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| Anzjani; Karakal (Chakor Sadavir) | |
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| Tweet Topic Started: May 31 2014, 09:13 PM (155 Views) | |
| Maeveen de Sagitario | May 31 2014, 09:13 PM Post #1 |
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O Mais Veloz entre os Cavaleiros
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[align=right]INFORMAÇÕES BÁSICAS[/align] Nome: Karakal (Chakor Sadavir) Idade real: 419 anos Idade aparente: 36 anos Data de nascimento: 15 de Abril de 1129 Signo: Gêmeos Local de nascimento: Jamiel Local de treinamento: Jamiel, ermos em torno das montanhas altaicas, Monte Kunlun (Xinjiang, China), interior da China (em viagem). Raça: Lemuriano Idiomas falados:Sânscrito (Fluente), Lemuriano (Fluente), Turco (fluente, principalmente nos dialetos orientais), vários patoás do de línguas do tronco altaico (incluindo variações do turco, como o uigur, o idioma mongol e outros do extremo norte da China), Mandarim usado nos reinos chineses Jin, Song e durante a dinastia Yuan, Grego (Fluente), Árabe (Intermediário), bem como tem bastante facilidade de entender e aprender novos idiomas em razão das suas Habilidades. Aparência: Karakal tem uma aparência jovem para sua idade, mesmo considerando sua raça lemuriana. Sua forma, devido à natureza de suas habilidades, pode variar, embora tenda a ser preservado em um lento envelhecimento na aparência que puxa ao lado de seu pai na família. Os cabelos negros, compridos e volumosos, apresentam viço e poucos fios brancos entremeados a eles. As pintas, típicas dos lemurianos, são bem escuras, como sangue coagulado. Seus olhos são de uma cor azul bem escura, difícil de notar à primeira vista que não são simplesmente iguais à cor dos cabelos. A tez é clara como a maioria dos seus, mas o sol e o vento já marcaram sua pele com tons dourados. O seu corpo é bem forte para sua ancestralidade, com cerca de 1,85m e pesando normalmente 95kg. Normalmente porque após o uso de seus poderes pode vir a perder peso, até chegar a uns 75kg, no máximo que pode extenuar seu corpo sem maiores prejuízos. Já tal peso ele ganha com velocidade de volta, bastando repouso, água e comida em fartura, a qual ele geralmente não inclui carnes. No entanto, em circunstâncias de perda de autocontrole, o consumo de carne fresca auxilia evitar a perda de massa muscular consideravelmente. Na forma “feral”, como encontrava-se entre os homens-tigre, seus cabelos crescem um pouco mais, crescendo também nas costas, quase como uma juba. Os músculos são fortalecidos nos membros e sua própria pele fica mais escura e rija, como um couro. Seus dedos ficam mais largos, dotados de garras afiadas como um felino. Atrapalharia o manuseio de ferramentas comuns, mas não sua pesada espada larga ou a lança que são suas armas mais usadas. Os olhos se tornam mais amarelos no nível mais extremo desta mudança, ou esverdeados em níveis intermediários. A parte da aparência física, Karakal prefere usar simples trajes nos tons azuis. Ele tem um traje em particular apenas: uma capa de longas plumas encimada por um capuz com a cabeça de um tigre, as penas e o pelo do tigre mudam as cores conforme a estação do ano, sendo negras no inverno, azuis na primavera, vermelhas no verão e brancas no outono. Ainda há uma quinta cor, que reflete uma luz dourada ao meio dia ou quando há um Cosmo benfazejo sendo irradiado sobre Karakal ou a partir dele. Outro artigo que leva consigo é o grande Sabre do Dragão, uma lâmina de metal escuro, mas marcado por ondulações como um fluxo de água passando por ele. Um dragão acompanha a base da lâmina desde o cabo, que é bem comprido para sustentar uma lâmina tão grande, com quase sua altura e largura suficiente para cobrir três ou mais espadas largas. Eventualmente, num traje interior de batalha, prefere usar uma armadura negra simples que fez sobre uma túnica e calça azuis de seda. Sua expressão costuma ser tranquila e raramente é visto irritado, embora possa ser visto numa espécie de fúria e com grande agressividade quando “muda”. Já feições de ternura e afeição são demonstradas com sutileza e quando encontra algo curioso ou que não faz muito sentido, faz algumas marcas de expressão na testa e em torno dos olhos, que se estreitam bastante enquanto inquire. Personalidade: O caráter de Chakor foi marcado desde seu nascimento, aparentemente. Contemplativo e inventivo, desprovido de impulsividade e com um ego que reúne as suas necessidades de felicidade às daqueles que o cercam. De certa forma isto faz dele um perfeccionista, mas não lida tão mal com o fracasso como seus companheiros de compulsão. Pelo contrário, até mesmo seus fracassos, que procura evitar, tenta somar ao que viu como experiência. Sua racionalidade aguçada faz assim de cada sequência de atos uma hipótese, um teste e uma análise, em ciclos incontáveis e nunca fechados, como os ciclos das chuvas. Realmente aplica-se ao temperamento dele a aparente imprevisibilidade dos céus, que quando observados em larga escala de tempo e espaço, torna-se mais fácil prever o que irá ocorrer, embora possa ainda ser diferente. Por ver tudo de forma "aberta ao estudo", ele costuma admitir as tradições ao mesmo tempo que tem inclinação para abandoná-las no momento em que encontrá-las equivocadas. Com humildade, contudo, não salta em conclusões e vê razões para os costumes perseverarem, por isto não os ataca. Deste modo, dificilmente se estimula a fazer alguma coisa simplesmente porque é a coisa certa, preferindo fazer aquilo que afeta de forma mais positiva a si mesmo e aos outros. Como é dotado de uma poderosa empatia e imaginação, Karakal está sempre a enxergar o bem estar alheio como algo necessário e parte do seu próprio bem estar, assim procura sempre pôr os outros acima de si em cada raciocínio imediato. Muitas impressões equivocadas podem ser geradas observando-se Karakal. Ou pelo menos, apenas certas em parte. Distante e observador por natureza, ele escuta, enxerga e sente antes de falar, o que causa a impressão de que ele está pensando muito, embora não seja bem este o caso. Quando pensa, num relâmpago de ideias que formula em instantes, acaba por surpreender pelo tanto que pode falar. Podem tê-lo por altruísta e abnegado, enquanto ele trabalha exaustivamente por uma causa que sequer é sua. Podem considerá-lo um jogador, capaz de tomar qualquer lado numa disputa conforme a conveniência. Ou podem enxergá-lo como alguém que apenas quer ser adorado e disposto a aparentar generosidade infinita para isto. Devido a sua proposição a proteger a comunidade lemuriana, procura cuidar para que estas imagens negativas não atrapalhem seus desígnios e prejudiquem o grupo, mas é mais provável que aja por razão e princípios do que pelas aparências. Embora possa não ser compreendido, o fato de não ter a mesma dificuldade em entender a posição dos outros o tornam uma figura sinceramente simpática. A moderação, pelo dom que tem esta virtude de acalmar os ânimos, é nutrida cuidadosamente por ele. Modera inclusive a moderação, de forma que permite excessos e escassez alternativamente para restabelecer seu equilíbrio. Procurando esvaziar seus pensamentos através das suas artes, vê-se muitas vezes como instrumento e satisfeito por isto. Contudo, quando uma nova ideia de utilidade ou um obstáculo se levantam, eleva-se seu impulso por mudança e é dado a alguns arroubos de orgulho ou vergonha se não conseguir mudar o que precisa. Particularmente, quando é preciso ser severo, como nos assuntos militares, não costuma hesitar por sentimentos de compaixão, pelo menos, não por compaixão exclusiva em face de uma única pessoa. Justiça é algo que tem em apreço, procurando-a com o cuidado de não confundi-la com a vingança ou a comodidade. Karakal enxerga que sem preparação para a batalha, os resultados são previsíveis – a força, o número, a saúde e o momento determinam seu resultado - mas quando um combatente é preparado e possui estratégia, aí as possibilidades se expandem. Como precaução, preferia que o mundo inteiro soubesse lutar, assim pensariam tantas vezes antes de combater que deixariam de fazê-lo por não conseguirem controlar os riscos. Liderando, em duelo ou mesmo em batalhas que não lidera, Karakal procura analisar seu oponente e conduzi-lo no combate a fim de obter a vitória. Seus instintos mais violentos afloram na medida em que o oponente corresponde à sua imprevisão e ele se vê como num jogo a explorar como vencer o adversário, envolvendo-se por completo no objetivo de subjugá-lo se este se mostrar valoroso. A respeito da religião (e das Guerras Santas), Karakal mantém sua fidelidade à harmonia acima das aparências nas crenças. Auxiliar aqueles em necessidade é um de amor ao próximo e deve prevalecer sobre noções de amigos e inimigos. Entende que este é um fundamento que sempre norteou a causa de Athena e que justificou, desde o princípio, o apoio de Lemúria à causa dos seus santos. No entanto, não vê com bons olhos a participação que julga desequilibrar esta aliança, cravando as almas dos lemurianos no samsara ao colocar uma proporção muito maior dos seus números nos ranks daquela ordem para fazer a Guerra Santa. Enxerga apego ao sofrimento mais do que virtude, tal apego leva a novos sofrimentos, alimentando um ciclo que tende a ignorar as saídas alternativas para violência e pelo conflito levar a destruição para tudo aquilo que restou dos lemurianos, a exemplo dos últimos eventos, seja porque lemurianos ficaram uns contra os outros, seja pelos trágicos assassinatos e traições. Sua atitude é arrazoada, tem firme convicção de que embora Guerras Santas sejam inevitáveis em razão das vontades de seres superiores (deuses), a vontade que devem inspirar nos outros é de paz, mesmo quando guerreiros são preparados. Reconhece que sacrifícios são necessários para que este equilíbrio seja desenvolvido, mas o apego à ideia de dobrar a vontade do Inimigo (Hades, por definição, durante as últimas Guerras Santas fora tal Inimigo) pode vir a fazer apenas ampliar o ciclo de violência e destruição. No mesmo sentido, Karakal sempre foi fiel às instituições de que participou, embora tenha ficado à margem delas por grande parte de sua vida. Esta fidelidade sempre foi calcada na mesma razão que observava os costumes, por razão, não por princípio. Assim, diante de uma autoridade aparentemente errada, sua primeira dúvida é se existe o erro, não na validade da autoridade. Apenas após exame cuidadoso ele passaria a ver esta ordem de outra forma. Quando a autoridade decorre racionalmente de quem a exerce, por beneficiar o grupo ou o propósito a que se destina, sua lealdade persevera. Mais do que um ato imediato contra tal força, tenderia a se alienar da subordinação e procurar contornar seus defeitos por suas próprias intervenções, a não ser que o próprio grupo demonstrasse interesse e necessidade por um plano de ação mais interveniente. O tempo para Karakal passou de forma diferente, por vezes, comportamentos mais joviais ocorreram-lhe depois de outros mais maduros. Agora que tem mais idade que a maioria de seus pares, é de uma atitude animada e leve, sem a gravidade esperada pela idade que lhe cai sobre os ombros. Se lhe perguntarem sobre isto, dirá que está acostumado. Nasceu com aquela condição de velho, afinal. Antes era um jovem com coração velho e agora é um ancião com espírito jovem. [align=right]COSMO[/align] Manifestação: O Cosmo de Karakal sempre se manifestou de forma sutil, sem sequer ser visível em usos mais brandos. Assim que se “aquece” mais, o Cosmo de Karakal irradia uma aura azulada, partindo de pontos encadeados ao longo de sua coluna em pulsos. Ao sétimo sentido, a luz azul fica intensa e parece mais branca e os pulsos tão frequentes que formam um círculo azulado com epicentro em seu corpo. No uso de técnicas, este círculo fica tão intenso que se torna meio branco, meio azul, com um círculo azul dentro da parcela mais branca e um branco na parcela azul, como o yin-yang em representação. Na prática, ainda são ondas de energia, mas a diferença do tipo de Cosmoenergia que flui é que cria as variações na imagem. Tudo isto aparece apenas por alguns instantes, pois normalmente a Cosmo Energia de Karakal não está sendo extravasada de seu corpo e no máximo uma sutil aura é percebida quando está meditando ou em algum uso mais moderado do Cosmo. Por outro lado, quando “muda”, é comum ver queimando como uma chama, pois os pulsos são de ritmos e comprimentos variados e as ondas azuis de energia dão a ideia do fogo crepitando sobre ele. Seu Oitavo Sentido foi atingido através do equilíbrio entre forças opostas e da prática taoísta, particularmente. Isto se reflete quando tal grau de compreensão do Cosmo é revelada, usualmente impressionando as pessoas com a ideia de ele estar pisando no topo de uma montanha, à frente de uma grande árvore frutífera e cercado de nuvens. Eventualmente, figuras míticas podem aparecer orbitando ao redor, revelando símbolos e representantes conexos com o que está ocorrendo. Uma outra manifestação se dá na forma de círculos de luz azul e branca, em equilíbrio dinâmico de suas cores, desde a expressão mais frágil até o Oitavo sentido, desde que sua concentração sirva para harmonizar estas energias (como no uso das técnicas), tal projeção pode se dar em suas costas, em frente a suas mãos, sob seus pés, atrás dele, como uma sombra ou simplesmente nos seus olhos, em sua íris. Sensação: Como se manifesta principalmente além da visão, é nos outros sentidos que o Cosmo de Karakal é melhor percebido. Pode ser sentido como algo “cuidadoso”, de toque suave, tendo cuidado para não ser intrusivo por onde se espalha, como uma chuva fina. Antes mesmo de ser visto, pode causar impressões sensoriais mesmo a pessoas sem habilidades cósmicas, como uma brisa, um esfriar se está calor ou um aquecimento se está frio, ou ainda um assobiar de vento contra rochas ou ondas. Ele costuma revitalizar aqueles que toca ou simplesmente cumprimenta, sendo possível, por exemplo, meditar ao seu lado por longas horas sem sentir cansaço. Também induz calma e facilita a atitude paciente dos demais para escutar e ouvirem seus próprios pensamentos, mas nunca é intrusivo e tende a apenas “fazer-se presente” se aquelas sensações são rejeitadas por alguém, como a chuva que bate no telhado e não molha quem está guardado sob. Este fluxo de energia é reconhecido como sua parcela “yin” do Cosmo. Um outro viés, porém, emerge quando a parcela “yang” é incendiada, quando a agressividade pode ser instilada, embora cause primeiramente temor de quem não acompanha seu grau de poder. Ou mesmo terror, se acompanhada por uma sugestão física, como um ronco gutural ou a mera visão da sua outra forma. O sentimento de desespero e desalento tende a recair sobre alguém que assim persiga ou que esteja adverso a ele, pois sentem como se algo inevitável e destrutivo estivesse prestes a acontecer com eles. Tal faceta de sua energia aparece muito raramente em situações “regulares”, para não dizer que nunca ocorre. Por outro lado, o próprio Karakal sempre sente estes dois fluxos de sensações e tenta promover seu equilíbrio constantemente. O Cosmo de Karakal não distingue inimigos a priori, nem é de seu hábito usar esta energia para intimidar. Assim, em uma atitude diplomática com um inimigo pode lhe transmitir a mesma causa que o faz ao cumprimentar um amigo. Já em uma manifestação destrutiva, há uma maior gravidade da sensação para aqueles que são alvo de sua intenção (seus inimigos), mas mesmo aliados podem temer a sua presença e a ideia de estarem diante de um monstro e não algo humano. Motivação: O equilíbrio norteia a maneira de utilizar o Cosmo de Karakal, mas o que sempre impulsionou seu aprendizado foi a utilidade. Aprender uma nova função, útil a quem não consegue fazer algo, sempre o impulsionou a estudar uma maneira de servir. Seus poderes são orientados principalmente pela razão, uma razão “reta” que é o que pretende sempre atingir e que ao longo do tempo ficou cada vez menos suscetível a dúvidas. Não porque está convencido de que está certo sempre, mas de que não irá agir errado, ou seja, não procurará pensar na forma de questão, mas sim combinando tudo que o Cosmo lhe diz ao que já conhece e integrar isto em ações. Tal equilíbrio e “condução pelo Tao” evitam que ele perca o controle dos dois poderosos fluxos de energia que correm dentro dele. A energia “yang” se alimenta de seu desejo de destruir as dúvidas e a confusão, ao passo que a energia “yin” se alimenta da satisfação de todo o saber que está à disposição e a miríade de respostas válidas, potenciais ilimitados a serviço de possibilidades ilimitadas. Sua concepção de ciclos permite que entenda as limitações do seu saber e poder a cada momento, embora possa sofrer com a culpa de pontas soltas deixadas em ciclos anteriores. Sua barreira contra tais “fantasmas” é justamente agir de maneira a evitar que sejam provocados em ciclos futuros. Romper este equilíbrio pode ser algo que ele mesmo provoca ao levar-se a situações extremas por alguma causa, sendo bem mais difícil que alguma manipulação interfira nisto, a não ser que ela ultrapasse suas defesas e atinja direto seu Sétimo e Oitavo Sentidos, o que provocaria este desequilíbrio interno. Restaurar tal equilíbrio depende da aniquilação de “si mesmo” e para isto conta com as instruções taoístas e principalmente as budistas, confiando que não está só na roda do tempo. A falha na execução de uma ideia, um erro que compromete outras pessoas, ou a mera destruição sem