| Welcome to Forsaken Legends. We hope you enjoy your visit. You're currently viewing our forum as a guest. This means you are limited to certain areas of the board and there are some features you can't use. If you join our community, you'll be able to access member-only sections, and use many member-only features such as customizing your profile, sending personal messages, and voting in polls. Registration is simple, fast, and completely free. Join our community! If you're already a member please log in to your account to access all of our features: |
| SIDEQUEST - A Busca pela Caixa de Pandora; Tártaro, 28/12/1548, alta noite [começo] | |
|---|---|
| Tweet Topic Started: Feb 22 2012, 11:36 AM (9,478 Views) | |
| Narrador Principal | Jun 15 2013, 03:41 AM Post #121 |
![]() ![]()
|
[YOUTUBE]http://www.youtube.com/watch?v=UWyxpCDumBo[/YOUTUBE] - Está expondo demais seu rei e perdendo peças... é melhor que seu plano seja bom... xeque. Um breve aceno de Céos foi o bastante para que o peão em G2 derrubasse o cavalo em H3, deixando a coluna livre para o bispo de Oneiros. Um outro movimento se deu do outro lado do tabuleiro, com a dama branca derrubando mais um peão de Oneiros em C7 e colocando seu rei em xeque. Aquela situação fez Pedro pensar: qual seria o objetivo real do jogo? A vitória ou o aprendizado? Como será que Oneiros passaria no teste? Apenas vencendo? Ou a vitória era multifacetada, assim como o próprio jogo estava sendo até aquele momento? Teria o deus dos sonhos condições de encerrar o teste a qualquer instante, mas não saberia como fazê-lo, e não lhe restava nada além de continuar jogando? ![]() |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Jun 17 2013, 10:55 AM Post #122 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
Pedro assistia o jogo em silêncio, cada vez mais preocupado. As tropas pretas estavam, pouco a pouco, sendo erradicadas e as tentativas do oneiroi de jogar Céos numa armadilha haviam sido vencidas uma a uma. Quando Oneiros moveu a si próprio, o rei, para F6, Pedro compreendeu como aquilo terminaria. O cavalo estava codenado e a única peça que sobraria era o bispo. O deus dos sonhos fez menção de mover outra peça mas, quando levantou as mãos, uma força invisível o parou. Céos perceberia um rápido conflito entre as duas pessoas que habitavam o interior do corpo de Oneiros. Se prestasse atenção, poderia ouvi-los conversando baixinho. - ...Quais suas intenções, Pedro? - Acabou, Oneiros. Você não é bom no xadrez e eu só conheço as regras. Olhe para o tabuleiro. Imagine-se no mar, imagine que cada peça é um navio da sua frota. Imagine suas caravelas ruindo e sua tripulação se perdendo conforme os piratas de Céos avançam. Entende minha analogia? Não somos generais, Oneiros. Você adquiriu meu conhecimento: sabe navegar, pode comandar a tripulação em uma viagem comercial... mas dificilmente daria as ordens certas se piratas nos atacassem. - Não me renderei, Pedro. - Não estará demonstrando fraqueza. Oneiros. Você começou a aprender sobre a humanidade. Sei que começou a encará-la com um novo brilho no olhar. Começamos a desenvolver a Chama. Nós temos nossas diferenças. Eu ainda quero meu corpo de volta e não pretendo desistir disso, mas esse conflito está nos tirando de foco. Você queria se voltar contra o Olimpo. Pretende fazer isso sozinho? Irá sacrificar os peões como se eles não valessem de nada, mesmo que sejam humanos? Ainda pensa dessa maneira, Oneiros? O deus dos sonhos começou a pensar. Sua desvantagem com relação a Céos era tremenda. Ele tinha poucas peças. Pensava e pensava, mas não encontrava uma maneira de sair daquela situação desesperadora. Pedro tinha um ponto. Ali, frente a frente com Céos, ele via o tabuleiro de cima. Sabia onde todas as peças estavam, podia planejar calmamente os movimentos dos seus soldados. Isso, entretanto, não aconteceria numa batalha real. - Vê? Um rei sem seus súditos não é um rei, Oneiros. É apenas um homem solitário, vivendo sozinho em seu palácio. Um rei precisa ter a quem gorvenar. Oneiros estava impressionado. A reflexão de Pedro fazia sentido. Nenhum dos dois venceria aquela disputa. Haviam falhado em muitos aspectos naquele teste e, quer desejasse ou não, o oneiroi precisava admitir isso e, como um sinal dessa resolução, abaixou a mão e cerrou os punhos. Com os olhos voltados para a peça que o representava, Oneiros disse em alto e bom som: - ...Você venceu, Céos. Eu falhei em vencê-lo neste desafio. Não sou capaz de comandar minhas tropas remanescentes para vencê-lo. - Abaixou o rosto em sinal de respeito e desculpas. - Se soldados me fossem dados, eu falharia em comandá-los contra meu pai. Meu hospedeiro, surpreedentemente, abriu meus olhos. Tomarei isto como uma lição e, com todo respeito, gostaria de perdi-lhe uma nova tentativa num momento futuro. E, então, esperou pela resposta do titã. Seria ele expulso da mente de Cronos? Vagaria pelo Tártaro eternamente em busca de uma saída?... Ou uma nova chance seria concecida? |
![]() |
|
| Narrador Principal | Jun 23 2013, 01:04 AM Post #123 |
![]() ![]()
|
Todo o tabuleiro se desvaneceu num piscar de olhos, e o chão não parecia mais estar enxadrezado. Teia desceu de sua posição aérea, batendo palmas levemente. Céos cruzou os braços e fitou Oneiros, com um sorriso de canto de boca. - Um rei precisa ter a quem governar. Muito bem, Oneiros e Pedro. Essa é a lição que Hades não aprendeu. E por isso ele jamais passaria no meu teste. Reconhecer a impossibilidade de vitória é tão importante quanto vencer. Você se rendeu, não perdeu. Seu rei não foi morto. Logo, ele pode viver para conseguir se reagrupar. Talvez outros peões, torres, cavalos, bispos e até mesmo uma dama integrem seu batalhão na próxima vez que ele se dispuser no tabuleiro. Parabéns. Vocês terão uma outra chance para vencer esse jogo. Todavia, o tabuleiro no qual jogarão não será o meu. Saia pela passagem que será aberta e siga adiante. Na construção a seguir você encontrará a sua próxima provação. Boa sorte. Atrás do titã abriu-se uma passagem, que dava para uma colina. À distância era possível notar uma construção. Teia aparentemente acompanharia Oneiros, mas persistia a dúvida: qual seria seu próximo teste? |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Jun 23 2013, 07:09 PM Post #124 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
Oneiros fez uma mesura para Céos. Poderia prosseguir e, por isso, não escondeu sua gratidão. Quando o assunto estava encerrado, avançou pera a abertura atrás do titã. Quando estava na iminência de atravessar o portal, dupla esboçou uma conversa. - Estou impressionado, Pedro. Você venceu o desafio do titã. - ...Obrigado, Oneiros. Mas Céos tem um ponto. Enquanto divirmos o mesmo corpo, devemos nos tratar por "nós". Nós vencemos o desafio. Ainda somos existências... antagônicas. Precisamos mudar isso se quisermos obter o poder da Chama. Se quisermos nos tornar mais fortes, mais... "completos"?... - Eu estou disposto a isso, Pedro. Vamos conseguir deixar nossas diferenças de lado?... - Espero que tenhamos encontrado nosso objetivo comum ao fim desta jornada. Só o tempo irá sanar nossas dúvidas. A grande questão é, Oneiros: você aceitará a humanidade por completo? E, com aquela breve reflexão, a dupla atravessou o portal. Ao chegar no seu destino, observaram bem os arredores para não deixar nada escapar, analisando principalmente a construção. Quem sabe ela não daria indícios do próximo titã? Lançou um olhar a titânide que o acompanhava, Téia, talvez em busca de alguma informação. Ela estava ali desde que seu desafio fora vencido. Não era tão estranho assim, mas o deus dos sonhos não conseguiu deixar de se perguntar o verdadeiro motivo de ela estar seguindo-o. Ela o jogaria no Tártaro quando ele se desviasse dos desafios?... Isso teria que ficar para depois. Oneiros aproximou-se devagar da construção e, se nada se opusesse a isto, entraria. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Jun 25 2013, 09:51 PM Post #125 |
![]() ![]()
|
A construção era muito bela. De cor avermelhada, arcos se erguiam, misturando-se à vegetação, enquanto a imponência do edifício aberto deixava ambos atônitos. Porém, duas situações sobrenaturais capturaram a atenção de Oneiros e Pedro assim que deram seus primeiros passos. Nas paredes havia milhares, talvez milhões, de formas e imagens, pintadas, esculpidas ou mesmo "incorporadas organicamente", representando vários tipos de beleza. O corpo humano masculino e feminino, as mais belas paisagens do mundo, obras de artistas renomados, tudo era possível se ver ali. Contudo, tudo estava misturado de tal forma que levaria um grande tempo para identificar pelo menos uma centena daquelas figuras. E, dividindo a construção em duas áreas, estava o leito de um rio, no centro da mesma. Pedro não o conhecia, mas Oneiros logo reconheceu o rio Lete. ![]() Ele sabia o que aquilo significava. Atravessar o Lete, em circunstâncias normais, e sob a bênção de Hypnos, seria algo corriqueiro, e ele poderia proteger seu hospedeiro. Mas ali, na mente de Chronos, e no domínio de um titã, não funcionava da mesma maneira. Porém, antes que mais dúvidas pudessem corroer suas mentes, uma figura emergiu das águas que compunham o córrego que dividia o aposento. Ela era bela, e usava um traje divino roxo. Logo se percebia que era uma titânide. Quando ela terminou de emergir, passou a flutuar sobre as águas do Lete, e sua melodiosa voz foi ouvida. ![]() - Eu sou Mnemosine... bem-vindos ao Museu de Muitas Vidas. Aqui, toda a beleza do cosmos se encontra registrada... e aqui deverá ser seu local de descanso, se falharem no meu teste. Cada vez que responderem de forma errada a pergunta que será feita, o rio Lete absorverá uma memória sua ou de seu hospedeiro. Serão memórias belas, mas permitirei que vocês escolham aquelas das quais desejam se desfazer. E a pergunta é... qual beleza é a mais importante para a conquista dos seus objetivos... e por quê? Teia estava a alguns metros, sem nada dizer. Ela tampouco cumprimentou Mnemosine. Limitava-se a observar. E agora, qual seria a resposta que Pedro e Oneiros deveriam fornecer? E caso errassem, que memórias doces e belas escolheriam perder? |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Jun 26 2013, 12:08 AM Post #126 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
