em acalmar o meio-ambiente ao redor, convencendo "Gaia" de que ele não era uma ameaça. Suas palavras suaves, no entanto, não eram o bastante para convencer a mente complexa de um titã. A estratégia de mostrar imagens das batalhas acabou funcionando para que Oneiros fosse uma presença crível ao subconsciente de Chronos, já que esta era a realidade dele. As águas do rio voltaram a correr normalmente, quebrando a tromba d´água, animais começaram a se aproximar calmamente e as vinhas o largaram. O vento acalmou, e a figura de uma mulher com a face oculta pelos cabelos, já provavelmente esperada por Oneiros, surgiu por entre as árvores. ![]() - Veio para... ajudar meu filho? E quem seria você, nobre invasor, que veio até aqui com o único intuito de estudar a prisão de meu filho e libertá-lo? O deus dos sonhos percebia que a mente de Chronos fazia um esforço para incorporar Oneiros em seu sonho, e não para expulsá-lo, e isso lhe acalmou um pouco. Mas a complexidade daquela mente o alertava de que não seria nada fácil a sua missão. Primeiramente, ele teria que convencer o sonhador que ele era realmente um aliado, e precisava pensar rápido em criar uma identidade - ainda que falsa - para dar sustento às suas palavras e ganhar tempo para manipular o sonho do Titã. |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Mar 13 2012, 06:46 PM Post #6 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
- Gaia! - O deus menor ajoelhou-se em reverência à Gaia, como se fosse um cavaleiro. Por que enganar Cronos com mentiras, quando poderia enganá-lo com a verdade? - Eu sou Oneiros, filho de Hypnos, o senhor do Sono. Sou um oneiroi encarregado de lidar com os sonhos dos humanos e deuses desde tempos antigos. Sou uma existência esquecida pelos poetas... não. Sou uma existência ignorada pelas mentes humanas que se atravem a amar mais sua ciẽncia do que os seus deuses. Oneiros levantou-se e encarou o rosto coberto da mulher, sem dar um passo de avanço ou recuo, mantendo a voz e postua firmes. Mas não pense que faço parte do Olimpo que renegou ao teu filho, Gaia. Eu, tal como Zeus fez com Cronos, reneguei os deuses do olimpo. Não sou mais servo de Hades e tampouco servo do olimpo, sou uma entidade em busca de alguém em quem acreditar. Oneiros estava dizendo a verdade, ou, pelo menos, grande parte dela. Sua oratória talvez funcionasse com espectros inferiores, almas perdidas, espíritos menores e talvez com algum de seus irmãos... Mas seria suficiente para convencer Gaia, ou melhor, ao titã Cronos? Ele não era uma entidade estúpida. Era um ser antigo, experiente e que por muito tempo governou antes de ser aprisionado no tártaro. Uma oratória singela daquelas talvez não fosse suficiente para vencer aquele jogo. O deus menor deu um passo a frente, esperando uma reação de Gaia para saber se poderia ou não prosseguir. Em resposta positiva, daria mais alguns passos e estenderia sua mão para a mulher, curvando-se um pouco como um bom cavalheiro dos tempos imperiais, beijando as costas da mão da donzela antes de deixá-la ir. - Eu gostaria de pedir-lhe permissão, Gaia, para estudar as correntes que prendem Cronos, sentir na pele o seu poder... Um deus menor não se legitima sem um deus maior a quem prestar seu serviço. Não tenho razão de existir sem um mestre... E gostaria de avaliar a oportunidade desse mestre ser vosso filho. [spoiler=Habilidades]Nome da Habilidade: Mestre dos Sonhos Efeito: Oneiros pode adentrar, do Mundo dos Sonhos, os sonhos de outras pessoas – deuses inclusive, podendo manipulá-los e ocultar-se neles. Uma das peculiaridades do oneiroi é sua capacidade criar um sonho dentro de um sonho, prendendo indivíduos no seu subconsciente (mas, para tal, o indivíduo não deve possuir cosmo-energia ou, então, possuir alguma ligação com o mundo dos sonhos). Se lhe for dado tempo suficiente, Oneiros pode aprisionar memórias e criar novas na forma de sonhos, mudando completamente um indivíduo, cavaleiro ou não. Entretanto, isso só ocorre quando o trabalho é ininterrupto e leva bastante tempo, de meses a anos dependendo das alterações a serem feitas. Para entrar na mente de deuses, Oneiros precisa gastar uma quantidade de cosmo diferente, dependendo do nível da deidade. O gasto pode ser de médio a grande para deuses menores, em patamar semelhante ao oneiroi, mas para deuses maiores (como Hades, Hypnos e Thanatos) é necessário um grande gasto de energia, muitas vezes monstruoso. Os efeitos reais da habilidadeficam a critério dos narradores.[/spoiler] |
[align=center]Thx, Lisianthus! [/align] | |
![]() |
|
| Narrador Principal | Mar 13 2012, 07:55 PM Post #7 |
![]() ![]()
|
A vontade de Gaia fez com que o vento aumentasse. Ainda era agradável, mas balançava demais os galhos das árvores e fazia as folhas esvoaçarem. Em dado momento, a velocidade era tão intensa que Oneiros precisaria cobrir seus olhos para não ficar cego. E assim que ele novamente consegue enxergar, vê que se abriu um grande caminho entre as árvores, que dava acesso a uma espécie de pequeno Santuário. Lá, havia uma escultura: um trono, e nele estava sentado um homem. Pelas letras em grego presentes no rodapé da obra de arte, Oneiros deduziu que era a estátua de Chronos. Gaia, então, voltou a falar. ![]() - Acredito em suas palavras, Oneiros dos Sonhos. Você pretende adentrar o Tártaro, que é um local proibido a todas as entidades pelos deuses do Olimpo. Assim, você está contrariando a vontade deles. Todavia, você deverá provar seu valor. Meu filho não aceitará um fracote como seu servo, nem confiará os segredos de sua mente a qualquer um. Ajoelhe-se e jure fidelidade a Chronos agora. Este será o primeiro passo para que possa sair daqui em segurança. Se o fizer, abrirei o caminho entre as montanhas para que você passe. Mas advirto-o: Chronos irá testá-lo de todas as maneiras possíveis, para garantir que está realmente determinado a atingir seu objetivo e que não mente em seu propósito. Se estiver mentindo, é melhor que dê fim à sua existência quando meu filho finalmente despertar, se não quiser conhecer um novo significado para a palavra "dor". Apesar das reviravoltas no cenário, Oneiros sentia-se mais à vontade. Apesar de Chronos parecer bem consciente da presença dele - notado pela mudança no tom de voz de Gaia -, Oneiros começava a tomar as rédeas da situação. Todavia, cada novo desafio proposto por Chronos poderia colocá-lo num ardil: como controlar o que não se pode prever? |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Mar 18 2012, 11:35 AM Post #8 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
Oneiros estava em uma situação difícil. Mudar de mestre nunca havia sido sua intenção... Hypnos para Cronos... Uma troca que não parecia vantajosa. O deus menor ponderou rapidamente sobre os prós e os contras de firmar aquela aliança.. e concluiu sobre o caminho a tomar. Aquela situação ativou o gênio criativo do oneiroi, que via ali uma oportunidade para agir de uma maneia antes impensada. Decidido, o deus dos sonhos se curvou perante a estátua e Gaia, um ato desagradável para ele, mas necessário para o nascer de uma nova era. Mantendo a voz firme, prosseguiu: - Ó, mãe-terra; eu, Oneiros dos Sonhos, me entrego de corpo e alma aos desejos dos Antigos. Usarei tudo de que disponho para satisfazer vossas vontades e para libertá-lo das correntes que o prendem. Provarei minha força ao Senhor e verás que sou digno e capacitado para o trabalho. A Terra está envolta pela tolice dos deuses: uma Guerra Santa entre o Imperador do Submundo e a Deusa da Justiça começou. Mostrarei à ti do que sou capaz e o quão fúteis os deuses se tornaram após o ínicio da era olimpiana. Não sou o único que sente desgosto pelos deuses; tenho comigo espíritos poderosos que desejam voltar à vida para encontrar seu lugar nesse mundo abandonado... Oneiros se levantou sorrindo, atuando da maneira mais divina possível. Não tinha realmente intenção de se tornar lacaio de Chronos... Pelo menos, não permanentemente. Ele se abaixou de leve, como um artista ao finalizar um espetáculo, como um vassalo perante seu suserano. Prosseguindo sua oratória, o deus menor resolveu explicar a menção feita sobre os espíritos. - Existem espíritos menores, e até mesmo deidades esquecidas, como eu, que não gostam do Olimpo. Estou a rodar o mundo em busca delas e, com minha oratória, posso convencê-las aos poucos a aderir tua causa. Posso ter tua ponte com o mundo físico, teu embaixador, aquele que reunirá para ti os capazes de, juntos, libertarem-no das amarras dos deuses. O deus estava chegando a algum lugar, mas precisava ser cuidadoso. Se suas palavras convencessem o titã, talvez chegar e voltar do Tártaro não representasse um desafio tão grande assim, embora o roteiro da viagem estivesse para ser alterado. |
[align=center]Thx, Lisianthus! [/align] | |
![]() |
|
| Narrador Principal | Mar 18 2012, 12:52 PM Post #9 |
![]() ![]()
|
Ao reverenciar a estátua de Chronos, Oneiros notou que a mesma tomou vida. Ela se tornou animada, se levantou do trono e começou a caminhar numa certa direção, até sumir entre a vegetação. Gaia recebeu Oneiros com um sorriso antes de dar-lhe passagem. - Juraste fidelidade a Chronos, e isso me basta. Como sua mãe, protejo meu filho dos mal-intencionados. Vá, e siga através das montanhas. Passar pelas provações de Chronos significa obter a aprovação dos demais titãs, e você deverá encontrá-los, um a um. Se vacilar em suas palavras, em sua lealdade ou em sua fé, Oneiros dos Sonhos, jamais verá a luz do sol novamente. Um tremor incrível foi sentido, e Oneiros precisou se segurar para não ser derrubado pelo ímpeto feroz do abalo sísmico. As montanhas, que pareciam distantes, e que estavam "juntas" no cenário, foram subitamente "afastadas", formando um vale. Provavelmente, era este o caminho que Oneiros deveria seguir. |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Mar 19 2012, 01:21 AM Post #10 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