sentido lhe causam angústia, similar à sensação de culpa, e isto rouba concentração e entendimento, limitando seu potencial enquanto não dirime tais dúvidas ou se impele a reparar os desvios. A falta de cultivo de atitudes similares pode também inibir seu propósito de ajudar e assim enfraquecer seu "yin", alimentando discretamente o "yang" na forma de um desprezo pelos demais. Um excesso de zelo, promovido por orgulho, também pode distorcer o equilíbrio e torná-lo mais fraco do que espera. Nestes estados de desequilíbrio, é particularmente perigoso o uso de suas habilidades espirituais e menos frutuoso o alcance do Oitavo Sentido (se é que se torna alcançável, podendo ficar limitado a Lampejos num estado de ira, especialmente se envolver suas metamorfoses). Domínio: Rank de Poder Geral: S Domínio dos Cinco Sentidos:Normal Domínio do Sexto Sentido:Pleno (Todas as capacidades do sexto sentido) Domínio do Sétimo Sentido:Pleno (Todos os kýklos) Domínio do Oitavo Sentido:Intermediário (Skandhas: Rupa, Vedana e Saññña) Domínio do Nono Sentido:Nenhum [align=right]TRAJE [/align] Mudanças: Rank do Traje:- Características do Traje: - Artefato: Sabre do Dragão Celestial, Capa do Tigre e da Fênix Quando reforjou o Sabre do Dragão, Karakal o refez em torno da lâmina nua da Espada Celestial, a qual continha no seu interior a outra metade dos conhecimentos do livro secreto de Wu Mu. As lâminas originais eram de aço estelar e forjadas com pó de estrelas, além de um longo período de têmpera, sendo a Espada Celestial mais flexível que o Sabre do Dragão, embora este tenha uma alma também macia para absorver o impacto de seus golpes pesados. Reforjada a espada, Karakal também empregou oricalco no fio e fez a lâmina reforçada em gamânio, empregando uma longa dedicação que o tornou ainda mais conectado à arma e compartilhou com ela o poder que cultivou. A espada pesa dez vezes mais que qualquer outra lâmina, porém ela suporta ser usada para ataque mesmo contra equipamentos dignos da Guerra Santa. Rank de Artefato: B- Dano-base para mesmo rank: 4-5% Aprimorável, caso seja obtida a metade perdida do livro de Wu Mu, a sabedoria revelada permite o empenho de armas como esta ainda mais hábil e mais impressionante, incentivando a moral dos companheiros de batalha. O ikhor divino pode aumentar seu poder, mas Karakal também é capaz de aumentar este poder se usar sua alquimia para marca-la com seu sangue, conforme técnica própria – o efeito é temporário. A Capa do Tigre e da Fênix é um antigo artefato dos xamãs do Oeste da China e tem a capacidade de mudar suas cores quando muda a estação, conforme descrito na indumentária, e também auxilia na percepção de “sinais do céu e da terra” (fenômenos metereológicos) e na conexão psicocinética com o ar e a umidade do ar (ampliando em 1x a intensidade desta habilidade neste tipo de manipulação). A capa fornece também alguma proteção espiritual. Ataques espirituais de Rank C- ou inferiores perdem 25% da efetividade. Ataques mais fracos afetam 75% menos. Rank de Artefato: C [align=right]TÉCNICAS[/align] Nome da Técnica:Caminho das Feras Categoria:Suporte/Estado Descrição:A assinatura de Karakal é a capacidade de se metamorfosear em um “homem-tigre”, em grosso modo. Trata-se de uma mudança no fluxo de Cosmo Energia dele, liberando a energia destrutiva yang e deixando esta empregar a energia yin para fortalecer seu corpo e mudar sua forma. Garras, presas, uma pele mais dura e peluda, sem grandes alterações no tamanho, são apenas a forma exterior da metamorfose. Por dentro, seu Cosmo se modifica e ele passa a ser capaz de golpes físicos mais rápidos e mais fortes que antes, ao passo que técnicas não-ofensivas ficam prejudicadas, sendo impossível sua ativação antes da mudança de volta. Esta mudança fundamentada na habilidade terkip segue um método estudado e dentro de um autocontrole que dura enquanto o Cosmo ainda permanece disponível para ser queimado. Um uso alternativo é provocar esta mudança nos outros, como uma técnica de Suporte positiva a princípio, que Karakal não está disposto a usar como um efeito negativo. Efeito:Ativar o Caminho das Feras leva uma rodada, a transformação é dolorida, mas rápida, de modo que Karakal pode aproveitar a surpresa para agir em seguida. De qualquer forma, ao final da rodada Karakal conta com mais poder em técnicas ofensivas e golpes, aumentando em um grau a intensidade deste tipo de ataque (de Mediano para Mediano-Alto, por exemplo, ou seja, 5% mais dano), porém, fica impossibilitado de usar técnicas defensivas/suportivas exceto esta, como o Ciclo de Preservação e a Dádiva dos Imortais. Karakal também se recupera mais rápido neste estado, à razão de 1% da Vitalidade por rodada além da primeira, mas fica mais suscetível a ferimentos (considerado Rank S- para receber golpes). Ativar o Caminho das Feras consome 10% da Cosmo-Energia de Karakal, sustentá-la consome 5% por rodada. Voltar à forma normal leva uma rodada e consome mais 5% de energia. Assim, Karakal deve voltar à forma normal por reflexo ao chegar a 5% de Cosmo ou se executar um movimento que consome sua energia restante (deste modo não há gasto adicional, mas Karakal cairia ainda mais exausto). Se permanecer na forma feral ficará sem controle por tempo indeterminado, até ser contatado espiritualmente ou se exaurir fisicamente. Sem Cosmo-Energia restante, os ferimentos param de regenerar e é possível que venha a falecer nesse estado. Alternativamente, Karakal pode induzir esta metamorfose em outra pessoa de Rank A- que esteja cooperativa, introduzindo os mesmos efeitos de regeneração e intensidade no ataque, mas a transformação demora 2 rodadas desta maneira e introduzi-la consome 25% da Energia de Karakal – a partir daí a energia é consumida da pessoa que recebe o Caminho, sendo 10% a base para alguém de Rank A-, mas aumentando 3% para cada grau abaixo dele (B+ 13%, B 16%). Karakal precisa intervir telepaticamente, consumindo 10% de sua Cosmo Energia para interromper a transformação, que levaria mais duas rodadas para se concluir. Se não o fizer, a Cosmo-Energia do transformado vai se exaurir e ele ficará em frenesi belicoso, mas apenas lutando com o próprio corpo, feito uma fera, até recuperar-se. O alvo precisa estar a um curto alcance, o suficiente para ouvir Karakal claramente (alguns metros, não mais que 10-15). Contudo, se Karakal estiver na forma de Fera, pode aumentar o alcance desta técnica sobre outras pessoas por meio de rugidos e rosnados, alcando um alvo em específico a até 60 metros ou mais (uma montanha ou lugar que faça ecoar aumentaria este alcance em 50% aproximadamente). A cada rodada uma pessoa diferente poderia ser alvo do Caminho das Feras, embora isto seja suficientemente arriscado para não ser recomendável, já que Karakal pode não ter energia suficiente para forçar os outros a voltarem à suas formas e estados originais (gastaria 50% da energia para fazer duas pessoas transformarem e comprometeria 20% para garantir trazê-las de volta, uma terceira transformação acabaria com esta garantia). Tecnicamente, isto pode ser usado em um adversário da mesma forma, mas contraria os princípios de Karakal. Uma pessoa precisaria ser de Rank B+ ou inferior para ser sujeita à técnica contra sua vontade, salvo alguma fragilidade excepcional de sua mente e Cosmo. Ainda assim, o rompimento forçado do equilíbrio do Cosmo da pessoa e a indução para que ele modifique até o corpo dela pode ser resistido pela força de vontade de alguém - podendo ou não o efeito ser detido em uma rodada. A resultante da intervenção é definida pelo narrador de acordo com a interpretação e motivação da vítima contra o chamado violento que lhe acomete, sendo mais vulnerável a isto àqueles que têm um lado agressivo mais forte. Ainda que não se transformem, a oscilação de energia consome da vítima em resistência lhe toma 5% da Cosmoenergia e pelo menos uma rodada dissuadindo o conflito. Se na primeira rodada o Narrador não decidir pela resistência, na segunda rodada a transformação se concluirá e a partir daí a "Fera" que se torna o jogador fica limitada a atacar apenas fisicamente, sem técnicas, mas com o aumento de poder (5% mais de dano sobre o que causaria seu ataque básico) e sem muita clareza de quem é ou não é seu inimigo, também não atendendo a maior parte da conversa que lhe for dirigida. Caso algo venha a lhe transmitir alguma sensação diferente da vontade de lutar, isto tende a fazê-lo fugir como se paz ou afeto fosse algo desconhecido. É possível recuperar-se deste estado de conflito interno sem a intervenção de Karakal, mas improvável, embora seja o Narrador que vá avaliar esta situação. Do mesmo modo, alguém que cooperativamente receba a técnica poderia recuperar-se do conflito interno com a mesma dificuldade e papel de decisão do Narrador. Nome da Técnica:Investida do Céu Categoria:Ofensiva Descrição:Esta técnica emprega a psicocinese em conjunto com o ataque físico. Pode ser empregada de maneira básica, usando o Psicocinese para segurar uma grande massa de ar e umidade e o Cosmo para projetar uma carga disto contra vários oponentes, o que não causa grande dano imediato, mas a força pode lançar os adversários e outros objetos muito longe. A maneira mais elaborada envolve lançar-se na carga junto com a projeção de força, atingindo um único oponente a uma grande velocidade e com a vantagem de distraí-lo pela carga. A técnica deriva do aprendizado de Karakal nas estepes e desertos, combinada à sua esgrima que aprimorou ao lado de Tung-pin. A impressão sobre um oponente é que realmente os céus estão se lançando contra ele em uma carga de cavalaria e que pedras, galhos, voam como flechas mortais, ao passo que Karakal cai como um relâmpago destruidor sobre o alvo. Efeito:Como ataque em área usando apenas o ar, água, pó e o que o vento puder carregar, é um ataque em área (normalmente o vento se projeta numa direção, formando um "corredor” de até 50 metros de largura e até 100m de comprimento, lançado não necessariamente da posição onde está Karakal, mas em uma área próxima - não mais que 100m - podendo vir de baixo se estiver em alguma beira de montanha, prédio ou precipício altos o suficiente, ou de cima, de modo que assim o efeito parecerá na verdade com um círculo contra uma área no chão, com 30 metros de raio. O dano pode ser considerado baixo (6-11% da Vitalidade), mas é especialmente variável por causa da projeção e choque conta a área, e tem gasto de cerca de 6% da Cosmo-Energia. Aliados que estejam na área de impacto podem vir a sofrer danos colaterais, embora menores (3-5% da Vitalidade) caso Karakal tenha consciência de sua presneça. Juntar-se em carga à Investida causa um dano mediano a médio-alto (20% da Vitalidade, 24% se armado com o Sabre, ou mais se o Sabre estiver sob o benefício de algum bônus além dos seus 4% regulares) contra o alvo principal, além da projeção e o dano contra os oponentes na área, assim aumenta o gasto para 15% da Cosmo-Energia. O alvo da carga de Karakal pode até evadir-se da ventania, mas estando ao alcance de Karakal em sua ação de movimento, poderá ser atingido com uma redução de 2-5% no dano causado. Nome da Técnica:Ciclo da Lua Azul Categoria:Ofensiva Descrição:Esta técnica consiste em um ataque circular com sólidos passos no chão e fortes golpes contra o oponente, em diferentes direções meia-lua ascendente, descendente, giros completos e golpes verticais. A técnica tem por principal suporte o uso do movimento acelerado em força adicional pelo peso do corpo (e arma) e força centrífuga. A concentração do Cosmo promove a aura azul que deixa rastros que parecem ciclos apenas, sem deixar claro qual foi a direção original a não ser que se observe a técnica em velocidade análoga à de Karakal. Efeito:A técnica aparenta ser simples, mas é executada com maestria e tem na simplicidade um fator favorável a lhe permitir começar sua execução mais rápido que outras técnicas mais elaboradas. O dano normalmente é médio-alto, pois consiste em uma sucessão de golpes que tendem a causar a perda de 5% da Vitalidade cada golpe (ou 3% se não for usado o Sabre do Dragão, mas garras, ou 4% se for uma arma carregada pelo Dragão Subjugado), sendo possíveis pelo menos 5 golpes por cada rodada - mas pode ser usada por até quatro rodadas seguidas. Cada rodada em Ciclos assim consome 10% da Cosmo Energia de Karakal. Após uma série de Ciclos da Lua Azul encerrar, uma rodada de intervalo é necessária para que recupere o equilíbrio e balanço para reaplicar a técnica novamente. Como um ataque físico, seu alcance fica limitado ao que é possível se mover em uma rodada em uma ação de movimento, sendo que se o oponente estiver mais distante, 1 ou 2 golpes mais da cadeia serão sacrificados no consumo de tempo. A tendência de seu movimento é perseguir a vítima de perto, de maneira que se ela afastar na rodada seguinte, ele a seguirá e tentará encaixar a sequência de mais cinco golpes. Interromper a sequência pode ser feito, seja através da fuga completa por uma rodada (em que nenhum acerto seja feito), seja porque o oponente efetivamente se esquivou de todos os golpes (particularmente difícil, dado o Rank do Personagem, mas possível especialmente se alguma condição favorece tal esquiva num patamar que assim julgar adequado o Narrador) - a mera existência de barreiras não desfaz a contagem da combinação como acerto. Uma outra forma de quebrar a sequência é com um contragolpe, forte o bastante para interromper os movimentos de Karakal e que ele tenha assim dificuldade para retomar o movimento na mesma sequência (um mero golpe para causar dano/dor não faria isto, mas dependendo das condições de projeção ou outra interferência na mobilidade de Karakal - e se este não conseguir evadir-se - sim). Destes modos, por evasão do alcance efetivo, esquiva completa ou contragolpe interruptivo, conforme julgar o narrador, pode ser o golpe interrompido e descontinuado para a próxima rodada. Nome da Técnica:Ciclo de Preservação Categoria:Defensiva/Suporte Descrição:A Alquimia Interior tem a finalidade de usar o equilíbrio do Cosmo para preservar o Corpo e Karakal pode emprega-la para fazê-lo virtualmente “indestrutível” em comunhão com suas outras habilidades. Esta técnica não pode ser usada junto com a metamorfose feral, mas é meio alternativo para Karakal curar a si mesmo ou alguém adjacente, enquanto realiza um movimento circular com as pernas e mãos para criar uma esfera de proteção em um raio de até 30m ao seu redor. A essência da técnica não é a projeção psicocinética de uma barreira, embora esta exista, mas a expansão de seu corpo astral sobre si e este passa a controlar o fluxo de energia na região do círculo, desviando assim energias de natureza física ou espiritual de maneira a reestabelecer o equilíbrio dentro dele de uma forma não-ofensiva. A proteção contra ataques psíquicos existe, mas não é tão efetiva. Há também um limite de energia que pode ser redirecionada a fim de se preservar o equilíbrio e a barreira se destruída pode ferir os envolvidos com a energia restante, ou Karakal pode absorver o dano para si. Efeito:O movimento em si como defesa tem o custo básico de 10% do Cosmo de Karakal para ser ativado, mais 5% de Cosmo para cada pessoa que estará sendo curada (à razão de 5% da Vitalidade por rodada do efeito, doravante até no máximo 3 pessoas no interior da esfera poderão ser curadas a um custo inicial máximo da primeira rodada de 25%). A esfera tem centro em Karakal e se estende com raio de 30 metros, sendo visualizada como um fluxo de poeira flutuante e luz azul. Karakal fica parado em um ponto, movendo apenas seu próprio corpo para conduzir a energia ao seu redor, do mesmo modo a barreira fica fixa no ponto de origem e impede projeções, de tal forma que mesmo que o chão seja retirado abaixo da esfera, ela só cairia com o piso que tem consigo depois da sua extinção. Todavia, enquanto a mantém Karakal pode mudar seu tamanho, assim ao aumentá-la pode incluir pessoas ou deixá-las de fora ao reduzi-la. Se incluir alguém mais que queira curar, ao iniciar a cura consome o Cosmo equivalente do início da restauração (5% e não 2,5%). Sustentar a defesa posteriormente consome metade da energia gasta para ativar o efeito (ou seja, pelo menos 5%, mas até 12,5-13% se estiver curando 3 pessoas, por exemplo). A defesa absorve até 30% de dano, isto contra qualquer golpe inferior ao de danos altos da sua categoria (que causariam a perda de mais de 30% da vitalidade de Karakal), mas esta absorção é cumulativa, acumulando-se os danos tomados em cada ataque até que se os 30% são ultrapassados e a barreira quebrada - a não ser que ela seja extinta antes. O campo defensivo, no entanto, se restaura 5% a cada rodada. Assim, p. ex., um ataque que cause 20% na primeira rodada poderia ser acumulado com outro na rodada seguinte que cause 10% sem que o campo seja destruído, mas restaria mais 5% de danos para romper a barreira. Mantida a barreira, na rodada seguinte ela ainda seria capaz de absorver 10% de danos antes de romper. O dano excedente é distribuído entre todos os envolvidos, ou absorvido inteiramente por Karakal. Após realizar esta técnica, que é essencialmente instantânea, Karakal fica sem poder repeti-la por até duas rodadas. A regeneração também só recupera vigor, ferimentos como contusões, cortes superficiais, perda de sangue e alivia dores de modo geral, mas não repara ossos quebrados, amputações, hemorragias graves e danos similares. Fora de combate, uma forma menos intensa da técnica pode ser usada envolvendo algo ao alcance das mãos de Karakal numa esfera