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SIDEQUEST - A Busca pela Caixa de Pandora; Tártaro, 28/12/1548, alta noite [começo]
Topic Started: Feb 22 2012, 11:36 AM (9,481 Views)
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O Titã, antes aparentemente benevolente, começou a gargalhar. Uma expressão fria e indiferente tomou conta do seu rosto após o rompante. Ele parecia duvidar que Oneiros fosse bem-sucedido.


- Motivação, você diz. Sim, é preciso motivação, mas isso não basta para sobreviver à Era Glacial como os humanos fizeram. São necessários, nessa ordem: persistência, sagacidade e instinto. Sem eles, você não sobreviverá. Sua tarefa, Oneiros, será deixar seu hospedeiro passar pelo meu teste, e tentar ajudá-lo com a Chama.


De repente, Oneiros percebeu que Pedro aparecia, em vez da feição que ele quase sempre ostentava. Era o humano que passaria a escutar o Titã, e não o contrário, e Oneiros estaria "aprisionado" dentro de Pedro durante o teste.


- Pedro, sua tarefa não será das mais simples. Sem o auxílio do deus dos sonhos, que só poderá orientá-lo, no máximo, você deverá sobreviver sem a kamui dos sonhos tempo o bastante para encontrar o vale seco, um lugar menos gélido, onde você poderá sobreviver. Se encontrar o vale, passará pelo teste. Lembre-se: você terá que passar por ele como o humano que é. Sem voar, sem deslocar-se a velocidades sobre-humanas. A única vestimenta permitida é aquela que você conseguir encontrar, embora possa manter as roupas comuns que sempre usa. Agora, se possível, entregue-me a kamui dos sonhos e pode começar.


Crios estendia a mão direita, esperando a entrega da kamui de Oneiros. Havia uma névoa cobrindo parte da extensão da planície gelada que agora se desfazia, e revelava uma floresta congelada. Talvez fosse o primeiro lugar pelo qual Pedro de Aragão devesse passar.


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Dream Oneiros
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A troca foi tão rápida que pegou o deus menor de surpresa. Quando se deu conta, sua essência não era mais nada do que uma ilusão ao lado do corpo hospedeiro, o qual trajava a aparência do português Pedro de Aragão. O humano sorria e parecia, apesar do frio congelante, satisfeito em poder controlaro próprio corpo novamente. O sorriso no rosto do rapaz irritou um pouco o deus dos sonhos, mas não era nada inesperado, afinal, grande parte da personalidade do jovem foi moldada na presença de Oneiros. Quando o 'reconhecimento' terminou, Crios prosseguiu com a descrição da tarefa.

Sobreviver à Era Glacial? Uma tarefa difícil; sem a kamui dos sonhos? Aparentemente impossível. Pedro não parecia assustado com aquela ideia: ele já tinha mesclado seus conhecimentos mundamos com os do oneiroi e, portanto havia chegado a um nível de compreensão maior. O espírito do português não temia a morte. Apesar de tudo, pareceu relutante em entregar a súrplice que lhe caía tão bem.


Dê-lhe a súrplice, Pedro.

A voz onírica sôou imperativa e fria. Pedro bem sabia sobre as motivações de Oneiros e, ponderando sobre como ganharia algo em cima do resultado daquelas ações, ergueu uma mão na direção de Crios; a súrplice dos sonhos, em um estrondo metálico, deixou o corpo mundano e montou-se numa bela estátua à frente do titã. Sobre o corpo de Pedro restavam apenas as roupas de capitão: uma camisa de algodão branca, a calça azulada e as botas de couro marrom. Tanto o oneiroi quanto o hospedeiro duvidavam da utilidade das vestes, mas alguma proteção era melhor que nenhuma.

A partir daquele momento, Oneiros, preso no consciente do rapaz, focou-se na chama. Aquele dom recém-obtido poderia ser estudado com calma enquanto o instinto do mercador guiaria o corpo para a vitória. Enquanto não achasse uma cobertura mais apropriada, Oneiros precisaria lutar para elevar a chama e usá-la como meio de aquecer o corpo de Pedro. Enquanto isso, o humano lançava um sorriso estranho para Crios, como se achasse graça da tarefa; como se achasse graça a batalha de Oneiros.


Imagino que o vale esteja em algum lugar além da floresta, titã?

O sotaque português poderia até irritar o desacostumado titã, mas o marinheiro não ligou. Esperou uma confirmação e, caso ela demorasse de mais, prosseguiria em direção a floresta mesmo assim. Atravessá-la não deveria ser um desafio, pois Pedro tinha algumas noções de exploração dadas a ele por seu pai para que pudesse se virar em caso de naufrágio. Ele sabia que precisaria de abrigo para a noite; de uma roupa mais quente e de comida. Das três coisas, sabia como poderia encontrar duas delas: as vestes, peles de animais e a comida, a carne dos mesmos.

Com passos firmes, o capitão do Sonho Imperial avançou naquele deserto gelado em direção à Floresta que surgia na sua frente. O primeiro desafio seria vencido; nem Pedro nem Oneiros duvidavam daquilo. Ambos puseram-se a procurar por alguma trilha deixada por um animal; fossem coelhos ou lobos. Qualquer coisa poderia ser útil e, naquele ambiente, não seria incomum um animal ter uma boa toca.
[align=center]Thx, Lisianthus!
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O frio já o cortava. O ordálio de Crios começou a abater o humano tão logo ele removeu a súrplice e a entregou ao titã. Era um frio de bater o queixo, e por mais que Oneiros se concentrasse em avivar a Chama, ele próprio ainda não tinha o controle necessário da mesma para impedir que Pedro sentisse frio. Com a pergunta, o titã congelou o suplício e o lançou para o alto, fazendo com que ele sumisse da vista de Oneiros. Somente depois ele respondeu.


- Ao subir nas árvores - ou em algo maior que elas - você conseguirá ver melhor à frente, humano. Seu teste não permite que eu lhe ajude. Mas se eu fosse você, correria contra o tempo!


A ideia inicial do Oneiroi foi inteligente, buscar pistas de algum animal. Porém, o que ele faria sem armas? Teria que pensar em vários detalhes que talvez jamais o tivessem preocupado, para que conseguisse sobreviver. E uma grande pegada logo fez o humano abrir um sorriso. Certamente era de um imenso mamífero e, pelo conhecimento de Oneiros, talvez fosse um ancestral dos elefantes. As pegadas seguiam pela floresta. Pedro passava por entre as árvores congeladas e via alguns galhos cujas pontas estavam congeladas em forma de estalagmite. Qual seria o próximo passo?

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Dream Oneiros
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Dentro da mente do português, Oneiros riu de sua insensatez. O hospedeiro estava no comando e ele estava munido apenas de instinto e conhecimento, nada mais. O cosmo não poderia abater o animal para fornecer-lhe comida e vestes, mas armas daquela era poderiam. Pedro parou diante de algumas árvores e analisou seus galhos congelados e pontudos, procurando um bom ponto de um galho baixo para usar os pés - estes cobertos pelas botas - para quebrá-lo, afinal, não poderia dar-se ao luxo de ferir as mãos nuas naquele ambiente. Com a primeira estaca em mãos, poderia usá-la para conseguir as demais. Pedro lembrou-se de procurar alguma folha grande no chão para usar como "luva". As estacas não eram grandes, mas poderiam ser úteis. Enquanto assistia Pedro recolher suas "armas", Oneiros refletiu: Crios o jogara no cataclisma que quase dizimou a humanidade, era um dos pontos marcantes da história humana; lembrou-se dos humanos que corriam nos campos dos domínios de Hipérion e chegou a uma conclusão: tribos humanas também poderiam estar caçando aquele mamífero. O deus dos sonhos achou uma boa ideia partilhar da suposição, mas Pedro riu, respondendo que já tinha pensado no assunto.