A construção era, sem dúvida, belíssima. Pedro e Oneiros caminharam lentamente pelo local, apreciando as imagens a cada passo. Oneiros reconheceu algumas, mas Pedro, pouquíssimas. Eram tantas e tão difusas que ficava difícil discerni-las. O avanço parou diante de um córrego: o rio Lete! O deus dos sonhos deu um passo para trás, receoso. Não esperava encontrar o rio dentro da mente de Chronos... e isso já lhe dava uma ideia do seu próximo interlocutor. Ela apareceu antes que pudesse discutir o assunto com seu hospedeiro: Mnemosine, a titânide das memórias, mãe das musas. Lançou um rápido olhar para Teia, mas a titânide permaneceu impassível. Quando a moça se apresentou, a dupla fez uma leve mesura em respeito à titânide, aproveitando a rápida pausa entre suas falas. O local e o desafio foram apresentados brevemente. "O Museu de Muitas Vidas"... pela descrição do desafio, Oneiros supôs que as imagens eram pedaços das memórias dos seres humanos, memórias que representavam os trabalhos mais primosoros das vidas de diversos indivíduos. Nenhum dos dois, nem Pedro, nem Oneiros, desejavam ter suas memórias expostas naquele museu. Principalmente o humano, que guardava com ardor as lembranças do seu tempo "mortal", quando vivia com seus pais. Era injusto. Oneiros, por ser um deus, era praticamente eterno. Tinha o infinito para ganhar novas recordaões. Pedro, entretanto, era mortal. Seu tempo era limitado e, portanto, suas memórias também. Não podia perdê-las por nada... por nada. Ao ouvir a primeira pergunta, parecia claro que a verdadeira resposta era a justificativa. Não importava a resposta, desde que a justificativa fosse coerente. Oneiros se propôs a responder à pergunta, pondo suas memórias em risco. - A beleza de espírito. - A voz ecoada de Oneiros respondeu, com um sotaque levemente português. - Meu objetivo primordial era a vingança contra os deuses por seus excessos, principalmente contra meu pai, que me encarcerou. Aqui, aprendi sobre a alma humana, e meu objetivo foi aprimorado. Aqui, e agradeço a vós, os titãs, por isso, aprendi sobre a Chama de Prometeu, o poder da "humanidade". Os olimpianos parecem abominar esse poder e, para obtê-lo, devo ter um espírito tão "belo" quanto o de um humano. Assim, poderei "transcender", na falta de uma palavra melhor, e me tornar algo... diferente, embora, talvez, não tão incomum. Além disso, o potencial humano é dito infinito, desconhecido: tudo graças ao livre arbítrio. Se os deuses gozarem deste livre arbítrio, seu potencial divino será, teoricamente, infinito. Essa união de noções me permitirá alcançar meus objetivos: como a derrocada de meu pai e, é claro... vossa libertação, como ofereci no começo de minha busca. As amarras que vos prendem são poderosas; os olimpianos temem sua prisão. Será que conseguem quebrá-la? E se estivessem presos em vosso lugar?... - Oneiros fez uma pausa. Passado um minuto, prosseguiu: Julgo que, com meus novos conhecimentos, poderei usar meu novo espírito para atingir o que antes era inalcançável. Essa é a premissa da possibilidade oferecida pela alma humana, não?... Fora uma resposta extensa, talvez exagerada. O deus dos sonhos aproveitou para deixar claro que não tinha esquecido do "acordo". A passagem seria garantida por uma série de provas e, claro, a promessa que fizera de, não sabia como, libertar aquelas criaturas antigas. A ideia lhe era agradável, pois sabia que os olimpianos não encarariam uma titanomaquia com prazer. Esperou o veredito da titânide e, caso errasse, qual memória escolher?... |
![]() |
|
| Narrador Principal | Jun 26 2013, 10:50 PM Post #127 |
![]() ![]()
|
Mnemosine balançou lentamente a cabeça, negando. De fato, Oneiros havia errado. Sua resposta tinha sido boa, mas não o bastante. Algo ainda estava lhe escapando. Será que não teria a ver com algo que já tinha aprendido, mas com algo que ainda deveria aprender? A titânide se pronunciou, com voz suave. - Essa união de noções que você julga vital não será o bastante. Não seja tolo, Oneiros. Apenas dominar a beleza espiritual não lhe tornará mais poderoso do que as divindades às quais vai se opor. Ajudará você a se desenvolver, mas não será o fator preponderante ou determinante. Você já começou a compreender a beleza de espírito, mas ainda se julga numa posição superior à de Pedro em seu íntimo. E, por isso, não consegue perceber a verdadeira beleza que provém da sabedoria humana da Antiguidade. Você é uma divindade dos sonhos. Sonhos são algo idealizado, e neles está a verdadeira beleza... acho que já lhe dei uma boa pista. Acesse seu conhecimento de eras e com certeza você terá a resposta certa. Mas... agora... preciso de uma lembrança, tanto sua quanto de Pedro. Quando decidirem, pensem nelas, e a perderão imediatamente. Se eu julgar que não são adequadas, eu mesmo decidirei qual lembrança perderão, e será aquela que mais estimam... então, não tentem me trapacear. As últimas palavras vieram com tom de ameaça. Aquele jogo era perigoso. Teriam as palavras dela um duplo sentido, ou poderia confiar integralmente naquelas pistas? E que lembranças escolheriam perder para a eternidade? |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Jul 1 2013, 05:59 PM Post #128 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
Oneiros e Pedro compartilharam um pouco de surpresa e desgosto. O deus dos sonhos havia errado. Com um pouco de esforço, Pedro reprimiu sua vontade de repreendê-lo e culpá-lo, pois não precisavam de uma discussão interna naquele momento. Respiraram fundo e escolheram suas memórias. A dinvidade pensou em um dos períodos de descanso nos Campos Elíseos, quando desfrutava de uma paz há muito esquecida, quando as guerras santas ainda não haviam começado. Pedro demorou-se mais e, finalmente, fixou na sua mente uma pequena tarde do verão, quando era pequeno e brincava com sua mãe. Gostava muito daquela lembrança, mas preferia abrir mão dela à outras. Ambos esperavam que fosse o suficiente. Se não fosse, jamais saberiam quais memórias haviam perdido. Era hora de tentar novamente. O deus dos sonhos cruzou os braços e fechou o olhos, pensativo. Analisou as pequenas dicas de Mnemosine: "..a verdadeira beleza que provém da sabedoria humana da Antiguidade". Se não a beleza de espírito... a beleza da "mente"? A criatividade? A teoria? "Os sonhos são algo idelizado... e neles está a verdadeira beleza." Estaria sua suposição certa? Pedro permaneceu em silêncio. A dupla abriu os olhos e olhou o Museu, observando a coleção da titânide. Realmente, a humanidade produzira belas obras, fruto de pensamentos diferentes. Se pensasse na utilidade daquilo para o seu objetivo... talvez fizesse sentido. Dessa vez, a voz forte e com sotaque de Pedro respondeu: - A beleza da mente, minha dama. - Começou. - A mente, capaz de produzir ideias inovadoras, encontrar soluções para os mais difíceis problemas; descobrir saídas para o impossível. Na mente, está a criatividade, capaz de produzir, imagino, muitas das obras aqui expostas. Pedro deu alguns passos para o lado, olhando para cima como quem procura algo no céu. - Mas a mente não serve só para as artes. É necessária para criar estratégias, fazer planejamentos. - Então, encarou Mnemosine - Serve para aprender. Evoluir. Aí entra a criatividade. Às vezes, os velhos truques não funcionam. Talvez a criatividade humana, nossa criatividade, seja a 'beleza' de que precisamos para superar nossos desafios. - Esta resposta a satisfaz, titânide? - Pedro terminou de responder com um sorriso. Os olhos castanhos brilharam por alguns segundos antes de tornarem-se azuis novamente; antes do sorriso desaparecer. Então, aguardaram. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Jul 3 2013, 06:52 PM Post #129 |
![]() ![]()
|
Mnemosine piscou algumas vezes, adicionando tensão àquele momento que, por si só, já era tenso. Assim que assentiu com a cabeça, Pedro e Oneiros sentiram as lembranças escolhidas se apagarem. Em seu último vislumbre, eles as reviveram intensamente. Eles sabiam que, agora, aquelas memórias estavam nas paredes daquele lugar. Todavia, seria uma tarefa hercúlea encontrá-las novamente, uma vez que não tinham mais qualquer recordação. Seria como olhar a esmo imagens aleatórias e adivinhar quais seriam. Apesar disso, a voz de Mnemosine seguia-se com um sorriso de aprovação. - Essa não era a resposta precisa, mas sua explicação é adequada. A beleza platônica, a beleza do abstrato... é essa a que você necessita. Para a filosofia, a beleza advém da pureza do raciocínio, da surpresa e da consistência dos axiomas. Se a sua mente estiver focada nisto, você será bem-sucedido. Lembre-se, Oneiros... você está mudando paradigmas e, devido a isso, precisa criar um novo, e que seja consistente. Apresente-se como azarão, e será tratado como um. Apresente-se como um real competidor, e será tratado com o respeito devido. O rio sumira, e as paredes também. Mnemosine desvanecia lentamente, e uma outra construção aparecia, logo à frente, a apenas alguns metros de Oneiros. Parecia a entrada de uma ágora. Já seria o próximo teste? |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Jul 5 2013, 10:48 PM Post #130 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