similar para restaurar uma parte do corpo ferida. Nome da Técnica:Punho do Demônio Imortal Categoria:Ofensiva/Estado Descrição:Esta pode ser chamada de técnica suprema de Karakal, embora ele mesmo não a considere (segundo ele, seria o Ciclo de Preservação). Concentrando as duas formas de energia em seu interior, usualmente o fazendo com movimentos circulares dos braços evocando a figura circular Karakal e quando está pronto projeta um soco duplo com as palmas das mãos abertas, liberando também sua expiração e com ela seu próprio espírito, que em corpo astral desfere o terceiro impacto e mais destrutivo de todos. Bem sucedida, a técnica desloca o espírito do alvo para fora de seu corpo, de maneira a lança-lo para fora também dos ciclos das encarnações samsara, pelo menos até ser resgatada (eventualmente), ficando reduzido à condição de “Fantasma Imortal” ou “Demônio Imortal”, incapaz de reencarnar e também de interferir no mundo dos vivos. A morte, é uma consequência provável pela dissociação do Espírito, mas é ainda pequena se comparada à ruína de todos os ciclos de existência do alvo. Esta consequência, contudo, não tem efeito completo se o alvo domina o Oitavo Sentido, posto que não está mais sujeito ao ciclo das encarnações, embora ainda seja capaz de causar grandes estragos pelo triplo impacto. Efeito:A primeira rodada reúne 25% da Cosmo Energia de Karakal preparando seu espírito para o "terceiro impacto". Na rodada seguinte, lança um ataque ao alcance de sua ação de movimento ou até alguns metros mais adiante, até 30 metros. O dano físico do duplo impacto que projeta sobre o alvo, como uma espiral de Cosmo-Energia, é de natureza Alta (alvo único, cerca de 30-35% de dano), que se acumula com o dano espiritual, que se aplica sobre a Cosmo Energia retirando dela algo na faixa de 20%. Se a Vitalidade do alvo for abaixo de 30%, ou mesmo sua CosmoEnergia, por consequência o espírito dela é separado do corpo como foi dito na descrição, se assim também entender o Narrador que o golpe atingiu a vítima de forma suficiente para que seu balanço de Energia se desequilibre tanto. Este golpe tem severo custo Cósmico, somando 15% no golpe da segunda rodada aos primeiros 25% antes acumulados da Cosmo Energia de Karakal. Caso não conclua o golpe na segunda rodada, os 25% de Energia acumulados não são consumidos. Para o seu equilíbrio espiritual, não sendo devido repeti-lo em uma mesma situação, sob o risco de ativação involuntária do Caminho das Feras. Uma alma separada do corpo desta forma perde acesso a 5% da sua Cosmo Energia restante por rodada, até não conseguir mais recuperá-la e ficar de forma perpétua como um “Fantasma Imortal” fora dos ciclos de encarnações. Retornar para seu corpo por conta própria envolve um uso do Oitavo Sentido e por isto a técnica ofere menor risco a quem já o domina, mas muito mais para quem no máximo alcança lampejos dele (até porque ele terá pouca CosmoEnergia para tentar este feito e pouca familiaridade com a situação, via de regra). A intervenção de terceiros para reunir alma e corpo novamente pode ser feita com uma projeção astral ou alguma outra técnica envolvendo o Oitavo Sentido. Após a cisão definitiva entre corpo e alma (0% de CosmoEnergia Restante disponível), apenas alguém com poder divino (Rank de Cosmo G ou mais) pode restaurar a alma ao corpo, caso este não tenha perecido. Um corpo sem sua alma também perde 5% de Vitalidade por rodada, mas enquanto a Alma ainda tem CosmoEnergia disponível fica limitado a ter no mínimo 1% de Vitalidade, a não ser que seja atacado ou ferido ainda mais. A maneira como perceberá a experiência e a forma de ocorrer o aqui descrito ficam a cargo do Narrador moderar. Nome da Técnica:Dádiva dos Imortais Categoria:Suporte Descrição:s lendas contam que praticantes da alquimia taoísta podem conceder dádivas incríveis mesmo a animais, ao passo que a alquimia anterior altera a propriedade dos materiais usando dons psíquicos e conectando-se ao microcosmo da matéria em sinergia com o macrocosmo. Conhecendo as duas vertentes, Karakal pode usar como um instrumento no combate o seu próprio sangue para uma intervenção em favor de algo ou alguém. Pode usá-lo em aspersão, derramar sobre ou deixar o sangue ser sorvido de si, mas do mesmo modo, o efeito é conceder os dons que manipula com sua própria Cosmo-Energia ao objeto seguinte, podendo, dentre outros efeitos, restaurar o que toca ou torna-lo mais poderoso. O efeito mais absurdo que pode conseguir é mudar a forma de um objeto ou dar a algum ser a capacidade de mudar sua forma, mas seria inclusive possível que um jabuti projetasse seu espírito para além de sua carapaça ou que um gato teleportasse, tudo isto a partir da aspersão de seu sangue infundido por seu Cosmo elevado pelo Oitavo Sentido. Efeito:Curar ou restaurar um artefato se dá à razão de 2% de restauração para cada 1% de Vitalidade sacrificado combinado a 1% de Cosmo Energia, um máximo de 5% pode ser sacrificado por rodada (10% de reparo/cura). Aumentar o poder de um artefato, temporariamente, se dá elevando por uma hora o Rank do artefato em um grau (A para A+, por exemplo), até o máximo que equipararia o artefato ao seu próprio Rank (S-), com efeitos colaterais a critérios da narração (a Habilidade Alquimia dos Anciões dá referências), ao custo de 5% de Vitalidade e 5% de Cosmo. Este uso é bastante compatível com o Sabre do Dragão Celestial. No entanto, para artefatos mais poderosos que tornará equivalente ao seu poder pela técnica (Rank A+ passando a Rank S-), a duração se extingue em 5 turnos. Outros fins são transmitir Habilidades àquele que toca o sangue, como descrito na Habilidade Alquimia dos Anciões, mas aqui ao custo de 5% de Vitalidade, mais 1% de Cosmo Energia para cada hora de duração do Efeito. Sorver o sangue, no caso de um ser consciente, reduz o gasto de Vitalidade pela metade, embora possa haver certa contaminação pelo Cosmo de Karakal que transmita inadvertidamente os efeitos da Terkip/Síntese e provoque uma metamorfose como no Caminho das Feras. A aspersão de sangue pode inadvertidamente atingir alguém indesejado, sendo que os benefícios se aplicam da mesma forma e só expiram com a passagem do tempo. Eventualmente alguém aspergido com sangue abençoado com a Terkip pode vir a sofrer uma metamorfose involuntária, não necessariamente idêntica àquela do Caminho das Feras (a cargo do narrador, esta variação é especialmente aplicável porque a Terkip não é uma Habilidade simples de se controlar, mas o mais regular é que o benefício da Terkip seja apenas passivo ajudando na conservação da vida do portador). [align=right]HABILIDADES[/align] Nome da Habilidade:Compreensão (Anlama) Descrição: O primeiro dom do sexto sentido empregado por Karakal foi o da compreensão intuitiva do que sentem os outros. Apreendia muito mais informações do que viam seus olhos e escutavam seus ouvidos ou provia sua memória do que, percebendo tudo de forma sinestésica. O talento para isto talvez seja responsável pela impressão de ser mais velho e sábio desde criança. Nas estepes e montanhas, aprendeu a expandir esta compreensão a muito além dos cinco sentidos e dos pensamentos humanos, conseguindo intuir as intenções de animais ou mesmo compreender intenções de grupos, realizando previsões do que irá acontecer a partir da combinação de intenções. Combinada ao seu raciocínio e imaginação, pode mesmo inferir sentimentos e ideias deixados para trás em objetos que foram “carregados” com intenções. Com a telepatia, pode alcançar ideias de outras pessoas através da influência que estas tiveram no comportamento das pessoas que tem contato, ou das memórias destas, encontrando assim as origens do que percebe causadas por uma outra pessoa. Com sua longevidade, este dom permite que ele realize consequências ou mesmo “sucessões” de pessoas que conheceu quando mais jovem, quando reencontra com o “karma” que elas deixaram para trás. Efeito: Anlama é um dom passivo, combinando características do Sexto Sentido de Karakal como Sinestesia, Empatia Cognitiva e Emotiva, Sintonia, Intuição e Precognição. A maneira de pensar e seu treinamento colaboraram para que ele não dissociasse suas capacidades e sim as trabalhasse em conjunto, na maior parte do tempo sem esforçar-se para isto mais do que alguém faz ao prestar atenção nos seus arredores. Isto pode fazê-lo parecer distraído e realmente ficar fora de alguma conversa enquanto recria os sentimentos e ideias que apreende, mas aliado a sua capacidade comunicativa (contando a história oralmente, ou por telepatia, que é mais fácil) ele pode transpor sua compreensão e envolver outras pessoas naquelas ideias, embora quanto mais “fechada” for a pessoa e resistente à manipulação, menor seja a chance dele realizar este fenômeno. Os usos mais elaborados como descobrir informações das consequências, conectar-se aos sentidos de maneira constante de outro ser podem exigir além de concentração algum gasto cósmico, especialmente se não puder contemplar os arredores com calma, mas o que realmente lhe exaure é a captação de sentimentos fortes e intensos, podendo absorver 1% do seu Cosmo por minuto e efetivamente distraí-lo. Perceber um perigo oculto ou iminente também lhe consome alguma energia (até 2%, se a intenção estava camuflada com uma técnica Cósmica ou por uma Habilidade bem treinada). Um poder igual ou superior ao seu poderia ser descoberto apenas por uma vigília ativa, ao consumo de 5% de seu Cosmo por hora de vigilância (o que poderia sobrepujar sua percepção seria uma intenção guardada por ainda mais poder que o de sua concentração). O alcance da Anlama costuma ser o mesmo da percepção do Cosmo de Karakal. O que obtém pela Anlama não é certeza dos fatos, mas impressões que Karakal procura confirmar combinando tudo o que sabe. Às vezes, contudo, tais impressões são a única informação que pode contar, para o seu próprio risco. Em razão de todas estas variáveis, é o Narrador que direciona o que ele pode intuir, até por ser ele o diretor deste tipo de eventos (futuros). Nome da Habilidade:Psicocinese (Akil Gücü) Descrição:Karakal treinou a psicocinese desde sua formação como guerreiro em Jamiel, em complemento às suas habilidades físicas para promover mais impulsão ou provocar distrações e aportes úteis ao combate. Aprimorou sua “destreza” em manipular objetos à distância entre os nômades e depois, conforme melhorou sua percepção do Cosmo e da própria vontade, a força extraída da mente cresceu substancialmente. Ao descobrir o Sétimo Sentido, tais capacidades tornaram possíveis fenômenos grandiosos, como levantar toneladas de rocha, e de grande precisão, conseguindo manter a integridade de uma construção que suspende. O Oitavo Sentido lhe permite extrair mais força do contato com a natureza e assim mover aquilo que está em contato com seu corpo (volumes de água, se está na água, pedras e terra, se está no chão nu, massas ar, sempre que está em áreas de ar livre, madeira se toca um solo com raízes) tornou-se ainda mais fácil. Efeito: Força e Precisão juntas demandam mais energia do que simplesmente empurrar algo pesado ou rápido, ou controlar um objeto naturalmente manuseável. Mover pequenos objetos (que moveria com as mãos), ou mesmo mais pesados de maneira menos delicada (até o limite do seu peso), normalmente exige apenas sua concentração ou um baixo custo de Cosmo (1-2%) se estiver engajado em outra atividade enquanto move os objetos. Concentrando e utilizando mais CosmoEnergia é possível multiplicar esta capacidade máxima, em 3% a cada vez que dobra a carga máxima acima de 100 kg (seu peso aproximado). Deste modo, erguer 200kg exige 4% de Cosmo em concentração (sem fazer outra atividade), 400kg demanda 7%, 800kg 10%, até um máximo de 25 toneladas por 25% de seu Cosmo (o que representa aproximadamente 5 menires ou pedras como as do stonehenge, eventualmente partes de uma torre como a de Jamiel poderiam ser movidas por meio desta habilidade). Estes limites são aproximados e referenciais, cabendo ao Narrador estipular se algo é pesado demais para Karakal mover ou qual é o custo exigido. A tabela leva em consideração algo ao alcance da vista e não mais distante que cinquenta metros. Todavia, não é necessário que os objetos movidos estejam à distância, mas quanto mais longe estão, mais difícil é a operação. Se o alvo estiver fora da vista, é gasto o dobro de Cosmo Energia pra mover o objeto (assim, o custo inicial de mover 100kg sai de 1% para 2% e cada incremento seguinte custaria 6%, logo a capacidade máxima assim fica limitada a 1,5 ton a 25% de Cosmo). Se o alvo estiver além de 50 metros ou se for levado até esta distância, mas ainda visível ou perceptível pelo seu Sexto ou Sétimo Sentido, o custo de cada incremento é novamente dobrado. Por exemplo, num lugar distante e fora da vista ordinária de Karakal ficaria um custo inicial de 100kg a 4%, incremento de 12%, logo, 200kg a 13% e 400kg a 25%. Por outro lado, se o alvo está ao alcance do toque de Karakal pode ser movido com 3% menos de custo (assim ele paga além de 1% de Cosmo apenas a partir de 200kg, 4% para 400kg, podendo mover até 50 toneladas com as mãos, ao consumo de 25% de Cosmo), ao passo que se estiver movendo algo feito essencialmente de um elemento (terra ou ar, por exemplo) que esteja em contato com o corpo de Karakal, as desvantagens de faltar a visão imediata do objeto ficam desconsideradas, ainda sendo necessário que ele esteja sendo percebido pelo menos por algum sentido e que gaste mais para o que estiver além de 50 metros. O uso da psicocinese significa mover um objeto relativamente lento e na linha horizontal, como se estivesse sendo conduzido por uma mão fantasma. Arremessar um objeto como um projétil demanda energia adicional, na faixa de Cosmo apropriada ao dano que o objeto pode causar à alguém atingido pelo projétil. O padrão de custo é 2% para cada 4% de dano, limitado a no máximo 6% para dano mediano-baixo, 12%, mais o custo de mover o referido objeto, salvo se for feito o lançamento numa única rodada. Quanto ao dano e custos acumulados, nunca pode haver custo maior que 25% e é o Narrador que define o nível de esforço. Obs.: o nome psicocinese foi favorecido a telecinese pois é mais amplo (incluiria teletransporte até, mas como envolve um movimento de matéria de forma diferente, não tem menção aqui) e o seu uso nem sempre é remoto (envolve toque para funcionar melhor, no objeto ou no material do mesmo tipo) e há peculiaridades quanto à “sinergia” do contato com o mesmo tipo de material Nome da Habilidade:Teletransporte (Zihin ile Taşıma) Descrição:O Teletransporte lentamente foi compreendido e dominado por Karakal, partindo de bases não muito ortodoxas (o transporte de outros objetos consigo, em vez de viajar só, como é o normal) de Amir e completando tal treinamento durante suas errâncias pela Rota da Seda e os Três Reinos chineses. Gravado pela escola de Amir, seu teletransporte deixa uma urdidura para trás, como se algum incenso fosse queimado ou simplesmente levantando poeira, como se tivesse sido consumido numa chama, evaporado ou simplesmente “puxado” para cima, daí a suspensão do pó. Efeito:Seu poder de teletransporte é mais limitado que em outros lemurianos de sua experiência. Pode fazer longas viagens apenas para lugares muito familiares, como os desertos e estepes onde passou sua juventude, as vizinhanças dos lugares frequentados pelos Imortais, Jamiel e outros “pontos de controle”. Outros lugares menos familiares pode alcançar apenas até dez vezes o raio normal de sua empatia. Por outro lado, é melhor carregando outros objetos e seres vivos consigo do que a média, gastando menos energia do que o regular, mas também em distâncias limitadas. Gasto Solo Distâncias até 1000km – Não gasta cosmo, mas dez teletransportes sucessivos gastam 1% do Cosmo. Distâncias acima de 1000km – Gasta 1% do cosmo para lugares familiares no mesmo “subcontinente”, mais uma vez este valor para cada sucessão longitudinal ou latitudinal (extremo oriente/leste da ásia, ásia central, oriente médio/próximo, europa, seguem uma sucessão longitudinal, norte da áfrica, sul da áfrica seguem uma sucessão latitudinal em relação a Europa, assim como o subcontinente indiano ou a indonésia em relação a ásia). Gasto em levar consigo objetos até 50 metros, como um grupo de até quatro pessoas ou animais e suas cargas (até uma tonelada se forem apenas animais e cargas, até meia tonelada se incluir pessoas). Distâncias inferiores a 1000km – a partir de 3% para mover até 125kg, mais 1% de Cosmo para cada 125kg adicionais, até o máximo de 1 tonelada (10% do Cosmo). A carga deve ser considerada com metade da capacidade se incluir humanos/seres conscientes. Distâncias superiores a 1000km – a partir de 4% para mover até 125kg, mais 3% de Cosmo para cada 125kg adicionais, até o máximo de 1 tonelada (25% do Cosmo). A carga deve ser considerada com metade da capacidade se incluir humanos/seres conscientes. É aqui possível apenas alcançar outro lugar no mesmo subcontinente ou vizinho, como de Jamiel até o Oriente Médio, mas não até a Europa. |
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| Maeveen de Sagitario | May 31 2014, 09:14 PM Post #2 |
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O Mais Veloz entre os Cavaleiros