Armados e movimentando-se bastante para aquecer o corpo, Pedro e o deus continuaram a seguir as pistas da fera. Durante a aventura, tentavam escutar ruídos de animais menores e mais fáceis de capturar, assim como barulhos que pudessem indicar que outros também estavam numa caçada. A era do gelo era um antro de criaturas perigosas e ambos decidiram mover-se menos e fazer menos barulho, pois também poderiam ser caçados.

Aquele desafio inédito para o deus provara-se, desde seu início, um tormento. O frio avançava impiedoso e se não achassem comida, abrigo ou uma tribo logo, Oneiros temia que seu hospedeiro pudesse perecer antes de sair da mente titânica.
[align=center]Thx, Lisianthus!
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Não havia folhas, mas Oneiros conseguiu esquentar as mãos de Pedro o bastante para aguentar o frio intenso e conseguir as armas. Logo, ele avançou. O temor de Oneiros confirmava-se verdadeiro, já que, por vezes, escutou ruídos que se assemelhavam a feras rosnando à distância, e uivos similares aos de chacais famintos. A preocupação de Oneiros agora era com o bem-estar de Pedro, já que a baixa temperatura rapidamente exauria seu hospedeiro. Sua pele estava muito fria, e ele não aguentaria muito tempo. Por sorte, a floresta teve fim, deixando-o enxergar a planície que havia além.


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E nela, seu prêmio: a fera que ele buscava. Era um ancestral do elefante coberto de pêlos. Pedro quase podia se enxergar usando um manto feito da pele daquele magnífico animal. Ao contrário do que o Oneiroi poderia supor, não parecia haver grupos de humanos primitivos prontos para atacá-lo. Ao menos, não de forma visível. E agora, o que o hospedeiro faria? Conseguiria ele, sozinho, derrubar o mamífero?



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Dream Oneiros
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Vou experimentar novas cores nos posts D:

Lá estava ele: o mamute, um grande mamífero dos tempos antigos conhecido pelo seu tamanho, pelos seus chifres e pela sua pele, muito usada nas vestimentas dos humanos. Sem dúvida era um achado incrível, mas o que um humano sozinho poderia fazer contra aquela besta? Oneiros precisava pensar rápido, traçar algum plano para garantir a vitória sem matar seu hospedeiro. Lembrou-se dos ruídos da floresta... será que poderia colocar as criaturas mundanas uma contra as outras? Mas e depois? Se criaturas como o dente-de-sabre ou o chacal estivessem o seguindo, como chegaria perto da carcaça do mamute para retirar sua pele? Quanto tempo demorariam para derrubá-lo? Vários fatores aumentavam o risco de um plano como aquele; era ousado de mais.

Enquanto o deus menor pensava, Pedro tomava iniciativa. O humano olhou ao redor para se certificar de que, se estivessem o caçando, seus caçadores não estavam próximos. Tentou encontrar alguém ou algo a quem pudesse se aliar, mas provavelmente não conseguiria. Ainda com os olhos no mamute, o hospedeiro se aproximou da borda da floresta e tentou localizar uma árvore onde pudesse subir: precisava de uma visão melhor da região. O frio cortava sua pele, mas ele tinha que persistir. Não só por Oneiros, mas por si também. Pedro não tinha a intenção de virar comida, tampouco de morrer congelado.

Atônito, o deus dos sonhos observou Pedro fazer seus movimentos. Tratou de ajudá-lo e tentou incrementar a chama, tentando entender como ela funcionava, o que era exatamente... Focou-se nas sensações, nas lembranças, na maneira como aquela energia se assemelhava ao cosmo. Se pudesse conseguir isso, daria mais tempo ao humano para conseguir material de sobrevivência. Conseguindo ou não, precisava dividir tarefas... Se os dois se focassem na mesma coisa, estariam desperdiçando tempo. Oneiros resolveu deixar a caça na jurisdição do hospedeiro para poder se concentrar em outra tarefa: buscar, do alto daquela árvore, o local ou algum indício para onde deveria ir. O "vale seco"... Será que estava distante?

Pedro tentou se alojar em algum dos galhos, tentando se distanciar das massas de neve. Quanto menos frio, melhor. Olhou em volta e tentou localizar alguma fera na floresta, daquelas cujo ruído se fizera presente mais cedo. Estava concentrado. Nunca tinha feito aquilo e sentia-se cansado; a dificuldade da tarefa pesava duramente sobre seus ombros... Não podia ficar assim por muito tempo. Aproveitou, também, para procurar alguma colinha ou qualquer coisa que pudesse abrigar uma caverna. Tinha que ter um plano de fuga. Droga!, pensou o humano.,"Deveríamos ter procurado um rio, Oneiros. Eu sei pescar, não caçar!"

Em meio àqueles breves lamentos, o mercador se recompôs e voltou à sua tarefa. Agora, procurava também por outras pessoas escondidas na mata... Se houvessem outros caçadores, com certeza poderia se unir à eles...
[align=center]Thx, Lisianthus!
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O frio não dava trégua. Não restava a Oneiros muito mais tempo. Ele seria um caçador furtivo terrível, pois batia os dentes e tremia, efeito da hipotermia e da falta de aquecimento. A chama dava algum alento, mas não era o bastante. Não lhes restava muito tempo. Encontrar um rio congelado seria uma tarefa talvez ainda mais hercúlea, e a subida na árvore foi o primeiro passo para decidir o que fazer.

A subida na árvore foi extenuante, mas bem-sucedida. Todavia, os galhos congelados queimavam a pele de Pedro, e eles não poderiam permanecer ali por muito mais tempo. E, ao tentar avistar a paisagem ao redor e divisar as distâncias, tanto o deus menor quanto seu hospedeiro compreenderam uma coisa: não havia como determinar o que havia à frente! Uma espessa névoa cobria a distância, e eles só conseguiam divisar bem cerca de 100 a 200 metros à frente, sendo essa aproximadamente a distância que guardavam do mamute. Quando já pensavam até em desistir, Oneiros notou que um bloco de neve pareceu se mexer lentamente, a uma distância menor do mamute. Será que aquilo significaria alguma coisa?
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Dream Oneiros
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Não vou aguentar mais do que isso. Se vamos caçar àquele mamute, há de ser agora. - Anunciou Pedro.

Oneiros estava estupefato. A perfeita visão lhe era negada por aquela era glacial e isso tirou sua concentração por alguns segundos, mas tratou de voltar à sua tarefa. Um deslize e o frio poderia instantaneamente congelar seu hospedeiro. Pedro desceu com rapidez da árvore e procurou um bom esconderijo, se preparando para o “bote”. Enquanto isso, Oneiros procurava o local onde vira a movimentação misteriosa... Seria um animal? Nesse caso, seria perigoso caçar o mamute, mas o tempo urgia e uma decisão tinha de ser feita. O pensamento do deus dos sonhos foi interrompido por Pedro, tomou a iniciativa na melhor das oportunidades e avançou sorrateiro contra o animal.

É assim que pretende caçar?! Tens ideia de como vai derrubar essa fera? Tens ideia de como estamos em uma situação perigosa?

Tens medo de morrer, deus? Minha vida está por um fio na era do gelo; tua alma e corpo se renovam ao longo das eras, mas eu só tenho uma chance, uma única chance para viver.


Enquanto corria para atacar, Pedro cortou o silêncio iniciado pelo oneiroi.

Ficar parado não ajudará; precisamos tomar uma atitude... Caso contrário, a fúria de Crios irá nos parar aqui.

Oneiros ponderou e rapidamente assentiu. Pedro tinha razão. O além estava bloqueado por uma densa névoa e a solução para os problemas estava bem a frente deles, um gigantesco e imponente mamute. Precisavam da pele e da carne e, ali, pareciam poucos meios de consegui-la sem o cosmo. Apesar de vasculhar a mente do humano, o deus dos sonhos não encontrou seu plano... O que o marinheiro pretendia?... Desconsolado, o filho do sono olhou em volta para vigiar os arredores; iria avisar ao humano se algo hostil se aproximasse.