As memórias se perderam para sempre no Museu. Oneiros estava disposto a sacrificar qualquer coisa pelo que buscava, mas Pedro sentia uma angústia intensa de não saber o que havia perdido, pois suas memórias, seu tempo como um humano verdadeiro, eram muito preciosas para ele. Mnemosine aceitou a resposta, recitando a versão precisa do que esperava ouvir. O deus dos sonhos concordou com a mulher. De fato, ele queria criar algo novo. Queria se tornar algo novo... mas precisava ser algo consistente. Era verdade. Guardou aquelas palavras para si e assistiu o desvanecer da titânide, do rio e do museu. Estava diante do que parecia ser a entrada de uma ágora... Olhou ao redor em busca de qualquer sinal, qualquer movimento, qualquer presença que não fosse a de Teia, que, provavelmente, ainda o seguia. Pedro ainda estava pensando sobre a memória perdida; Oneiros, entretanto, imaginava qual seria seu próximo desafio. Depois do breve discurso de Mnemosine sobre o abstrato, sobre a maneira correta de se apresentar e da consistencia de um novo paradigma, o deus supôs que precisaria defender alguma "tese" numa ágora que, contudo, não existia mais. Ao notar a ausência de qualquer perigo, quaisquer traços cósmicos que pudessem ameaçá-lo, Oneiros se aproximou da estrutura. Atravessaria o portão destruído e esperou que algo acontecesse. Estaria correto?... |
![]() |
|
| Narrador Principal | Jul 8 2013, 10:06 PM Post #131 |
![]() ![]()
|
![]() E algo aconteceu. Subitamente, a ágora pareceu se reconstruir, dando lugar a uma paisagem completamente distinta daquela que ele enxergava. Em pouco tempo, Oneiros era um em meio a uma multidão. O povo grego, vestido a caráter com suas togas, gritava por justiça. Todos fitavam o deus dos sonhos, e ele se perguntava o que significaria aquilo. Até que compreendeu. Queriam justiça, e ele era o réu. Pouco depois de perceber o que se passava, também notou aquela que seria sua juíza: uma titânide. Sua voz foi ouvida logo em seguida. ![]() - Oneiros dos Sonhos. Você foi acusado pelo povo grego de ser uma divindade relapsa, que abandonou seus seguidores à própria sorte. Muitos alegam que não há mais sonhos divinatórios, que antes eram a conexão entre as pessoas e os deuses. E outros também alegam que você tem procurado irritar as divindades que os gregos cultuam, principalmente Hades, e eles temem que a ira do Imperador logo se abata sobre eles como resultado de seu comportamento ímpio. O que tem a dizer em sua defesa? Seu teste é ser absolvido neste julgamento. Seus acusadores são... a humanidade. E eu sou Témis, sua juíza. A multidão então elevou sua voz. Uma voz desordenada, ainda que coesa, que dirigia um sem-número de reclamações. Aquela era a humanidade, sempre insatisfeita. Teria Oneiros o que era necessário para satisfazê-la? Aquele seria apenas um teste de leis, ou haveria algo a mais? ![]() |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Jul 10 2013, 11:57 AM Post #132 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
A suspeita de Oneiros era correta. A ágora se refez e o povo o atacou. A juíza, Témis, surgiu para torná-lo réu e fazer as acusações. O deus dos sonhos devia provar-se inocente diante de um crime que, de fato, cometera. Aquela era uma prova de lábia; uma prova de convencimento. Na teoria, Oneiros poderia manipular a vontade daquela massa para que concordasse com sua inocência, afinal, estava dentro de um sonho e ele era o deus dos sonhos. Seria justo? Suficiente para passar no teste?... Não, provavelmente não. Como Mnemosine dissera, precisava criar um paradigma sólido. Precisava construí-lo ali, naquele momento. Era hora de definir seu objetivo. - É um prazer estar na sua corte, Témis. Contudo, sua acusação não possui fundamento. A humanidade ainda sonha e, se sonha, cumpro meu dever. Se não recebem sonhos divinatórios, então sua fé nos deuses é fraca e, por isso, eles resolveram abandoná-los. Não jogue a culpa de outro em mim. Dito isso, era hora de atentar para a próxima acusação. - Se eu irrito os deuses, eu, e somente eu, receberei a punição. Se os homens crêem que levarão a culpa pelos supostos erros de alguém, então se fazem de vítima. A fé da humanidade nos deuses mostra-se, portanto, abalada. Se não confiam em seus próprios deuses, em quem confiarão? Oneiros baixou o olhar para a multidão, cujas vozes proferiam reclamações incessantes. - Seus deuses não são suficientes para sanar suas necessidades. - Disse para aquele povo. Não sabia se seria ouvido, mas continuou. - Por que seguir deuses incertos? Deuses que irão puni-los por crimes que não cometem? Por que tanto reclamam? Eu posso oferecer um caminho melhor, onde não encontrarão motivos para reclamar. Encerrou, ali, sua réplica. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Jul 22 2013, 09:13 PM Post #133 |
![]() ![]()
|
Témis esboçou um sorriso ao ouvir Oneiros. Ele possuía um valioso dom para a oratória, que seria muito bem utilizado pelos titãs, se ele resolvesse unir-se a eles algum dia. Todavia, ainda não tinha provado que era merecedor de tal honra. Mantendo um olhar sério sobre a deidade, a titânide tornou a falar. - Muito bem, Oneiros. Antes de decidir se seu argumento é válido, gostaria de chamar a única testemunha deste julgamento: Pedro de Aragão, por favor, apresente-se. Ela fez um gesto para que Pedro se aproximasse, e nesse momento, Oneiros sentiu que sua consciência foi suprimida, da mesma maneira que acontecera no xadrez de Céos. Os titãs realmente eram poderosos, ou seria a consciência de Chronos poderosa a esse ponto apenas? Provavelmente nunca saberia. O fato é que agora o hospedeiro estava no controle, e foi ele quem ouviu a exposição de Témis. - Pedro, nada de mal lhe acontecerá, eu prometo. Você esteve dos dois lados, Pedro. Conviveu com humanos e com deuses. Sabe o que é ser um pouco de cada um. Logo, o seu testemunho será, também, um reforço à acusação ou à defesa. Você escolhe ser o acusador de Oneiros ou seu defensor. Se Oneiros for condenado, esteja certo, nada acontecerá a você, mas Oneiros ficará preso aqui para sempre, obrigado a conviver conosco no Tártaro, sem poder voltar. Se ele for absolvido, vocês dois prosseguirão adiante. Você ouviu a acusação, e você ouviu a defesa de Oneiros. Como você, o humano Pedro de Aragão, se posiciona neste julgamento? Um arrepio percorreu a espinha de Oneiros naquele momento. Se Pedro o acusasse e Oneiros fosse considerado culpado, Pedro livrar-se-ia de seu possessor? Assim, de modo tão fácil? Todavia, aquilo era o correto a fazer? Pedro realmente discordava do ponto de vista de Oneiros, ou, mesmo concordando, era mais tentador ignorar esse fato e acusá-lo, para se ver livre? Por mais insignificante que pudesse parecer, a escolha do português certamente traria graves conseqüências ao mundo, fosse ela qual fosse... |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Jul 23 2013, 08:29 AM Post #134 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
Ali, nos confins de sua própria mente, Oneiros pôde somente assistir. E aquela não fora a primeira vez. Ser dominado com tamanha facilidade por alguém em seus próprios domínios era algo realmente... constrangedor, mesmo que não houvesse resistência por parte do deus dos sonhos. Os olhos de Oneiros se abriram num castanho escuro. Pedro ouviu as palavras da titânide e, não pela segunda vez naquele dia, viu uma oportunidade digna de desafiar Oneiros. Primeiro no xadrez, onde não obtivera sucesso... mas ali... ali ele poderia ser livre. Se Témis não estivesse enganando-o, poderia retomar seu corpo e prender seu opressor ali, no Tártaro, para todo o sempre. Estava tentado e Oneiros podia sentir isso. O deus dos sonhos sentiu-se angustiado; incapaz de controlar o próprio destino. Com sua consciência suprimida, poderia ele influenciar Pedro em nome da absolvição?... Seria isso, de fato, necessário?... O silêncio de Pedro estava causando mais e mais nervosismo. - Como eu me posiciono nesse julgamento?... Hm... E, por fim, a voz do português quebrou o transe do deus dos sonhos, que por fim percebeu algo: ele não era culpado. Não havia o que temer. Independente do que Pedro falasse, poderia dobrar a situação e provar sua inocência. Portanto, esperou. Esperou pela escolha do humano. - Realmente... Vivi ao lado dos homens e convivi com deuses... - Pedro parecia incerto. Como deveria prosseguir? E, após um longo silêncio, prosseguiu: Discordo da acusação. Oneiros não abandonou os homens. Outrora, eu diria que sim, que a acusação tem fundamento; que sua veracidade é incontestável. Mas, quando retornei a mim, no desafio de Hipérion, comecei a conviver lado a lado com o réu. Vi um deus que considerava os seres humanos nada mais como “servos” ou “adoradores”, abrir sua mente para tratá-los como iguais. - Estranhei não ser suprimido ao fim do desafio e, confesso, julguei que estava “livre” pois Oneiros precisaria de mim para concluir alguns dos desafios, como o de Crios, como esse. Afinal, ele adquiriu desprezo pelos homens. Minha opinião, contudo, foi mudando ao longo do desafio de Céos. Não havia porque nós dois jogarmos o xadrez. Nem todas as jogadas foram arquitetadas por ele. Por que ele se dignaria a me escutar, logo depois de insultá-lo e desafiá-lo? Não só isso... talvez a nova convivência comigo já esteja provocando mudanças em sua personalidade... Pedro não sabia como prosseguir. Talvez tivesse algum dom para comandar seu navio, mas não para argumentar diante de uma juíza. - Não sei se isso justifica meu posicionamento, mas acho que, por parte dos homens, Oneiros merece uma chance. Contudo, ele deve ser observado. Apesar de tudo, Pedro ainda não confiava completamente em Oneiros. Como disse, estava disposto a dar uma chance. Uma chance para que Oneiros pudesse provar que sua desconfiança era infundada. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Jul 26 2013, 10:58 PM Post #135 |
![]() ![]()
|