O abalo sísmico quase levou o deus dos sonhos ao chão, mas por pouco ele conseguira se manter em pé. As palavras de Gaia não o confortaram muito: lidar com Chronos já era uma tarefa delicada, o quão perigoso poderia ser passar pelas provações de todos os demais titãs? Afastando o pensamento da cabeça, Oneiros tentou se focar no quão benéfica aquela aliança poderia ser se fosse conduzida de maneira coerente. Após o alerta de Gaia, Oneiros pediu sua licença e pisou no céu do mundo, começando a subir uma escada invisível sob a floresta para observar a paisagem modificada no horizonte: as montanhas que se abriam em um vale que ansiava por devorá-lo, era assim que interpretava o convite dos deuses antigos. Sem demonstrar fraqueza ou preocupação, prosseguiu com passos oníricos sobre o chão, as pedras, o céu, tudo para chegar rapidamente ao seu destino. "Esta provação não será fácil. Entretanto, será deveras vantajoso manter uma aliança com os titãs... Se tudo ocorrer bem, posso ajudá-los na medida em que me ajudam... Os olimpianos pagarão mais cedo o que imaginam pela sua arrogância desmedida. Embora o futuro me pareça cada vez mais belo, o que me espera naquele vale? Poderei eu lidar com as forças antigas? Assim como os deuses do Olimpo, Oneiros também possuía sua própria dose de arrogância, mas não deixava que seu orgulho interferisse com seu raciocínio. De que adiantava sua honra, seu orgulho, seus sonhos, se a morte poderia estar à sua espera? Os nomes dos titãs flutuaram pelos pensamentos de Oneiros, que tomava cuidado para não externá-los ao mundo de Chronos. Decidido, ele apressou o passo e mergulhou no vale. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Mar 19 2012, 05:15 PM Post #11 |
![]() ![]()
|
Oneiros atravessava o espaço com extrema facilidade, deixando para trás aquele paraíso com o qual sua visão se deleitava. Gaia ainda o acompanharia com a vista até que ele se fosse. Assim que atravessou as montanhas, o cenário mudou sem aviso. Por mais que Oneiros tivesse a habilidade de manipular os sonhos, estava difícil prever a próxima reviravolta. A mente de um titã parecia mais complexa do que ele imaginava. Todavia, para compensar, a visão que teve foi de tirar o fôlego. ![]() O vale era muito extenso e muito verdejante, quase intocado. Montanhas nevadas ao longe completavam a beleza do cenário. À primeira vista, Oneiros pensou que não haveria nada ali a não ser a vegetação, mas ao forçar sua percepção, pôde notar que, ao longe, criaturas bípedes corriam atrás de algumas quadrúpedes. Ao se aproximar mais, constataria que, de fato, eram hominídeos caçando! Não pareciam-se com os homens que ele conhecia, pois eram mais baixos e tinham a cabeça achatada (Homo Erectus). Eles corriam seminus, usando apenas uma toga de pele de carneiro improvisada para se proteger do ar frio que tomava o ambiente. Sua caça eram antílopes, que fugiam como podiam. Eles arremessavam pedras, lanças e machados de pedra, visando abatê-los. Enquanto estava absorto em meio a esse fascinante episódio, Oneiros notou uma pressão crescente, que obrigou-o a tocar o chão e deixar o ar. Quando virou-se para ver quem emanava tal energia, deparou-se com um homem desconhecido, que não demorou a interpelá-lo. ![]() - Eu sou Jápeto, invasor. Diga-me quem é e o que faz no refúgio da humanidade. Oneiros estranhou aquele fato. Provavelmente, Chronos se lembraria de Oneiros, pois acabara de falar com Gaia. Ele poderia pensar em uma de duas possibilidades: ou seu sonho era tão segmentado que não retinha todas as informações de uma "cena" para outra, ou Chronos estava testando a coerência do discurso de Oneiros, fazendo repetí-lo para ver se ele iria se trair em suas palavras. Fosse o que fosse, Oneiros deveria se comunicar com o recém-chegado. |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Mar 25 2012, 10:45 AM Post #12 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
Fascinante. A humanidade em seus primórdios, quando ainda era ignorante e aceitava o destino dos deuses. O deus dos sonhos não pôde fazer nada a não ser sorrir para aquelas criaturas, a verdadeira humanidade para a qual trabalhou durante séculos. Seu devaneio foi quebrado por uma poderosa presença que, assim que pôs os pés no chão, logo identificou. Era Jápeto, um dos titãs que serviram à Cronos, o primeiro a ser convencido pela oratória do oneiroi. Oneiros não respondeu ao inquisidor de imediato. Ao invés disso, virou seu rosto para o fim da caça dos humanos, esperando o momento derradeiro da morte do antílope pela ponta de pedra de uma lança. O filho de Hypnos riu. Estava mais do que na hora de responder à Jápeto, o titã da vida mortal e avô da humanidade, assim podia-se dizer. - É uma bela cena, titã. E pensar que serias mencionado inúmeras vezes nos poemas humanos... - Era verdade. Enquanto os titãs tinham seu lugar nos textos míticos, Oneiros perdera para os seus três irmãos e jamais fora mencionado neles. Mas tinha uma vantagem. Ele não era um, mas todos. - Titã! Eu sou Oneiros, filho de Hypnos, o senhor do sono, e um desertor da horda do submundo, liderada por Hades, o senhor dos mortos, irmão de Zeus. Vim até ti pois busco a benção de Cronos e, para tal, devo conquistar também tua aprovação e a de teus irmãos. Passando por incontáveis desafios, poderei descer às portas do Tártaro, onde nossos aliados, os titãs, estão presos. A deusa Gaia deu-me permissão para tomar este desafio. Oneiros tomou o devido cuidado ao falar com Jápeto. Apresentou bem os seus motivos, praticamente imitando o que dissera à deus Gaia; acrescentou o termo nossos aliados para formar a base que convenceria Cronos de que o deus dos sonhos realmente estava do lado dos titãs. Assim, esperava de seu interlocutor breves palavras, afinal, não deveria existir um motivo para impedir a progressão de Oneiros rumo ao inferno dos deuses. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Mar 25 2012, 07:01 PM Post #13 |
![]() ![]()
|
![]() De fato, os hominídeos foram bem-sucedidos em capturar o antílope. Eles já comemoravam, emitindo urros de aprovação e comunicando-se uns com os outros em uma linguagem rudimentar. Oneiros fazia a sua parte ao ser abordado por Jápeto. Era o primeiro de muitos desafios, mas o titã não parecia agressivo, apenas contemplativo. Durante algum tempo, ele apenas pensou a respeito daquela invasão e das palavras de Oneiros. Elas pareciam verdadeiras, mas estavam amaciadas demais. Provavelmente ele não havia contado tudo. - Então, desejas ir até o Tártaro. E como pretendes nos libertar? Sabes algo sobre o Arco de Épiro, por acaso? E como podemos ter certeza de tua fidelidade, se já és um desertor? Podes simplesmente buscar poder, e qualquer um a quem pareça-te vantajoso associar-te terá a tua preferência. Se já traiu teu antigo senhor, que garantias teremos de que também não nos trairás? Ademais, não estou convencido de tua admiração pela raça humana. Como podemos ter certeza de que não pretendes utilizá-los como meros peões para teus objetivos, e que serão descartáveis no momento adequado? Jápeto era o "patrono" dos humanos, e portanto, era um dos titãs mais curiosos e inquisitivos. Chronos sabia disso, e era por esse motivo que Jápeto aparecia como sua primeira "barreira mental" que Oneiros deveria vencer. Todos os argumentos do titã faziam sentido, e todos os questionamentos eram relevantes. O que Oneiros responderia? |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Mar 27 2012, 01:18 PM Post #14 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
O deus dos sonhos pensava que sua oratória seria suficiente para passar rápido por aquele guardião, mas viu-se enganado. Jápeto atacou-o com perguntas para as quais sua mente começou a formular respostas. Tudo fazia sentido, não havia nada de absurdo nos questionamentos do titã e, por isso, Oneiros decidiu ter todas as respostas à ponta da língua... Não podia deixar dúvidas na mente de Cronos. O senhor dos sonhos fechou os olhos e começou a caminhar na direção dos vitoriosos humanos e, quando se aproximou deles, a imagem congelou. Os humanos não respiravam, não se moviam... Tudo obra de Oneiros, que começou a circundá-los levemente, encarando-os com um olhar não muito amigável, embora não ameaçador. - A bem da verdade, titã da vida mortal, Jápeto, respondo-lhe: o que me atrai na raça humana são seus sonhos. Por séculos coordenei o sonhar humano e vi beleza e tragédia infinitas na alma dos homens. E é verdade, até então, eu continuava aceitando e acreditando nos sonhos ainda belos e, às vezes, ainda trágicos desta humanidade... Mas ela desvinculou-se do seu caminho certo. Eu defendo que, embora possa prosseguiir e evoluir, a humanidade deve prestar conta com seus tutores, com seus deuses. - Oneiros voltou-se para o titã, sabendo que, mesmo longe (caso ele não se aproximasse), ele continuaria a ouvi-lo. - A humanidade não deve morrer, Jápeto, mas no fundo acredito que ela deve viver sob a sombra dos seus deuses. Não aceito que nós, os deuses - sejam olimpianos ou titãs - sejamos esquecidos por esse povo do barro... Nossa era deve retornar. O olimpo provou-se ineficaz de manter sua presença no mundo humano e deve ruir; então, um ser mais severo e poderoso poderá retornar para colocar tudo no seu devido lugar... E esse é Cronos, o líder dos Titãs. Conforme falava, a mão aberta do oneiroi se erguia ao céu, fechando-se no final da fala como se o deus menor desafiasse o mundo com suas ideias, com seus desejos. Não bastasse, Oneiros também encarava o céu. Sua convicção era verídica. Ele fitou o titã inquisidor novamente e, em uma passada, sumiu e ressurgiu ao lado deste, observando a humanidade voltar a comemorar o sucesso de sua caça. Percebendo que estava deixando-se levar, o oneiroi ateve-se às perguntas feitas, ao invés de fugir para assuntos paralelos. - Eis o que penso sobre a humanidade, Jápeto. A pura verdade: os acho seres magníficos em sonho, mas hediondos na realidade. Como senhor dos sonhos, estive por séculos preso à minha função: garantir que humanos e deuses tivessem deleite durante o descanso, estivessem eles vivos ou mortos. Em tempos recentes, fui forçado a participar de uma competição secular entre meu antigo senhor, Hades, e Pallas Atena. Decidi quebrar esse círculo vicioso, ó, titã. Confesso que pouco sei sobre este Arco de Épiro, pois nem todos os sonhos eram cabíveis à minha administração, principalmente àqueles relacionados aos heróis abençoados por deuses. É, também, verdade a minha deserção para com o Olimpo, e apresentei à ti meus motivos. Não tenho intenção de desertar também de Cronos, Jápet; se não, que sentido eu teria? Para que existe uma entidade se ela não tem a quem servir? |