Normalmente, um caçador rugiria ou, no caso dos humanos, gritariam para assustar sua presa, mas Pedro não o fez. Estava tenso e com medo, seguia em frente por necessidade. Precisaria de sangue frio para assinar aquele animal, de força para aguentar a vista do sangue e de compreensão, acima de tudo, pois a natureza havia sido construída daquela maneira. A ideia era se aproximar por trás para chegar às pernas do mamute e, com as estacas em mão, usou-as aos pares e atacou num salto: tentou fincar as estacas o mais próximo possível do que seriam as “juntas” do animal, ou então no seu calcanhar. Pretendia imobilizar o mamute e, assim, estaria livre para matá-lo com alguma facilidade.
Oneiros assistiu a tudo calado, atento aos arredores. Pedro atacou a primeira perna e partiu para a segunda, mas já estava cansado do primeiro ataque. O corpo do rapaz aguentava as longas horas de batalha que o deus travava pois o cosmo o auxiliava, mas ali, sem a energia mítica, não passava de um mortal. E o treinamento físico de Pedro fora pouco ou quase nulo. Ofegante, Pedro atacou, dessa vez com um grito, a outra perna do mamute. Se conseguisse, a vitória seria sua!

Após o ataque, o hospedeiro tentou tirar alguns segundos para descansar, mas não podia se dar ao luxo. Ele saltou uma vez mais e tentou se agarrar ao pelo do mamute: iria escalá-lo para ter alguma vantagem sobre o animal, caso seu plano inicial falhasse. O frio atacava mais terrível a cada segundo e o capitão do sonho imperial já batia os dentes, mas tentava se esforçar. Oneiros sabia que o limite do seu hospedeiro estava quase atingido. Ele precisava quebrá-lo de alguma forma, precisava de mais força!

Continue, Pedro. Dê-me a nossa vitória sobre esta era de frio e escuridão!
[align=center]Thx, Lisianthus!
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Tudo pareceu acontecer em "câmera lenta". Um observador externo veria toda a cena se desenrolar com uma lentidão incrível. Pedro saltava para cravar uma das lascas na "junta" do mamute. A Chama de Prometeu explodiu em seu corpo conforme sua vontade humana se sobrepunha pela sobrevivência. As estacas, enregeladas, foram tomadas por aquele fogo primordial e, enquanto cravadas, derreteram-se e começaram a queimar o fantástico animal. Nesse momento, Pedro saltou de encontro ao mamífero, agarrando-se aos seus pelos. Mesmo envolvido pela chama, o animal era muito mais forte e pesado que o mortal. Era questão de tempo até que ele "sentasse" ou "deitasse" e o esmagasse. E foi nesse momento que a dúzia de caçadores humanóides, muito bem agasalhados, que estavam camuflados na neve somente esperando o momento adequado, atacaram com tudo.


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Armados de estacas de madeira, pedras e cordas, eles atacaram com bastante coordenação, ferindo o mamute primeiro com as "lanças" rústicas para deixá-lo enfraquecido, além de "bombardear" sua cabeça com pedregulhos. Eles atacavam e recuavam, até verem o mamute vacilar. Pedro ajudava com suas chamas, incomodando bastante o animal. E quando o gigantesco mamífero fraquejou, eles vieram com as cordas, entrelaçando-as entre as pernas dianteiras e entre as traseiras, para fazê-lo perder o equilíbrio e cair. Não demorou muito até que a besta cedesse, encontrando sua morte. E, assim, Pedro pôde regozijar-se por não haver morrido. De fato, quando desprendeu-se do mamute, todos os caçadores estavam agachados, em posição de veneração. Pedro estava ardendo em chamas, mas suas roupas não queimavam.

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Dream Oneiros
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Oneiros estava surpreso. Os humanos brotaram como ervas daninhas e ajudaram o seu hospedeiro a abater o terrível animal; as chamas ganharam força diante da resolução de Pedro, como não ficar surpreso diante da humanidade? Entretanto, Oneiros não sorria. Ele rapidamente respirou fundo e abaixou as mãos à frente do corpo, os olhos fechados e a expressão séria indicavam sua concentração. O deus dos sonhos lutava para conter a expressividade da chama, queria oprimi-la para que sua energia ficasse restrita ao corpo de Pedro sem vazar para os arredores, de modo a aquecer o hospedeiro e de cessar aquela imagem divina. Afinal, que homem não carbonizaria com seu corpo imerso nas chamas? Pedro era o desafio por Crios. Embora pudesse auxiliá-lo com a chama, o deus sabia que não deveria abusar dela para se passar de deus enquanto devia lutar como humano. Após alguns segundos de meditação, Oneiros falou.

Estou surpreso com sua performance, Pedro. Vejo que os humanos são capazes de se ajudar quando a morte se aproxima.

O comentário foi um pouco sarcástico, mas o hospedeiro não ligou. Pedro rapidamente tentou se comunicar, gesticulando para os homens, para si e para o animal. Queria passar a ideia de que precisava de ajuda, de que estava com frio e com fome; mas também que de que tinha o direito de partilhar do animal, já que participou da caçada. Não sabia se eles o entenderiam, mas também não custaria nada realizar uma comunicação verbal. Oneiros queria usar seus poderes sobre os sonhos para garantir o entendimento das partes, mas temia que Crios descaracterizasse a aventura por conta disso.

Preciso de ajuda! Estou perdido neste terreno gelado, sem comida e sem abrigo. Poderíam me levar com vocês?

Pedro tentou não parecer muito rebuscado, na verdade, tentou parecer o mais informal possível. Não queria ofendê-los, não tinha noção da diferença de cultura entre eles e talvez esforçar-se para fazer sons mais guturais fosse um erro. Esperou que aquela tribo o compreendesse, aliais, deveriam. Um ser humano que consegue arquitetar uma caçada tão elaborada como aquela certamente já desenvolveu um pouco de comunicação... Mas qual? Como seria a língua primordial?
[align=center]Thx, Lisianthus!
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A estratégia de Oneiros para conter o ímpeto de ser visto como uma divindade deu certo. Aos poucos, os hominídeos se levantaram e passaram a encará-lo como um de si. O mais forte, que parecia ser o líder do bando, veio até Pedro e pousou a mão direita em seu ombro esquerdo. Ele era extremamente forte, mas o aperto não o machucou. Após isso, o homenzarrão entregou-lhe sua lança e curvou a cabeça. Pedro havia sido considerado o líder daquela caçada, e o que primeiro poderia reclamar seus espólios. Afinal, fora ele que se atirou, praticamente sozinho, contra o mamute. Sem ele como chamariz, eles jamais derrotariam-no.


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Embora as tentativas de comunicação houvessem falhado, o líder do bando fez um sinal com a mão para que Pedro o seguisse, lado-a-lado. Enquanto isso, os outros homens, também muito fortes, começavam a amarrar o mamute e arrastá-lo. O progresso era lento, mas inexorável. Eles rumavam para uma direção que Pedro não conseguira enxergar antes, a leste. E conforme progrediam, mais Oneiros sentia que não seria impossível concluir a tarefa. Ao ver que Pedro ia congelar, o líder deu um urro, seguido de alguns sons. Oneiros talvez fosse capaz de compreender o idioma e repassar esse conhecimento a Pedro, mas isso seria válido? Será que Crios não o repreenderia? Enquanto se fazia essas perguntas, Pedro sentiu-se coberto por um manto de pele grossa. Ele fedia bastante, denunciando ser pele de algum animal aparentado aos carneiros, mas ao menos o aqueceria. Após caminhar bastante, finalmente chegaram ao refúgio que tanto aguardavam: uma caverna. Dela, podiam ver o mamute sendo arrastado ao longe. Vários sons, provavelmente de comemoração, foram proferidos pelas mulheres primitivas que estavam na caverna. Estes se confundiam à recepção calorosa que Oneiros recebia, ao calor do fogo que ele agora percebia no crepitar de uma fogueira, dentro da caverna e ao gesto que o bárbaro fazia, apontando o tempo todo para Pedro, provavelmente dando-lhe méritos pelo feito. Enfim, qual seria o próximo passo do deus dos sonhos? O mamute não tardaria a chegar, mas ainda tinha algum tempo. Hora de bolar alguma estratégia nova?