Após o depoimento de Pedro, a multidão começou a ficar exaltada, mas um olhar de Témis foi o suficiente para silenciar a todos. A titânide limpou a garganta antes de se pronunciar. - Oneiros dos Sonhos, diante de todas as alegações e argumentos apresentados, eu o declaro... Todos prenderam a respiração e um grande burburinho foi ouvido enquanto a pausa era feita pela juíza, com o intuito claro de criar aquele suspense. Durou apenas até que ela se pronunciasse novamente. - ...inocente de todas as acusações. Você está livre para prosseguir. Todavia, faço-lhe uma ressalva importante... suas convicções e a confiança de Pedro em você foram o motivo de sua absolvição. Perca uma das duas, e em algum momento você será novamente julgado. Vá. Após alguns uivos de protesto, as pessoas que o acusavam começaram a se retirar da ágora. Ao lado de Témis, apareceu uma passagem de pedra em arco, através da qual só era possível ver chamas. Seria conduzido ao inferno ou era a entrada de um novo teste? Teia avançou primeiro e atravessou a passagem, dando pouca opção a Oneiros. Témis tencionava retirar-se. O que a divindade faria? |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Jul 27 2013, 04:29 PM Post #136 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
Oneiros ouviu em silêncio as palavras de Pedro e o veredito de Témis. Por algum motivo, as palavras do hospedeiro o confortaram, mas, ao mesmo tempo, o incomodaram imensamente. Ele era um deus. Não devia se importar. Não se importava... mas ao mesmo tempo se importava. Era estranho. Confuso. Quando finalmente a consciência do oneiroi voltou ao primeiro plano, ele encarou a juíza nos olhos. Havia entendido a mensagem, ou, pelo menos, julgava tê-lo feito. Encarou o portal e observou as chamas. - Não me esquecerei disso. - Apesar de implícito, a mensagem também se dirigia a Pedro. - ... Resolveu não dizer mais nada. Olhou mais uma vez a ágora, agora quase vazia, e começou a caminhar lentamente na direção do portal. Examinou-o tentando vislumbrar algo mais além das chamas e, se não sentisse alguma força ameaçadora, prosseguiria por ele. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Jul 31 2013, 04:42 PM Post #137 |
![]() ![]()
|
![]() Na verdade, a sensação era bastante confortável. O que Oneiros sentia era um calor apascentador e irresistível. Quando deu mais um passo, já estava em outro lugar. Seu traje divino desaparecera, e ele era apenas Pedro, vestido com roupas diferentes, similares às pessoas que dançavam e cantavam ao seu redor. No centro, uma grande e incrível fogueira queimava. Onde será que ele estava agora? ![]() Havia uma grande comemoração acontecendo, isso era óbvio. Após caminhar por entre as pessoas, notou-as enebriadas pelo rito, e algo particularmente interessante chamou sua atenção: muitas "acasalavam" a céu aberto e próximos às milhares de fogueiras que cobriam a extensão do que parecia ser uma planície infindável. Sua caminhada parou abruptamente ao notar uma mulher vestida de branco, cercada por alguns homens. Ela sorriu a Pedro e cumprimentou-o. - Olá, Pedro de Aragão, seja bem-vindo aos nosso seio. É uma honra ter um estrangeiro em Beltane. Os que a cercavam dispersaram-se, indo tomar parte no ritual. Batidas de tambor eram ouvidas em meio aos sons de prazer emitidos pelo ato que muitos praticavam. E a mulher, ao estar a sós com Oneiros, revelou sua verdadeira forma, olhando-o com extrema gentileza. ![]() - Eu sou Réia. Acredito que não precise lhe dizer qual é o seu desafio, não é, Oneiros? Apesar de toda a felicidade que os cercava, Reia mantinha um semblante triste. Até mesmo na sua voz havia um certo pesar, embora ela falasse de forma suave e o tratasse melhor do que a maioria dos outros titãs que ele já conhecera. Teia havia sumido de vista. Somente o deus dos sonhos e o mortal estavam ali, fitando-a. E agora? |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Aug 12 2013, 11:12 AM Post #138 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
O calor e conforto foram muito bem-vindos. Oneiros assistiu o cenário ao redor mudar enquanto Pedro assumia a consciência novamente. Agora, estavam imersos em um festival repleto de fogo e danças. Oneiros fazia ideia de onde podiam estar, mas Pedro encarava a novidade com fascínio. Ao avistar a grande fogueira - ela parecia o centro de toda a festa - dirigiu-se até ela. No caminho, Oneiros e Pedro destemunharam inúmeros indivíduos acasalando a céu aberto. Para Pedro, aquilo fora constrangedor; para Oneiros, representava a certeza de onde estavam. A caminhada fora interrompida por uma horda de homens dançando em torno de uma bela mulher. Pedro encarou-a com desejo; Oneiros não deu a mínima. De maneira desajeitada, o marinheiro respondeu ao cumprimento o mais formalmente possível, o que podia ser inapropriado para aquela celebração. Quando os transeuntes se afastaram para deixar os três a sós, a mulher revelou-se Réia, uma das titânides. O hospedeiro de Oneiros deu um passo para trás, coçando a nuca e olhando para o lado como que envergonhado. Oneiros parecia já ter captado o espírito do desafio, mas nada disse, pois algo incomodava Pedro. O português deixou a vergonha de lado e se aproximou, mantendo uma distância respeitosa da titânide. - Agradeço por me recepcionar neste festival... Beltane, certo?... - Antes de prosseguirmos, minha senhora, diga-me... A preocupação era genuína, mas Pedro não conhecia o suficiente para ter o tato adequado. Nos confins da mente, Oneiros suspirou. Estava inquieto, talvez desgostoso, com toda a música e dança. Ele não era um deus para aquele tipo de festival, era natural sentir-se assim. Contudo, Pedro não parecia disposto a prosseguir com qualquer desafio no momento. - Os outros titãs - e titânides - que nos recepcionaram não pareciam felizes ou tristes... Apenas objetivos, decididos. Algo não está certo. Permite a audácia de perguntar o que a está incomodando, senhora? Observando o rumo dos acontecimentos, Oneiros resolveu alocar sua consciência para algo útil: descobrir onde estava Téia. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Aug 15 2013, 11:01 PM Post #139 |
![]() ![]()
|
Algumas mulheres, seminuas, trajadas apenas com tiras de couro e partes de vegetação improvisadas para parecerem roupas rústicas, passavam por Pedro de tempos em tempos. O olhar de desejo as acompanhava, como súcubos que atraem sua presa de modo irresistível. Mas se Pedro mantinha-se ainda em seu lugar, era porque a atenção de Oneiros estava voltada a Reia. - Impressionante você se preocupar comigo a esse ponto, Oneiros. Será que está ficando mais... humano? O semblante dela mudou para uma feição menos triste, embora sem sorrir. Todas as sensações ao redor, dos sons produzidos aos aromas afrodisíacos e o calor das chamas das fogueiras, foram intensificadas aos poucos. Quanto mais se permanecia ali, menor era a vontade de deixar o lugar. Um suspiro deixou as narinas da titânide diante da pergunta do Oneiroi. - Olhe ao seu redor, Oneiros. O que vê? É um rito de procriação, paixão e luxúria naturais, um altar da espontaneidade humana, livre de censura, de culpa, de remorso ou angústia... as fogueiras de Beltane, oh, saudades. Não há nenhum rito mais legítimo e mais puramente humano do que este. A libido, o desejo, o deus e a deusa copulando a céu aberto, à vista de Gaia... isso tudo... não existe mais. E era verdade. Uma simples, porém dolorosa verdade. O mundo onde Pedro e Oneiros viviam não tinha espaço para aquele tipo de ritos. As pessoas estavam cada vez menos sexualizadas, negando seus feromônios, seus instintos, suas vontades e paixões. E ela confirmou isso ao continuar seu discurso. - Você e seu hospedeiro vivem numa idade de trevas, em que amar livremente é motivo de condenação à morte. A Igreja controla o que as pessoas devem ou não sentir, julgando-as e marginalizando-as por serem espontâneas... o que temos é o fim da paixão liberta de pudores. E você ainda pergunta o que me entristece? E tudo ficava cada vez mais intenso, mágico, enfeitiçante. Pedro já quase não se aguentava ali, parado, vendo tudo acontecer ao redor dele. Oneiros parecia menos afetado, e a comunhão entre os dois é o que os mantinha ali, diante da titânide, sem enfrentar muitos revezes. Por fim, a mulher os encarou, fitando-os seriamente. - Já perderam bastante tempo aqui... o tempo de vocês está se esgotando. Já descobriu qual será seu desafio? |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Aug 16 2013, 12:15 PM Post #140 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
- Haha... Oneiros riu de leve com o comentário da titânide. De fato, será que estava se humanizando?... - O único desafio tangível a mim, titânide, é manter meu hospedeiro parado onde está. Humano e, de certa forma, galante como era, Pedro desejava conhecer uma ou duas mulheres naquele festival. Oneiros, contudo, continuava sua conversa com a titânide. - Imagino que tenha me trazido até Beltane para mostrar-me outro lado da humanidade; não sua engenhosidade ou sabedoria, nem a capacidade de transcender limites... mas seu lado mais animal, vindo dos primórdios do tempo. Seu mais puro instinto. O deus dos sonhos lançou um olhar aos homens e mulheres presentes. Outrora, teria os encarado com nojo e desdém, mas, agora, conseguia manter-se indiferente. Sem desviar o olhar das festividades, e já sentindo a exaltação de Pedro, Oneiros concluiu: - A humanidade mudou muito. O que diz sobre a Igreja é verdade. Os homens se afastam do que lhes é natural em prol da civilidade. De uma moral que, talvez, seja desnecessária... Se afastam dos verdadeiros deuses... Mas isso irá mudar, titânide. Quando cumprir minha promessa, os homens verão para o quão longe sua mente os levou. E, então, o sorriso voltará para o seu rosto. Conforme conversava com a titânide, Oneiros percebeu algo. O aconchego fornecido pelo festival parecia maior, mais intenso. Estava cada vez mais difícil nutrir a vontade de sair dali. - Pedro... - Oneiros começou a falar. Talvez a titânide não lhe desse atenção, já que falava baixo. - - Conseguirá deixar o Beltane, quando o momento vier? - Por que alguém deixaria este lugar, Oneiros?... Não parece lógico. Veja, todas as mulheres, toda a festa... sem contar no aconchegante calor das fogueiras!... Será que esse era o verdadeiro desafio?... A paixão, o libido... embora primordiais, podiam tirar a sanidade dos homens. Oneiros sabia muito bem disso. O amor descabido fora responsável por muitas mudanças na história, por quedas e, também, por ascensões. Ao pensar no assunto, o desafio parecia mais sutil... - Me parece, titânide... que o verdadeiro desafio não é entrar no festival. É saber não ser consumido por ele. Saber aproveitá-lo na medida certa. Não havendo nada mais a tratar, Oneiros poderia, talvez, permitir que Pedro imergisse no Beltane... mas não estava disposto a ser enfeitiçado por ele. Antes de seguir, parou por um momento para analisar uma fogueira próxima. O desejo, afinal, também fazia arder a Chama de Prometeu... De fato, trancafiá-lo, como a Igreja propunha, não fazia nada mais do que enfraquecer o brilho da chama... |