![]() |
|
| Narrador Principal | Mar 27 2012, 11:55 PM Post #15 |
![]() ![]()
|
Oneiros era incrivelmente astuto. Mesmo que estivesse mentindo, seria difícil dizê-lo, pois suas convicções pareciam bem verdadeiras. Jápeto o encarou durante alguns segundos, que pareceram durar por uma eternidade, e finalmente relaxou sua feição e sorriu. Se Oneiros estivesse mentindo, demorariam mais tempo para se libertar do que gostariam. Se estivesse falando a verdade, teriam uma chance real de reavivar as guerras primevas e buscar vingança por seu cárcere. - Tuas palavras são cautelosas e sábias, Oneiros dos Sonhos, e és sabiamente respeitoso. Tua concepção sobre o destino apropriado da humanidade é congruente com a nossa, e por isso, eu, Jápeto, aceito a tua oferta de lealdade e amizade. Passarás por mais testes, pois teu poder ainda é pequeno para efetivamente nos ajudar. Precisas aprender a pensar como um de nós e almejar se tornar um de nós para que, só assim, possamos confiar plenamente no teu julgamento. Ambicione o teu lugar como um de nós, e o terás justamente como recompensa por teus atos. E sobre o Arco de Épiro, deves perguntar a Céos. Agora vá, e não me faça arrepender-me por tê-lo deixado passar por aqui. Deves subir esta montanha escalando, como se humano fosse, para atravessar até o outro lado das eras. E assim, uma montanha se elevou do chão, destacando-se entre todas as outras na interminável cadeia. Ela era muitíssimo elevada, e parecia atravessar as nuvens, embora continuasse muito larga, mesmo em seu cume. ![]() |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Mar 29 2012, 12:43 PM Post #16 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
O desafio de Jápeto terminou. Oneiros seduziu o titã com suas palavras e a passagem fora permitida, mas não de uma maneira fácil ou agradável. Um pouco distante, a montanha que ostentava o caminho para o próximo sonho se erguia imponente, desafiando-o a escalá-la não como deus, mas como um humano. Jamais haviam forçado o senhor dos sonhos a agir como um reles mortal e, diante da situação, Oneiros tentou conter seu desgosto. Antes de partir, o deus dos sonhos trocou mais algumas palavras com Jápeto: - Agradeço pela permissão, titã. Levarei suas palavras comigo enquanto supero o desafio imposto a mim. Até breve, Jápeto. Com um sorriso cordial, ele começou a caminhar na direção da montanha, eventualmente parando para apreciar a cena dos tempos antigos evoluindo ao seu redor. Ele tinha certeza, pelo tamanho da montanha, de que não encontraria outra cena pacífica em um bom tempo. Será que seu irmão estaria preocupado com ele? Oneiros riu. Por que pensar aquilo? Ele e Phantasos não eram mais que aliados temporários, não havia motivo para preocupação mútua. Quando extinguiu os devaneios da sua mente, o deus dos sonhos procurou um ponto de apoio: era hora de iniciar a escalada. Após o início da subida, o deus menor finalmente pôde refletir em paz. Gostar de humanos? Isso era algo que o deus dos sonhos deixara de fazer há séculos, quando ministrar as quimeras humanas deixou de ser um prazer para se tornar um pesadelo. O incômodo sobre o assunto não veio das palavras que foram ditas para enganar o titã, mas do fato de existir alguma sinceridade nelas. Estaria o oneiroi sentindo falta do seu cargo no submundo? Impossível. Ele jurara vingança contra o Olimpo e contra a raça humanam, simplesmente não fazia sentido. Primeiro o irmão e agora isso? A instabilidade da sua união com Pedro, seu hospedeiro, começara a preocupá-lo. Talvez esse fosse um ponto a discutir com o líder dos titãs: o extermínio dos resquícios humanos na pisque de Oneiros. Quando já estava há alguns metros do chão, as palavras de Jápeto voltaram: almeje tornar-se um de nós. Ele já ponderara sobre o assunto... Mas poderia mesmo um deus menor evoluir à deus? Ficar tão forte quanto um olimpiano?... A ideia agradava ao espectro, Vários objetivos moldavam-se conforme Cronos o testava e, se dependesse do oneiroi, todos eles seriam alcançados. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Mar 29 2012, 11:36 PM Post #17 |
![]() ![]()
|
Durante sua longa subida, que pareceu demorar uma eternidade, Oneiros mentalizou todas as experiências vivenciadas por Pedro de Aragão e por ele próprio, como se um "filme" passasse em seus pensamentos. Não era algo que Oneiros desejasse, simplesmente aconteceu. Provavelmente era uma das características daquela estranha montanha. Enquanto ia escalando, Oneiros podia notar que o povo hominídeo no solo parecia evoluir lentamente. E repentinamente, um meteoro cruzou os céus. Oneiros viu-o explodir contra o solo violentamente, enviando uma onda de choque, fumaça, cinzas, detritos e fogo que só não o atingiu por conta da altura incomensurável que Oneiros se encontrava. No céu, era possível ver auroras (não importando se boreais ou austrais), o que mostrava que a atividade solar havia se intensificado. Não obstante, começava a esfriar. Um cenário estranho e aparentemente apocalíptico tomava lugar. O céu abaixo de si foi coberto por uma espessa camada de poeira, impossibilitando-o ver mais qualquer coisa. E nesse momento, sentiu uma presença cósmica aparentemente ainda mais poderosa que a de Jápeto, e quando viu um platô coberto de neve, soube que havia acabado a sua subida. Então, ele avistou o titã que tomava conta daquele lugar. - Jápeto me avisou sobre sua chegada, invasor. Mas saiba que não passará daqui se não despertar a Visão. Eu sou Hipérion. ![]() |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Apr 1 2012, 11:31 PM Post #18 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
Por quê? Por que estava vivenciando as memórias do seu hospedeiro?! Cada vez mais Oneiros usava a força se seu corpo para acelerar a subida, estava farto daqueles pensamentos humanos! Ele era Oneiros, o regente dos sonhos, e não Pedro de Aragão! Quando reorganizou seus pensamentos, o deus menor pôde voltar a examinar os seus arredores. Ele olhou abaixo para avaliar o quanto subira daquele monstro de pedra e constatara uma altitude inacreditável. Apesar de tudo, sua consciência onírica permitiu-lhe observar a evolução dos homens antes da catástrofe que culminaria na era do gelo. Finalmente seu sofrimento terminou. O frio dominava o cenário, mas não incomodava o senhor dos sonhos, que manipulava seus arredores para não ser tão afetado pela queda de temperatura. Naquele platô gelado, identificou o cosmo poderoso que o incomodou durante boa parte da subida: Hipérion, o titã descrito pelos humanos hora como pai do sol, hora como o primeiro a entender os astros, hora como Helios Hipérion, o lorde da luz . Oneiros não sabia, sobre os titãs, nada mais do que os sonhos dados pelas musas aos antigos poetas. Qual seria a verdadeira face do titã a sua frente? - Hipérion! Não imaginavas tu como meu segundo interlocutor. Por favor, não me tome por um invasor, mas sim como um colaborador. - A voz de Oneiros não estava tão suave como a de outrora. Ele parecia mais direto: agia de maneira semelhante ao término do diálogo com Jápeto. Apesar de tudo, tinha que dar continuidade à sua personalidade. - Pouco conheço de ti, titã, pois menos ainda as musas inspiraram os poetas a cantar sobre tu; a que visão se referes, lorde Hipérion? Oneiros tomava cuidado com suas palavras. Ele parecia mais direto, se mostrava interessado em ouvir mais sobre aquela figura mitológica, afinal, quaisquer conhecimentos extraídos da mente do lorde titã. Cronos, poderiam lhe ser úteis. O deus dos sonhos sorriu para seu interlocutor, levando um braço ao peito e curvando-se levemente para mostrar sua vontade de servir, mesmo que falsa. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Apr 3 2012, 10:25 PM Post #19 |
![]() ![]()
|
![]() As auroras continuavam intensas, e sua energia ressonava com a cosmo-energia de Hipérion. Ele parecia insanamente poderoso, talvez quase tão poderoso quanto Chronos, e isso só impressionava Oneiros cada vez mais. Ele não parecia sorrir, tampouco mudar a expressão facial ou diminuir sua natural agressividade cósmica. - A Visão... o entendimento pleno de todos os sentidos em todas as suas vidas, as lembranças de todos os aromas que já sentiu, de todos os sabores que já provou, de tudo o que tocou, de todos os sons que ouviu e das imagens que viu. Tudo o que você está percebendo com seus cinco sentidos desde que entrou aqui é a vivência de um ser divino desperto e consciente de toda a sua longa jornada. Você precisa despertar a Visão. Caso não o faça, não passará daqui. Adiante, seus poderes não passarão a valer nada, deus dos sonhos. A chama de Prometeu que queima em você será o único alento que terá, e precisará descobrir como sobreviver sem seu poder ou sua pompa. O ambiente esfriava numa velocidade absurda. Se Oneiros não estivesse protegido pela kamui dos sonhos, já teria congelado. E do outro lado do platô, Oneiros poderia enxergar neve caindo do céu em grande quantidade. O que exatamente Hipérion queria dizer com tudo aquilo? |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Apr 5 2012, 04:34 PM Post #20 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