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Dream Oneiros
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Oneiros percebia o quanto um cataclisma como a era do gelo era capaz de alterar o comportamento egoísta da raça humana; isso com certeza o impressionava. A caverna e o manto malcheiroso pareciam surprir as necessidades mundanas de Pedro, mas o deus dos sonhos não vacilou. Usaria a chama para aquecer o rapaz na medida do necessário, desde que o humano continuasse a alimentá-la com seu instinto de sobrevivência. Prestou atenção nos arredores e nas conversas, usando seu poder dos sonhos para decifrar aquela língua gutural e antiga, mas sem revelar nada ao seu hospedeiro. Só interviria no momento certo, caso o perigo fosse iminente. Mesmo que fosse um desafio especial, Oneiros não arriscaria ter seu corpo destruído pela mente de Cronos. Nos sonhos, ele ainda era o senhor.

Pedro, por outro lado, estava tentando se comunicar com aquela tribo. Acreditando que estava sendo elogiado, sorriu, mas percebeu que o tempo urgia. Crios queria que ele encontrasse um vale seco onde pudesse sobreviver... Mas agora ele pensava, seria realmente o vale seco um vale? O mundo da era glacial parecia desolado, como poderia existir um lugar verde e quente naquele mar de frio? O calor do sol não parecia suficiente para proteger os humanos da natureza, quem diria todo um ecossistema. O marinheiro pensou por algum tempo e decidiu por um novo contato. Se aproximou lentamente do líder da tribo e pediu para que ele se abaixasse junto dele; assim, poderia observar melhor o desenho.

Pedro tentou desenhar como imaginava ser o vale, uma depressão rodeada de montanhas, com várias árvores, água fresca e até mesmo animais que poderiam já estar extintos. Talvez algum daqueles homens-das-cavernas tivesse notícias daquele lugar, talvez estivessem indo para lá!

Oneiros não confiava muito nessa teoria, mas não custava tentar.
[align=center]Thx, Lisianthus!
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Oneiros mantinha a chama para aquecer Pedro, mas sentiu seu poder minguar. Ele não tinha ainda o domínio completo dela, o momento de tensão passara, e era perfeitamente possível que Pedro sobrevivesse apenas com aquele agasalho. Logo, parecia desperdício aos olhos de Oneiros manter vívida a chama. Poupá-la para algum desafio futuro seria mais sábio. Quanto ao idioma, Oneiros descobriu que realmente era uma forma de comunicação gutural e bastante primitiva, mas conseguiu entender o conteúdo da conversa anterior, além do que já era óbvio. O bárbaro tinha dito que Pedro, por ter matado o mamute, poderia ser o primeiro a retirar dele os espólios que precisasse. Logo, carne para manter-se alimentado e a pele, para fazer casacos e vestimentas. Ele lhe disse também que, por gratidão, seu povo o ajudaria nessa tarefa. Assim que chegaram, o bárbaro apontou algumas mulheres. Pelo seu feito, Pedro poderia escolher deitar-se com uma delas, caso quisesse, durante a semana seguinte.


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Pedro, por sua vez, só pensou em aquecer-se ao lado do fogo e comer alguns nacos de carne recém-assada que as mulheres lhe ofereciam. Em meio aos pingos que vinham do teto da caverna, devido ao calor do fogo, ele procurava também repousar, mas a ideia de tentar comunicar-se sobre o seu objetivo não foi totalmente desprovida de sucesso. O bárbaro líder bateu no peito e apontou para a direção que Crios apontara anteriormente. Pedro não entendeu mais nada do que ele disse, mas Oneiros entendeu algumas palavras que deixariam seu hospedeiro bastante temeroso: "Montanha; passagem; morte". Quando o mamute chegou, o bárbarou ofereceu a Pedro a sua adaga. Era uma bela peça feita de cobre, que provavelmente exigiu todo o esforço de seu povo para ser fabricada. Era a hora de reclamar seu espólio.


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Pedro segurou a faca com alguma hesitação. Nas sombras da sua mente, Oneiros assentiu e, em um murmúrio silencioso, ordenou que prosseguisse. O português caminhou nervoso até a carcaça do grande animal, não sabia bem o que fazer. Não era um caçador, era um marinheiro. Tirar a carne dos peixes devia ser deveras mais fácil do que descarnar um grande mamute. O deus dos sonhos repentinamente fechou os olhos e, como se estivesse iluminado, Pedro soube o que deveria fazer. O rapaz fincou a adaga na carne do mamute com força, procurando um ponto propício para prosseguir com o corte. Envergonhado pela falta de experiência do seu hospedeiro, Oneiros esticou a mão para iluminar um pouco mais Pedro.

Usando o deus dos sonhos como guia, Pedro foi lentamente recortando um pedaço da carne enquanto o separava da pele. Quando conseguiu, teve uma ideia a parte. Ergueu-o na direção do líder da tribo e o ofereceu. Aquele gesto claramente queria dizer: "não há espólios individuais. Todos são da tribo". Esperava que pudesse ganhar mais um pouco de confiança daqueles homens das cavernas para o que pediria a seguir. O líder aceitando ou não, Pedro ofereceu-lhe a faca de volta e apontou a outra mão para o mamute. O líder e sua tribo deveriam desfrutar do animal. Caso ele aceitasse, assistiria o saque ao cadáver, caso não, ajudaria os outros homens a retirar o restante da pele e carne do animal.

Terminado o serviço, Pedro faria um sinal para o líder e, quando ele estivesse próximo, se abaixaria para desenhar na neve: desenhou vários bonecos palito numa caverna, simbolizando a tribo, depois, uma seta que apontaria para uma montanha aparentemente perigosa e, depois, outra que apontaria para sua visão do vale seco. Era clara a pergunta: "gostariam de me acompanhar até um lugar melhor"? Óbvio. Pedro estaria muito mais seguro ao lado de uma tribo e dependeria menos do oneiroi para concluir seu objetivo. Ele ergueu a cabeça para encarar o líder nos olhos e mostrá-lo a chama de determinação que brilhava na sua íris.

Enquanto os humanos conversavam, Oneiros estava ocupado com afazeres mais importantes. O deus dos sonhos olhou fixamente para a direção indicada pelo bárbaro. Cerrou os olhos e começou a aproximar sua visão daquele destino longínquo. Ele era o deus dos sonhos, poderia fazer o que bem quisesse dentro de uma região onírica. Ele precisava ver o fim daquela jornada, saber o que os aguardava. Mesmo que não pudesse informar a Pedro, poderia dar-lhe dicas e esperar que a inteligência do rapaz fosse suficiente para tomar os rumos certos até o vale.
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O gesto de Pedro foi compreendido e o líder bateu no peito em agradecimento. Sua atitude tinha-o feito conquistar um grande respeito entre os membros da tribo. Os homens avançaram para o mamute, enquanto Pedro se juntava ao líder em seu "banquete da vitória", que nada mais era do que alguns dos últimos pedaços de carne que sua tribo conservava, e que agora estavam assados, além de desfrutar de água pura, servida em jarras de barro cozido. Após comerem, ou enquanto comiam, o bárbaro via tudo o que o marinheiro tentava lhe dizer, e analisava sem dizer nada. Quando Pedro menos esperava, lhe foi oferecido um pesado manto feito com a pele de um mamute abatido anteriormente, e uma lança feita com a madeira de uma das árvores congeladas, tendo uma ponta de bronze. Era provavelmente uma das melhores armas de que eles dispunham, mas daria a Pedro a chance de sobreviver. Além disso, um complexo gibão feito do pêlo de algum animal branco (provavelmente um urso polar) também lhe foi oferecido, bem como botas feitas do mesmo material, e um elmo, que realmente parecia a cabeça de um urso branco. Certamente ele ficaria aquecido em sua viagem. Pelos acenos do líder a ele, parecia que eles não o acompanhariam. O bárbaro, inclusive, tentou se explicar, mas Pedro não conseguira entendê-lo.