![]() |
|
| Narrador Principal | Aug 18 2013, 07:21 PM Post #141 |
![]() ![]()
|
![]() - Está enganado, Oneiros. Subitamente, em meio a alguns homens seminus segurando tochas, uma mulher surge, e se posiciona ao lado de Reia. Oneiros mal podia acreditar, mas o rosto era facilmente reconhecível: era Teia, sem sombra de dúvida. Era dali que saíra a voz. A titânide, sem seu traje, exalava sensualidade. A impressão que ela deixava parecia mais forte que a própria Reia, mas como isso seria possível? Reia, já prevendo o resultado, apenas observou o olhar de desejo de Pedro em direção às curvas da moça e respondeu-lhe. - O teste é exatamente o inverso. Já sabemos das suas intenções, mas falta algo para que nos certifiquemos de que você cooperará. Você não percebeu ainda, mas Teia não é uma ilusão. Ela está aqui fisicamente, através de um portal similar ao que você atravessou. Ela dirá sua demanda, e sua demanda será o meu teste. Ao relatar sua vontade de abraçar a chama de Prometeu, você se comprometeu a abraçá-la por inteiro. Isso significa vivenciar todas as sensações humanas, e as mais intensas são as que, por vezes, fogem dos deuses, seres apáticos e distantes. Esta é uma delas: a paixão. No início, os deuses valorizavam esta característica humana e não foram raros os semideuses gerados por eles com humanos. Isso se perdeu, e o primeiro passo para que você reconquiste a humanidade é entender o que ela sente e como ela é. Sibilando como uma súcubo, Teia não deixou espaço para que Oneiros respondesse ou fizesse perguntas e já emendou a resposta, para que o Oneiroi compreendesse de fato do que se tratava o teste. - Eu quero sua semente, Oneiros. Seu hospedeiro claramente me deseja. Basta que você faça o mesmo. Você entenderá, eventualmente, por que preciso de você, mas neste momento, precisa confiar em nós... da mesma forma que estamos confiando em você, trazendo-o até aqui. Agora fazia sentido. Os ritos de Beltane atingiam seu ponto máximo quando o "deus" - o gamo-rei - e a "deusa" - a feiticeira - copulavam. Naquela ocasião, eles dois seriam o deus e a deusa, e deveriam celebrar, juntos, o maior ritual pagão de fertilidade da humanidade. Era muito tentador para Pedro, e ele provavelmente não iria querer recusar, mas provavelmente Oneiros teria muitos questionamentos. O que ele decidiria fazer? |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Aug 18 2013, 08:00 PM Post #142 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
Oneiros congelou. De olhos arregalados, fitou a titânide recém-chegada. Teia. Pedro estava prestes a salivar, tamanho era o seu desejo. Mil e um pensamentos cruzaram a mente do deus dos sonhos na velocidade da luz. Ela estava ali? Não era apenas uma manifestação do sonhar de Chronos? Quem abriu o portal para trazê-la até ali? Os titãs eram tão poderosos que mesmo sua prisão não conseguia conter seus poderes totalmente?... Reia interviu e explicou o verdadeiro significado do desafio. Oneiros estava parcialmente certo: tinha de vivenciar o libido humano, mas não esperava, de maneira alguma, a aparição de Teia. Principalmente daquela forma, com aquelas vestes. E, quando ela expressou seu desejo, a mente de Oneiros entrou em um vórtice de confusão. Por quê? O que eles queriam com isso?... Quais seus vedadeiros planos?... Deveria abandonar o teste ou prosseguir com ele? Não. Voltar atrás em sua palavra seria desonroso. Seria idiotice. Oneiros franziu o cenho e cerrou os punhos. De todos os seus desafios, aquele seria o mais difícil. Antes, os resultados das suas ações afetariam apenas a ele e seu hospedeiro, mas, agora, não sabia o que poderia acontecer quando tomasse uma decisão. Reia tinha um ponto. A consciência de Chronos – talvez a dos próprios titãs, Oneiros ainda não discernira completamente – começara a testá-lo ao invés de simplesmente esmagá-lo, como ele percebeu que seria possível. Mesmo em domínios oníricos, os titãs ainda eram incrivelmente mais poderosos do que o oneiroi, e um embate não seria proveitoso em qualquer momento. Balançou o rosto e parou de pensar. Ele estava ali por um motivo. Não buscara um meio de fugir dos desafios dos titãs, para seguir direto ao tártaro, por um motivo. A Chama. Um novo poder, um novo conceito... a chance de mudar o destino da Guerra Santa, de quebrar um ciclo que lhe era agonizante. Vivenciar aqueles desafios lhe trouxera inúmeras reflexões, assim como um aprendizado valioso. E, até agora, os titãs não haviam lhe pedido nada de extraordinário em troca, afinal, Oneiros fornecera o acordo. Olhou de relance para Reia e, depois, encarou Teia. A Chama queimava vívida nos olhos de Oneiros. Ele seguiria em frente. Iria atender ao pedido da titânide, cumpriria com mais aquele desafio, tal como cumprira com os demais até onde fora possível. Para a mente arcaica de Oneiros – na verdade, talvez moderna – aquilo era inconcebível. Contudo, ele se deparara com o inconcebível inúmeras vezes e descobrira o mar de possibilidades. Agora não seria diferente. Caminhou em direção a Teia. A cada passo, Oneiros tentava tornar Pedro e ele um só para aproximar de si as sensações que seu hospedeiro sentia. O calor da paixão, a inquietação do desejo, a ausência de raciocínio provocada por ele. Por mais que isso parecesse errado para ele, o deus dos sonhos tentou esquecer que era um deus. Tentou permitir que os desejos de Pedro chegassem até ele. Para isso, buscou conforto no pouco que conseguia manifestar da Chama. Não faria perguntas. Tentou se isentar de qualquer culpa que viesse a sentir. Nessa situação, “humano algum faria perguntas”... Quando estava suficientemente próximo de Teia, deixou que Pedro controlasse seu corpo. Seus braços envolveram a titânide e o marinheiro aproximou seu rosto da deusa antiga. Ali, diante de Gaia, Oneiros permitiria que a paixão se consumasse. Por mais que sua mente o alertasse de que deveria ser mais cauteloso, de que algo estava errado, de que não deveria agir assim... prosseguiu, mesmo sendo incapaz de raciocinar, devido à maré de perguntas e dúvidas que o atingia, como seus atos poderiam influenciar o ambiente e de como esse ambiente reagiria aos seus atos. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Aug 27 2013, 11:52 PM Post #143 |
![]() ![]()
|
[YOUTUBE]http://www.youtube.com/watch?v=eyr9OT4q99M[/YOUTUBE] A voz de Reia foi a última coisa que Oneiros lembrou-se de ouvir antes de tudo mudar em sua existência. - Excelente... que comece o rito dos deuses! Assim que Oneiros aproximou-se de Teia, esta se afastou com um sorriso. Homens surgiram, aparentemente do nada, e colocaram-lhe um elmo ritualístico, e puseram uma lança em sua mão direita. Eles o escoltaram até um planalto, que dava acesso a uma floresta, levemente afastado do centro das comemorações. Porém, ali ele tinha noção da extensão das fogueiras. Não era necessário dizer nada. Tudo o que ele viu, além de sua "deusa" mais abaixo, fitando-o, foi um gamo, no coração da floresta. Ele sabia para quê aquela lança era destinada, e seus pés começaram a correr. Ele deveria ser o gamo-rei, o galhudo, o deus! E quando conseguisse sua coroa, a galhada premiada, teria a deusa, sua recompensa mais que merecida. A corrida durou pouco tempo, pois seus pés velozes sentiam o solo abaixo como se macio fosse. A adrenalina preenchia seu sangue. Seria relativamente fácil para o deus matar aquela criatura, mas e seu hospedeiro? Quando poderia repetir tal feito tão significativo? Aquilo era diferente de matar um mamute. Ele estava prestes a realmente se tornar um deus sem precisar de Oneiros. Era um momento de libertação para Pedro. E Oneiros estava prestes a sentir o calor da paixão humana. Era um momento de libertação para Oneiros também. E quando deram por si, estavam no refúgio destinado à cópula. Teia estava ali, mascarada, esperando por seu gamo-rei. Não haveria volta depois daquele momento. |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Sep 10 2013, 11:54 AM Post #144 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
Os próximos momentos passaram rapidamente, tanto para o humano, como para o deus. Oneiros e Pedro, como um só, rapidamente absorveram o conhecimento e espírito do Beltane. A caçada fora infalível e rápida, porém deveras cansativa e difícil. Aquele “gamo-rei” era apenas a chave para o verdadeiro prêmio. Oneiros pouco a pouco ia se entregando às emoções, deixando o raciocínio lógico de lado. Pela primeira vez, agia sob instintos humanos e não sob a razão dos deuses. Era uma sensação incrível. Oneiros sentia a adrenalina percorrendo o corpo do hospedeiro. Pedro sentia o prazer de imaginar seu prêmio, de ser o “deus” do festival, e isso estava deixando-o louco. Quando deram por si, estavam na última parada antes do fim do ritual. A rajada de emoções humanas estava sobrecarregando a mente de Oneiros, que nunca se permitira sentir algo parecido. Pedro, já tomado por elas, não pensava nas consequências futuras dos seus atos. Aproximou-se da “deusa” a passos lentos, medidos com cautela e feitos com muita autorepreensão. Era a última chance de voltarem atrás. De impedirem aquilo. Mas por que fariam isso?... Vários “por que” flutuavam na mente de Oneiros, que tentava encontrá-lo em meio a luxúria. Mas enquanto buscava a razão, Pedro já se aproximou do seu prêmio. Ficou suficientemente perto para sussurar-lhe algo, provavelmente algum cortejo. Nessa altura, Oneiros desistira de raciocinar. Não valia a pena. Qualquer que fosse a razão por trás daquele desafio, não podia ter tamanha significância. Com essa última decisão, Pedro, como “deus” do Beltane, exigiu seu prêmio. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Sep 18 2013, 02:17 AM Post #145 |