- Compreendo tuas palavras agora, titã, mas me tomas por quem? Há séculos despertei a "visão" de que falas, tanto o é que a compreendi ao longo dos anos e, assim, evoluí não só em poder, mas em sabedoria. Não sou o senhor dos sonhos por acaso, nobre Hipérion. Mostrar-te-ei, através do meu cosmo, o meu nível de compreensão do universo e julgará-me apto a prosseguir ao próximo encontro. Oneiros estava confiante. Ele não falava mentiras: Hipérion referia-se à compreensão do mundo, ao entendimento das vivências mundanas; Oneiros já passara por aquela fase há muito tempo, como poderia o titã dizer o contrário? Com os olhos fechados, o cosmo do deus dos sonhos começou a crescer jogando uma pequena área ao seu redor numa penumbra. Em sua concentração, lembrava-se das suas experiências. Interferência. Um pulsar distante dentro da alma do deus dos sonhos começou a reavivar memórias de uma maneira inesperada: quando ele e seus irmãos deliciavam-se com a possibilidade de ir à Terra durante as guerras santas; sua época de orgulho por servir Hypnos e o Imperador do Submundo; sua época de tristeza com a perda dos irmãos para os santos de Atena; ele estava lembrando tudo em uma perspectiva humana. Cerrando os dentes, Oneiros tentou controlar seu espírito interior e organizá-lo na compreensão desejada por Hipérion, mas estava falhando. Seu cosmo não conseguia absorver, compilar e enviar a compreensão da percepção real para o titã. Algo estava errado. O cosmo onírico foi perdendo seu brilho até desaparecer. Nos segundos seguintes, o deus menor entendeu o porque daquilo ocorrer. A irritação tomou conta da face do deus por alguns momentos. Ele fora derrotado sem ao menos enfrentar seu oponente. As palavras do titã voltaram à mente do deus menor: adiante, teus poderes não valerão nada. A chama de Prometeu que queima em ti será teu único alento.... Tudo fez sentido. - Minha alma divina conhece os segredos da visão, Hipérion... Mas o que dizes é que ela está obstruída pela minha chama mortal. Meu espírito não está em sintonia com o do humano. - Oneiros estava atônito. Ele sempre obtivera domínio total sobre seus hospedeiros, sempre adaptara seus corpos e almas para uma união e sincronia perfeitas... Por que Pedro de Aragão era tamanho empecilho? Por que o mercador não o aceitava, por que ainda pensava naquela maneira terrena de ver a vida!? Oneiros estava desgostoso. Hipérion atingira-o em um ponto delicado. -Falta a mim e ao meu hospedeiro o conhecimento primeiro; o conhecimento necessário para o que já sei. Aprendi as coisas pela metade, então, titã? Seus passos em direção ao platô nevado eram pesados, embora decididos. Oneiros parou a poucos metros do titã, encarando as auroras que dançavam sobre eles. Pela primeira vez desde que chegou ali, o deus dos sonhos começou a sentir frio. Pela sua vontade, o calor de seu corpo ia aos poucos para o ambiente de maneira que não congelava, mas não deixava de sentir a queda na temperatura. Ele uniu as mãos abertas e fechou os olhos; seu cosmo começou a brilhar... E ele começou a se lembrar. Das últimas guerras santas. Das últimas batalhas que lutou. Dos abraços que trocou com seus irmãos outrora... Tudo. Ele precisava compreender, não era? A compreensão advém do estudo e da observação. Ele iria lutar consigo mesmo para lembrar de tudo que vivenciara nesta e nas guerras passadas... Até mesmo as lembranças do seu atual hospedeiro deveriam ser revistas, embora com muito cuidado. Oneiros evitava suas lembranças com relação à rebelião e aos encontros com Phantasos... Não queria seu passado interceptado na totalidade por Cronos. Lembrar e aprender. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Apr 7 2012, 01:34 AM Post #21 |
![]() ![]()
|
Oneiros fez seu exercício de concentração. Hipérion esperou em silêncio. Enquanto Oneiros se lembrava de suas vidas anteriores, tudo parecia normal. Ele ainda detinha todo o conhecimento acumulado, todas as guerras santas anteriores e tudo o que ele vivenciara apareciam perfeitamente em suas memórias. E de repente, quando pensou ter terminado, foi afligido por uma angústia incrível, e um sentimento crescente tomou sua alma: a saudade. Ele estava começando a acessar as memórias de Pedro, e uma saudade incrível de seus pais e de sua terra natal começaram a assolá-lo. Muitas imagens diferentes apareciam, desde a concepção de Pedro, passando por seu crescimento, sua educação, o convívio com seus pais, até o momento em que foi encontrado por Oneiros, e todas eram acompanhadas de sons, como o seu choro quando criança, ou a explicação de seu pai sobre os fatos da vida; de sabores, como os primeiros alimentos que experimentou até os doces que sua avó lhe fazia; de aromas, como os das flores que ele costumava ver às margens do Tejo, ou a maresia da qual nunca se cansava; e de sensações, como seus primeiros passos ou as carícias que sua mãe lhe fazia. Tudo isso vinha em um grande turbilhão, que deixou Oneiros sem fôlego. Ao perceber essa situação, Hipérion voltou a falar. - Para encontrar sintonia com teu hospedeiro, deves compreender-lhe a essência humana. Não só do teu hospedeiro atual, mas de todos que tivera. Todas as percepções, todas as vivências, tudo. Se não consegues fazê-lo, como esperas ser nosso aliado? Se a chama de Prometeu não queimar em ti, não serás um de nós. O frio só aumentava. "A Chama de Prometeu, A Chama de Prometeu, A Chama de Prometeu..."; aquilo reverberava em seus pensamentos como se fosse a chave para obter poder. Embora Oneiros desprezasse os humanos, não podia esquecer que os deuses os invejavam, e por algum motivo real. Teria realmente relação com o momento em que foram criados? Imerso em suas reflexões, Oneiros sentiu Hipérion se afastar. O frio agora era insuportável, e o ar, sendo rarefeito, estava cada vez mais difícil de se respirar. Ele precisava descobrir a verdade, ou acabaria morrendo ali! De quem era o sonho? De Chronos, ou dele? Seria possível o deus dos sonhos morrer dentro do sonho de uma entidade, ainda que tão poderosa quanto um Titã? As respostas precisavam aparecer rapidamente. Ele precisava compreender a chama. |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Apr 7 2012, 01:54 PM Post #22 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
Emoções. Sentimentos humanos considerados desnecessários pelo deus estavam assaltando-o de dentro para fora, dominando cada centrímetro do seu ser. Oneiros caiu de joelhos no chão enquanto Hipérion se distanciava, as mãos estavam na cabeça, lutando para conter uma dor terrível. Ele sentia sua alma fragmentar-se entre divino e mundano; um peso no seu peito o levava ao chão. Saudade. O desejo de reaver algo perdido há tempo; aquilo era a saudade? Os humanos sofriam com um sentimento tão horrível assim? Quem Pedro de Aragão pensava ser para fazer o deus menor passar por tamanha desolação? O frio foi afastado pelo cosmo onírico em frenesi. O corpo do deus levitou conforme ele se encolhia em uma posição quase fetal; seu cosmo criava em torno de si uma esfera opaca de escuridão, prendendo Oneiros em um sonho dentro de sonho. Ali, ele reviu vidas passadas incontáveis vezes, tudo em questão de segundos, até que a velocidade com que as memórias – fossem boas ou ruins – voltavam diminuiu, freando na vida do seu atual hospedeiro. Uma verdadeira demonstração da retrocognição. As lembranças do humano mesclavam-se, formando duas imagens simultâneas que lutavam para cravar-se ao mesmo tempo no cérebro do oneiroi. Sobrevivência. Oneiros lembrava-se do dia da sua captura, quando seu pai o rasgou nos três oneiroi: Icelos, Phantasos e Morpheus, que batalharam contra ele e o venceram, jogando-o dentro de uma prisão no seu próprio domínio: o mundo dos sonhos. Os momentos anteriores, quando estava sendo torturado por seu pai, foram os primeiros em que temera verdadeiramente por sua existência. Simultaneamente, a imagem da tempestade que quase afogou Pedro no mar, aos treze anos, passou diante dos seus olhos. Verdade. A imagem mudou completamente: Oneiros tentava recuperar o controle do seu próprio cosmo, mas falhou. Ele se viu diante das três Moiras, diante do próprio fio do destino... um fio que tinha fim. Aquela guerra santa seria a sua última e, tomado pela raiva, puniu as ousadas senhoras da morte, enclausurando-se por séculos dentro do mundo dos sonhos. Ele não queria morrer, ainda não temia a morte... a experiência não lhe era palpável, tampouco imaginável. Prazer. A imagem mudou. Pedro e Henrique estavam diante de um estranho mercador, este dono de dois objetos de aparente valor e de incontáveis mistérios. Uma bela ânfora branca e um grande baú negro – Oneiros bem sabia que era o baú onde estava sua súrplice. Após um breve diálogo, Henrique comprou a arca para o seu filho e Pedro começou a trabalhar com o pai para pagá-la: o deus dos sonhos sentiu na pele a formidável felicidade do menino, o prazer de ter um desejo realizado com o próprio esforço. Os pensamentos começaram a se organizar notoriamente. Esclarimento. Finalmente compreendeu. Induzido pela batalha entre as duas almas dentro de si, o cosmo onírico revelava ao deus dos sonhos o caminho que percorrera através das memórias do hospedeiro até chegar de fato a mente do deus menor. Ele estava mostrando a evolução do cosmo no corpo de Pedro – do quinto ao oitavo sentido – conforme as memórias das duas criaturas se mesclavam com o passar dos anos. Subitamente uma nova dor surgiu no seu peito. O cosmo brilhou mais uma vez. Amor. A cena mudou para o reencontro entre a Isabel, a mãe de Pedro, e Henrique, no leito de morte deste. Lembrou-se de como fora terrível aquele momento, como sentira o pesar do jovem Pedro permear a sua mente conforme lutava para livrar-se dos seus aspectos mortais, afinal, queria tornar-se plenamente divino. O tempo que passou morando com a viúva quase o tragou para a realidade mundana, bem se lembrava ficar feliz com a demonstração de afeto maternal da mulher para consigo. Por um momento, também sentiu falta do amor humano. Cosmos. A compreensão do que via fez a visão do oneiroi chegar ao próximo nível: ele sentiu sua sabedoria de séculos tornar-se algo sensível. A escuridão era sua nova companheira naquela cena. Ao seu redor surgiram três orbes de luz a girar em uma lentidão incômoda. O filho de Hypnos logo reconheceu a materialização do seu poder divino, do seu oitavo sentido. A primeira orbe a cruzar sua vista portava imagens das riquezas da companhia de navegação; imagens dos adornos nos palácios dos sonhos; prêmios ganhos por suas vidas passadas... Era a materialização do seu skhanda material, Rupa. O segundo orbe estava repleto de sonhos: sonhos humanos, sonhos divinos, mensagens dos deuses aos seus heróis... Logo reconheceu ali o seu skhanda platônico, Samskara. O terceiro orbe, diferente dos demais, insistia em perder o seu brilho lentamente... Pouco a pouco estava se fundindo com a escuridão. Oneiros esticou a mão para alcançá-lo, mas algo o impedia, algo segurava seus braços sempre que estava prestes a tocar aquela compreensão adquirida... Ele sabia o que era. Era a “visão”; a metade perdida da compreensão desejada por Hipérion. O que o impedia de alcançá-la?!... Força de vontade. A escuridão ao seu redor moldou-se no quarto de Henrique no “O Mercante”. Lá, um ingênuo Pedro abria a arca negra que continha a kamui do deus dos sonhos. A cena congelou quando a armadura de Oneiros tinha acabado de cobrir o corpo do marinheiro... E algo um tanto inesperado ocorreu. Um Pedro de Aragão, também trajado na súrplice de Oneiros, surgiu a frente do deus dos sonhos. Aquele sonho dentro de sonho tinha chegado na personificação do seu conflito interno. Oneiros estava face a face com seu hospedeiro. - ...Como ousas, humano?!... – Berrou o senhor dos sonhos. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Apr 8 2012, 05:17 PM Post #23 |