"- Bak´tuk´mak... guk... guk nah tulk..."


Oneiros, por outro lado, conseguiu entender um pouco mais do que ele havia falado. Era algo como "Perigo, Passagem, Vale, Guardião, Morte, Povo". O deus dos sonhos forçava sua visão, mas aquele era o sonho mais irritante em que ele tinha se infiltrado em toda a sua existência. O máximo que ele conseguia ver era a passagem entre as montanhas, e sabia que ela conduzia a um vale, mas não via nada mais além disso. Agora, porém, Pedro teria maior chance de sobreviver, ainda que sozinho. A tribo realmente não o acompanharia, e Oneiros precisava decidir quanto tempo mais deveriam esperar ali. O fogo era acolhedor, e Pedro sentia-se extremamente bem junto à fogueira, mas será que aquilo já era algo premeditado para atrasá-los? Seria Crios assim tão cruel?


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- Descanse.

Oneiros era um deus. Fosse menor, maior ou sequer um deus, ele poderia prosseguir pelo deserto de gelo incansavelmente até os seus objetivos, pois, mesmo na mente de Cronos, que por sinal era dificílima de manipular, ainda estava em seu domínio. Por outro lado, Pedro era um humano; deveria lutar com coragem, vigor e determinação. Ele não era um deus. Não era fisicamente tão diferente dos homens das cavernas, mas era no mínimo, mais frágil, pois do lado de fora, o mundo estava muito mais macio, muito menos perigoso. A possibilidade daquela tribo estar ali para atrasá-los agradou Oneiros que encarou aquilo mais como um teste de sabedoria do que como uma armadilha. Crios fora claro no início do desafio: teu hospedeiro deve vencer meu desafio; se Oneiros incitasse Pedro com sua energia, estariam vencendo juntos, não? Isso ia contra as regras do titã.

Pedro não reclamaria, descansaria com a tribo por, pelo menos, uma noite. Tentou agradecer pelos equipamentos fornecidos e só "falou" ou se moveu quando o necessário. Tentou avisar ao líder que passaria a noite ali, se lhe fosse permitido, mas que poderia ir embora logo. Desenhos foram sua principal forma de comunicação. Faria quaisquer trabalhos que necessitasse e, depois, procuraria algum lugar relativamente confortável naquela caverna para dormir. Enquanto Pedro estava imerso no sono, Oneiros ficaria de vigia. Tentou usar suas forças para acelerar a passagem do tempo, de modo que o restante daquele dia passaria tão rápido quanto em alguns minutos e, como Pedro fazia parte do cenário, estaria descansado quando despertasse.

Conseguindo ou não, Oneiros despertaria seu hospedeiro quando o sol estivesse começando a nascer.


- Desperte.

Oneiros não teve piedade. Precisavam prosseguir logo e, após o descanso, Pedro certamente estaria com mais energia. Munido dos equipamentos oferecidos por aquele povo, deus e hospedeiro prosseguiram pela planície gelada. O deus dos sonhos indicou a direção a seguir e nada mais disse, apenas ficando atento aos arredores. A marcha seria longa e, durante a caminhada, Oneiros também se preocupou em procurar um novo abrigo. Aquela tribo certamente havia os ajudado, mas não poderiam contar com mais com eles.
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Tudo ocorreu como Pedro desejou. O descanso foi revigorante. Ter escolhido adormecer foi bom para Pedro, mas ruim para Oneiros. Como permaneceu muito tempo no mesmo lugar, Oneiros sentiu que perdeu levemente o domínio do sonho de Chronos. Quando começava a compreender aquele desafio, foi forçado a ficar no mesmo lugar, o que facilitou a resistência mental do Titã. Não obstante, Pedro despertou revigorado. O único membro da tribo que estava acordado era o líder bárbaro, que alimentava o fogo para não deixar que morresse. Todos os demais estavam ainda dormindo, abatidos pelo cansaço de carregar o mamute. Ele não disse nada ao vê-los saindo, apenas meneou a cabeça positivamente e ofereceu um sorriso amistoso. Precisariam disso para a jornada.


Na verdade, o tempo estava bom quando saíram. Apesar do frio ainda ser cortante, amenizado pelas vestes quentes que Pedro agora utilizava, o céu estava claro e não havia mais a nevasca. Assim, o caminho parecia ter clareado significativamente, e a entrada para o vale era visível, através de duas grandes montanhas. E após cerca de dez horas de caminhada, o tempo começou a piorar um pouco. Nuvens surgiram no céu e uma neblina formou-se. Pedro já chegava muito perto da entrada do vale quando ouviu um grunhido, e depois um rugido. Logo depois, um tremendo impacto contra o solo produziu um tremor que fez Pedro perder o equilíbrio e cair. Oneiros sentia uma presença arrebatadora vinda da neblina. E quando conseguiu reerguer-se, o hospedeiro do deus dos sonhos teve uma visão quase inacreditável: um gigante de gelo, de aproximadamente 7 metros de altura. Ele segurava uma clava enorme, e provavelmente havia sido isso que fez o solo tremer daquela maneira. Havia rachaduras por todos os lados, e o terreno era irregular. As palavras dos membros da tribo agora faziam sentido. Pedro precisaria passar por ele ou derrotá-lo para alcançar o vale. Mas como fazer isso?


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Pedro estava maravilhado. Uma criatura mitológica se dispunha e impedir sua passagem, mas não conseguia encará-la como um desafio, simplesmente aceitava-a como parte da passagem. Oneiros precisou pertubá-lo para que o humano voltasse a prestar atenção naquele campo de batalha. A neblina dificultava a visão, mas não impedia que a dupla percebesse as rachaduras no solo - ora, e o solo estava rachando, deveria haver algo abaixo, quem sabe um lago? Isso era bom, pois talvez não precisassem lutar contra aquele monstros, até porque Pedro não tinha a menor chance. Oneiros poderia vencê-lo com alguma facilidade - principalmente por estar no domínio dos sonhos, mas o hospedeiro não tinha permissão para usar metade das capacidades do oneiroi. Após uma troca silenciosa de mensagens, os dois começaram seu percurso para o vale.

Oneiros tratou de preparar a chama de prometeu, pois provavelmente precisaria dela., mas não a fez queimar para não chamar a atenção do gigante. Pedro caminhava pelo terreno irregular e tentava analisar bem, enquanto passava, as rachaduras no ambiente. O oneiroi tentava enchergar através da neblina para formular um caminho que combinasse com o plano dos dois e, também, buscava saber se havia algo abaixo daquele terreno congelado. Se tudo ocorresse bem, poderiam rapidamente atravessar a passagem. A ideia era simples: pretendiam afundar o colosso na terra ao usar a chama para destruir o solo, forçando-o a rachar. Oneiros estava estudando o ambiente para procurar uma rota de fuga viável, pois, caso contrário, afundariam junto com o gigante. Claro, só fariam isso se precisassem, pois ao menos que o guardião conseguisse sentir a presença deles, poderiam passar ocultos pela neblina inimiga.