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Nome da Habilidade: Dragão Subjugado(Róushùn lóng) Descrição:A técnica de manipular o Sabre do Dragão Celestial exige o uso da Cosmo Energia para promover golpes efetivos com arma tão gigantesca. A prática do Tao e da Alquimia Interior permite que os golpes não sejam mais lentos por causa da espada, embora não possam ser delicados e floreados como uma arma menor permitiria, são realizados de movimentos circulares ou perfurações bastante objetivas, velozes e destrutivas. Seu Cosmo se espalha sobre o objeto e o torna uma extensão do seu corpo, inclusive emanando aura tal qual a sua. Ao usar esta habilidade, mesmo uma espada mais simples e pesada (ou outra arma de duas mãos) poderia funcionar apesar do aceleração com que é lançada a arma, pois o Cosmo de Karakal a reveste e protege como parte de seu corpo. A escola que pratica não ensina formas rígidas, sendo seu objetivo com a espada dominar o tempo da batalha e não permitir que o oponente se defenda. Uma manifestação do uso da habilidade é um rastro azulado após cada golpe. Efeito: Os golpes com armas normais podem ser incrementados em 1% o seu dano (em relação ao que seriam golpes desarmados de Karakal), ao custo de 1% do seu Cosmo a cada 5 rodadas para incrementar a arma. A habilidade é requisito para usufruir sem prejuízos dos poderes do Sabre do Dragão Celestial e por isto não modifica seu dano, nem há gasto de Cosmo em utilizar o Sabre com a técnica em questão, que serve para “dominar o dragão”. Defender-se com uma arma (especialmente o Sabre do Dragão) também é consideravelmente mais seguro, de maneira que ele pode usá-la contra Ranks idênticos ao seu como se ela fosse um artefato de igual intensidade – no que se refere à resistência da arma. Nome da Habilidade:Telepatia (Uzaduyum) Descrição:Karakal não aprendeu Telepatia de uma maneira regular, mas sim através do convívio com outros lemurianos, da experiência com animais que teve no clã de Amir e aprofundou-se enquanto ampliava o domínio de sua Anlama. Ela funciona principalmente reflexiva, ao receber pensamentos de outros telepatas ou intenções e emoções de seres que não estão falando ele se conecta com suas mentes e escuta os pensamentos, respondendo-os através de ideias simples ou complexas, mas de maneira similar a sugestões, que a pessoa pode escutar como se fosse uma voz de sua própria consciência. Sua Uzaduyum lhe permite “falar com animais”, mas não lhe garante tanto alcance quanto outros telepatas lemurianos de igual grandeza de Poder. Efeito:Seu alcance costuma ser o da percepção de seu Cosmo (distraído ou em combate, isto não vai além de um quilômetro, concentrado pode alcançar uma cidade), assim como é com sua Anlama. A comunicação com alguém à vista não tem custo em Cosmo via de regra, mas com alguém que não esteja tão perto (50 metros ou mais), há o custo de 1% de Cosmo se dentro de 1km de distância, ou 2% se estiver a até 10 km. Varrer uma mente procurando "ler pensamentos" pode ter custos adicionais ao dobro ou mais deste mencionado, conforme entender o Narrador. Pessoas ou animais com que já se conectou, trocando pensamentos de forma significativa, são alcançáveis através de “pulsos” que se espalham como ondas de rádio e podem vir a alcançar a pessoa por qualquer lugar do globo onde esteja, desde que esta não esteja “oculta” ou de alguma forma indisponível para receber tais pensamentos. Domínios divinos são inalcançáveis, via de regra. Os sonhos costumam "distorcer" a mensagem, podendo recebê-la, mas de forma prejudicada como numa mensagem de rádio com interferência. O narrador é que afinal define se a pessoa pôde ser encontrada ou se devido ao tipo de atividade (um sonho mais confuso, ou engajada em algo que demande concentração, como um combate acirrado) ela não será encontrada como um padrão familiar de pensamento. Emitir um pulso destes exige meditação e consome 1% de Cosmo por rodada. O pulso varre o equivalente a 1/25 das mentes da Terra (o pulso flui diversas vezes à velocidade da luz, ou do pensamento, que é reputado seguir velocidade similar) por rodada e se estende progressivamente, até o máximo de 25 rodadas em que Karakal fique meditando em busca daquela figura, consumindo 25% de Cosmo. Não necessariamente demora mais para encontrar a pessoa que está mais longe, pois varrendo as mentes em até unir-se àquela do padrão familiar. Assim, além de aleatório, a tendência é demorar a encontrar e gastar mais energia com quem está "melhor escondido" ou num lugar com muita gente para "embaralhar" o sinal. Também é possível que falhe sem razão aparente, sendo necessário reiniciar o processo - uma boa dor de cabeça é esperada neste caso, além de uma pausa para recuperar-se da perda de CosmoEnergia. Se a pessoa estiver dormindo, por exemplo, a mensagem pode chegar confusa, mas se Karakal tiver certeza de sua localização poderia tentar iniciar uma conversação através do sonho, conforme a outra habilidade, Ruh. Outros usos da Telepatia aparecem dispersos em outras habilidades e lá estão descritos. Nome da Habilidade:Corpo Astral (Ruh) Descrição:Por meio do treinamento taoísta e xamânico no Monte Kunlun e aprimorando o aprendizado em “cultivação do Tao” posterior, Karakal consegue alcançar os primeiros estágios da “imortalidade”. Tal como é capaz aqueles que dominam o oitavo sentido, Karakal com este dom pode mesmo deixar para trás seu corpo e fluir assim como os pensamentos que transmite por telepatia para além dele e assim entrar em contato com outras pessoas e perceber o que ocorre onde está seu Corpo Astral. Tem muito cuidado com esta habilidade e seus exercícios são sempre moderados, a fim de preservar o equilíbrio de sua vida e dos ciclos dos outros seres vivos. Efeito:Karakal precisa entrar em transe para projetar seu corpo astral além de seu corpo físico, o que geralmente requer alguns minutos de meditação ou o consumo de preparados alquímicos que induzem o transe imediatamente (Provida por sua Eski Simiya, a alquimia dos anciãos, que permitiriam o compartilhamento desta “habilidade” ou outras a terceiros inclusive), e em tal estado seu corpo astral (Ruh) pode se mover em uma velocidade virtualmente ilimitada, embora tal sorte de deslocamento possa ser atordoante e precise ir mais devagar se quer chegar a algum lugar específico ou perceber o caminho que passa. Voltar para o corpo exige pelo menos duas rodadas (se não estiver "detido" com outra mente, conforme entender o Narrador), a não ser que esteja perto dele, o que permite um retorno quase que imediato (uma rodada para despertar). Combinar o Ruh com outros dons psíquicos não-psicocinéticos (teletransporte, telecinese) é possível, de maneira que ele pode sondar sentimentos e pensamentos por onde vai com o Ruh, até ficando mais fácil fazê-lo nesta forma, pois não há empecilhos. Todavia, há evidentes perigos para seu corpo caso se mantenha afastado por muito tempo, pois este fica como num estado vegetativo, sujeito a uma inanição lenta – reduzida por outra habilidade, Terkip. A menos que se prepare em uma "fonte de energia" apropriada, como fizera no Monte Kunlun, a tendência é que seu corpo perca 15% de Vitalidade por dia de afastamento do Corpo, a contar do segundo dia. De forma que tem algo como uma autonomia de 8 dias até perder literalmente a vida. Enquanto seu corpo está bem, seu Cosmo é recuperado normalmente, mas se de alguma forma ficar sem este elo, perde 1% da sua Cosmo Energia por Rodada, tendo literalmente 100 turnos para decidir se aceita a morte, se tentará possuir um outro ser vivo, pois como já superou o estágio em que se tornaria um Fantasma caso perdesse o corpo e é capaz de unir sua mente a de um outro ser vivo, controlando aqueles que o Narrador considerar apto (por mente simples o suficiente ou compatibilidade) ou simplesmente acompanhando os demais, pois quando sua Cosmo Energia se reduzir a 1%, devido ao Oitavo Sentido, ficará quase que em estase quanto aos seus poderes, podendo observar mas não interferir a não ser que a situação permita que supere suas atuais limitações (algo como atingir o domínio pleno do oitavo sentido). Por outro lado, se “perverter” seu equilíbrio poderia ficar preso a tal estágio inferior espiritual e mesmo se voltasse ao seu corpo, ficaria em estágio de confusão e fisicamente alterado por causa de sua Terkip. Outro risco é o de ataques psíquicos, que podem desorienta-lo ou mesmo prendê-lo, caso superem sua força psíquica, impedindo o retorno imediato ao seu corpo e colocando-o em perigo. Além, é claro, de sofrer influência daqueles com que entra em “comunhão” ao sincronizar sua mente com a deles por meio de seus corpos, tal influência pode implantar falsas memórias ou mesmo ideias mais complexas, por isto sempre pratica tal habilidade com cautela. Entrar em domínios de Deuses, às vizinhanças de alguém com Oitavo Sentido ou mesmo se aproximar de alguém com um Sexto ou Sétimo Sentido apurado, denuncia à sua presença em forma espiritual, embora apenas deuses ou pessoas de Rank Similar (S+ para adiante) possam precisar onde está com maior facilidade ou mesmo bani-lo se estiverem em seus domínios. Qualquer um que o perceba também pode tentar um banimento, mas para isto deverão empregar Cosmo e Karakal pode resistir da mesma forma É também perigoso aventurar-se por sonhos porquanto estes são uma espécie de domínio dos deuses oníricos. Ataques espirituais voltados contra Karakal atingem seu Espírito e se for reduzido a um valor zero ou perto disto, o Espírito voltaria com um choque para o corpo causando grave dor e incapacitando Karakal por alguns minutos até começar a se recuperar, dentre outras consequências conforme apontar as técnicas e orientar o Narrador. Nome da Habilidade: Alquimia dos Anciãos (Eski Simiya) Descrição: Todo conhecimento acumulado em sua jornada sobre a alteração da matéria e dos outros seres vivos, a alquimia, forma um arcabouço de saberes bem útil a Karakal. Especialmente com os imortais, mas também com os xamãs e os sábios de Jamiel, Karakal aprendeu a preparar remédios para curar diversos males ou induzir efeitos nos outros seres vivos. Reunir ingredientes (plantas, cogumelos, minerais, venenos, peçonhas, sangue ou qualquer outro material reativo) e infundir neles sua Cosmo Energia até ativar neles um “princípio de ação” que acaba por provocar em quem ingere uma “continuidade de ação”, realizando neles um efeito que Karakal poderia causar a si próprio com seu cosmo ou que já estava contido desde sempre nos ingredientes e apenas é revelado na mistura e preparo. Tal conhecimento, além de útil à medicina e ao “cultivar do Tao”, serve também para o reparo de Armaduras mais eficiente, no uso da Habilidade de Metalurgia. Efeito: Ativar propriedades “ocultas” de ingredientes naturais é o principal efeito, envolvendo métodos cuidadosos e algum gasto de energia cósmica, que o conecta com aquela substância, mas que é recuperado no processo de “encantamento” do material. Prepararar um "remédio" (poção, emplastro, unguento, pó para chá ou mesmo um bolinho de trigo que funciona como uma cápsula) envolve pelo menos dez minutos (mas pode demorar mais, conforme a complexidade do efeito, ou relativamente menos, se mais de uma dose de "remédio" for preparada, cada "dose" equivalendo a uma unidade e com custo individual) de preparo usando ervas, fluidos e pelo menos artigos de cozinha. Cada "remédio" recebe 1% da CosmoEnergia de Karakal e armazena ali o efeito por até 30 dias, num período que deve ser pré-determinado na criação. A regra é considerar que ele não tem nenhuma poção pré-preparada a não ser que seja mencionado no início da cena. Um efeito típico que pode causar é a cura de uma doença comum (curável por um remédio específico), um antídoto "universal (apenas para toxinas não-originadas do Cosmo), um antídoto especial específico (para curar algum mal causado por algum "estado negativo" provocado por Cosmo Energia), um licor para "separar temporariamente a alma do corpo" e como caso mais especial: a transmissão de alguma das suas capacidades de sexto sentido ou uma parcela limitada de um feito das suas Habilidades (definido com o Narrador o limite desta transmissão) - caso um destes remédios de "transmissão de dons" seja ingerido por alguém que tem um dom similar, pode vir a ampliar seus poderes a ponto de ficar um grau mais próximo da Habilidade que tem Karakal (por exemplo, alguém com Telecinésia de Rank A pode conseguir feitos próprios de um Rank A+ na Telecinésia). O caso mais exemplar disto seria uma poção para alterar a forma física ou para conservar o corpo (derivada da Terkip). A duração do efeito varia, sendo o período básico (1% de Cosmo empregado) de uma hora, podendo se estender por mais uma hora para cada mais 1% de energia de Karakal que ele mantêm ocupada sustentando a conexão com a substância. Caso não seja ingerida, a substância permanece com o efeito durando pelo menos uma hora mesmo que Karakal desprenda sua Cosmo Energia dela, mas nunca irá durar mais que 30 dias. Devido ao aporte material que “transforma” quem consome a substância, é possível que ela tenha efeitos colaterais diversos, desde um sabor exótico até uma outra mudança caótica, como o crescimento de pelos ou Outros possíveis efeitos alquímicos, inclusive permanentes ficam a critério do narrador - geralmente casos exóticos envolvem ingredientes mais elaborados, como no caso das Armaduras, em que o sangue pode transmitir melhor a potência do Cosmo do doador para a Armadura, eventualmente lhe promovendo o Rank; ou no caso de alguém que experimentou um poder que antes não tinha, que mediante estudo poderia talvez vir a dominá-lo (sendo mais difícil se realmente ganhou aquele poder "do nada"). O remédio ingerido beneficia o usuário independente de quem é e Karakal não pode impedir o efeito ou recuperar voluntariamente a Energia depreendida na criação. Nome da Habilidade: Metalurgia Imortal (Ölümsüz Maden Bilimi) Descrição:A compreensão de Karakal sobre a metalurgia lemuriana foi facilitada pela sua experiência como viajante, empata e alquimista. Sentir o metal é algo que já conseguia em menor escala, sentir as estrelas e entender a relação delas com a matéria microcósmica também, mas apurou tudo isto na forma de trabalho braçal e intelectual enquanto examinou o céu e a terra para encontrar onde escavou em busca de minérios, bem como quando derramou seu sangue pela primeira vez em uma armadura enfraquecida para compartilhar sua energia com ela. O uso da alquimia interior, que cultivou durante quase quatro séculos, torna esta integração com o objeto em restauração ainda mais forte, seja ele uma Veste Sagrada (Saint Cloth, armadura) ou um artefato mais simples, valorizando especialmente a jornada que cada artefato teve até o momento em que se tornou uma peça acabada ou reparada. Este sentimento de integração permite que ele utilize sua empatia sobre peças em geral (como dito em Anlama), mas particularmente de armaduras sagradas, pois estas tem uma grande cadeia de eventos ligadas a elas. Efeito:Karakal é mais um explorador que artesão e por isto um efeito principal desta habilidade é permitir encontrar nas estrelas indicações de eventos iminentes relacionados a um objeto que estuda, como um mineral que deverá ser usado na metalurgia, uma armadura ou outro artefato “kármico”, da mesma forma, consegue enxergar pessoas ligadas ao objeto em questão e intuir sobre sua relação com eles. Por fim, pode elaborar novos artefatos simples, mas carregados de propriedades alquímicas temporárias ou leves “influências kármicas” e restaurar outros, infundindo eventualmente novas propriedades caso o objeto esteja apto a receber tal influência. Principalmente por responsabilidade, Karakal não emprega o uso desta influência pois sacrifica seu próprio equilíbrio e também o do objeto em restauração, que pode não sobreviver a esta “têmpera”. É uma habilidade ligada diretamente ao fluir da Narração e está diretamente limitada pelo que permitir o Narrador, até porque as armadura e artefatos são dotados de CosmoEnergia tão individual que são quase como NPCs. Nome da Habilidade:Alquimia Interior (Iç Simiya) Descrição:Chamada Nei-dun ou neidan em mandarim, na doutrina taoísta, é justamente o cultivar do Tao na sua forma mais bem acabada. Esta habilidade é que alimenta a continuidade do equilíbrio cósmico de Karakal. Seu estudo combinou a sabedoria do budismo tântrico ao neidan na forma de exercícios físicos, mentais e espritiuais. Seu resultado é o que os taoístas chamam de Imortalidade, ou um Oitavo Sentido em outros termos, mas a habilidade aqui parte mesmo antes da realização desta “imortalidade”. Um dos efeitos é o yangsheng, a nutrição sem alimentação, que além de evitar o consumo da energia física pelo corpo, evita a morte das células e estimula sua multiplicação diante de mínimos estímulos. Esta prática depende de três pilares: não deixar o corpo “vítima” dos desejos, a mente pura de pensamentos e a vontade sempre sincera, unindo assim todo o ser do “alquimista”. Efeito:A integração além dos limites de uma vida física é o fruto desta cultivação e permite preservar o corpo da sua ruptura e a mente da confusão, assim mesmo em viagem astral (roh), o corpo não perece, bem como permite que este corpo se espalhe pelo Cosmo (uma forma intuitiva de teletransporte) e retorne onde o Cosmo permitir, caso exista tal equilíbrio da alquimia interior preservado. Quanto a preservar sua saúde e nutrição a partir do Cosmo, em regra, como dito em Ruh (Corpo Astral), perde apenas a partir do segundo dia Vitalidade, mas junto a uma fonte adequada de energia equilibrada, esta preservação do corpo imóvel pode se dar por séculos. Em atividades normais, ele pode suportar o dobro do tempo que uma pessoa em atividade idêntica e mesmo Rank aguentaria sem comer ou beber. Mas, se estiver moderando as atividades diárias com