![]() ![]()
|
Lentamente, o processo que Oneiros desenvolveu o colocou num sonho dentro de um sonho, um nível mais profundo, que protegeu seu corpo onírico que ainda era observado por Hipérion. Após rever um a um os kýklos do sétimo sentido que havia despertado junto com Pedro, e os Skandhas do Oitavo Sentido aos quais havia conseguido acesso, devido à experiência acumulada que mantivera intacta, ele chegava ao momento crítico, no qual a Visão lhe fazia falta. E assim que percebeu Pedro vestido com o suplício, parecendo ele mesmo o deus dos sonhos, sua exclamação apenas evidencia o conflito, do qual ele esteve ciente o tempo todo, ainda que não lhe desse prioridade. Pedro, com sua voz e sotaque característicos, respondeu a Oneiros. - Tu és incompleto, Oneiros. Não serás nada sem mim. Sem o Vedana, não conseguirás entender o que é a Chama de Prometeu, nem utilizá-la a seu favor. Eu posso sentir na tua mente que não fui teu único hospedeiro, mas tu fizeste questão de obliterar as tuas memórias de todos os demais, por seres orgulhoso. Eles também tiveram vida, sentimentos, aspirações, desejos. E sem eles, tu não serás nada. Ao lembrar da minha vida, eu me fortaleci mais do que ti, pois eu sou completo. Tu nunca o serás, a menos que aceites que é parte de mim, e não o contrário. A Visão só é alcançada pelos humildes. Cada vez parecia mais claro que Oneiros havia deixado algo para trás. À distância, ele enxergava pequenos orbes quase translúcidos, que mal podiam ser vistos. Estes orbes provavelmente representavam as sensações experimentadas por todos os hospedeiros que vieram antes de Pedro, às quais Oneiros havia renunciado, por orgulho. E agora, confrontado com aquela amarga verdade, Oneiros renunciaria a seu orgulho para obter mais poder, ainda que precisasse rever vários conceitos e mudar algumas de suas atitudes? Pedro parecia esperar pela resposta de Oneiros, olhando-o seriamente. |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Apr 9 2012, 06:07 PM Post #24 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
Incrédulo era a palavra perfeita para descrevê-lo naquele momento. A verdade doía-lhe em todos os ossos, alfinetando o que restava de calma e sanidade na mente de Oneiros. Com a respiração pesada, o deus menor caminhou a passos pesados até o seu hospedeiro, levantando Pedro de Aragão pelo pescoço; os olhos vazios do oneiroi encararam os olhos cheios de vida o humano, um contraste evidente. O deus menor controlava-se o máximo que podia para não gritar de desgosto, para não deixar a fúria que o assolava se esvair em calúnias, pois tudo corrobaria as palavras do seu interlocutor. - ...Eu sou um deus, Pedro de Aragão. Um DEUS! Como ousas me minimizar, chamando-me de incompleto?... Não tolerarei tamanha blasfêmia! Escuta, humano. Em épocas passadas, aceitei a comunhão com meus hospedeiros e junto com eles vivi uma vida. Por curtos períodos de tempo, eu fui humano, mas tua raça cisma em enojar-me! Oneiros jogou Pedro contra a parede da cabine, mas o choque entre eles pareceu nunca acontecer. O âmago do senhor dos sonhos estava tomado pela inveja. Ele bem sabia que o único motivo que explicaria a aparição do humano ali era ele próprio ter dominado o uso do cosmo onírico... Seu hospedeiro estava superando-o em poder. Inadmissível, inacreditável... Como a raça humana podia se provar superior até mesmo ao senhor dos sonhos?!... O filho de Hypnos prendeu Pedro entre si e a parede da cabine: um com ódio no olhar, o outro respondia com calma e solenidade. Duas entidades tão diferentes, mas ao mesmo tempo, tão iguais. A inveja o beliscou novamente. - Maldito seja, Pedro de Aragão! O que tu sabes de mim? Eu sou Oneiros, filho de Hypnos, o senhor dos sonhos! Sabe o que significa ser o senhor dos sonhos? Significa viver uma eternidade sem sonhos, sem aspirações, sem desejos ou vontade própria, significa abrir mão disto tudo para dar à humanidade uma maneira, mesmo que abstrata, de suportar a dura realidade que os cerca! Eu vivi por vocês durante muito tempo, humano. - A voz de Oneiros era áspera e cheia de rancor. Ela parecia rasgar-lhe a garganta, mas mesmo assim ele prosseguiu. - "É minha função", tu poderias dizer, e não estarias mentindo, mas não sabes como o ofício de deus pode amargurar uma alma, rapaz. Sempre que a guerra santa acabava, eu perdia o dom humano de sonhar; voltava ao meu trabalho interminável de comandar os sonhos. Diga-me, alguma vez ouviu falar de mim? Alguma vez fez oferendas à mim, Pedro de Aragão? NÃO! Todas as graças iam para Zeus, Poseidon, Deméter... Nenhuma para mim! Aqueles deuses tinham o direito de sonhar, pois EU lhes dava essa dádiva humana! Após uma breve pausa, Oneiros suspirou e começou a pressionar Pedro contra a parede da cabine, asfixiando-o pouco a pouco. - E mesmo assim, vocês, humanos, começaram a descobrir a ciência. Começaram a desvencilhar-se dos deuses que criaram vocês, que cuidaram de vocês!... Se os grandes deuses seriam esquecidos, o que seria de mim, então? Eu, que sempre fui deixado de lado?! Eu me decepcionei com os humanos, humanos estes que eu admirava!... Eles precisam ser corrigidos, Pedro de Aragão. Precisam voltar ao destino trilhado pelos deuses. As palavras de Oneiros pareciam demonstrar sua vontade de prosseguir sem o poder da chama de prometeu, mas seria isso possível? Hipérion queria uma visão completa; queria que Oneiros aceitasse os humanos... Não haveria outro jeito de prosseguir?... Ele teria que pisar em cima do seu rancor, do seu ódio?!... Ele ponderou enquanto agredia o outro senhor dos sonhos, sua versão humana. Com um urro, Oneiros ergueu o punho e socou a parede ao lado de Pedro, que assistia impassível aquela infantilidade. O oneiroi ergueu a mão livre e, acima dele, pareceu formar-se um vácuo que sugava tudo, chamando aqueles orbes quase insíveis para si... As memórias dos seus antigos hospedeiros, seus desejos, seus sonhos... Deveria mesmo prosseguir com aquela hipocrisia?... Ele precisava de poder, afinal. Poderia suportar o peso das suas ações no futuro?... No fim, ele sentia-se um pouco mais leve; aquele desabafo parecia ter clareado sua mente para o seu objetivo. Há séculos não tinha alguém com quem pudesse contar, mas não se daria ao luxo de confiar seus pensamentos mais internos a um humano. Precisava inverter aquela situação: Pedro deveria voltar a ser parte de si. - Mostre-me, Pedro de Aragão. Mostre-me com suas duras palavras, todas recheadas de verdade, o motivo de um dia eu ter admirado tua raça! Oneiros tentou reunir todas aquelas memórias esquecidas em um só espaço, usando elas mesmas para fortalecê-las, como se aqueles anseios tão diferentes pertencessem a uma só entidade. O filho de Hypnos abaixou sua mão e se afastou de Pedro, erguendo aquele orbe reluzente na altura da face do interlocutor. - Mostre-me que posso aceitar tuas memórias como minhas, e que você pode aceitar as minhas memórias como tuas, Pedro de Aragão. - Conforme falava, o orbe, antes pura luz, mesclou-se com algumas manchas de escuridão. As próprias memórias do senhor dos sonhos. - Vamos nos tornar um só. Estou disposto a fazê-lo pelos meus objetivos; pois duvido que me faça reconquistar o apreço quase paterno que eu tinha pela humanidade. Eu quero a Chama de Prometeu. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Apr 10 2012, 09:46 PM Post #25 |
![]() ![]()
|
Pedro havia sido atirado contra a parede, mas não pareceu sequer abalado. As orbes que Oneiros invocara começaram a se mesclar com a escuridão, que eram as memórias de Oneiros, mas ainda assim o deus menor dos sonhos não conseguia acessá-las. Foi então que Pedro começou a rir. Na verdade, a gargalhar. Um eco tão sórdido que parecia um escárnio profundo, sentido em seu âmago como a pior das ofensas. Em uma das mãos de Pedro, contudo, uma chama pareceu tremular. Era uma chama vívida, que não parecia queimar em si, mas gerava calor, uma sensação reconfortante que Oneiros reconhecia em Pedro como a libido. O desejo. O sexo. A consciência. A capacidade de se reproduzir. Tudo aquilo que tornava os humanos verdadeiras criações com capacidade de moldar o Universo. Aquela chama era algo tão inacreditável, tão inalcançável, tão majestoso... que Oneiros perguntou-se como uma dádiva daquelas era carregada por cada mero humano que vivia no mundo. ![]() - Tua inveja te denuncia! Precisas decidir o que queres ser, Oneiros. Humanos superaram deuses em eras anteriores, e por isso até hoje há um estigma entre eles. Tu desejas superar os deuses existentes, mas não poderás fazê-lo jogando pelas mesmas regras que eles. Se fores como eles, jamais conseguirás ascender! Tudo o que tu clamas ter feito sem reconhecimento assim o foi porque eras mero peão das divindades. Tinhas uma função que a maioria dos humanos desconhecia, eras uma sombra de teu pai, e por isso nunca foste venerado! Não percebes, Oneiros? Não percebes o quão humano desejas te tornar? Olha para os séculos esquecidos, mergulha nas memórias das vidas passadas, e em como teus hospedeiros alcançaram glórias! Não porque eras o deus que os controlava, mas porque tinham a chama em si! A Chama de Prometeu!!! Teu hospedeiro não conceder-te-á a Chama se não reconheceres o valor dos que vieram antes dele. Minhas memórias serão tuas, mas e as deles? Olha nas orbes, olha nas tuas memórias e lembra-te... As orbes rodeavam Oneiros, esperando provavelmente por uma atitude extrema do Oneiroi para fundirem-se a ele. Na verdade, o bloqueio que o orgulho do deus menor criou impediu que as memórias continuassem acessíveis cada vez que ele deixava os corpos de seus hospedeiros para trás. Logo, a única vivência que ele carregava era a experiência imortal de sua alma divina. Mas isto estava prestes a mudar. Para ter a Chama de Prometeu, Oneiros deveria recobrar as lembranças de suas vivências humanas, para assim obter uma compreensão completa da Chama. Somente assim ele despertaria a Visão e passaria pelo teste de Hipérion. Será que ele conseguiria tal feito?. |