![]() ![]()
|
Toda a experiência carnal levou a compreensão de Oneiros a um novo nível. Não era apenas o hospedeiro que copulava - era ele. Naquele momento, ele percebeu, sob a perspectiva humana, porque tantos sonhavam com aquele ato. O momento de união entre o homem e a mulher era o que proporcionava a geração da vida. A sobrevivência e multiplicação da espécie que muitos deuses gostariam de ver aniquilada se resumia àquele singelo e prazeroso momento. Tão divina fora a criação dos humanos e tão inspirada, pensava ele, enquanto o regozijo tomava conta de si. E o ápice? O que dizer dele? Era como se ele mesmo vivesse o próprio sonho perfeito, tal a sensação de felicidade perfeita. Os sons do ato só serviram para deixá-lo mais e mais disposto, até que tudo terminou, numa explosão de vida. E foi aí a última vez que vira Teia, que com um sorriso despediu-se. Subitamente, tudo mudou. Não estavam mais no reduto do amor, e sim no convés de um navio, que navegava num imenso oceano. ![]() O cheiro do mar alcançava suas narinas de modo pungente. Era revigorante estar ali. Pedro sentiu-se em casa, e estava mesmo... era o seu navio, o Sonho Imperial! Até a bandeira no mastro era a de Portugal. Seu fascínio só foi interrompido por uma voz grossa e profunda, que ecoou pelo convés. - Então... chegou até aqui. É louvável, Pedro de Aragão. Está pronto para o seu último desafio? ![]() Uma figura masculina estava vindo às suas costas e parou quando Pedro virou-se para encará-lo. Estava óbvio que era outro titã, mas quem seria ele? O mais surpreendente, contudo, aconteceu a seguir. Uma voz, melodiosa como se uma sereia cantasse exclusivamente para ele, foi ouvida vinda do outro lado da cabine, aproximando-se também de Pedro. - Oneiros dos Sonhos...fizeste uma longa jornada até aqui... pronto para encontrar nosso senhor? ![]() E agora uma figura feminina juntava-se à tripulação, falando diretamente no âmago de Oneiros. Quem seria aquela titânide, e qual seria seu teste final? |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Sep 18 2013, 08:31 AM Post #146 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
Os esclarecedores momentos de prazer representaram um aprendizado valioso para Oneiros em muitos aspectos. A criação de uma nova vida – embora lentamente – com um ato tão simples e prazeroso era, para o deus dos sonhos, algo inconcebível. Muito mais simples do que os métodos complexos – complexos demais, se analisados por olhos humanos – utilizados na criação do universo e da humanidade. O complexo, lembrou, era bastante relativo. Quando tudo chegou ao fim em um grande suspiro, Pedro e Oneiros fecharam os olhos. Téia desapareceu, assim como o local aconchegante onde estavam. O cheiro do mar invadiu suas narinas e ambos, Pedro mais que Oneiros, sentiram-se revigorados com o gosto de sal na boca. Não demoraram para se recuperar êxtase de agora a pouco. A visão do navio os assustou. Não houve tempo para pensar, pois um novo titã surgiu. O último desafio estava diante deles, finalmente. Uma titânide também surgiu. Aquela não era a primeira vez que via dois titãs no mesmo domínio, mas era a primeira em que dois titãs lhe passariam um desafio. Oneiros e Pedro listaram os grandes titãs da mitologia grega, riscando aqueles com os quais já se encontraram. [align=center]Oceano, Os dois titãs a sua frente referiram-se a um “senhor”, provavelmente Cronos. Por eliminação, eles eram Oceano e Tétis. Seu desafio, a julgar pelo cenário, muito provavelmente envolveria navegação. - Oceano e Tétis... – Fez uma reverência, tal como antes, em sinal de respeito. Pedro de Aragão falou com eles. - Sinto-me lisonjeado com seu elogio, Oceano. Nasci pronto para uma aventura. – Disse, sorrindo. O olhar de Pedro desviou-se para Tétis, mas seus olhos estavam azulados e sua voz era dupla. Oneiros respondia à titânide: - Mas é claro, senhora. Foi para isso que lutei e mudei. Endireitaram-se e esperaram. Pedro imaginava que deveriam navegar até Cronos. Oneiros preferiu esperar pacientemente pelo desafio. |
![]() |
|
| Narrador Principal | Oct 3 2013, 07:01 PM Post #147 |
![]() ![]()
|
Oceano recuou alguns passos, apontando numa direção que, a princípio, não indicava nada diferente ao cenário de água por todos os lados que Pedro de Aragão enxergava. Somente quando o titã falou é que o teste se revelou. - É bom saber disto, mas nesta prova não terás qualquer ajuda nossa. Vê? Teu navio já corta as águas em direção... àquilo. ![]() Uma nuvem escura se formou rapidamente no horizonte sobre o que parecia um cabo - agora visível, uma faixa de terra que deveria ser contornada para que o horizonte pudesse ser avistado. Ali residia o teste, pelo visto. O mar, ao longe, fazia grande ruído ao bater contra os rochedos. Pedro sentir-se-ia atemorizado num primeiro momento, por se conscientizar que aquilo lhe parecia mais que uma simples tormenta marinha. De súbito, surgiu uma figura enorme, de rosto fechado, de olhos encovados, de postura má, de cabelos crespos e cheios de terra, de boca negra e de dentes amarelos. A figura era tão enorme que poder-se-ia jurar ser ela o segundo Colosso de Rodes. Enquanto a figura gigantesca grunhe, Tétis faz um último aceno antes de se despedir de Oneiros, recuando alguns passos e se juntando a Oceano. - Tua origem te dará a tua resposta, Pedro, mas somente Oneiros, através de um sonho específico, poderá tornar a resposta compreensível. A arte imita a vida. É só o que lhes posso dizer. E então a voz do gigante é ouvida finalmente. O tom de voz, em um arrastado português de Portugal, horrendo e grosso, parecendo ter saído do mar profundo, são realmente de arrepiar. - Ó gente ousada, mais que quantas, no mundo cometeram grandes cousas; tu, que por guerras cruas, tais e tantas, e por trabalhos vãos nunca repousas, pois os vedados términos quebrantas e navegar nos longos mares ousas, que eu tanto tempo há já que guardo e tenho, nunca arados d’estranho ou próprio lenho: pois vens ver os segredos escondidos da natureza e do úmido elemento, a nenhum grande humano concedidos, de nobre ou de imortal merecimento, ouve os danos de mi que apercebidos estão a teu sobejo atrevimento, por todo largo mar e pola terra que inda hás de sojugar com dura guerra. Sabe que quantas naus esta viagem que tu fazes, fizerem, de atrevidas, inimiga terão esta paragem, com ventos e tormentas desmedidas! E da primeira armada, que passagem fizer por estas ondas insufridas, eu farei d’improviso tal castigo, que seja mor o dano que o perigo! O Sonho Imperial era atraído em direção a ele, em alta velocidade. Já se via relâmpagos no céu e o ribombar dos trovões indicava o quão próxima estava a tempestade. Oneiros precisava tomar uma decisão rapidamente, e ao mesmo tempo entender o que aquele gigante queria dizer. |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Oct 13 2013, 08:44 PM Post #148 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
O vento frio soprava mais forte a medida que se aproximavam da tempestade. Pedro, aflito, encarava a figura do gigante com temor, pensando como seu navio sobreviveria ao confronto com tamanha criatura. Oneiros, por outro lado, logo lançou um olhar desafiador àquela criatura. As palavras daquele homem haviam trazido a tona memórias há muito esquecidas e, embora soubesse que conhecia aquela figura de cabelos crespos, precisaria pensar um pouco antes de identificá-lo. "Pedro, controle-se! Você é o capitão deste navio. Não naufragaremos diante deste pedaço de terra, pois o gigante não é nada além disso." disse Oneiros ao seu hospedeiro. Pedro ainda estava no controle do corpo e, respirando fundo, ainda trêmulo, olhou para trás em busca da sua tripulação. Se tivessem sido reproduzidos, provavelmente estariam enfrentando os mesmos medos que ele e, como capitão, era seu dever guiá-los contra aquele empecilho. Ao mesmo tempo, Oneiros estava meditando no interior da mente de Pedro, aproveitando o silêncio que ela poderia lhe proporcionar. Precisava mostrar ao seu hospedeiro que ele não fora o primeiro a confrontar o gigante - outro homem, outro português, também o fizera no passado. Pedro repetiu, em tom baixo, as palavras do gigante, de novo e de novo, até começar a destrinchar o significado daquelas palavras versadas. O gigante parecia aberto a uma conversa. Na verdade, parecia disposto contar-lhe alguma espécie de "segredo". O cosmo do deus dos sonhos começou a surgir ao redor de Pedro na forma de uma fina camada azulada. Sobre o mar, ninguém poderia derrotá-lo. Estava, afinal, em casa. Poderia derrotar a criatura de cabelos crespos e dentes amarelos se assim precisasse. A criatura concluíra suas palavras com uma ameaça, afinal. - Tomem suas posições! Iremos contar o gigante e o cabo! - diria aos seus homens e, se não estivessem lá, os faria aparecer. Estava em um sonho e, como era sabido, os sonhos eram seus domínios. - E então, Oneiros? Minhas origens me darão a resposta, não é? O gigante fala português, mas de maneira cofusa. Tudo que captei foram ameaças. Devemos abatê-lo, como fizemos com o gigante das neves? Não parece que nos deixará contornar aquele cabo. Oneiros despertou do seu transte, os pensamentos enfim organizados. "Observe, Pedro." resmungou o deus dos sonhos. O português foi atacado por visões súbitas e rápidas. Se não estivesse, de certo modo, acostumado com isso, não teria conseguido compreender aquelas imagens. Viu um silhueta distante, muito parecida com o gigante, a deslumbrar uma ninfa belíssima. A sombra correu vorazmente na direção da mulher para tomá-la, mas tudo que encontrou foi um grande pedaço de rocha, um cabo. Pedro abriu os olhos e encarou aquela criatura, compadecido. - Tem um nome para mim, Oneiros? - perguntou. - Não me lembro o nome desta criatura, mas ela esteve presente no passado. Creio que