meditação, pode vir a suportar até dez vezes mais. Sua recuperação também é mais rápida quanto a ferimentos que "matam" células, quebram ossos e tais lesões do tipo, sendo bastante difícil adoecer nesta mesma esteira. Como lemuriano, tem longevidade inata, em seu caso ocorre que junto com a influência rejuvenescedora desta habilidade compensando o envelhecimento lento, praticamente não envelhece, embora isto não ponha seu corpo completamente imortal. Apenas existe uma espécie de equilíbrio constante entre envelhecer e rejuvenescer, que nos períodos mais atribulados de sua vida (como avizinham-se que viverá como Anzjani) tendem a se desbalancear e aí poderia envelhcer num ritmo mais regular. Fica a cargo da Narração determinar questões como a presença de um ambiente favorável ao uso da Alquimia Interior e controlar os efeitos da inanição e sede moderados pela Habilidade. Nome da Habilidade:Síntese (Terkip) Descrição:Karakal foi ensinado pelo método e não pelo nome da disciplina, principalmente com a ajuda de Yu Shi, que lhe transmitiu a base da intervenção pelo Cosmo na matéria viva e na perpétua mudança dos seres que fazem parte deste ciclo, e aprimorou seu saber com a prática da alquimia interior, por isto, ele a reconheceu como uma “Terkip”, uma síntese de matéria viva e não-viva, movimento e imobilidade, mente e corpo, yin e yang fundidos rumo à Unidade dispersa desde a criação do universo. Efeito:Um primeiro efeito da Terkip é a “mutação”, que permite que o corpo vivo mude para uma forma predominantemente influenciada pela energia "yin", o que literalmente torna o sujeito um “monstro”, em termos de aparência bestial, cosmo energia estimulada e agressiva e resistência à morte (pois em certa forma, o corpo deixa de se reconhecer como vivo). Tal condição contraditória é muito perigosa para o equilíbrio de Karakal e sua manutenção pode conduzi-lo à loucura, mas permite que em combate fique consideravelmente mais poderoso enquanto consome mais rápido sua Cosmo Energia (+2% de Dano nos ataques para cada minuto em que consome 1% de seu Cosmo, podendo ser intensificado), ou simplesmente se comporte como fera, caso esgote seu Cosmo e assim perca seu autocontrole. Nesta forma de “homem-tigre”, com garras, presas e pelos compridos, sua racionalidade e capacidade de comunicação ficam limitados por mais impulsividade e agressividade, mas não é impossível ser razoável. O efeito secundário é a mudança sob controle, possível no nível mais elevado da doutrina em que tanto pode mudar a si, de forma sutil e temporária, ou a outros, sendo mais fácil fazê-lo em animais simples como insetos, ervas e progressivamente demandando mais Cosmo e concentração para outros seres, sendo possível apenas afetar seres humanos a ponto de torna-los espécies de “homens-fera” caso eles já detenham o Sexto Sentido, pelo menos, e assim seja empregada a própria Cosmo Energia deles para induzir sua mudança (que é o mesmo princípio aplicado aos seres mais simples). Por outro lado, a mudança induzida pode ser feita para retornar um corpo à forma original (infundindo energia "yang", ou pelo menos, um pouco, rejuvenescendo alguém alguns anos (mas reduzir à infância exigiria um esforço muito mais complexo do que voltar um homem de 40 anos aos seus 35), curando lesões em músculos e ossos ou mesmo aumentando a produção de fluidos do seu organismo para facilitar a regeneração. Todas estas intervenções demandam um alto grau de consideração e o corpo físico de Karakal é usado como meio condutor das mudanças, como núcleo que emana seu Cosmo de forma mais intensa. Além do toque, os efeitos se tornam mais difíceis e custosos ao próprio Cosmo e equilíbrio de Karakal, pelo menos, no uso “comum” da técnica. O consumo de Cosmo Energia para induzir mudanças em outro corpo se inicia a partir de 5%, para mudanças em artrópodes ou plantas, 10% em pequenos animais, em atos de cura, pode ir de 1 a 10% por rodada (à razão de 2% de Vitalidade por 1% de Cosmo,inclusive fraturas, mas para estas a cura se dá na razão 1/1) ou 25% para tornar alguém um "homem-fera" de algum tipo (sem benefícios cósmicos em particular, apenas de forma e características físicas, a princípio). As ideias de como ocorre a mutação e toda esta possibilidade ficam a critério do Narrador contornar e limitar, seja na forma da pessoa resistir à influência (o que é possível, tal como foi descrito no Caminho das Feras), seja para controlar o Custo, consequências para o equilíbrio de Karakal ou outros fatores. [align=right]HISTÓRIA[/align] A Roda do Tempo Exterior Capítulo Um – A história de um menino velho “Chakor nascera tarde – para as expectativas de seu pai e para o seu próprio espírito.” Soni, a história secreta do Anzjani Karakal. 957 – 1144 D.C. Algum tempo depois das chuvas de meteoros e desastres tiraram vidas de muitos jovens e anunciaram tempos difíceis em 957 D.C. (1501 no Calendário budista), o patriarca Byakhra Sadavir, uma linhagem de guerreiros, ergueu suas preocupações e procurou o Conselho de Jamiel para levar-lhes uma proposta. Como guardiões de seu povo, seus parentes patrulharam as montanhas por muitas décadas e tinham eventual contato com montanheses das terras vizinhas, da Caxemira ao Tibet, e além, pelo noroeste das montanhas que cercavam o deserto mais ao norte. Conhecer os vizinhos humanos era uma forma razoável de saber se estavam seguros em Jamiel e também podiam observar melhor estas pessoas tão similares, mas tão mais breves e diferentes que eles, lemurianos. O que Sadavir tinha ouvido eram rumores que muitos ciclos no passado, um grupo de lemurianos havia se aventurado para as montanhas altaicas em busca de uma cidade lemuriana perdida. O Conselho confirmou aquela história, bem como a existência deste grupo desgarrado que acreditara que em algum lugar daquelas montanhas cobertas de gelo havia um fragmento de Lemúria que restara intacto, mas oculto até mesmo dos sobreviventes. Tudo indicava que não haviam encontrado tal lugar e que ainda podiam ser vistos por pessoas da região, mas em locais incertos. Sadavir pleiteou poder viajar até lá e assegurar o retorno de mais lemurianos para Jamiel ou ao menos assegurar a existência de aliados e membros do povo por lá, ainda guardando uma remota chance de encontrar a ruína misteriosa. Autorizado a partir, Byakhra Sadavir seguiu até as montanhas e vagou pela vastidão gelada por muitas semanas, ouvindo histórias dos clãs nômades de ascendência turca da região sobre uma tribo de feiticeiros que formavam o “acampamento de fumaça”, pois podiam desaparecer assim que terminassem seus negócios com quem os encontrava. Perseguiu o seu rastro até finalmente encontra-los nas áreas mais inóspitas. Eram tempos difíceis e por isto procuravam ser discretos: as tribos de Qarluqs lutavam constantemente entre si, divergindo entre todo tipo de matéria, em especial quanto a religião muçulmana dos sulistas (turcos seljúcidas, cujo império adentrava rumo ao interior da Périsa). A região também tinha rotas de comércio e enquanto algumas cidades as abrigavam e formavam exércitos para protege-las, outras tribos predavam como salteadores. Aquele grupo de lemurianos adotara costumes nômades como os vizinhos turcos, mas ainda guardava muito da sabedoria de sua gente. Eram apenas algumas famílias e tinham um jovem líder caçador chamado Amir por guia. Primeiro estiveram desconfiados, pois Amir mesmo nunca tivera pisado em Jamiel, nem seu pai. Nem saberiam como voltar por conta própria, ainda que usassem teletransporte. Depois de algum tempo em que permitiram Byakhra entre eles, este foi percebendo como eles estavam satisfeitos com suas vidas naquele local e não queriam retornar com Byakhra. Por mais de uma vez o nativo de Jamiel pode auxiliar o grupo a se defender de saqueadores ou fanáticos, sua coragem e sua companhia forjou uma grande amizade com Amir e sua família. Como ambos eram casados há pouco tempo, mas não tinham filhos, selaram uma promessa de que casariam seus filhos do primeiro casal que se formasse antes que Byakhra retornasse. Entretanto, a fertilidade dos lemurianos não favorecia tal promessa, especialmente para a família de Sadavir. Enquanto Amir tivera dois filhos, um primogênito, Batur, e depois uma garota, Sibel, a casa de Sadavir não fora agraciada com nenhum. Apenas quando Sibel já estava cercada de pretendentes, do Altai e de Jamiel, pois era uma mulher adulta já, com mais de 40 anos lunares, graciosa e competente, que veio a nascer Chakor Sadavir, em 1129 D.C. (1688 pelo Calendário Budista, no Mês da Ovelha, Ano do Pássaro-Terra-Feminino, do segundo Rab-byung, no calendário Tibetano, ano do Galo no Calendário chinês). Bastava esperar alguns anos e poderiam se casar e proteger o legado da família e fortalecer o povo lemuriano. Celebrações nas duas casas foram feitas em comemoração ao noivado à distância. Chakor não compartilhava da pressa para tornar-se um guerreiro, sendo sua paciência razão para irritar o homem e surpreender a mãe, Kasa. Ouvira esta do choro e das peripécias das crianças, mas o seu filho era calmo e contemplativo. Ficava muitas vezes sozinho, pois não havia outros da sua idade, mas ainda junto aos que eram quase jovens brincava em moderação, vez em quando liderando-os em novos jogos, com brinquedos e regras improvisadas do que havia à disposição. Só nestas horas seu ânimo rejuvenescia a uma idade próxima da real. Treinava com o pai desde que tinha forças nas pernas e braços para o fim guerreiro e sua empatia crescia enquanto aprendia a comunicação no modo lemuriano. Não era excepcional nestas artes, mas observavam os mestres que tinha perspicácia para compensar a falta de ímpeto e conseguir bons desempenhos nos treinos. Um grande potencial para Jamiel – e aí residia uma semente de novos problemas. Amir ficava ansioso conforme o treinamento em Jamiel parecia destinado a prolongar-se mais e lhe aborrecia a ideia de que teria um “moleque mimado” como genro, enquanto podia ter um outro jovem mais velho e mais capaz como seu filho postiço de imediato e logo mais netos, como ainda não tinha lhe dado Batur, pois este prosseguia solteiro (embora houvesse rumores de que ele tinha amantes humanas entre as tribos vizinhas). Por outro lado, não agradava aos líderes de Jamiel interromper o treinamento do rapaz e deixa-lo por muitos anos longe da sabedoria dos mestres para viver nos ermos de estepes e montes do norte, ainda que agradasse a ideia de mais um casamento, inclusive o então Kaptan Tal-Gharfien, Ishan, cogitava se não era melhor toma-lo como discípulo ou recomendá-lo para treinamento de alguma outra arte mais voltada para os dons da mente do que do corpo, como era sob a tutela de seu pai. Estes elementos em conflito resultaram num acordo ao final. Chakor casar-se-ia com Sibel assim que demonstrasse aptidão como guerreiro, independentemente de sua idade. Se até lá algum pretendente se propusesse para casar com Sibel, ela aguardaria por até 2 anos lunares para que Chakor tivesse a oportunidade de passar pelos testes e reclamá-la como noiva. Se o casamento se consumasse, Chakor viveria ainda entre a tribo de Amir até gerar um neto para este, ou até que o dever lhe chamasse em Jamiel. Depois, estaria livre para decidir com sua esposa onde residiriam. Chakor a princípio não via como aquele acordo podia lhe afetar tanto. Se não antecipasse sua maturidade, perderia uma noiva que jamais conhecera. Não podia ser grande perda. Ainda assim, não lhe agradava a ideia de perder, simplesmente, e esforçava-se. A esta morna temperatura prosseguiu por quase um ano, tinha 15, ainda criança, quando sonhou com a bela Sibel. A mulher, uma jovem adulta, procurava por ele em um labirinto feito de lã colorida. Ele podia enxerga-la no céu como um sol, mas ele parecia pequeno na imensidão do labirinto. Era linda, ele pensou, e subiu nas cordas gigantes de lã para ficar mais perto dos olhos azuis dela. Acenou e ela sorriu, desfazendo o cenho preocupado enquanto o procurava. “Chakor?”, ele assentiu em resposta e de tão contente, caiu e acordou, caído da cama. Ele ficou envergonhado de perguntar à mãe sobre o sonho, mas assumiu que havia entendido que aquela era Sibel e que ela a fazia esperar, o suficiente para procurar por ele em pensamento. Ou era o seu destino e não devia fazer pouco caso dele. Com um vigor inaudito nas praças de treino Chakor foi à prática naquele dia determinado a vencer os testes em semanas. Preparou-se como nunca e começou a adiantar estudos, com seu pai e os outros mais velhos, sobre as montanhas altaicas e seus costumes. O dia do teste veio e passou como um soluço. Incômodo, mas só por um momento. Quando seu adversário, maior, mais forte e mais experiente, irritou-se conforme não conseguia atingir Chakor com seu bastão, foi tentado a fazer golpes menos técnicos e mais brutais, que apesar de efetivos, contavam como advertências dos Mestres e irritavam o guerreiro formado mais ainda, a ponto dele abrir a guarda e ser submetido pelo menino. Desde aquele dia, um guerreiro e noivo de Sibel. Com quase 16 anos lemurianos, o corpo pueril foi vestido com armas com dificuldade. Apenas um elmo (largo) e uma espada curta lhe serviriam, uma lança curta seria longa e um cinturão podia ser amarrado em várias voltas e assim proteger seu abdome. No mais, era paramentado apenas com suas roupas, um casaco e um cachecol de seu clã. Seu pai, orgulhoso, cuidou de estar ao seu lado enquanto era apresentado ao Conselho como novo guerreiro a serviço deles e noivo em partida para o casamento. A mãe, preparando-lhe a parcela que lhe cabia do enxoval, não teve muito tempo para estar com ele. Kasa e Byakhra o acompanhariam para celebrarem o casamento aos pés do Monte Belukha, mas não estava ela tão preparada quanto imaginava para deixar o filho para trás. Como se disto soubesse, ainda que não pudesse ler mentes, o menino-guerreiro foi até ela e a presenteou com uma flecha de penas de abutre. Era até estranho aquilo como presente se fosse para seu pai, bravo guerreiro e caçador orgulhoso, já que flechas de penas de águia ou falcão que costumam ser alvos de maior estima. Acima de tudo, Kasa era uma tecelã. “Uma flecha disparada não volta, mas você ainda pode voltar lá e a recolher. Se a flecha voar muito rápido, a pena for muito leve, você pode não conseguir usar ela de novo, mesmo que a encontre. Mas uma flecha como esta você pode voltar a encontrar e ela ainda vai ser praticamente a mesma flecha que se foi. Basta que você volte ou que alguém a traga até você.” A mãe sorriu sem jeito, abraçou o filho e segurou seu rosto, perguntando-lhe quem havia lhe ensinado aquilo. “Vocês... Não acham? É a mesma coisa com as palavras também, elas não voltam depois que nós dizemos, mas marcam onde fincam e se forem leves demais, rebuscadas, podem sumir mais fácil do que palavras mais simples e comuns, mas que sabemos para onde vão e para que servem”. Enquanto o menino jogava com os ditados, a mãe observava-o como se imaginasse se era mesmo um filho dela. Beijou-o e deixou que ele se reunisse ao pai novamente. Logo partiram para o grande dia. Capítulo Dois – Uma nova família nas montanhas Altai “Quando Chakor Sadavir casou-se tinha ele 15 anos e sua esposa 49, ainda assim, ela era jovem demais para ele” Soni, a história secreta do Anzjani Karakal. 