![]() |
|
| Dream Oneiros | May 2 2012, 09:29 PM Post #26 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
OBS: O post é longo, mas seu tamanho bruto foi resumido graças à tag spoiler. Surpreso, Oneiros fitou aquela bela flama, tão pequena, mas ao mesmo tempo tão poderosa. Foi observando-a que o oneiroi compreendeu o porque da raça humana ser tão especial; entendeu a inveja e desgosto que sentia. A raça humana, apesar da imaginária divisão de bem e mal, era uma raça perfeita aos olhos dos deuses. O filho do sono inveja a humanidade, pois ela possuí um dom que ele, um deus, não tem, e o desperdiçou contínuamente ao longo da história. Era preciso ensiná-los, guiá-los pelo caminho dos deuses que foram trocados pela ciência... Ela preciso dominá-los e mostrar a maneira correta de usar aquela dádiva. Oneiros entendeu; compreendeu que não precisava renegar a humanidade, que ele próprio expressava continuamente os sentimentos humanos: inveja, orgulho, raiva... Seu desejo não era o extermínio dos mortais ou uma mera vingança contra os humanos, mas sim a reconstrução da sua sociedade. Ele queria que aqueles sonhos, antes observados de um mundo atemporal, pudessem ser tragados do mundo platônico para o mundo empírico. Isso só seria possível com sua ascensão à um novo patamar de divindade: aquele acessível apenas aos humanos que se tornaram deuses. O deus dos sonhos ergueu a orbe, agora totalmente negra, acima da cabeça com uma única mão. A negritude das suas memórias, a própria essência do deus, expandiu-se na forma de impiedosos tentáculos para capturar aqueles resquícios de memória humana que vagavam pela sua mente. Um a um as orbes quase translúcidas foram envoltas pela escuridão e tragadas para si. Uma a uma elas foram unindo-se ao âmago de Oneiros e, conforme o faziam, abriam os olhos do deus menor para as lembranças antes esquecidas; seus olhos se arregalaram quando as imagens começaram a passar tão rápidas quanto um trovão. O massante de sofrimento, dor e tristeza, mas também de felicidade, satisfação e amor, tomou conta de tudo; Oneiros mergulhou no seu passado mais obscuro: aquele que não lhe pertence. [spoiler=1244 – 1204a.c. ~ Creto, o Conselheiro]As primeiras lembranças vieram-lhe a mente. Creto, filho de Faust e Othiria, já tinha seus sete anos; era a memória mais antiga acessível. A família, composta apenas pelos três, vivia na ilha de Creta sob o jugo do rei Minos, um confidente dos deuses e também um dos mais cruéis reis da história grega. Creto estudava as letras com o pai no dia de folga deste: Faust era membro do Conselho Minóico, responsável pelas questões diplomáticas e também um dos pouquíssimos civis que podiam entrar quase impunes, a qualquer momento do dia, na sala do trono. A mãe assistia o entusiasmo do filho ao desenhar as complicadas letras do alfabeto grego com prazer. Inspirado pelo seu pai, Creto almejava entrar para o Conselho e ser reconhecido em toda Grécia como diplomata e pela sua paixão pela oratória. Quando podiam, Faust e Creto praticavam discursos durante todo o dia; o pai ensinava-lhe a argumentar e a contra-argumentar; a aceitar a derrota e a saborear uma vitória. Por raras vezes alguns amigos do pai vinham dialogar com ele e, embora o aprendiz de conselheiro tentasse vencê-los num debate, a derrota se repetia. O tempo passado com pai era valioso já que o conselho tragáva-o cada vez mais para as questões do reino. Naquele pequeno fragmento, Oneiros reconheceu importantes sentimentos humanos, alguns dos quais compartilhava: amor, orgulho (no sentido de apreciar) e saudade. As cenas logo tornaram ao tempo passado com a mãe. Othiria também lutava para ganhar o pão de cada dia, pois se recusava a depender do dinheiro de Faust. Assim, cultivava um pequeno campo de legumes atrás da casa deles – que por sinal era bem modesta, praticamente um bloco de pedra com algumas aberturas para as janelas que eram bloqueadas apenas por cortinas. Os três colchões eram de penas e todos tinham travesseiros. A mobília era suficiente para uma vida simples, nada rebuscado como no palácio. - e os vendia após a colheita. Oneiros viu através dos olhos do seu antigo hospedeiro as várias horas que mãe e filho passaram juntos na rua em frente a casa deles; a mãe como uma vendedora amigável e Creto como seu anunciante, usando a oratória ensinada pelo pai para convencer os passantes a parar, dar uma olhada e, por fim, levar um saboroso legume para casa. Cada venda enchia os corações da dupla de felicidade, sentimento logo reconhecido pelo deus dos sonhos. A cena muda para a costa da Ilha de Creta. Lá, ao som do mar, o jovem aprendiz de conselheiro encontra-se com seus amigos diariamente, ao pôr-do-sol. Algum tempo já tinha passado e o rapaz datava dez anos. A vista é, sem dúvida, belíssima e o tempo parece parar enquanto o filho de Hypnos contempla a beleza do mundo mortal. Coincidentemente, era o jovem Creto que estava imerso nos seus pensamentos, sonhando com o futuro... Sim. Foi naquele derradeiro momento que Oneiros pôs seus olhos na criança. Lembrou-se das aspirações do rapaz: crescer e ter uma bela família era um sonho de quase todo humano, mas aquele rapaz sonhava com discursos, com vitórias em guerras alcançadas pela palavra, todo um mundo pacífico construído através das letras. Aquilo chamou a atenção de Oneiros, que passou a olhar de perto o jovem. Um grito tirou-o da instrospecção: seus amigos, Astréia e Sísifo, chegavam pulando sobre ele. Os três rolaram na direção do mar e só levantaram-se quando suas roupas já estavam molhadas e imundas de sal. Era de praxe: todos os dias eles tomavam um banho naquele belo panorama para por as novidades em dia e se divertir um pouco. Creto falava sobre o estudo com o pai e sua preparação para ser testado pelo conselho daqui há algum tempo; Astréia falava de como sua mãe, uma serva do palácio, estava ensinando-a a cozinhar para que se tornasse uma cozinheira do Rei e Sísifo contava sobre as viagens que fazia até o continente: sua família era Fenícia e, portanto, seu pai viajava bastante para negociar, mas ele a mãe viviam na ilha de Creta. Às vezes, Sísifo abandonava a rotina costumeira para navegar durante meses, normalmente trazendo especiarias de presente para os amigos, o que era o caso daquele dia. Sísifo deu à Creto e Astréia dois medalhões com símbolos do panteão grego: Creto ficou com uma caveira do mundo dos mortos, Astréia com uma flor de Deméter enquanto Sísifo tinha uma pena de Hermes. Qualquer um que conhecesse as lendas gregas não gostaria de receber um pingente com um símbolo dos mortos, mas Creto aceitou de bom grado: era um símbolo da amizade que tinha com Sísifo. Amizade e alegria foram os sentimentos marcados naquela cena. Vários anos se passaram até a próxima memória a ser revelada. Creto estava diante do pai, do rei e dos demais membros do conselho: era o dia do seu teste. Agora datava vinte e poucos anos. Seu pai já estava velho de mais para permanecer no conselho por muito tempo e este já estava se reciclando: Faust era um dos poucos membros ainda remanescentes da “chapa” antiga. O rapaz deveria apresentar um tema para debate e, se tudo ocorresse bem, a partir do próximo mês susbituiria o pai nos seus afazeres. O assunto não foi outro: a prisão e condenação de Nâmen, um bandido que assolava as famílias da cidade imperial. O rei Minos, um homem altivo, de longos cabelos brancos e expressão séria, dono de uma idade incomensurável, mas também de uma vitalidade assustadora, havia ignorado as ações do bandido por tempo de mais. No pescoço, o orador novo carregavva o brasão de Hades e o brasão de Hermes. Sísifo havia sido vítima de Nâmen e fora morto pelo bandido. Oneiros logo reconheceu a motivação do rapaz: vingança. O embate girou em torno do porque a guarda real deveria ser mobilizada, quando a “guarda civil” podia ser muito bem capaz de conter o bandido. A argumentação durou horas, a contra-argumentação dos conselheiros foi árdua e difícil, mas a vitória foi obtida... parcialmente. A guarda real caçaria Nâmen e o exilaria da ilha de Creta; mas sua morte não seria decidida pelo rei Minos. Irado, Creto aceitou seu ingresso no conselho com desgosto. Aquela fora a noite da visita: Oneiros descera à Terra e, em sonho, oferecera conhecimento e poder ao novo membro do conselho, conhecimento e poder para mudar o mundo. A guerra santa estava próxima e, sem dificuldades, o senhor dos sonhos já conseguira o seu hospedeiro. Após a possessão seguiram-se uma série de eventos que culminaria em uma batalha na própria Ilha de Creta. Oneiros adquiriu grande gosto pelo ofício do rapaz, razão pela qual hoje é astuto e bom orador; também conheceu o amor e o desejo, pois ainda vivia numa época onde compartilhava o corpo e mente com seus hospedeiros, ao invés de subjugá-los. Conheceu a desilusão, pois apaixonou-se pela filha de Minos, Ariadne, e a viu partir com Teseu. Entre altos e baixos, Creto e Oneiros também foram responsáveis pela nomeação de Minos como um dos primeiros juízes mortais, ao lado de Radamanto e Éaco, e por entregar-lhe a Súrplice de Grifo. A batalha que pôs fim à vida humana de Oneiros e ao reinado Minóico ocorrera na própria ilha: o embate de cosmos do deuses dos sonhos e do juíz de Grifo contra uma invasão dos santos de Atena causou, além da derrota dos oneiroi e da morte de Minos – diferente do que contam as histórias – a erupção do vulcão cretense, que devastou algumas embarcações santas e o império de Minos, pondo fim à vida não só de cavaleiros, mas também de espectros e cidadãos, entre os quais a família já idosa de Creto. Era o início do fim de mais um ciclo de batalhas.