A preocupação se estendia também à passagem. Será que era segura? Não seria mais uma armadilha do titã, além do guardião?... Aquilo se tornava mais e mais complicado. Oneiros pôs-se a ponderarar sobre toda a situação rapidamente, pois um erro poderia ser fatal.
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A hesitação poderia ser a ruína de ambos, pois o gigante já havia sentido a presença de Pedro. A névoa se desfez parcialmente quando a grande clava atravessou-a e produziu um ribombar no impacto contra o solo. A violência foi tanta que Pedro foi atirado aos ares, caindo para trás no chão rachado. A onda de choque produzida foi tamanha que Oneiros não estava preparado para ela. Quando levantou-se, Oneiros sentiu o braço esquerdo doer muito. Provavelmente, tinha-o quebrado no impacto. Como bem deduzira, o chão era instável, mas a camada de gelo ainda era extremamente grossa. O gigante poderia golpear o dia inteiro aquele terreno que ele não cederia. O que fazer? Pedro não teve muito tempo para pensar. Os passos do gigante avançaram, e a clava já descreveria seu movimento vertical que seria letal para o navegante. Como escapar de tal doloroso destino?

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A situação não estava agradável. Oneiros e Pedro, humano e deus, estavam encarando a morte num mundo onírico. A criatura de sete metros avançava implacável enquanto o marinheiro se recompunha, encarcerando no âmago as pragas que rogaria pelo braço quebrado. Do outro lado, o deus dos sonhos encarava o gigante com raiva, pois aquilo estava se provando mais difícil do que o esperado. Não tinham tempo, precisavam agir imediatamente antes que a morte lhes abatesse; sim, pois Oneiros estava ali como entidade física, manifestado dentro da mente de Cronos. Uma morte ali seria o fim e isso não podia acontecer... não ainda. Naquele momento, ambos estavam tomados pelo desejo de viver; o filho de Hypnos tinha muitos objetivos para alcançar, promessas a cumprir e seu ego para saciar e vinganças para maquinar, enquanto Pedro, acima de tudo, tinha seu instinto de sobrevivência. Naquele momento, a chama seria a maior das armas.

Com um surto da adrenalina, o capitão ignorou a dor e moveu-se mais rápido do que gostaria. Por mais que a ideia lhe fosse agradável ou não, Oneiros e Pedro estavam a caminho de tornar-se um só. Aqueles desafios estavam ensinando o oneiroi a aceitar a humanidade, mas o cárcere do humano também lhe desvendava os segredos do cosmos; era mais do que natural que, guiados pelo instinto comum, trabalhassem juntos. Dessa vez tinha noção da força monstruosa do gigante e não seria pego de surpresa, estava pronto para usar quaisquer métodos que fossem necessários para sobreviver. Titã nenhum iria impor limites para as ambições de Oneiros. No momento em que a clava fosse chocar-se contra o solo, Oneiros e Pedro saltaram na direção do gigante com força e agilidade sobre-humanas, uma afronta típica dos arrogantes. A chama de Prometeu iria queimar o mais vívida possível nas mãos do semideus, que a manipulava como se fosse seu próprio cosmo.

Uma arma lhes fora dada e com ela iriam concretizar sua afronta às regras, a desobediência humana que levava à sobrevivência. Da maneira como estava se manifestando, a chama deveria cobrir todo o corpo de Pedro – da mesma maneira que fizera quando atacaram o mamute – e a potência deveria ser a mesma, mas agora outro fator estava sendo levado em conta: Oneiros também manifestava o sentimento humano da sobrevivência, mesmo que de uma maneira diferente. Com a manipulação certa, a chama poderia ser concentrada por inteiro naquela lança para inflamá-la sem destruí-la e, então, aquela arma seria a canalizadora de todo o desastre: o deus dos sonhos usou a humanidade de Pedro e seu próprio cosmos para aumentar ao máximo a potência daquele fogo e, num golpe de força divina, passá-lo por inteiro para o corpo do gigante de gelo.

Sim, a afronta era ousada e tamanha que poderia custar-lhe a confiança de Crios, ou ainda pior, atrair a fúria do titã, mas nenhum dos dois se preocupou com isso naquele momento. Planejavam usar a chama de Prometeu para derrubar o gigante, queimá-lo vivo! Impossível? Talvez, mas Oneiros não mediria esforços para aumentar a potência da chama com sua própria energia se necessário; não se mostraria fraco em momento algum, não hesitaria. Iria sobreviver, chegar ao vale e encontrar o próximo titã; ou talvez completar sua travessia na mente de Cronos, pois qualquer um dos cenários lhe seria favorável. Após o impacto, Pedro usou a força do deus dos sonhos para se impulsionar para frente mais de uma vez: combinar cosmo e chama de uma maneira tão terrível que desestabilizariam o gigante (não eram tolos ao ponto de querer derrubá-lo, tarefa árdua até mesmo para um semideus) por tempo o suficiente para que se impulsionasse para cima e se agarrasse ao pelo na cabeça da criatura.

De lá, se lançaria na direção da passagem para o vale, pretendendo pousar (e aqui com a devida ajuda de Oneiros) na entrada e começar a corrida que a atravessaria. Eles sobreviveriam.
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A Chama. Ela nunca queimara tão fortemente em Pedro e em Oneiros. Ambos precisavam dela, a queriam e a utilizariam. O salto foi impulsionado por uma força que só os heróis possuem. Inspirado naqueles que descansam em Morphia, Pedro de Aragão saltou para a glória. As chamas percorreram suas mãos e se alojaram na lança, que trespassou a carne gélida do gigante. A um só movimento, haviam esquivado do golpe mortífero e golpeado o gigante. Só foi necessário aquele golpe. A chama se espalhou pelo gigante, e tamanha foi a sua intensidade que ela o derreteu completamente. Ao não hesitar e reagir buscando a sobrevivência, sem deixar que o medo os paralisasse, hospedeiro e divindade haviam alcançado o que desejavam. Assim que o gigante se desfez, Crios reapareceu, batendo palmas numa lentidão que beirava o sarcasmo.


- Sigam. Finalmente compreenderam o significado desse teste. A sobrevivência é o mais importante, mais importante que qualquer regra ou código de ética. Devido a lutar por sua sobrevivência, a raça humana prevaleceu, assim como vocês. Sigam o vale. Ele leva ao próximo teste.


Quando Crios desapareceu, desvanecendo-se junto com a névoa, parou de nevar e o frio começou a acabar. O gelo começou a derreter rapidamente, conforme Pedro observava a mudança de uma estação inteira e o fim de uma Era Glacial ocorrer em poucos segundos diante de seus olhos. Uma primavera sem fim desabrochava em todo canto, mudando radicalmente a paisagem. O ar agora era fresco. O clima lembrava as margens do Tejo, enchendo Pedro de nostalgia e saudosismo. Tudo o que tinham a fazer agora era seguir pelo vale.


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Aquela sensação era maravilhosa. O braço doía muito, mas Pedro sentia-se revigorado pela mudança de ares. Estava tão distraído enquanto caminhava que mal percebeu quando sua consciência esvaiu-se do corpo, quando seus cabelos escureceram e seus olhos perderam o brilho. Agora, quem sentia a dor do braço quebrado era Oneiros, que fazia questão de retirar aquele manto de pele das costas. Ele o manteve consigo, mas não o vestiria – já não era mais necessário. Uma voz incômoda reclamou daquilo na sua mente; diferente de antes, o deus dos sonhos não tentara obstruir a presença do seu hospedeiro nos confins da sua alma; pelo contrário, agora deixava-o desperto. Pedro era agora o que Oneiros fora durante o último teste, quase um “fantasma” que o acompanharia naquela empreitada. Era um risco a se correr. O filho de Hipnos estava aprendendo mais e mais sobre a humanidade e as descobertas o fascinavam, devolviam o brilho que um dia enxergara naquela raça amaldiçoada.