1144 – 1145 D.C. A primeira visão da noiva confirmou a impressão do sonho. “Era linda”, ele pensou pela segunda vez, confundindo os tempos até se reconhecer no presente. Por outro lado, não se podia dizer que o futuro sogro e sua família tinham igual boa impressão. Os trajes deles eram suntuosos – para o padrão de Jamiel – casacos longos de couro e peles, bordados em ouro e coloridos com vermelho, azul e verde. Mesmo o sóbrio Amir tinha um aspecto de caçador nobre. A noiva, Sibel, tinha uma longa veste coberta por uma sobrepliz e um chapéu de lã ornado com ouro, prata e alguns rubis. Ela usaria aquele chapéu até o dia do casamento, numa tradição local que fazia Chakor ter pena do pescoço dela. O fato é que a visão dos três visitantes aparentava um mal negócio, pelo menos até Amir reviver a amizade na conversa com Byakhra da noite seguinte, na qual ouviu falar muito bem das recomendações do conselho sobre seu “futuro filho”. Elogios o bastante para incomodarem Batur, mesmo sendo este um homem feito. Naquele costume diverso, Kasa não ocupava um lugar na conversa diferente por ser uma tecelã, mas sim por ser uma mulher – que no caso representava também tecer – e logo foi apresentada ao enxoval, uma barraca do tamanho de uma casa guardava tantos vestidos, mantos, capas, tapetes, toalhas que podiam cobrir cinco lares no Tibet. “Seu filho nos fez esperar muito”, disse a matriarca. Kasa, porém, não ficava intimidada com aquilo e humildemente depôs a pequena bagagem com a ajuda do filho e ofereceu um presente, um par de agulhas para bordar e tecer, bem como um cachecol para Sibel, uma vez que ali não tinham a mesma tradição que na sua terra de usar um durante o casamento. Aquele era o mesmo que ela tinha usado em seu próprio enlace séculos atrás. Não acreditava que teria uma filha para passa-lo adiante, então oferecia-o a Sibel. Aos poucos, as famílias se aproximavam durante os dias de festa, em que mesmo nômades das vizinhanças acorreram ao acampamento com oferendas e tomando parte no banquete que era mantido, bem diverso da frugalidade da terra natal de Chakor. Este era o único ainda para encontrar um lugar ou alguém para conversar. Não podia ficar muito tempo com Sibel, exceto ficar calado sentado ao seu lado enquanto recebiam cumprimentos. Batur parecia estar sempre zombando da sua idade e os outros o viam como um estranho e desajeitado animal de estimação adquirido pelo clã. Não que isto o abalasse demais, já que era bastante curioso como todos viviam e eram mais dados a risadas e falar alto que outros lemurianos. Mais um pouco de pelos e seriam confundidos com quaisquer outros turcos dali. Também se surpreendia com sua proximidade com os animais. Seu pai havia lhe ensinado um pouco sobre a falcoaria, mas a família de Amir criava falcões para caçar, cavalos para puxar carroças e pastorear as ovelhas de que tiravam lã e leite, mais camelos, cães e uma meia dúzia de iaques. Como desapareciam com tantos animais na tal “fumaça” era algo das histórias que tinha ouvido que mais o intrigava. Admirando-os encontrou Fugur projetando sua sombra sobre ele. O grande meio-lemuriano era filho bastardo do irmão de Amir e não era um dos pretendentes apenas por não ser aceita sua infertilidade, mas isto não o deixava menos frustrado por causa do sucesso de Chakor, que encontrava os bigodes e barba dele denunciando mais sua ascendência que histórias ouvidas a seu respeito. - Então, você que é o kafir que todos falavam? Ou é filho dele? – disse com voz grave e carregada de desdém e ironia. - Eu sou filho do meu pai, Byakhra, mas não acredito que ele é o kafir que você procura. – respondeu e logo virou-se outra vez para os cães ali deitados. - Olhe para mim quando estiver falando comigo, kafir! Disseram que era um guerreiro, mas só vejo uma criança tola! Uma que daria uma boa moeda se eu a vendesse em Samarqand ou em Balasagun, hm! Fugur intentou puxar o garoto para cima pelo ombro, sentindo tal intento Chakor deitou-se em queda, girou em cambalhota para trás e levantou-se atrás do homenzarrão que se desequilibrava na surpresa. - Se o que você precisa para não vender crianças é encontrar um guerreiro, eu aqui me apresento, Chakor Sadavir. Tenho compromissos, mas se precisar outra vez de um guerreiro, pode me procurar. Uma segunda tentativa de agarrar Chakor foi igualmente frustrada enquanto ele dava um par de passos. Fugur grunhiu irritado que Chakor era um covarde, que apenas respondia ecoando a sabedoria de seus mestres. “Um covarde foge à luta quando é necessário e perde algo com isto. Quando não há nada a perder, não há razão para lutar”. Fugur discordava e partia em carga contra ele, saltava e caía no chão sem sucesso, sem conseguir falar enquanto agia. Um outro homem veio socorrê-lo e bater a terra de seus trajes, Yavuz, este sim um dos pretendentes preteridos e que fazia parte daquele mesmo clã, primo de Sibel. Fugur fulminava o antigo rival e o mais novo com ódio, mas forçava um sorriso e cuspia enquanto empurrava Yavuz de seu caminho. O desafio não impregnava Chakor e Yavuz, de poucas palavras, apenas aguardou para que Fugur se retirasse, às imprecações em árabe, para também se retirar. Tinha garantido a hospitalidade, mas não pediria desculpas sem sinceridade, foi apenas Chakor que agradeceu, em vão. Mais tarde no yurt para convidados com seu pai, este ficou a rir do caso e parabenizou o filho, que não soube onde pôr o orgulho que teve de lidar com aquele confronto real e sem regras com um sucesso. Seu traje estava sujo, mas não era de sangue e isto também orgulhava sua mãe. O pai então chamou-o para uma conversa séria. - O que achou de sua noiva? Muito bonita, não é? Sua mãe esteve com ela, viu que será uma excelente esposa. – a mãe, ajeitando um novo traje para o filho, concordou e em seguida Chakor fez o mesmo com um ruído tímido. Ele tinha uma pergunta que hesitava em dizer e o pai o provocou para que falasse. - O que foi? Não me diga que não gostou dela por causa da briga com os pretendentes? Ou tem outra coisa que o incomoda? Veja, tem aqui tudo que precisa. Não vai lhe faltar comida, logo vão reconhecer seu valor como um guerreiro lemuriano e vai ser a alegria da casa deles, assim como sempre foi na nossa. No futuro, uma mulher como Sibel vai ser o que precisa para ser um homem completo. Não é, mãe? A mãe novamente concordava e sorria. A empolgação de Byakhra era até cansativa, mas justificável. Chakor ficou um pouco mais tímido, mas franziu a testa numa coluna entre os pontos que lá estavam marcados, o que era sinal de uma pergunta a emergir. - É que... Eu nem falei com ela. Não sei o que ela acha disso e se posso ser um bom marido de alguém que só vai conseguir me ver como criança. Como ela vai querer isto? - Ora! Nem... Nem é tanta diferença de idade assim! Sua mãe é trinta anos mais nova que eu e ela não acha que sou um velho! – o pai olhou para sua esposa e ela fez uma feição de desentendida. Depois riu e sentou-se ao lado deles e abraçou seu par. – Não é um velho, ou não mais velho do que eu já sou. Eu falei com ela, muito pouco, mas pude ver que é uma pessoa gentil e dedicada. Acredito que ela vai saber esperar o homem que você irá se tornar e reconhecer suas qualidades. Embora eles vivam de uma maneira diferente que nós, me parece que eles reconhecem o valor da paciência ainda mais. Nem todo ano chove ou faz sol da mesma maneira, nem tudo está no mesmo lugar quando voltam a visitá-lo. Se não soubessem esperar, já tinham desistido de viver assim e procurado outras terras. Parecia o suficiente para Chakor sorrir e aceitar, seu pai ficara um pouco frustrado pela ineficiência diante da abordagem da mãe, mas cedeu fácil sob seu sorriso. Naquela noite Chakor ainda escutaria mais conselhos de casamento antes de se juntar ao banquete novamente. Fugur estava lá, mas muito mais quieto do que parecera mais cedo. Amir o questionava por isto, mas o mesmo tentava apenas disfarçar com uma limitada cortesia. Notava-se que Fugur era um elo de contato com uma tribo mais importante de fé muçulmana, com conexões com as cidades que repartiam lucro com o clã lemuriano, apesar da diferença religiosa, o que fazia razoável sua presença apesar de sua natureza mestiça. Havia muitos convidados que deixaram de seguir o Islã, ou acompanharam os Khitans para aquelas terras depois da vitória destes em Samarqand, sendo praticantes das tradições xamanistas e outras práticas da China, mas ainda assim havia muitos outros do Islã entre os convidados, mas o casamento seria celebrado fora do costume deles, o que não impedia a maioria deles de prestar homenagens ao evento. Um deles era um mercador de uns 50 anos, um uigur que ofertava um qur’an com a capa em letras de ouro. O livro era belo e uma novidade que intrigou Chakor o bastante para aproveitar a paciência daquele senhor, Ibn Bakr, e remeter tantas questões quanto possível sobre a Fé. Havia diferenças cruciais entre aquilo que o homem acreditava e o que Chakor aprendeu em sua casa e pelo que passava pelos olhos da família de Amir, afinal, “há apenas um Deus” e submissão a tal Deus, eram formas aparentes e distintas, mas não tanto quanto pareciam. Os Cinco Pilares reproduziam práticas e virtudes comuns que não justificavam por si só o distrato dos “infiéis”, pelo contrário, sua generosidade não via limites, porquanto não viam limites para o alcance de seu Deus. Isto levava a uma diferença nas práticas das pessoas que “do Livro” daquelas que não eram, pois não praticavam bondade e nem buscavam sabedoria. Satisfeito com a conversa, Ibn Bakr pediu para ficar e abençoar o casamento, o que foi concedido pelas famílias de Chakor e Sibel, um pouco surpresas pela amizade e até preocupadas com uma possível conversão. Apesar do costume distinto, todos os lemurianos dali puros de sangue eram também seguidores do mesmo caminho religioso, nutrido por sábios de Lemúria, budistas, filósofos orientais e ocidentais, bem como diretamente pelo Santuário na Grécia – a “terra de heróis”. Não tocaram no assunto com Chakor, mas ficaram vigilantes, Chakor percebeu a apreensão que trouxe, mas não compreendeu completamente a razão naquele momento. Apenas depois do casamento, quando finalmente foi reunido à esposa, é que percebeu a preocupação dela. Eles nunca tinham conversado e ela não o conhecia. Então ele pegou no cachecol que ela agora usava e envolveu seu pescoço na ponta dele, dizendo “Faça como no dia daquele sonho e encontre o que quer saber”. Chakor não dominava uma telepatia avançada, mas tinha ciência que uma boa parte dos lemurianos podia fazer isto e que por meio daquele trabalho humano cheio de sentimento devia ser mais fácil para Sibel alcançar sua mente. Quando desfeito o nó, Sibel tinha algumas lágrimas no rosto por envergonhar-se e isto fez o mesmo efeito no garoto, que sentiu-se culpado por aquilo e foi inesperadamente abraçado pela esposa. Isto sim deixava-o encabulado e ela notou tardiamente para depois se virar e voltar ao protocolo. Retirar o pesado chapéu e preparar-se para dormir ao seu lado. Fez ele o mesmo com os trajes que tinha, restando a cada um a veste simples de dormir e para os longos cabelos dela uma trança que demorava a ser feita – Chakor assistiu, mas virou-se para o lado assim que ela terminou. Não era ainda o tempo para algo mais. Apesar disto, na manhã seguinte, Chakor notou que ela despertara primeiro e beijara sua fronte, o que o fez ficar um pouco mais na cama, até que se acalmasse diante da nova experiência. No dia seguinte os convidados partiram cedo, logo também tiveram de partir os pais de Chakor, pedindo que ele os visitasse assim que pudesse. Um vento forte atingia o lugar quando ficaram enfim sozinhos no círculo de barracas e animais. Precisavam sair e para tal, tinham que guardar tudo muito rápido, foi assim que Chakor viu como Amir fazia sua “fumaça” desaparecer com o acampamento. Combinava simples telecinésia com a influência sobre o vento e assim desmontava tudo e compactava sem usar quase nada de suas mãos. Os outros ajeitavam os animais ou faziam tarefas mais simples com o poder da mente e logo todos estavam prontos para partir. Reunidos no círculo de poeira, meditavam juntos e teletransportavam simultaneamente. Sibel cuidou de levar Chakor consigo e reapareceram num outro planalto, com a montanha Belukha já bem distante no horizonte. Enquanto os outros acalmavam os animais, Chakor olhava para cima impressionado com sua esposa e a família dela. Ela tirou as mãos de seus ombros para não se impor e Amir logo abordou o casal: - Vai ter que aprender logo a fazer sua parte, ou quer que sua esposa o carregue para sempre? Quando chegar o seu filho, não vai poder mais ter esta mordomia, haha! E sua gargalhada foi acompanhada pela esposa e a irmã. Sibel reprovava a malícia do pai, mas sorria diante da relação que agora tinha, enquanto Chakor afiava o olhar e guardava mais aquilo para aprender e fazer. E eram realmente muitas novas atividades, da pecuária à lida com a contabilidade do grupo, passando por treinamentos de psicocinese e empatia com os animais. Em tudo Chakor tinha pouco domínio, mas aprendia rápido e com devoção filial. Batur, que era dado a sumiços e não observava o crescimento diário de Chakor, enxergava aquilo como uma diversão para o envelhecido pai, como se tivesse ganhado um neto em vez de um genro. Quando veio a presenciar o rapaz encontrando animais perdidos e levantando o acampamento com facilidade, passou a desconfiar que era cada vez mais dele o seu assento perto do líder Amir. Ocupado com ofícios, aprendizado e um novo e muito mais próximo grupo para interagir, Chakor viveu um ano inteiro num lampejo. Estava indo bem nas tarefas, compreendendo como usar a psicocinese no cotidiano e a compreender as intenções dos animais e as mudanças no tempo. Tinha sido iniciado no mistério que era “domar o vento”, aparentemente mais difícil que domar um cavalo – o que já tinha feito, mas Amir usava a mesma linguagem para ensinar. Quanto mais se acostumava com o modo de vida deles, mais fácil ficava a comunicação e o aprendizado. O que marcou a passagem daquele tempo foi sua primeira experiência com uma águia dourada. Havia crescido um pouco, embora fosse ainda menor que Sibel e uma águia era grande para qualquer um dos dois. Sibel já sabia fazer isto, embora seu pai, irmão e primos monopolizassem as caçadas antes que ela tivesse chance, raramente havia necessidade de mais caça ou presas suficiente para ela encontrar algo, mas desta vez algo diferente ocorria porque Chakor encontrara uma águia ferida, ainda jovem, e abordar a ave foi bem mais difícil do que com os animais já cuidados pelo grupo. Conseguiu chamar Sibel com seu pensamento e ela teletransportou-se para perto dele, o encontrou, lançou um manto sobre a ave para que ela parasse de enxergar e usou seu Cosmo e cuidados para recuperar o animal. Chakor não podia comunicar-se, nem teletransportar, muito menos fazer aquele milagre curativo; mas enquanto se condenava por isto, acabou tomado pela alegria que envolvia Sibel e a ave de rapina descoberta que experimentava andar com a saúde recuperada. Estava ainda cansada para retomar os vôos e olhava vez em quando para Chakor, a ponto deste ficar constrangido. - O que foi? – perguntou Sibel enquanto ria, ajoelhada ao lado da águia. - Eu não entendo o que ela está pensando. Deve me achar inútil... Ou perigoso. – franzia a fronte e a águia movia a cabeça com o foco nele. - Huhu... Ela deve estar comovida pela sua gentileza. Pode ser também por precaução, ela não se importa comigo porque não penso muito sobre ela, só sinto que é muito bonita e nobre. Ela não deve ligar para isto. - Mas você é que a salvou, ela devia se importar... E como é que você sente isto sem pensar? - Ora, ela está na minha frente e eu posso vê-la, até tocá-la, por que precisaria pensar? - Não é natural pensar? – respondeu e recebeu um menear quieto com um sorriso de resposta. - A águia é natural, olhe para ela e sinta se há algum pensamento. É como faz conosco ou com os outros animais. Não procure por respostas, só sinta. Então os olhos de ave e lemurianos se cruzaram por um bom tempo, até que o silêncio enchesse sua mente com seu reflexo apenas e ir esvaziando, esvaziando. Pouco depois conseguia sentir algo mais, uma leveza estranha e um equilíbrio confuso, uma sensação de alarme, mas também de confiança. Sentia os passos no chão e o alarme desaparecendo aos poucos, até cair em si e notar que a águia estava bem perto dele, prestes a cutuca-lo com o bico. Piscou os olhos confuso e via Sibel mais atrás com um riso quieto. Sorriu também e águia piou, batendo as asas e levantando voo na sua frente. Fez um círculo rápido e começou a ascender mais e mais. Sibel levantou-se com o manto e enrolou-o no braço de Chakor. - Erga o braço assim ... – mostrava a postura de falcoaria – e mantenha ele erguido, confiante como estava agora há pouco. Ofereça para ela pousar, mas saiba que ela fará só se quiser. Você foi bom para ela, então é provável que ela vá confiar em você. O contato dos dois ainda era tímido, mas nestes momentos Sibel raramente hesitava de tocá-lo. Ele também não se apegou e reproduziu o gesto até ela se afastar. Após alguma tensão, conseguiu concentrar-se quase como antes e perceber a ave declinando até pousar no seu braço. Sentiu o peso e a força de suas garras. Imaginou que ela tinha fome pelo tempo que passou ferida e ofereceu um pouco de carne que levava consigo. Ela tomou de bom grado, procurou nele por mais sem sucesso e após reclamar uma vez, alçou voo e partiu. - Sua paciência e habilidade me permite aprender muito, Sibel. Eu gostaria de poder retribuir. – fez a ela uma reverência e ela o ergueu recolhendo suas mãos. - Você tem feito isto por todo este tempo... Meu esposo. Eu vivi um quase um ciclo inteiro achando que não sabia nada e em um ano você me mostrou que não só eu sabia muito, como que também é possível aprender mais e entender mais com dedicação. Agora eu conheço melhor os números, as línguas, os costumes dos meus ancestrais e ... Amor. A lisonja era tão grande que mal cabia no peito de Chakor, mas ele a conteve e beijou as mãos ligadas às suas com igual profundo sentimento. Este sentir era comungado entre as mentes de ambos e compreendiam fácil o que admiravam no outro. Sibel não pensava que um homem podia julgá-la tão valorosa, mesmo nos seus “defeitos”. Chakor não era acostumado a pensar “no que tinha de bom” e aparentemente seus defeitos, mesmo as temporárias inabilidades, eram tão valiosos quanto seus talentos, pois o faziam alcançável, embora difícil. Riu-se, perguntando como podia ser difícil ser alcançado se estava ali, ao lado. Não sondou mais a fundo aquele significado, nem podia prever como seria agravado no ano seguinte. |
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| Maeveen de Sagitario | May 31 2014, 09:15 PM Post #3 |
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O Mais Veloz entre os Cavaleiros