[/spoiler] As memórias deram um breve descanso ao oneiroi. O suor pingava do seu rosto enquanto ele erguia a face para encarar Pedro. Era incrível. Um misto de emoções humanas, das sensações que seus hospedeiros tiveram ao abraçar os pais, ao deitar com as esposas ou ao atingir um objetivo, estava sendo cravado no âmago do senhor dos sonhos. Oneiros abriu a boca para falar com o mercador enquanto mais orbes eram tragados da escuridão para si, mas foi invadido por uma nova onda de memórias: imagens e mais imagens; sensações sobre sensações; o filho do sono estava de novo imerso no passado. [spoiler=1190 – 1210 ~ Ivan, o Oniromante]Nas fronteiras da França havia um pequeno povoado auto-denominado como “Oníria”. Agora bem se lembrava, Oneiros já fora adorado uma única vez pelos humanos, embora fosse conhecido por outro nome: Reverie, um substantivo francês para “sonho”, “devaneio”. O povo de Oníria acreditava na existência de dois deuses: um do bem, criador de tudo que povoa o mundo das ideias (os sonhos), e um deus do mal, criador do mundo material; eram um povo similar aos cátaros. Por ser o único povoado na terra a conhecê-lo, mesmo que de uma maneira diferente, pois derivavam do cristianismo, ele foi acompanhado pelo senhor dos sonhos sem demora, chegaram até a receber atenção especial do deus menor, quando ele descia aos sonhos mortais para dialogar com os mais esclarecidos do povo: os sumo sacerdotes. Esses “servos de Deus” recebiam constantemente profecias do senhor dos sonhos, afinal, Oneiros possui a precognição e periodicamente o futuro lhe aparecia em meio aos sonhos humanos. A mais importante profecia de Oníria foi àquela a prever a descida do deus menor à Terra; Oneiros encarnaria no filho ilegítimo de um sumo sacerdote com uma camponesa. Por anos nenhum dos sacerdotes (ou sacerdotizas), pessoas idosas em sua maioria e já dotadas de grande conhecimento, falhou com ele: a ideia de seguidores desligados do mundo material se perpetuou. Anos mais tarde, Oneiros conseguiria convencer (ou melhor, fazê-lo cair na tentação) um dos sacerdotes a abandonar o caminho do consolamentum (rito através do qual o sacerdote cortava seu laço com o mundo material) para casar-se e conceber seu filho. Com as articulações certas, Isaac, um sacerdote, engravidou uma mulher já casada, Isabela. Tudo foi encoberto devidamente e ninguém suspeitou não só do pecado do sacerdote, mas também da ilegitimidade do filho. Nove meses depois o futuro hospedeiro de Oneiros nascia agraciado pela família e pelos amigos, mal sabendo que um caminho tortuoso o esperava. Os primeiros anos após o nascimento foram quase normais; Oneiros cortara seus contatos com os homens, o que os deixara preocupados, mas eles seguiram com sua fé. O jovem Ivan era mimado pela sua mãe e pelo seu pai (Fred, o esposo de Isabela) na medida do possível. Sua educação seguiu como a de todos os rapazes da época, limitada ao nível camponês: por isso, Ivan era mais letrado na doutrina de Oníria do que nas quatro operações fundamentais da matemática. Sua personalidade lhe conferiu vários amigos, muitos deles verdadeiros e que durariam por uma vida; foi nesta encarnação que Oneiros compreendeu plenamente o conceito de amizade humana. Anos mais tarde, quando Ivan já estava na adolescência, Oneiros voltou a aparecer nos sonhos dos camponeses com um frequência cada vez menor, mas logo limitou-se a uma única pessoa: seu hospedeiro. O rapaz logo foi transformado no mais alto sacerdote de Oníria, pois somente ele tinha contato com o divino e poderia repassar os ensinamentos do senhor dos sonhos. A partir daí surgiram vários interesseiros que se apegaram ao rapaz na tentativa de cair nas graças do seu deus, mas eles foram devidamente identificados como farsantes devido a falsaidade dos seus sentimentos; Ivan conseguiu manter-se imune aos aproveitadores e fiel aos seus verdadeiros amigos. Quando completou vinte anos, Oneiros desceu para o corpo do rapaz. Era uma época próxima da guerra santa e, por isso, não estava com todo seu poder: seus três irmãos também deveriam encarnar em breve. Agora em corpo humano, o oneiroi passou a conviver diretamente com seus seguidores, falando com mais frequência e profetizando o futuro com maior precisão; esse tipo de precognição seria conhecido como oniromancia, quando o usuário prevê o futuro através dos sonhos. Infelizmente, era época de inquisição e as técnicas de predição do futuro eram muito mal vistas pela Igreja Católica. O tribunal da inquisição chegou devastador ao povoado e exterminou-o por completo; Oneiros, apesar da sua resistência, foi surpreendido por usuários de cosmo que não seguiam aos deuses gregos, mas sim a algo desconhecido para ele: “Deus”. Devidamente capturado, o deus menor foi levado à fogueira e encontrou sua morte antes mesmo do início da guerra santa. [/spoiler] A volta ao mundo 'real' foi como um baque. Oneiros estava ofegante e esboçava uma irritação no seu rosto, olhando para Pedro com escárnio. Talvez o humano partilhasse com ele as visões sobre o passado, talvez não, mas com certeza saberia o motivo da fúria do senhor dos sonhos; ele descobrira que os humanos já o tinham adorado uma única vez, mas os humanos também condenaram sua adoração. Um verdadeiro paradoxo quando se fala da humanidade como um todo. Cansado pelo esforço de recobrar tantas memórias de uma única vez, o filho do sono caminhou na direção de Pedro, apoiando-se nele para ficar de pé. A respiração pesada era o único som que ameaçava ecoar no mar de escuridão. - Vocês, humanos, realmente vivem vidas fascinantes, Pedro de Aragão... Seus sentimentos queimam no meu peito e ameaçam devorar-me por completo... Mas não temo a Chama, mortal. Eu dominarei o poder da humanidade. Oneiros afastou-se de Pedro e se preparou para mais uma vivência. Ele viu o cenário a sua volta começar a mudar enquanto vozes zuniam na sua cabeça, tentando enlouquecê-lo. O embate dentro de si era ferrenho e não dava trégua: precisa lutar para conquistar a chama e, mais ainda, lutar para manter-se são. Quem era ele, afinal? Oneiros, um deus? Oneiros, uma união de humanos? Uma legião divina e humana ao mesmo tempo? Estava ficando mais confuso. O cenário mudou repentinamente para uma cabana no meio do nada, cercada apenas por planície. Aquilo era diferente... Ele não estava vendo pelos olhos de alguém, mas por seus próprios olhos. A cabana simplista, feita de madeira e com apenas uma janela protegida por cortinas de pano. Estava escuro e o vento ameaçava destruir o telhado: uma tempestade. A construção tinha apenas um cômodo que servia de quarto, sala e cozinha, certamente nada comparado com as habitações que já vira ao longo dos séculos. Pedro tinha desaparecido, então aquilo deveria ser mais uma memória... Mas de onde? Parecia que todo aquele espaço se abstinha do tempo, imerso para sempre em lugar nenhum. Um barulho chamou a atenção: um choro infantil, repleto da mais bela e pura tristeza. Ao se voltar para um dos cantos do aposento, o deus dos sonhos via uma criança chorando sobre o corpo de uma mulher. Não precisava ser um gênio para ver que a adulta estava morta: a palidez da sua pele e o sangue sobre o lençol confirmavam que havia sido vítima de alguma doença malévola. Já vira tantas mortes e sofrera tantas dores que aquela cena não deveria sequer emocioná-lo, mas não era isso que estava acontecendo. O coração divino de Oneiros batia pesado no peito, afundando-o em uma tristeza que levaria-o à depressão facilmente. A criança era um rapaz muito novo, não deveria ter nem dez anos. Não havia sinal de quaisquer outras pessoas na proximidade; ele estava sozinho no meio do nada. A prole de Hypnos se aproximou com cuidado, seus passos, embora produzissem um som alto e metálico, não eram ouvidos por aquele chorão. O oneiroi sentia do rapaz a tormenta que se apoderava dele... Quem era aquela criança? Mamãe... A voz da criança ecoou pelo lugar e pareceu penetrar fundo na alma do oneiroi. A sensação de desolação e tristeza se apossou completamente do semideus, calando todas as vozes dos outros hospedeiros que também queriam ter sua vez. Ele se aproximou mais um pouco, mas novamente o infante não pareceu ligar ou sequer notar sua presença. Minha mamãe... Acorda... Acorda!.... Aquilo estava se tornando insuportável. De onde aquela memória tinha vindo? Era, afinal, uma memória? Decidido a tirar o peso do seu coração e alma, Oneiros avançou e pôs a mão no ombro da criança; tudo congelou. A solidão daquele lugar pareceu devorá-lo por segundos milenares; memórias de uma vida curta. Um nome brotou na mente do deus menor: Anaximandro. Aquela cabana ficava na área rural grega, longe de qualquer pólis ou cidade grande; o tempo cronológico daquele lugar ainda não se definira bem na mente de Oneiros, mas ele foi capaz de reconhecer o jovem. Ele fora um hospedeiro por acidente: certa vez, coube a ele enviar um sonho para uma criança alertando-a da morte da mãe; o sonho, que caracterizava-se como um pesadelo, foi o que fez a criança despertar e chegar àquele momento onde chorava sobre o corpo da maẽ. Apesar de ter passado apenas alguns segundos projetando o sonho na criança, a tristeza que se apossara dela ainda em território onírico tinha tamanha força que sugou a alma de Oneiros do mundo dos sonhos para aquele consciente. Foi uma época curta, uma prisão forçada que não durou mais do que alguns dias... Mas ainda assim, uma das mais terríveis. Bem se lembrava de ter passado os dias seguintes tentando se libertar daquele corpo frágil, mas o pequeno passou os dias seguintes chorando sem parar; sem comer; deitado ao lado da mãe na esperança de que ela acordasse. Foi naquela criança que o senhor dos sonhos conheceu o verdadeiro significado da tristeza, mas também o verdadeiro significado do verdadeiro amor. Quando se deu conta, estava sendo influenciado até de mais por aquele pivete: lágrimas vertiam de seus olhos; ele e Anaximandro eram novamente um naquela situação terrível. Inadmissível. Os sentimentos humanos que compunham a chama de Prometeu, desde a tristeza ao amor, do amor ao desejo; eram todos belíssimos, intocáveis pelas provações divinas. Poderosos e certamente a chave para a vitória do deus dos sonhos sobre os seus inimigos. Os minutos seguintes se passaram como