Por isso resolveu manter o hospedeiro por perto, ao invés de subjugá-lo novamente. A dor no braço era incômoda, mas não houve hesitação em tentar acelerar a regeneração através do domínio dos sonhos, afinal, talvez seu corpo físico pudesse ser manipulado dentro do domínio onírico. Não ligaria se falhasse, pois o deus já sofrera muito mais para realmente se incomodar com aquele pequeno estorvo. Seu passo acelerou e ele pareceu levitar sobre o vale, buscando o próximo interlocutor a desafiá-lo. No caminho, não conseguiu deixar de sentir-se bem, sentir-se livre e, quem sabe, até feliz. Seu hospedeiro sentia-se da mesma forma e, pela primeira vez em muito tempo, talvez os sentimentos de humano e deus estivessem se mesclando.
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Pareceram eras. A travessia de Oneiros e Pedro parecia se dar não só no espaço, mas também no tempo. Conforme iam passando pelo lindo vale, este ia mudando sua configuração. Tempos de seca e de vegetação espessa se alternaram, e ambos puderam observar sua alteração como se vivessem por milênios. Uma terra úmida deu lugar a um deserto. O rio que havia secou. As chuvas vieram, e tudo foi novamente vivificado. Porém, em certo momento de sua jornada, as nuvens se aquietaram, o ar estagnou, e o calor começou a se tornar opressivo. O deserto ao redor deles se mantinha, e já lhes proporcionava uma imensa sede. Contudo, uma visão lhes deu esperanças: parecia haver, ao longe, um traço de civilização. Conforme foram chegando mais e mais perto, a enorme cidade tornou-se evidente. Oneiros, que via além do que Pedro podia divisar, viu homens de pele parda vagando, trabalhando e conduzindo escravos. Todos eles tinham pouca roupa, devido ao calor. Mas o que até mesmo Pedro conseguiu ver, e que Oneiros pôde observar com detalhes foi a imensa torre que se erguia aos céus. O que seria aquilo?


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Intrigante. Oneiros sorriu diante da magnífica construção; ele não esperava vê-la naquela sucessão de desafios. Sem dizer uma palavra, retomou a rápida caminhada na direção daquele povo. Pedro estava surpreso e o deus dos sonhos sentia isso, achando por bem informá-lo sobre o que via. Aproveitou para retirar as peles pesadas e demasiadamente quentes – inapropriadas para aquela situação – do corpo.

- Aprecie, Pedro de Aragão. A lendária Torre de Babel, construída para alcançar os deuses em seus tronos no céu.

Pedro nunca ouvira falar dela, embora tenham lhe dito que alcançar os deuses era algo errado. Deus era grandioso de mais para ser alcançado pela raça humana; quem diria que, há milênios, os humanos ousaram almejar isso? Pela torre, a dupla julgou estar na antiga cidade da Babilônia e dali Oneiros imaginava quem os recepcionaria e o quão difícil seria a provação se os seus instintos estivessem corretos. Instintos? Talvez essa não fosse a palavra certa. Talvez previsões coubesse aqui.

Parou de caminhar ao chegar perto do povoado, mas não prosseguiu. Começou a retirar parte da roupa que restava, pois assim poderia se parecer mais com os humanos abaixo. Oneiros já absorvera que, naquele desafio, a sua “humanidade” era a chave; sua divindade não teria lugar para na obtenção do novo poder e, também, não queria chamar a atenção dos homens. O deus esperava que seu interlocutor o recebesse fora da cidade. Olhou para a torre em construção e seus sentidos se aguçaram, prontos para detectar qualquer mudança naquele sonho, desejada ou não. Pedro perguntava ávido qual a suspeita do oneiroi e, por fim, Oneiros revelou-lhe que esperava encontrar Céos naquele cenário. Não ficaria decepcionado, contudo, se estivesse errado.

- Onde estás, titã?
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Assim que perguntou pelo "titã", uma presença fortíssima surgiu perto de Oneiros. Tal como ele já imaginava, era um titã, com a diferença de que era "uma titânide". Aquela era a primeira mulher entre os titãs que o Oneiroi divisava, e Pedro provavelmente daria um sorriso. Ela tinha a face relativamente amistosa, embora misteriosa e também convidativa, mas quando começou a falar, ambos sentiram que provavelmente seria o teste mais difícil pelo qual tinham passado até então.


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- Eu sou Phoebe, a titânide da Lua. Você chegou longe, Oneiroi. Você encontrou sua humanidade e superou os desafios físicos e de sobrevivência com os quais os humanos também tiveram de lidar ao longo da história. Vê essa torre? É o símbolo da inteligência que começava a brotar na mente humana. O objetivo parece fútil, mas a engenharia que se desenvolveu para construir a torre é de uma complexidade impressionante. Então, eis o meu desafio, que é tão complexo quanto compreender a torre. Você precisará encontrar-me. Apenas isso. Precisa visitar-me em minha residência. Darei uma pista: "o mar dos sonhadores serenos". Você tem até a lua estar a pino no céu, ou seja, doze horas. Se conseguirem, curo seus ferimentos, inclusive o seu braço quebrado. Boa sorte!


E tão de repente como surgiu, ela foi embora, sumindo no ar. O sol estava realmente a pino, era meio-dia. O ar era extremamente seco e o calor dificultava até mesmo o pensamento. O que fariam, Pedro e Oneiros, a seguir?


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Eu não sabia que existiam mulheres tão bonitas entre os titãs, Oneiros. Devia me apresentar a estas moças num momento oportuno, haha!

Oneiros suspirou. Phoebe era a mestra do quarto desafio, um que necessitava de inteligência e sabedoria. - O mar dos sonhares serenos. É uma dica bem nebulosa. - A voz de Pedro surgiu subitamente mais séria, diferente do tom jovial e desleixado de antes. Parecia que tanto ele quanto o oneiroi estavam empenhados em encontrar Phoebe e avançar para o próximo desafio, embora isso levasse o deus menor a questionar os motivos de Pedro decidir 'ajudá-lo', afinal, o deus dos sonhos o sobrepujara durante vários anos. - Para mim, a resposta seria o mar. Eu esperaria encontrar Phoebe em uma belíssima ilha, esperando para ser resgatada pelo seu marinheiro. Diga-me, Oneiros, não acha melhor que eu conduza a busca? – Outro suspiro. Talvez não fosse a melhor das ideias tentar conviver com sua “alma humana”, mas a afirmação de Pedro tinha o seu valor, embora o silêncio se mantivesse.

Ele e Oneiros viam as coisas de maneira diferente. Pedro era apaixonado pelo mar, mas Oneiros não conhecia, ainda, uma paixão só sua, um resquício de “humanidade divina” que lhe permitisse apreciar algo como Dionísio, um adorador de vinho. Talvez isso fosse a causa da divergência de opiniões. - Para mim, a mente é o mar dos sonhadores serenos, pois é na sua imensidão que se concretizam os sonhos, mas isso não faria sentido. - Afinal, estavam dentro de uma mente titânica. Deveriam procurar Phoebe em cada centímetro da mente de Cronos?

Não. Oneiros começou a caminhar com rapidez na direção da cidade. No caminho, mudou um pouco as roupas feitas de pele para que se adaptassem melhor aquele ambiente e a sua concepção do vestuário babilônico. Queria parecer um pouco importante, apenas o suficiente para não ser confundido com um escravo.


Posso perguntar o que pretende, Oneiros?

Encontraremos os arquitetos da Torre. O mistério de Phoebe parece simples, mas quero descobrir o que estou deixando passar. Além do mais, seu braço quebrado incomoda muito.


Em meio à caminhada, Oneiros ponderou...