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Capítulo Três – A miserável caça às fábulas “Os sonhos de um homem são perigosos, mas o que seria dele se não os perseguisse?”, Karakal, em Ponderações, 14. 1149-1150 Dois anos mais tarde, Chakor ainda não tinha a completa feição de um adulto lemuriano, mas não era mais tão fácil de confundir com um garoto. Já vivia completamente adaptado à vida de marido e membro do clã. O período tinha guerras tribais, como antes. O império mais próximo era o Kara-Khitan, mas isto não significava obediência, ainda mais com a morte de seu criador e conquistador Yelü Dashi, o Gurkhan. Seu filho regia e ainda tinha bastante fidelidade, mas em terras mais afastadas de sua capital, havia bastante controvérsia sobre o fim do poder do canato anterior, até porque este ainda existia, mas como vassalo obediente enquanto convinha aos seus interesses. Era preciso manter-se em alerta, mas certamente o clã de Amir não tinha isto tão difícil quanto outros, nem precisava preocupar-se com a vassalagem típica da região. Contudo, isto não significava quietude, Chakor ainda tinha muito a aprender e procurava se envolver mais nas decisões de Amir e dos mais velhos a respeito de seus objetivos e aliados, afinal, era um guerreiro e seria mais útil se pudesse oferecer sua lança e espada para quando fosse necessário. Aí é que foi informado dos rumores que Amir havia coletado ao longo do tempo sobre a ruína lemuriana, que ele acreditava ser a mesma do reino misterioso budista de Shambhala. Chakor havia aprendido que era um conceito, não um lugar físico, embora houvesse lendas a seu respeito, mas lendas podiam ter fundo de verdade. E se este lugar fosse físico, mas não da maneira como as pessoas comuns estão acostumadas? Se apenas lemurianos e outros que dominam o Cosmo pudessem alcançar tal reino de paz? Era uma hipótese instigante, mas não havia direções. Um rumor apontava para ainda mais ao norte, nas terras geladas da Sibéria. Outro para os confins do Himalaia, além da Caxemira, onde um reino que já havia caído tinha resistido uma guerra santa contra invasores não-budistas vindos do Ocidente. A ideia não abandonava Amir por completo, por mais confuso que fossem seguir aqueles boatos e lendas. Por isto, suas rotas eram sempre no entorno do deserto e das montanhas, o que muitas vezes dificultava o dia-a-dia com a comitiva de animais e carroças em que viajavam. Bem mais adentro da região de Xinjiang, no entorno das Montanhas Tianshan, quase no ano 1150 D.C., estavam bem ao limite das pastagens. Em certas direções havia pastos nas épocas certas, mas em outras, apenas deserto. Havia bons negócios por conta da Rota da Seda que por ali podia tomar lugar e por conseguinte, muitos salteadores podiam escolher ali e as cavernas vizinhas como esconderijo para atuar. Chakor já estava mais acostumado a lidar com este tipo de eventos alienígenas a Jamiel, até já negociava quando os outros estavam ocupados sem muita dificuldade, embora sua aparência pueril lhe trouxesse problemas de crédito. Curiosamente, em Aksu, Chakor ficou a cargo da maior parte dos negócios enquanto Batur, Amir e Yavuz se ausentavam. Era uma cidade antiga e curiosa, pois como já fora controlada por um império tibetano, Tufan, mas já bastante diluída após anos de controle chinês e uigur. A oportunidade de conhecer melhor os chineses, que tinham tanto costumes budistas quanto de uma tradição mais diversa, o taoísmo, agradou Chakor que se envolveu bastante no diálogo com os nativos. Acertados os negócios, Chakor retornou ao acampamento e comentou com a esposa a respeito das novas figuras que conheceu e alguns manuscritos de astrologia que obteve. O céu “ilimitado” às bordas do deserto parecia bom para estudar as estrelas. Todavia, era também notável quantas criaturas fabulosas eram esperadas existirem nas redondezas. Dragões – havia vários ossos à venda, inclusive – e bestas que devoravam crianças, bem como deuses vigilantes, uma longa sorte deles. Chakor se perguntava se eles eram reais, como a “feitiçaria” atribuída ao clã de Amir, ou se eram apenas lendas. A especulação foi interrompida pelo retorno de Amir, que em expressão severa reuniu todos para uma reunião importante. Amir revelou que tinha escutado um rumor de que havia uma cidade fantasma nas vizinhanças mais ermas da estepe que continha um caminho secreto. O deserto talvez explicasse porque Jamiel não tivera conhecimento deste lugar, mas a informação não era clara. A passagem devia ser subterrânea e o vento é perturbador na região. O povo diz haver demônios por lá, um lemuriano uma vez disse que nas montanhas do Norte e do Leste havia tanto aliados quanto inimigos, sendo preciso muita cautela ao aparecer nestes lugares procurando por eles. Tal passagem levaria ao passo do lendário Monte Kunlun. As lendas dizem que neste lugar há uma “Árvore da Imortalidade”, sob a guarda de uma “Rainha-Mãe do Oeste” e cruzando todas as informações que Amir tinha, aquilo podia ser um sinal de que havia uma rota para a Terra Pura, ou, no seu entender, um pedaço de Lemúria de valor incomensurável. As lendas podiam ter origem em uma matriarca lemuriana, dizia Amir, como se fosse comum tal derivação. Ele mostrou suas provas, várias fontes, pergaminhos de bambu de épocas diferentes referindo-se em detalhes a direções – algumas coincidiam, outras divergiam de forma absurda - e a uma mesma figura, imortal, que interagia e ensinava reis e sábios. “Na pior das hipóteses, ela poderia nos explicar o caminho”. Era impressionante que o legado de seu ancestral ainda permanecia quente no coração de Amir, mas agora, ele precisava tomar uma decisão importante ao arriscar sua família em um lugar famoso por suas feras e natureza implacável. Deliberou que sua esposa, irmã, sobrinhas e filha deviam ficar, bem como agregados não-lemurianos e ao menos um dos homens e estava inclinado a indicar Chakor, a contragosto deste. Todavia, Batur lhe segredou algo que mudou sua ideia. “Se Chakor for o único, não haverá varão do seu sangue mais. Além disto, é uma boa oportunidade para ele confirmar seu valor e é um guerreiro de Jamiel. Yavuz tem sabedoria suficiente para amparar o clã se necessário, mas não é tão hábil quanto Chakor já se mostrou. Sobretudo, depois de mim e do senhor, Yavuz é quem melhor domina o teletransporte da caravana. Poderá levar todas para um lugar seguro. O velho Ugur é um bom navegador também, o senhor sempre diz”. Assim definido, Chakor, Batur, Ugur e Amir formaram o time que faria tal expedição. Sibel não apreciava a ideia, mas assim como sua mãe lhe dizia com frequência, os homens e suas decisões sobre caçadas não deliberavam com a moderação adequada ao presente, meio ideal para alcançar o futuro. Só querem saber de planos e possibilidades. Chakor não via problemas e parecia ideal para ampliar o que estava conhecendo sobre as lendas chinesas. Além de se sentir integrado à missão que seu pai um dia começou. Despediu-se de Sibel confiante, mas com sua habitual calma, disse a ela que seria cruel deixa-la esperando mais uma vez, por isto, ia voltar rápido, se fosse possível. Se não fosse... Levou um golpe no peito nesta hora, tinha feito ela chorar sem querer e nestas horas não adiantava explicar muito. Só pediu para que ela confiasse que ele faria o melhor de si e que ele sabia que ela merecia que ele não fizesse diferente. Abraçaram-se por um longo tempo, embora insuficiente. Similar despedida ocorria nos outros yurts. Dois pais, dois filhos e uma única grande família ficava para trás enquanto seguiam para a divisa entre deserto e montanhas. O deserto se chama Taklamakan porque significa “um lugar onde você pode ir mas pode nunca sair dele”. Todas as cidades erigidas uma hora acabavam cobertas pelas areias móveis. Areias estas que não impediam o tráfego da Rota da Seda e por isto sempre nasciam novas cidades em torno dos Oásis. Pararam em uma delas e conversaram com os locais, sem sucesso em obter informações claras, até porque as “cidades fantasma” que eram conhecidas por seus rugidos ficavam bem mais ao norte. Amir as conhecia e não eram o que procurava. Seguiram até o próximo entreposto e lá obtiveram indicações de um local mais intrigante, relativamente mais próximo das montanhas, onde haviam sido vistos ossos e colunas como se uma cidade ali estivesse. Porém, a areia cobria tudo, então era preciso esperar o movimento das dunas para ver a tal cidade, podia levar meses. Contudo, isto não era um problema para aquele grupo. Um único rochedo indicava a presença da tal localidade, parecia um chifre polido pelo vento, intenso e cortante com toda aquela areia. Amir e os outros então começaram a usar sua psicocinese e o domínio do vento para mover as dunas em torno do chifre e aos poucos novas colunas de rocha eram reveladas. Aos poucos as dunas empilhadas começavam a desmoronar, causando intensos trovões que assustaram o grupo. - Será mesmo que estamos sozinhos neste lugar? Falaram em ossos, talvez até de dragões. Pode ser que não seja boa ideia, Amir... Talvez este lugar seja amaldiçoado e não tenha nada a ver conosco – Ugur não era dos mais bravos homens, mas era ele quem tinha guiado o grupo até ali. - Não ficamos gerações rodeando estas montanhas para ter medo de fantasmas, Ugur. Você pode ir embora se não tem coragem, mas meu avô viu meu pai morrer numa montanha e não desistiu. Eu não vou sacrificar o futuro dos meus filhos e netos que estão por vir por medo! E lançou mais areia para os lados, que veio a causar um segundo trovão. Chakor achou que aquilo mais parecido com um latido de um mastim poderoso que apenas o som da areia, lembrando-se de mais algumas histórias. Ugur, agora intimidado, parou de reclamar e retomou o trabalho. Aos poucos não só rochas erodidas e um estranho assopro dominava o lugar, mas alguns dos ossos de animais começavam a aparecer e por fim passagens, que ao final confirmavam a existência de uma caverna. Como podiam desaparecer dali, mesmo levando alguém ferido, não se preocuparam tanto com a rota de fuga. Era uma rota de êxito que tinham de seguir, apenas. Confiante, Amir entrou na caverna e viu-se inebriado pela sua continuidade. Parecia escavada pelo vento, mas tão profunda seguia que parecia de propósito. Estranhos sons continuavam lá fora e areia deslizava de frestas sobre suas cabeças, mas Amir dispensava o temor afirmando ser apenas as dunas em movimento. Um esqueleto encontrado adiante, de camelo, confirmava a ocupação daquele lugar em algum momento. “Ou alguma fera o trouxe para cá, ou o trouxeram para ser sacrificado. Talvez estivessem presos... Em alguma câmara maior e esperando a areia sair do acesso”, analisava Ugur, mas Amir estalava a língua e transmitia seu pensamento “Se eram lemurianos, como ficariam presos? Só se fossem invasores humanos isto explicaria”. Os ossos diriam, confirmou Chakor, apontando uma ossada na câmara seguinte. Ossos humanos e lemurianos têm poucas diferenças, mas a ação do tempo nos ossos humanos era diferente e Amir podia dizer que aqueles eram de um lemuriano, bem antigo. - Quanto? Podia ser algum ancestral nosso? – indagava Batur. - É possível, estaria mais fragmentado se fosse mais antigo... O estranho são estas marcas de dentes. É como se um tigre ou uma fera com garras tivesse feito isto. Como um animal levaria a vida de um lemuriano? Se fosse um camelo e um humano, faria mais sentido... – Amir coçava-se confuso com aquele mistério. Um lemuriano teria sido morto por um ataque furtivo, mas ele perceberia um animal incapaz de ocultar seu fim predatório ou medo. - E se isto for como um labirinto? O camelo seria uma forma de garantir que ele não morreria de fome, podia estar com suprimentos e mesmo ter sido sacrificado para servir de comida. O camelo não tem marcas de um ataque de fera, afinal. Se ele usasse o teletransporte, poderia não acertar o local onde parou, então devia estar resoluto em não sair daqui sem ter descoberto o caminho para o outro lado. - Chakor expôs seu plano e recebeu um soco de alegria de Batur, bem no braço. - Eu disse que devíamos trazer ele. É isto, se procurarmos talvez possamos achar algo que identifique se era alguém conhecido ou se era ainda mais velho. Amir até concordava, mas não havia nada além de ossos ali. Também não explicava a causa da morte. Isto era o mais preocupante, pois podiam ser os próximos, se fosse um monstro ou algo pior. Decidiu examinar com mais cuidado tudo e descansar, estavam exaustos de revolver a areia, revezando a guarda até estarem todos mais descansados ao final. Ele começaria e depois alternariam. Chakor estava realmente fatigado e caiu em sono sem demora. Acordou assustado, pressentindo perigo, mas apesar da poeira no ar, não viu ameaça imediata. Não tinha visto ninguém, na verdade, o fogo tinha apagado e havia sangue no chão. Procurou em vão com os olhos, então procurou usar seu sexto sentido. Começou a perceber algo, uma malícia, então foi atrás dela esgueirando-se com cuidado e armado. Aos poucos aquela sensação foi ficando confusa e desaparecendo, mas Chakor acreditou que era por falta de concentração e medo, reforçando sua meditação até subitamente esclarecer-se – e percebendo alguém, virou-se armado. - Ou! Cuidado, cunhado! Você… Que bom encontrar você. Alguma coisa sumiu com o tio Ugur e meu pai. Quando acordei eu não os vi e fui procurar por eles, mas não os achei, quando voltei, nem você estava lá. Que bom que o encontrei. Vamos procurar pelos outros, juntos será mais fácil! Muitas impressões provocavam os sentidos de Chakor, particularmente o sexto, mas era absurdo pensar que Batur tinha feito algo de mal com eles. Ficou em alerta redobrado. Um ruído em seguida surpreendeu os dois, um barulho gutural de um ronco tremido. Pouco depois, um grito. - Ugur! – os dois reagiram, mas Batur parecia o mais assustado. Correram na direção, desviaram por algumas rotas até chegarem numa câmara mais larga onde Ugur jazia retalhado. Seu punhal curvo estava na mão e sujo de sangue, mas ele parecia não ter tido chance de se defender, um golpe atingira suas costas e apenas depois é que seu peito devia ter sido cortado por garradas mais curtas e uma mordida no pescoço – analisava Chakor, que acabava percebendo alguns caracteres que lembravam o do Tibet. O pânico de Batur foi grande quando ele percebeu que ali diza algo sobre “o sabor dos ímpios é melhor”. Chakor ia exigir explicações, praticamente dispensava-as agora que reparava na bainha suja do punhal de Batur, mas este já estava reunindo as mãos para concentrar-se e desaparecer. Um trovão então estourou nas câmaras e o corpo de Batur foi cortado ao meio, numa sangrenta cena da qual Chakor viu apenas um relâmpago antes de se consumar. A mente de Batur se revelava em segundos, planejando atrair o pai para o lugar e o cunhado, livrar-se deles e tomar a liderança do clã. Envolver-se na política dos clãs e manipular Ugur e Yavuz como seus generais, fortalecendo a aliança com a promessa de casamento de Sibel e o primo. As mulheres do clã seriam conhecidas como feiticeiras e ele seria um Khagan, um Cã dentre os Cãs com poderes divinos... Assim se enxergava, até resumir seus últimos pensamentos em maldições. A vida desaparecia dele e Chakor, transtornado, podia apenas ajoelhar e cantar, “Namo Amitābhāya”, homenagem à luz infinita. Para que Batur não traísse o pai nos últimos instantes e pudesse procurar a Terra Pura em espírito e não se perder nos ciclos das próximas vidas, para que Ugur e Amir pudessem voltar a acreditar um no outro na próxima vez que se encontrassem, para que Sibel continuasse sua jornada e se iluminasse, para que seus pais não desistissem de nada pelo pesar e seguissem rumo à iluminação, para que... Um rugido cobriu o som do sutra. Diferente dos outros, este não fora um estrondo violento, mas um resmungo irritado, seguido dum roncar longo e riscado por rosnados. Chakor se levantou, colocando a espada às suas costas e em círculos começou a girar. Recitava o sutra baixinho, procurando esvaziar a mente e sentir. Sentiu a ira, como um asura. Sentiu também um poder superior, similar àquele que havia visto apenas no Anzjani de Jamiel. Sentiu a luta do medo contra a luz de sua mente, engolindo sua razão aos poucos. Foi atacado num trovão, mas escapou de ser repartido como os outros e apenas foi projetado para trás, como por uma lufada de vento. Foi arremessado contra as paredes várias vezes, até quase perder a consciência. Podia entrever lampejos do que lhe atacava, parecia ter asas, uma face ou penas vermelhas e ser gigantesco, “Garuda?”, ele pensava, mas a criatura vez em quando ofegava como um cão cansado pondo a imensa língua para fora. “Tian Gou?”, cogitou uma última vez antes de receber um novo impacto, forte o bastante para esmagar um homem e quebrar seus ossos todos. “Namo Amitābhāya”, disse e perdeu a consciência. A Roda do Tempo Interior Capítulo Quatro – A Montanha do Caos Primordial no Oeste “Se não sabe que há um caminho para fugir, mesmo um rato se lança à luta. Feliz aquele que conhece muitos caminhos.” Karakal, em Ponderações, 7. 