dias; Oneiros viu a criança definhar ao lado da mãe até morrer por desnutrição, viu as lágrimas pararem de escorrer quando o corpo já não tinha mais água para sustentar-se... E depois, a escuridão. Voltou abalado para a escuridão onde Pedro de Aragão o esperava. Seu rosto molhado talvez indicasse que tivesse chorado, talvez Pedro o tivesse visto chorando, mas Oneiros secava os olhos e logo recompunha sua face insolente e divina. Ele ergueu uma mão para o mercador com uma nova chama no olhar, uma nova compreensão. Sentia dentro de si que poderia alcançar o entendimento da vida humana e que esse entendimento o levaria a uma nova consciência; uma consciência além dos deuses! O cosmo de Oneiros começou a brilhar, a ansear pelos sentimentos humanos que despertara em suas visões. As vozes na sua mente aumentavam de intensidade, mas ele só tinha olhos para Pedro. - Pedro! As vozes dos meus hospedeiros soam incessantes na minha cabeça; sinto agora tudo que sentiram de uma só vez: luxúria, tristeza, dor, ódio, ganância, amizade e até o amor. Tu é o que restas, humano. – Oneiros se aproximou de Pedro, deixando sua mão estendida ainda mais próxima. - Una-se a mim, Pedro; deixe-me conhecer teus sentimentos, deixe-me abrigar a chama que brilha com a humanidade! Eu, Oneiros, vivi por muitos séculos e reconheço todas as experiências: minhas e dos que me abrigaram. Venha, Pedro, tornemo-nos um! O cosmo de Oneiros pareceu se elevar bastante, desconsiderando estar dentro da mente de Cronos. Ele avançou sobre Pedro, como que o chamando. Era hora de finalizar o processo que começara... Oneiros tornar-se-ia deus, mas, ao mesmo tempo, humano. |
![]() |
|
| Narrador Principal | May 2 2012, 11:19 PM Post #27 |
![]() ![]()
|
Todas aquelas memórias, todas aquelas vivências, todos aqueles sentimentos... tudo era tão poderoso! Oneiros finalmente se dava conta do tesouro que havia negligenciado. Na verdade, era algo tão óbvio. Isso explicava de forma clara porquê os servos de Athena tinham tanto poder, e de onde eles tiravam poder quando aparentemente não possuíam nenhum. A força dos humanos realmente era algo admirável e, apesar de ter evocado todas aquelas imagens e sentimentos, e se apossado delas, Oneiros sabia e sentia que havia ainda um caminho a percorrer antes de dominar a Chama de Prometeu. E isso ficou claro quando Pedro tornou a falar. - Ainda não é o momento de conheceres meus sentimentos, Oneiros. Tens outros assuntos a resolver nesse instante, e eu reconheço isso. A partir de agora, porém, já saberás o que precisas fazer para ter o domínio do conhecimento que te falta. Agora posso me unir a ti sem reservas. Agora és humano. ![]() As orbes sumiram. Oneiros viu-se totalmente disforme, assim como Pedro, e ambos começaram a entrelaçar suas essências. Logo, o deus dos sonhos voltou a enxergar pelos olhos de Pedro. Porém, sentia-se mais "completo" que antes. As emoções do humano já não lhe eram tão estranhas como antes, e embora ele ainda não as compreendesse totalmente, sentia nelas uma familiaridade agradável. Quando deu por si, Oneiros estava acordado e ensopado. Havia se formado uma camada de gelo ao seu redor, congelando-o e privando-o de calor, mas a alta temperatura espiritual da Chama de Prometeu derreteu o mesmo, libertando a divindade menor. E quando abriu os olhos, viu Hipérion lançar-lhe um sorriso de aprovação, embora com a feição ainda austera. À sua frente, havia uma imensa rampa descendente coberta de neve, obviamente artificial. Ele poderia descer pelo outro lado da montanha com alguma facilidade agora. - Você passou no teste, Oneiros. Manifestaste a chama, e ela agora queima, ainda que tímida, dentro de você e de seu hospedeiro. Use-a na trilha que enfrentará, e conseguirá passar pela Era Glacial que se extende à frente. Boa sorte em seu caminho. [OFF: Oneiros obteve um lampejo do Skandha Vedana] |
![]() |
|
| Dream Oneiros | May 3 2012, 09:50 PM Post #28 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
O despertar súbito foi acompanhado de uma sensação horrível de frio, mas esta logo foi superada pela chama humana que queimava no seu âmago. Hipérion encarou o deus menor satisfeito. Oneiros sorriu para o interlocutor e o escutou com atenção, fazendo uma pequena reverência ao titã. Diferente das anteriores, aquela era um agradecimento sincero, pois o antigo revelara uma face desconhecida do oneiroi, uma que ele poderia aproveitar para os seus planos. O filho de Hypnos sentia-se incrível, indomável, renascido; sentia-se inesperadamente humano. Será que a humanidade realmente possuia um toque de magia que só os humanos seriam capazes de dominar desde o nascimento?... Levantou-se devagar e assentiu, encarando a rampa descendente para um mundo congelado pela catástrofe. Os passos metálicos do espectro o levaram à borda da passagem, mas ele parou e virou-se para encarar uma última vez o titã. Obrigado por permitir minha passagem, titã. Levarei seus ensinamentos comigo. Se nos encontrarmos novamente, terei certeza de já ter recuperado o pleno entendimento da visão. Dito isso, partiu rumo ao seu próximo desafio. Não tinha mais pressa, seguia calmo pelo caminho de gelo enquanto ponderava o que o esperaria; era verdade que Brijet o esperava no mundo dos sonhos para que prosseguissem com seu plano, mas agora, Oneiros achava fundamental desenvolver um plano só seu; uma iniciativa só sua que poderia mudar completamente o destino no mundo. Tomaria o tempo que precisasse para desvendar cada centímetro da mente daquele titã, cada minuto era precioso para convencer Cronos do seu valor. Ora, que poder ele não obteria com a bênção do maior inimigo do Olimpo? E mais... Que conhecimentos ele poderia deixar de obter se não levasse adiante aquela loucura? Com passos firmes, o filho do sono prosseguiu com a chama queimando em seu interior; estava decidido, como humano, a superar aquela prova. Não mais ignoraria a importância do conceito humanidade, não mais ignoraria o poder dos humanos; tomaria-o para si e mostraria ao mundo o que acontece quando o divino alcança a humanidade. Voltando dos seus devaneios, Oneros ficou pensativo... Quem seria seu próximo desafio? |
![]() |
|
| Narrador Principal | May 4 2012, 07:46 PM Post #29 |
![]() ![]()
|
A vastidão gélida. Oneiros agora presenciaria a primeira grande provação de sobrevivência que os seres humanos enfrentaram após a sua evolução: a Era Glacial. A paisagem era desoladora. Quilômetros e mais quilômetros de neve e gelo, sem um ser vivo a ser divisado. Oneiros alimentava-se ainda com o resquício da Chama que sentira, mas sua kamui dos sonhos é que de fato o protegia da terrível temperatura, que provavelmente estava abaixo dos trinta graus negativos. E o dia estava ensolarado.![]() Foi quando estava prestes a avançar e explorar o deserto de neve que Oneiros sentiu uma presença incrível. Um deslocamento de ar foi sentido, congelando algumas moléculas de vapor d´água que ainda estivessem no ar. Até mesmo a respiração de Oneiros congelou-se e caiu no chão, agregando-se ao solo branco. A presença do ser à sua frente tornou o ambiente ainda mais inóspito. Seria quase impossível resistir ao frio despido agora. ![]() - Oneiros dos Sonhos, presumo. Recebi uma mensagem de Hipérion alertando sobre a sua presença. Muito bem. Você descobriu a humanidade em si e despertou para a chama. Todavia, você ainda não a controla. Agora você está nos domínios de Crios, o Titã do Frio e do Inverno. Convença-me a dar-lhe uma chance de atravessar meus domínios e a pô-lo à prova do teste que infligi à humanidade na aurora dos tempos. |
![]() |
|
| Dream Oneiros | May 6 2012, 04:10 PM Post #30 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
A temperatura daquele mundo inabitável tornou-se ainda menor quando, em um sopro gélido, o titã do inverno surgiu diante do senhor dos sonhos. Crios trajava uma bela armadura e sua feição não deixava escapar qualquer coisa diferente da seriedade. Como poderia usar sua lábia para convencer tão gélida criatura? Seria uma provação difícil e o deus dos sonhos bem o sabia. Analisando a situação, ele percebeu que aquela etapa consistia de duas partes: convencer Crios da sua habilidade em manipular o único alento da humanidade em tempos primordiais – a Chama de Prometeu – e sua própria habilidade para sobreviver à era glacial (”à prova do teste que infligi à humanidade na aurora dos tempos...”). Oneiros sabia que sua súrplice era a principal proteção contra aquele ambiente gelado; embora estivesse com parte da chama desperta, Crios tinha razão: ele ainda não a controlava. Como provaria estar a altura daquele desafio? O deus dos sonhos fez uma leve reverência para o titã do frio e ergueu-se para encarar aquele olhar penetrante. Suas afirmações estão corretas, titã. Sou Oneiros, deus dos sonhos. - Oneiros falava com cautela. Não esquecera o motivo de estar atravessando a mente de Cronos; seu desejo de ir ao Tártaro ainda vivia e, para chegar até lá, precisaria passar pelas provas dos titãs. Além do mais, algo de bom, além do leve despertar da chama, poderia sair de tudo aquilo. - É verdade que não controlo a chama, porém, estou disposto a aprender mais sobre essa dádiva humana, evoluí-la para atingir uma compreensão acima dos deuses, uma que só os antigos possuíam. Oneiros gesticulava um pouco enquanto falava, talvez para dar um ar mais convincente às suas palavras. Só posso oferecer a ti minha palavra, minha determinação e meu poder. Se me julgas sábio, determinado e interessado em superar tua prova, dá-me a chance de provar minhas capacidades. Não cheguei até aqui só com palavras, titã, mas também com ações. Agora que conheço o fogo da humanidade, estou munido da motivação que os leva à superação sobre os deuses e dela farei uso, se necessário, para provar meu valor. |
![]() |
|
| 1 user reading this topic (1 Guest and 0 Anonymous) | |
![]() ZetaBoards gives you all the tools to create a successful discussion community. Learn More · Register Now |
|
| Go to Next Page | |
| « Previous Topic · Mundo dos Sonhos · Next Topic » |
| Theme: Forsaken Legends | Track Topic · E-mail Topic |
4:10 PM Jul 11
|
Theme by James... of the ZBTZ and themeszetaboards.com









[/align]













4:10 PM Jul 11