”Será que Phantasos está sentindo minha ausência? Preciso me apressar... Ele não pode saber sobre isso, não ainda...”
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Meia hora se passou até que Oneiros e Pedro se misturassem à multidão e alcançassem o coração de Babel. A cidade histórica era sensacional em termos arquitetônicos. Além da magnífica torre que se extendia até o céu, perdendo-se nas nuvens, havia um zigurate de prata a leste da mesma, um prédio aparentemente importante e imponente. Também havia outras construções feitas de madeira, pedra e bronze, desempenhando diversas tarefas, como postos de guarda, pequenas torres de vigia, residências, entre outros. Além disso, o mercado da cidade era extremamente agitado. Havia não só uma feira, que corria pela principal "rua" da cidade, caracterizada por um "caminho de cascalho", mas também vários mercadores ambulantes ziguezagueavam entre a multidão. Escravos, asseclas, sacerdotes, guardas e nobres vagavam entre todos os metros quadrados da sufocante cidade, que ardia sob o sol vespertino. Onde Oneiros e Pedro começariam sua busca?

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Oneiros fechou os olhos e se concentrou. Ele era o senhor dos sonhos; nada lhe escaparia dentro do seu domínio. Sua própria mente se expandiu e começou a vasculhar os arredores, assimilando cada detalhe da antiga Babilônia. Estava procurando por pessoas e estruturas em específico, como o palácio do rei e os engenheiros da torre de Babel. Isso poderia lhe tomar algum tempo, mas disfarçava a sau tarefa com uma caminhada leve. Como senhor dos sonhos, não seria difícil, ou não deveria ser, divisar o interior das estruturas sem precisar adentrá-las. Sua mente divina podia se ocupar de várias tarefas ao mesmo tempo e, enquanto buscava captar algum pensamento não só sobre a famosa Torre, mas também sobre alguma mulher parecida com Phoebe, o deus menor deitou seu olhar sobre o Zigurate de prata.

Caminhava na direção daquela estrutura aparentemente importante, buscando invadi-la com seu olhar divino. Pedro sentiu a severidade da tarefa e ficou silencioso, compartilhando da visão do oneiroi. Oneiros só parou de caminhar quando já estava se aproximando da estrutura metálica, olhando em volta a fim observar os transeuntes.

"Isso não está certo..."

Oneiros estava curioso. A essa altura, já esperava ter certeza da resposta para enigma, mas tinha suas dúvidas. Phoebe era a titânide da Lua, então não seria inconveniente encontrá-la em um templo dedicado aos céus, ou no próprio céu.

"Pensando assim, ela deveria residir no interior da Torre, mas isso seria óbvio de mais. Não pode ser tão simples, pode?"

Em dúvida, o deus dos sonhos parou para analisar o que descobrira até então.
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Três horas da tarde. Já havia decorrido 1/4 do tempo máximo conferido por Phoebe para que Oneiros a encontrasse. O tempo que a divindade dos sonhos perdeu vasculhando a antiga Babilônia não foi em vão, contudo. Senhores de escravos que pareciam detentores de um vasto conhecimento ocupavam o último andar visível da grande Torre de Babel, e provavelmente eram eles os responsáveis pela construção da torre. Opcionalmente, dentro do grande zigurate de prata, cercado por guardas, súditos, asseclas, concubinas e escravos, estava uma mente magnífica: Nimrod, o mítico rei da Babilônia. Ele poderia fornecer talvez as mesmas informações que os engenheiros, e talvez até mais... mas era mais provável que fosse mais fácil arrancar as informações dos engenheiros, embora talvez elas fossem menos úteis. O que Oneiros escolheria fazer primeiro?


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Um achado surpreendente. Oneiros não esperava encontrar a mente por trás da Babilônia: Nimrod. Com certeza era uma das mentes mais geniais que já existiram e dialogar com esse rei parecia uma ideia muito tentadora, tentadora de mais para deixar passar. Entretanto, Oneiros não podia ir até ele sem o mínimo de conhecimento, ao menos, sobre a Torre. Conhecia as lendas por trás de Babel, mas nunca se interessou em estudar sua construção. Cronos muito provavelmente sabia da sua presença, então não fazia mais sentido ser tão cauteloso quanto ao seu poder; para um deus dos sonhos, desvendar os segredos de várias mentes ao mesmo tempo não era nenhum problema. Com seu olhar onírico, o oneiroi buscou as mentes dos senhores de escravos, os supostos engenheiros daquela construção, e tentou descobrir os segredos por trás da engenharia; os motivos pelo qual aquela torre estava sendo construída.

Ao mesmo tempo, simplesmente desapareceu da vista dos transeuntes, como se nunca estivesse lá. Camuflado no tecido dos sonhos, Oneiros poderia avançar despercebido até o zigurate de prata. Simplesmente surgir diante de um poderoso rei não era exatamente a mais inteligente das maneiras de fazer uma aproximação, mas era exatamente como o deus iria até Nimrod.

Diante das decisões do deus menor, Pedro manteve o silêncio.

Aproveitando-se da consciência desperta do seu hospedeiro, Oneiros o deixou recebendo as informações roubadas dos senhores de escravos, pois resolveu ocupar-se com outra tarefa: moldaria a sua visão para que pudesse estudar o interior daquele zigurate, analisando todas as câmaras, todos os serviçais que lá pudessem estar e, acima de tudo, buscando a localização do rei. Desejava simplesmente aparecer lá dentro, usando seu domínio sobre os sonhos para se mover tão rápido quanto a luz, evitando contato com os humanos. Se conseguisse alcancar aquele homem, poderia se revelar... mas não antes de ficar a sós com ele, coisa que poderia fazer ao alterar a percepção da realidade dos serviçais para que imaginassem estar parados no tempo, sem poder ver ou ouvir o que realmente se passava.


- Olá, meu Rei. Disposto a dialogar com alguém que admira a sua genialidade e existência?

Oneiros já estava pronto para uma reação desagradável por parte do rei, mas não tinha tempo a perder. Tentou manter Nimrod calmo, usando um tom de voz agradável e que deixava claro as intenções nada agressivas do deus menor. Descobriria mais sobre a torre de Babel e seu verdadeiro propósito antes de seguir até o lar de Phoebe... ao menos esperava ter tempo para isso.

- Desci para aprender sobre sua torre, meu rei. Ela intriga até mesmo a mim, que a tudo vasculho com meu olhar divino.

Quote:
 
Nome da Habilidade: Mestre dos Sonhos
Descrição: Oneiros, por ser a maior deidade do sono, logo abaixo de Hypnos, pode controlar o mundo dos sonhos ao seu bel prazer. É capaz de invadir, do mundo dos sonhos, os sonhos de outrem e alterá-los. Não só isso. Pode usar os sonhos para aprisionar mentes, enviar mensagens ou ainda se esconder, já que é capaz de transportar seu corpo físico para uma mente sonhadora.
Efeito: Oneiros pode adentrar, do Mundo dos Sonhos, os sonhos de outras pessoas – deuses inclusive, podendo manipulá-los e ocultar-se neles. Uma das peculiaridades do oneiroi é sua capacidade criar um sonho dentro de um sonho, prendendo indivíduos no seu subconsciente (mas, para tal, o indivíduo não deve possuir cosmo-energia ou, então, possuir alguma ligação com o mundo dos sonhos). Se lhe for dado tempo suficiente, Oneiros pode aprisionar memórias e criar novas na forma de sonhos, mudando completamente um indivíduo, cavaleiro ou não. Entretanto, isso só ocorre quando o trabalho é ininterrupto e leva bastante tempo, de meses a anos dependendo das alterações a serem feitas. Para entrar na mente de deuses, Oneiros precisa gastar uma quantidade de cosmo diferente, dependendo do nível da deidade. O gasto pode ser de médio a grande para deuses menores, em patamar semelhante ao oneiroi, mas para deuses maiores (como Hades, Hypnos e Thanatos) é necessário um grande gasto de energia, muitas vezes monstruoso. Os efeitos reais da habilidadeficam a critério dos narradores.
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