lutou contra os olimpianos e que foi vítima de uma desilusão amorosa. Talvez esteja guardando rancores desde o tempo antigo. Imagino que tenha se refugiado neste pedaço de mundo para evitar a vergonha - e há muito tempo, posso assegurar, o lugar onde estamos era considerado o fim, o limite do mundo, protegido por criaturas mágicas e perigosas. Como disse o gigante, essas águas não foram navegadas antes e ele as protege. No passado, o caminho foi desbravado e seu país conquistou uma rota comercial importante, necessária uma vez que o caminho anterior estava sobre domínio inimigo. Isso, contudo, é irrelevante no momento. Mesmo que tente esconder isso de mim, posso sentir, Pedro. Está trêmulo. A figura do gigante e a personificação de uma tempestade estão atormentando-o. Faz muito tempo que não se depara com uma tormenta, não é verdade? - respondeu a divindade. Pedro ficou calado. Era verdade. A última grande tormenta que enfrentara quase custou-lhe a vida e, embora não tivesse ficado com medo de navegar, nunca enfrentara outra tempestade tão avassaladora. O som dos trovões estava cada vez mais próximo. Na mente de Pedro, as imagens do seu corpo sendo jogado contra as paredes do navio, da água invadindo as cabines e, por fim, do seu corpo sendo atirado ao mar ao som dos trovões se repetiam ferozmente. Apoiou-se na borda do navio. Seus braços, de fato, ainda tremiam. Estava claramente apavorado. A sensação de coragem e segurança de outrora fora apenas uma ilusão. - Mesmo que contorne o gigante, a tempestade não cessará. Sabe disso, não sabe? - o oneiroi riu. - Se não puder contra a ameaça de uma tempestade, contra o que mais falhará? Pedro ignorou Oneiros. Dirigiu seu olhar apavorado na direção do gigante. O português encarava o grandalhão como uma barreira intransponível, um soldado dos deuses protegido por uma tempestade que o tornava invencível. O brilho do cosmo divino lentamente se apagou, sobrepujado pelo medo do que era superior. O vento soprou mais forte, mais gelado. Embora o deus dos sonhos tivesse dado uma dica sobre onde estavam - e Pedro certamente poderia concluir quem cumprira a viagem que ele mesmo repetia - o português estava assolado pelo pavor. Precisaria encontrar a coragem para raciocinar e afastar os próprios medos. - Quem é você, gigante? Diga-me, o que há por trás desse cabo, para que precise guardá-lo tão furiosamente? O que o mar esconde, gigante? Pedro, naquele momento, parecia uma criança perguntando a um valentão o motivo das constantes agressões. Para Oneiros, aquilo era compreensível, mas, ainda assim, patético. - Antes, falou em abater o titã. E agora, treme diante da ideia de enfrentá-lo? - as palavras de Oneiros foram as últimas ditas. Agora, restavam apenas os sons da tempestade. [spoiler=Se necessário...]Motivação: Algumas coisas motivam a cosmo-energia de Oneiros. Antigamente, sua própria vontade inflamava sua cosmo-energia, mas agora, unido a um hospedeiro humano, sofre com a interferência dos sentimentos terrenos, possuindo sensações ou locais que o deixam mais a vontade para manifestar seu poder. Quanto aos locais, pode-se dizer que o mar é um deles. Seu hospedeiro foi criado para ser um mercador, um mestre da navegação e, durante anos, ele conviveu com os oceanos, considerando-os sua segunda casa. Quando luta perto do mar, sobre este ou em áreas que lembrem o mar, o semideus sente mais facilidade em excitar o seu cosmo, inflamando-o com mais rapidez e facilidade por lutar em um ambiente agradável. Não só isso: o semideus habitou-se com os sentimentos e hormônios humanos. Quando luta, seu coração – antes indiferente ao calor da batalha – bate mas rápido, a adrenalina vai tomando conta do corpo e, portanto, mais o seu cosmo consegue brilhar: pode-se dizer que o oneiroi ganhou um certo amor pelo calor da batalha, alias, talvez seja mais certo dizer que talvez tenha ganho um amor por ter sua vida correndo perigo. Mas no âmago de seu ser, o oneiroi ainda teme o que lhe é superior. Os deuses, sim. Quando está próximo uma deidade superior, seu cosmo demonstra dificuldades em se manifestar. Quando luta em ambientes que contrastam muito com o oceano, desertos e montanhas (que não permitam a visualização do mar), por exemplo, seu cosmo brilha com mais lentidão, demorando-se no caminho até o ápice. Ambientes simples, como depressões e planícies, não incomodam o semideus dos sonhos. Nome da Habilidade: Mestre dos Sonhos Descrição: Oneiros, por ser a maior deidade do sono, logo abaixo de Hypnos, pode controlar o mundo dos sonhos ao seu bel prazer. É capaz de invadir, do mundo dos sonhos, os sonhos de outrem e alterá-los. Não só isso. Pode usar os sonhos para aprisionar mentes, enviar mensagens ou ainda se esconder, já que é capaz de transportar seu corpo físico para uma mente sonhadora. Efeito: Oneiros pode adentrar, do Mundo dos Sonhos, os sonhos de outras pessoas – deuses inclusive, podendo manipulá-los e ocultar-se neles. Uma das peculiaridades do oneiroi é sua capacidade criar um sonho dentro de um sonho, prendendo indivíduos no seu subconsciente (mas, para tal, o indivíduo não deve possuir cosmo-energia ou, então, possuir alguma ligação com o mundo dos sonhos). Se lhe for dado tempo suficiente, Oneiros pode aprisionar memórias e criar novas na forma de sonhos, mudando completamente um indivíduo, cavaleiro ou não. Entretanto, isso só ocorre quando o trabalho é ininterrupto e leva bastante tempo, de meses a anos dependendo das alterações a serem feitas. Para entrar na mente de deuses, Oneiros precisa gastar uma quantidade de cosmo diferente, dependendo do nível da deidade. O gasto pode ser de médio a grande para deuses menores, em patamar semelhante ao oneiroi, mas para deuses maiores (como Hades, Hypnos e Thanatos) é necessário um grande gasto de energia, muitas vezes monstruoso. Os efeitos reais da habilidadeficam a critério dos narradores.[/spoiler] |
![]() |
|
| Narrador Principal | Oct 23 2013, 12:10 AM Post #149 |
![]() ![]()
|
[YOUTUBE]http://www.youtube.com/watch?v=1TtH2TXWx8Q[/YOUTUBE] A tripulação, que não existia, criou-se a partir da imaginação de Oneiros, e logo todos obedeciam aos comandos de Pedro sem hesitar. O Sonho Imperial finalmente parecia pronto a iniciar a tentativa de enfrentar o gigante sem ir a pique. A tormenta seguia incessante. A chuva constante nublava a visão de Pedro, tornando mais difícil sua tarefa de orientar seus homens e vislumbrar com exatidão a distância que ainda existia entre o navio e o gigante. Foi então que Pedro lançou ao gigante a pergunta fatídica, que iniciaria uma reação em cadeia. As ondas subiram e desceram repentinamente, levando muitos dos marujos a perder o equilíbrio e cair. Alguns deles jamais reapareceriam a bordo, pois as águas os engoliram. Pedro por pouco não sucumbiu ao mesmo destino, mas conseguiu se agarrar ao leme do navio e a uma corda que estava presa ao mastro principal. Relâmpagos estalaram e o céu trovejou quando a voz do gigante novamente ribombou pelos ares. - Eu sou aquele oculto e grande Cabo, a quem chamais vós outros Tormentório, que nunca a Ptolomeu, Pompônio, Estrabo, Plínio e quantos passaram fui notório. Aqui toda a africana costa acabo neste meu nunca visto promontório, que pera o Pólo Antártico se estende, a quem vossa ousadia tanto ofende. Fui dos filhos aspérrimos da Terra, qual Encélado, Egeu e Centimano; chamei-me Adamastor e fui na guerra contra o que vibra os raios de Vulcano; não que pusesse serra sobre serra, mas conquistando as ondas do Oceano, fui capitão do mar, por onde andava a armada de Neptuno, que eu buscava. Amores da alta esposa de Peleu me fizeram tomar tamanha empresa; todas as Deusas desprezei do Céu, só por amar das águas a princesa; um dia a vi, coas filhas de Nereu, sair nua na praia e logo presa a vontade senti de tal maneira, que inda não sinto cousa que mais queira. E um longo gemido de dor, grave como se a terra estivesse se abrindo e seu ventre grunhisse, foi ouvido por todos. Oneiros sentiu naquela reação do gigante um sentimento de rejeição incomensurável e, ao desviar o olhar para onde Tétis e Oceano se encontravam, percebeu que os olhos da titânide encaravam o convés do navio. Tétis mantinha a cabeça baixa, e claramente estava envolvida na angústia que o gigante emanava. Todavia, ao redor ele percebia que a tempestade não havia se agravado, mesmo após tal evento, o contrário do que se esperaria. O que aquilo queria dizer? E qual deveria ser o próximo passo naquele teste? |
![]() |
|
| Dream Oneiros | Nov 5 2013, 12:18 PM Post #150 |
![]()
Demigod of Dreams
![]()
|
O medo de Pedro acompanhou o crescer das ondas e o soar dos trovões. Agarrou-se ao leme com uma força sobrehumana, proporcionada pela sua fusão com o deus dos sonhos, por pouco não quebrando o instrumento. Estava tão apavorado que não conseguiu comandar sua tripulação; observou-a ser tragada pelo mar, marinheiro por marinheiro. Fechou os olhos enquanto a turbulência passava. Oneiros assistiu tudo e decepcionou-se com a reação de seu hospedeiro. Pedro era um homem do mar. Passou mais tempo navegando do que em Terra; seu pai era um excelente mercador e um excelente capitão. Esperava que o humano tivesse superado o trauma, mas as marcas da última tormenta eram profundas. O gigante falou. Pedro não entendeu absolutamente nada, mas Oneiros prestou bastante atenção naquelas palavras. Adamastor. Conhecia o Gigante: era um dos filhos de Gaia, da mesma geração dos doze Titãs. Quando o monstro terminou seu relato, o oneiroi encarou Tétis, a titânide, e percebeu a emoção em seu olhar. Pouco a pouco as peças do quebra-cabeça iam se juntando, contudo, havia um desafio mais urgente que precisava ser vencido. Pedro ainda estava abaixado, agarrado ao leme, sem observar para onde guiava seu navio. Oneiros fez seu cosmo brilhar mesmo com o medo do hospedeiro bloqueando parte de seus poderes, afinal, o deus dos sonhos compartilhava de um medo semelhante: não de fenômenos naturais, mas daquilo que é intransponível, como era o caso da tempestade. Projetou sua consciência ao lado de Pedro, em uma forma parecida com seu corpo original trajando sua súrplice. Apoiou-se no joelho e abaixou-se para falar com o rapaz. Era uma visão rara e, em outros domínios, talvez impossível: Pedro e Oneiros “coexistindo”, embora o segundo não passasse de uma ilusão. “Olhe para mim, Pedro. Olhe!” Pedro entreabriu os olhos e assustou-se ao ver aquela figura “desconhecida”. Sabia que era Oneiros, mas nunca havia, de fato, “visto” o deus dos sonhos. Sabia que sua aparência mudava quando ele tomava controle de seu corpo, mas não fazia ideia de que mudava tanto. - Oneiros...? “Onde está sua coragem, Pedro? Por que teme tanto essa tormenta? Venceu outras ao lado de seu pai, lembra?” - Mas foi diferente. Não eram tempestades tão fortes quanto essa; meu pai estava lá para comandar com sabedoria o navio. A tripulação confiava nele e eu também. Ele era um porto seguro. Agora, estou sozinho! Não tenho como comandar a tripulação adequadamente... Nós vamos todos sucumbir... "Asneira!” O berro de Oneiros assustou o marinheiro. “Estamos a pouquíssimo tempo juntos, Pedro. Você passou muito tempo adormecido, subjugado pela minha arrogância, é verdade. Certamente seu coração ainda nutre algum rancor por mim. Eu encarava a humanidade como uma erva daninha no meu jardim, que devia ser eliminada!... Mas as coisas mudaram ao longo dessa jornada. Os titãs me abriram os olhos para um outro lado da humanidade, um lado que eu podia aceitar e até mesmo usufruir. Nos confrontamos no desafio de Hipérion, lembra? Você me fez reviver meu passado, minhas outras vidas humanas. E isso, mesmo que em segundo plano, me fez prestar mais atenção no seu passado.” Pedro permaneceu em silêncio enquanto Oneiros falava. Não parecia estar acreditando no que ouvia. “Eu sou um deus, Pedro. Sou, ou deveria ser, superior a vocês, humanos... mas não. A maioria dos deuses são mais humanos do que clamam. Invejam sua capacidade de evoluir, de sentir medo, de amar... invejam seu potencial infinito. Agora eu reconheço isso. Agora, sou capaz de aceitar e admirar a existência humana, que antes só me dava trabalho. Não é fácil comandar o mundo dos sonhos; conhecer inúmeras vidas, presenciar as incontáveis histórias vividas durante o sonhar. E foi por isso que fugi, você sabe. Não sirvo Atena, nem Hades, tampouco aos Olimpianos. Eles não reconhecem meu devido valor... mas, experimentando as sensações humanas, descobri que não preciso de reconhecimento para encontrar o que vocês, humanos, chamam de “felicidade”. E confidencio isso a você para que acredite no que vou dizer.” Oneiros fez uma pausa. Parecia estar juntando “coragem”, ou pensando se deveria continuar. Talvez tivesse falado de mais. "Você disse que seu pai estava com você para guiar o navio. Seu pai o resgatou quando caiu no mar. Você viveu o terror das tormentas, mas está errado no que diz. A tempestade não é invencível. Você não está sozinho. E você não é incapaz. Agora que seu pai se foi, você deve fazer o papel dele para com sua tripulação. Deve comandá-la conforme aprendeu, aprimorar sua capacidade com as experiências adquiridas ao longo da vida. Seu dever é o mesmo de seu pai: proteger cada um deles da tormenta. E você não seria o capitão se não fosse capaz disso. Nós estávamos destinados a nos encontrar, Pedro, pois foi você quem notou a arca onde meu espírito estava adormecido. Você tinha uma criação propícia, era um viajante de criação, um rapaz que estava sendo acostumado ao comércio. Um receptáculo adequado para manter minha lábia; alguém que nunca estava no mesmo lugar o tempo todo, perfeito para me esconder dos deuses. E, desde então, você nunca mais esteve sozinho. Isso pode ser difícil de perceber e aceitar porque eu o mantive preso por muitos anos, mas você conseguiu me influenciar, mesmo assim. Quando finalmente o confrontei... percebi que deveria libertá-lo. No começo, eu desejava apenas obter o potencial infinito da humanidade e achei que seria mais fácil se sua mente humana coexistisse com a minha, mas, devo admitir, você me surpreendeu. Passei a aceitá-lo como um igual, Pedro de Aragão, e eu não faria isso se você fosse o fraco e medroso que está demonstrando ser. Você é o maior capitão da companhia herdada do seu pai; é meu hospedeiro. Venceu desafios impostos pelos doze titãs. Ou melhor: vencemos os desafios impostos até então. Nem eu nem você estamos mais sozinhos, Pedro. “ Pedro sustentou o olhar decidido do Oneiroi, incrédulo. Não sabia como responder àquilo. Toda aquela conversa durou pouquíssimo tempo, talvez alguns segundos. Por compartilharem consciência, conseguiam se entender sem muito esforço. “Seu medo de tormentas é só mais um a ser superado. Ousa ser meu hospedeiro, portando um medo tão infundado? Não faça com que eu me arrependa de ter, por uma vez, aceitado a escolha do destino.” O tom arrogante desta última frase fez Pedro sorrir e rir. Respirou fundo algumas vezes e, de súbito, levantou-se apoiado no leme. Examinou a tripulação e começou a coordená-los para que pudesse estabilizar o navio o máximo possível. - Vamos, marujos! Vamos sair dessa tempestade. Ao mesmo tempo, voltou-se para a figura de Oneiros. Havia um novo brilho em seus olhos, uma espécie de coragem renovada. Nenhum dos dois dissera isso e pareciam relutantes em admitir, mas haviam, de algum modo, criado um laço de amizade. Estavam trocando a relação de humano e hospedeiro por um laço muito mais poderoso. Fechou os olhos e rapidamente se apossou dos conhecimentos do oneiroi, compreendendo o raciocínio sobre as palavras do gigante. Munido, talvez, de uma nova motivação, o cosmo de Pedro e Oneiros brilhou novamente. A chama tremulou e cresceu em resposta àquele sentimento tão humano, o reconhecimento do sofrimento de Adamastor e da tristeza com que habitava aqueles mares. - Tétis parece estar envolvida nisso tudo. Como pode? “Por que não descobrimos?” Muito bem. Vamos dar uma palavrinha com os dois. - E, virando-se para a sombra do gigante, gritou - Adamastor! Conta-me mais sobre o seu amor. Seria, por acaso, ela a tua princesa das águas? Diga-me, Adamastor. Deixe-me realizar seu sonho! Pedro ergueu uma das mãos na direção do gigante e Oneiros ergueu uma das mãos na direção da titânide. Conforme iam cerrando o punho, seu cosmo se alastrou pelo sonho de Cronos e buscou ligar a figura da titânide a de Adamastor. Ou melhor... a figura de quem estava ligado à Titânide e que poderia ser a princesa mencionada pelo gigante. O deus dos sonhos duvidava que a própria Tétis fosse responsável pela tristeza daquela criatura, mas descobriria. Poderia moldar a mente do gigante para uni-lo com seu amor a tanto tempo perdido. Uma vez restituído do seu amor, quem sabe o gigante cessasse a tempestade. Havia outro motivo para aquela atitude. Oneiros sentira no seu âmago a tristeza de Adamastor e por pouco não fora arrastado por ela. Talvez por sua convivência com a humanidade de Pedro, e pela súbita recordação das lembranças do se hospedeiro, mencionadas a pouco, o oneiroi foi aplacado por uma vontade de fazer a criatura feliz. Ele não era mais do que um instrumento dos deuses, uma vítima do jogo terrível do cosmos. Ele não merecia tamanha tristeza. Há muito tempo, antes de descer à Terra, a divindade tinha o conhecimento necessário para compreender a essência daqueles sentimentos, mas, de algum modo, isso fora perdido. Vivenciara o conhecimento rapidamente no desafio de Hipérion. Oneiros sabia bem do que precisaria para consumar seu plano. Samskara, o conhecimento das ideias, e do Vedana, seu conhecimento perdido sobre as sensações. Precisaria dele novamente, mesmo que por alguns segundos, para idealizar e materializar o sentimento de amor tão almejado por Adamastor. E, nesse esforço, fez seu cosmo brilhar, auxiliado pela nova coragem de Pedro, pela compreensão daquele sentimento e pela Chama de Prometeu. Edit: Esqueci de colocar D: [spoiler=Informações]Nome da Habilidade: Mestre dos Sonhos Descrição: Oneiros, por ser a maior deidade do sono, logo abaixo de Hypnos, pode controlar o mundo dos sonhos ao seu bel prazer. É capaz de invadir, do mundo dos sonhos, os sonhos de outrem e alterá-los. Não só isso. Pode usar os sonhos para aprisionar mentes, enviar mensagens ou ainda se esconder, já que é capaz de transportar seu corpo físico para uma mente sonhadora. Efeito: Oneiros pode adentrar, do Mundo dos Sonhos, os sonhos de outras pessoas – deuses inclusive, podendo manipulá-los e ocultar-se neles. Uma das peculiaridades do oneiroi é sua capacidade criar um sonho dentro de um sonho, prendendo indivíduos no seu subconsciente (mas, para tal, o indivíduo não deve possuir cosmo-energia ou, então, possuir alguma ligação com o mundo dos sonhos). Se lhe for dado tempo suficiente, Oneiros pode aprisionar memórias e criar novas na forma de sonhos, mudando completamente um indivíduo, cavaleiro ou não. Entretanto, isso só ocorre quando o trabalho é ininterrupto e leva bastante tempo, de meses a anos dependendo das alterações a serem feitas. Para entrar na mente de deuses, Oneiros precisa gastar uma quantidade de cosmo diferente, dependendo do nível da deidade. O gasto pode ser de médio a grande para deuses menores, em patamar semelhante ao oneiroi, mas para deuses maiores (como Hades, Hypnos e Thanatos) é necessário um grande gasto de energia, muitas vezes monstruoso. Os efeitos reais da habilidade ficam a critério dos narradores. Domínio Cósmico: - Domínio dos 5 Sentidos: Pleno - Domínio do 6º Sentido: Pleno - Domínio do 7º Sentido: Pleno - Domínio do 8º Sentido: Intermediário (Samskara, Saññã e Rupa)[/spoiler] |
![]() |
|
| 1 user reading this topic (1 Guest and 0 Anonymous) | |
![]() Our users say it best: "Zetaboards is the best forum service I have ever used." |
|
| Go to Next Page | |
| « Previous Topic · Mundo dos Sonhos · Next Topic » |
| Theme: Forsaken Legends | Track Topic · E-mail Topic |
4:11 PM Jul 11
|
Theme by James... of the ZBTZ and themeszetaboards.com























4:11 PM Jul 11