1150-1167 A última visão nas cavernas que obteve Chakor foi a de uma homem cercado de luz. Em torno dele havia uma treva tremulante sob os raios daquela figura. Ele era contemplado de volta, então as sombras tomavam tudo e daí para frente sonhos confusos apenas se seguiram, combinados a momentos de dor muscular profunda e exaustão desperto – ou assim pensava – sem conseguir ficar consciente tempo suficiente para falar ou se localizar. No vagar de sua mente, procurava meditar, se concentrar, mas logo falhava e dormia. Sem saber quanto tempo se passara, despertou em um ambiente de taiga e grave inclinação. Era certo que se tratava de uma montanha, mas onde estava não sabia. Enfraquecido, a prática tântrica lhe permitia obter uma ligeira clareza enquanto se concentrava e se movia escorado nas árvores. Encontrou frutos, deixados não muito longe dele e, para sua surpresa, aos pés de uma pequena estupa. O monumento budista podia indicar que ali existia uma urna mortuária ou algo assim, ou talvez um templo. Não viu nenhum indicativo da razão, nem sabia se estava “roubando dos mortos”, mas sua fome falou mais alto e comeu, recitando uma oração por clemência e perdão. Conseguindo pôr-se de pé, viu que mais acima a montanha se pronunciava, desconhecida e cheia de gelo perpétuo. As árvores ao seu lado eram altas, de folhas que guardavam umidade enquanto também se protegiam do frio e do sol, mas esparsas, permitindo a visão do que estava mais adiante: o deserto. Era curioso como a frente tudo era vermelho, como um inferno flamejante de rochas e areia, e ao seu lado tanto verde se reunisse, antes de um extremo de alvura além das alturas. Sobreveio então um forte vento que cobriu com poeira rubra a visão dos arredores de pó e rosnados se escutavam de várias direções. Passada a confusão e baixado o pó ao seu redor, notou que não estava mais só. Uma figura com um sombreiro de bambu e um traje comprido, como um monge, estava ao lado de uma árvore mais distante. Portando um cajado e um rosário, o homem não revelava sua face, nem fazia um cumprimento. Parecia uma estátua, algo inerte às tentativas de contato de Chakor. Algum tempo depois irrompeu com uma frase numa voz riscada e assustadora: - Você entrou no caos primevo. A desordem e o desequilíbrio que compõem o mundo se concentram neste ponto e não passará dele, nem de volta, nem para a outra margem. Se tentar fazer isto, será consumido pela confusão e nunca mais será o que é. Ou não. Parecia-lhe que isto era a mensagem de que estava sendo projetado em uma outra existência, mais rude e sofrida que a que viveu como Chakor. Contudo, ainda sentia-se como antes, embora mais fraco. Ouviu novos rugidos, os tigres do oeste rondavam aquela região. - O que posso fazer? Foi o senhor que deixou esta comida para mim? Pode me ajudar? - Ninguém pode ajuda-lo aqui, nem eu poderia ajuda-lo, ainda que quisesse – e eu não quero. Aproveite a luz do dia, pois à noite, será consumido pela confusão se por ela procurar. E virou as costas, andando a passos largos entre as árvores. O fraco lemuriano não conseguiu segui-lo e perdeu-o de vista, caindo aos pés de uma árvore de jade, verde pujante em suas folhas intrigaram-no, bem como a delicada flor branco e púrpura. Como algo tão delicado pode vicejar no caos que o monge advertira? E que espécie de monge não tinha compaixão? Suas dúvidas não aliviaram com o tempo e os rugidos. Ora pelo vento, ora pelos tigres à espreita. O céu perdia as cores enquanto Chakor perambulava até avistar uma caverna. Tinha nesta caverna figuras budistas, representando bodhisatvas em iluminação cercado por suas auras. Curiosamente, a luz do pôr do sol lhe permitia ver as cores esmaltadas na pedra polida da caverna, para então tudo escurecer, ficando uma pálida referência do resto da luz solar e das estrelas no exterior. Os sons selvagens aumentaram enquanto o frio intensificava. Tocou as paredes e pensou no que era aquela “luz” irradiada pelos Iluminados e lembrou-se das palavras do monge estranho. Assim sentou e procurou meditar. Seu coração ficava aterrorizado muitas vezes, no escuro, sem comer e sem saber quando um tigre poderia entrar e devorá-lo distraído, mas buscou perseverar por toda a noite e dormiu. No dia seguinte, nada parecia ter mudado, sentia-se ligeiramente mais forte e encontrando frutos novamente à estupa, comeu e procurou por mais, encontrando algumas peras nas árvores, para sua surpresa. Procurou aproveitar o dia e restabelecer-se para explorar, quando começou a se afastar da vizinhança da caverna, encontrou com uma revoada de pássaros coloridos. Do outro lado, um rio de degelo parecia separar onde estava de um jardim ainda mais belo, no entanto, um rugido surgiu e os pássaros foram para longe. A beleza do jardim definhou e a terra ficou árida como o resto do deserto, mesmo estando ao lado da água, que foi secando até ficar um fio apenas. O céu se cobriu de nuvens e a escuridão se ampliou. Chakor então compreendeu que havia um limite, onde o caos assumia tudo. Recuou e viu ao longe a paisagem reviver, sentindo-se grato por não ter maculado aquilo, mas frustrado por notar que era uma prisão de certa forma. Voltou para a caverna e tentou meditar, mas apenas lágrimas lhe vieram até dormir novamente. Seu novo objetivo fora reencontrar o monge, saber como chegar até ali e se aquele era o Monte Kunlun que procurava. Todavia, sua ignorância não foi resolvida e procurou em vão. Encontrou outras cavernas com novas figuras de devoção, mas nem sinal do monge ou outro homem. Depois de vários dias sem sucesso, imaginou que talvez o monge andasse à noite, entre os tigres. Arriscou e não muito demorou até que encontrasse um vulto que parecia humano. Aproximou-se, mas um rosnado brotou da garganta dele enquanto sua silhueta tornava-se bestial. O ser tornou-se mais tigre que homem e passou a caçar Chakor, que toda sua habilidade marcial e de lemuriano precisou usar para escapar dele. Até que um outro homem-tigre encontrou-se com seu perseguidor e em duelo os dois se ocuparam permitindo sua fuga. Abrigou-se em uma das cavernas e sentiu-se amaldiçoado novamente. Procurou por ajuda chamando por Buda e pela sabedoria de sua família, mas apenas conseguiu passar a noite em terror, mas seguro. Com os trajes em farrapos, vagou no outro dia em busca de sinais da caçada, em vão. Nem o seu sangue derramado aparecia nas árvores, nem os galhos quebrados. Parecia tudo ilusório, então procurou escapar usando sua mente. Meditou e concentrou-se, lembrando de tudo que aprendera, especialmente com Amir e Sibel, procurou voltar a Aksu desaparecendo, sem sucesso todas as vezes. Voltar ao Monte Belukha também não funcionava. Descer a colina menos ainda, pois o chão desmanchava, tempestades de areia se erguiam e nenhuma forma física de passagem permitia que se retirasse. Seu único modo de sair seria compreender onde estava e quem estava com ele, se não podia fazer isto só, talvez com alguma ajuda. Passou a procurar conectar-se ao lugar e a qualquer forma de vida que encontrasse. Era raro ver algo além de plantas, mas estas eram bastante interessantes e respondia ao seu jovem cosmo com deferência. Naturalmente, aquilo não respondia suas dúvidas, mas não podia contar com elas, até porque mesmo quando se rompiam em um dos vendavais, voltavam a ressurgir frondosas em outro dia, até mesmo em outro lugar. A única coisa fixa pareciam as estupas, de certa forma havia uma relação entre elas e as cavernas, que embora não mudassem seu interior, pareciam ter diferentes direções a cada dia, mudando à noite, talvez. Novas incursões à noite resultavam em mais confrontos com os homens-tigre, que deviam residir em algum lugar além do alcance de Chakor, posto que não os via nem dormindo durante o dia. Era impossível comunicar-se com eles, mas por outro lado, a paisagem parava de se mover à noite, sendo apenas as feras seu obstáculo. Assim, conjecturou que poderia vencê-las e escapar. Fez uma lança com as árvores e uma estaca de punhal e procurou combater, sem qualquer sucesso. A ferocidade dos oponentes era tão grande que mesmo quando usava seus dons e explorava seu sexto sentido, o resultado eram ataques que o deixavam à beira da morte. Dias escondido na caverna eram necessários para se recuperar e durante tais dias, tinha febre e sonhos estranhos, sobre combate e luta. Sem perceber, o lemuriano estava fazendo o mesmo que os outros homens-tigre. Dormia de dia e à noite saía para combater seus pares e caçar. Perdeu a noção do tempo enquanto passavam-se meses neste estado. Apenas uma figura felina, coroada por uma cabeça de cabeleira branca, conseguia com seu chiado assustá-lo e fazer com que voltasse de um frenesi. Sem saber, cinco anos se passaram em completa confusão. Até uma noite de lua nova em que passou nos céus uma grande ave. A águia dourada procurava uma pequena presa assim como o lemuriano reduzido ao estado feral. Quando a águia passou próxima, ele tentou ataca-la, mas algo em seu coração pareceu ferido por uma lança e ele caiu prostrado enquanto a lebre fugia. A águia não o tocou, mas ele sentiu uma memória distante começar a brotar no seu peito. Ela voava por perto, perigosamente, pois haviam outros como ele. Então ele ululou em coro com ela, advertindo-a e ela foi-se dali. Em seguida um outro pássaro de asas brancas desceu a sua frente, ou assim pareceu, pois ao baixar os braços parecia um homem esguio de tez brônzea e face avermelhada, cercada de longos cabelos e barbas brancas. Seu nariz era comprido como o bico de uma ave e seus olhos vazios de humanidade. Um medo absurdo tomou conta do lemuriano que fugiu e viu-se abrigado em uma das cavernas. Sua visão acostumada ao escuro lhe permitiu ver e descrever. “Amithaba... “ Pela primeira vez em muito tempo acordou durante o dia. A fome o consumia e notava-se em estado deplorável. Procurou por comida e encontrou-a sem dificuldade. As frutas lhe pareciam de um sabor doce e alienígena, como se nunca tivesse provado algo assim. Sentiu-se mal e enjoado, enquanto andava torto a escorar-se nas árvores, reviu alguém que parecia ser pela primeira vez, o monge de chapéu. - Quem é você? – perguntou ao monge, sem saber que idioma falava. - Quem é você? – repetiu o monge e o lemuriano já não sabia a resposta, causando-lhe terrível angústia. O monge então circundou o rapaz e voltou a falar. - Você mudou, mas ainda resiste à mudança. A mudança é inevitável, mas você não pensa assim. Sua insistência em chegar em algum lugar o impede de viajar, por isto está perdido. Por mais que parecesse menos agressivo que na outra vez, Chakor sentiu ainda mais raiva pela frustração. Tentou insistir em mais perguntas e nada aconteceu, senão outra evasão do monge estranho. Restava-lhe voltar e meditar sobre aquelas palavras até o cair da noite, quando uma urgência terrível surgiu no seu estômago e por mais que resistisse, saiu e voltou a caçar. Sua dificuldade em manter uma consciência o impedia de perceber como agora estava mais claro em sua mente o que fazia. Como respondia aos instintos violentos e gostava de ferir e punir os outros pela agressão que deles sofria. Notava como aquilo era cíclico, mas não conseguia resistir a tomar parte. Arrastou-se ferido para uma caverna novamente e procurou meditar em vez de dormir. Conseguiu por algum tempo e acordou como homem, ao final da tarde. À noite, voltou à metamorfose e seguiu assim por mais tempo. Conseguindo cada vez mais retornar mais cedo e passar mais parte do dia consciente e em reflexão. Não se recordava plenamente de quem era, mas recordava dos sutras e alguma vaga referência a sua origem lemuriana. Sabia que seu objetivo era ter alcançado um lugar onde haveria outros como ele e que isto se conectava à iluminação que procurava enquanto mudava de besta para homem. Descobriu mais três coisas: que não eram tão grandes quanto pensava as mudanças no seu corpo enquanto fera, mas sim em seu espírito, tomando novas posturas e adquirindo uma selvageria incrível; e aquele homem alado, uma espécie de ancião com poder sobre ele e os outros, estava com frequência rondando os topos das árvores, sumindo por algumas noites e voltando depois sem que entendesse o porquê; por fim, conseguiu apreender pensamentos dos outros, algo que o deixava mais confuso, mais violento, mas também projetava imagens de outras vidas, de guerreiros e sábios, envolvidas também pela visão de uma espada. Cada homem-fera parecia ter uma visão diferente de uma espada ocupando seus sonhos e quando trocavam pensamentos, a maioria deles se assustava e ficava desconfiada, como se tivesse medo daquela espada imaginária ser roubada e o atacava ou fugia imediatamente. Colecionando tais pensamentos e os seus próprios, começou a conseguir passar noites inteiras sem lutar, caçando uma presa ou outra, até conseguir deixar de fazer isto, retornar e meditar. Nos dias seguintes, explorava uma nova energia que crescia em si e lhe permitia fazer flores nascerem nas árvores e borboletas saírem dos casulos. Um desvio de foco e ocorria o oposto, sacrificando a planta ou animal que recebeu sua força vital. Não voltou a ver o monge enquanto a mais certa noite deparou-se com a figura alada. Ela pousou e falou com ele por pensamento. “Você pode me entender, Fera?”, e um “Sim” foi uma resposta. “Você não veio para cá porque quis, mas foi jogado por aqueles que cobiçavam mais do que deviam por seu dharma. Você se lembra disso?”, misteriosamente, a resposta para ele era “Sim”, intuitivamente Chakor lembrava de que fora traído e sentia um impulso de matar alguém por aquilo. “Parece absurdo que tenha passado por isto?” e inevitavelmente havia mais um sim por resposta a vir, mas para este houve uma hesitação da parte de Chakor. “Você está começando a compreender o caminho, deixarei isto para você porque já se parece com um homem outra vez”. E entregou para ele uma veste azul, sobre um manto branco, depois desapareceu como num relâmpago. Naquela mesma noite, Chakor foi atacado várias vezes, mais do que o usual, acabando com as vestes rasgadas e imprestáveis. Ao despertar na noite seguinte, viu uma nova veste, que em vez de trocar pelos seus trapos, carregou consigo. Quando foi cercado pelo primeiro homem-tigre, largou a veste para trás e fugiu, renegando o instinto de batalha. Acabou sem nada caçar e voltou exausto para a caverna. Na noite seguinte, encontrou uma nova veste e fez o mesmo, deixando ela para o primeiro feral que encontrasse, novamente perdendo a chance de comer à noite, portanto despertava de dia com fome e acabava em busca de frutas e estas lhe faziam menos mal. Ainda assim, à noite voltava à forma de besta e notava os trajes que eram seu presente. Tantas vezes tinha feito aquilo que o primeiro homem-tigre que o viu vestia trapos azuis como os seus, embora menos rasgados - e para sua surpresa, ele o ignorou e continuou sua caçada. Um outro acabou recebendo o traje naquela noite e Chakor fugiu mais uma vez. Ao retornar à caverna, a frente desta com o “nariz vermelho”, o qual lançou violentos pensamentos sobre ele. - Por acaso você está fazendo caridade dando o que mereceu para quem não merece? - Eu achei que não merecia, pois a minha veste é a que pior foi conservada. A estraguei na primeira noite em que usei, então talvez elas fossem destinadas aos outros. - Ora! Se estão consigo, são suas. Tome, estas são as últimas. Trate de cuidar bem delas. Se o vir novamente usando trapos, eu o matarei! E lançou Chakor muitos metros longe quando arremessou as roupas sobre ele, depois subiu às árvores e sumiu. Chakor vestiu-se e voltou para a caverna, grato e assustado, pois provavelmente iria morrer quando revisse o “nariz vermelho”. Procurou aproveitar o dia seguinte, vestido com decência enquanto fazia uma refeição frugal no rústico lugar à beira do deserto e das montanhas. Orou na caverna antes do cair da noite e sentiu o chamado revirar seu estômago até erguer-se com garras e dentes inumanos. Saiu, sob uma lua intensa, tão azul quanto seu traje, a ponto dele não parecer ter alguma cor. Ao correr pela taiga, não tardou a encontrar um outro homem-tigre, vestido em trapos azuis. Eles se olharam, circundaram e depois ambos fugiram. O mesmo aconteceu com outro, que também levava consigo tecido. E evitaram o combate outra vez. Uma grande correria pela montanha àquela noite reuniu certa hora um grupo grande de homens-fera sob a colina iluminada pelo luar. Um dos homens-fera vestidos então rosnou, “KARA-KAL!”, enquanto olhava para aquele único que tinha uma veste azul intacta. Os outros repetiram aquele nome e outros sons, até que um zunido os fez silenciar e se afastar, “Nariz Vermelho” pousava ao lado de “Karakal”. - Eles o chamam Karakal, Lua Azul, hah! Vejo que não perdeu suas roupas desta vez, até parece mesmo alguém que tem um nome. - Os outros não têm nomes? – perguntou com a voz grave de fera. - Se têm, ninguém sabe, nem parece que alguém lhes deu. Um dia, talvez. Eles terão bastante tempo. Você também tem, mas chegou mais rápido do que eles. - Eu não cheguei a lugar algum, mas gostaria de cruzar o riacho e ver o que há além. Procuro... Karakal não sabia o que procurava, tinha vaga impressão, mas não era tão simples como vestir-se descobrir um propósito. Então o “Nariz Vermelho” saltou adiante e ergueu os braços, com as plumas brancas de seda ligando-se em sua veste aos pulsos e um forte vento atingiu-os. Ele gritou: - Precisa fazer com que o vento o leve daqui, como ele faz com a poeira. Nada deste vale passa para o outro lado da montanha senão levado pelo vento. Dominar o vento era uma lição que Karakal sentia ter aprendido, lembrando-se vagamente de animais e couros enquanto reunia um poder que nunca antes tinha lhe ocorrido nas noites na montanha. Então correu, correu e sentiu-se mais leve, correu e saltou, abrindo os braços como se fosse mergulhar e o vento passou por ele e soprou sobre suas vestes lançando-o para mais alto, sob a vista dos outros homens-fera. Então Karakal voou sobre o outro lado do rio e pousou na vegetação de lá. - Hong Zhou é como você pensa que é o meu nome e pode me chamar assim. Voltaremos a nos ver, mas agora, Karakal, você está livre para ir adiante na montanha e ver o que pode encontrar. - Hong Zhou... Você sabe a resposta? O que eu estava procurando? - Você não sabe a pergunta ainda, não tenho como saber a resposta. Vá e não olhe para trás. O destino dos outros não é o seu, ainda que não saiba qual é. Karakal tinha então 35 anos e para o resto do mundo naquele tempo, Chakor Sadavir morrera antes de completar 19 em uma expedição com seu sogro no deserto. Capítulo Cinco – Os segredos do Monte Kunlun “Até hoje o Conselho de Jamiel se pergunta, onde fica o Monte Kunlun? Karakal não lhes responderia mesmo se quisesse, pois ele só consegue encontra-lo pois está gravado em sua alma, como parte dele.” Soni, a história secreta do Anzjani Karakal. 1167-1206 Aquela montanha mística refletia uma energia transcendental que era a razão de seus estranhos fenômenos e de sua localização secreta. A fonte desta energia era desconhecida para Karakal e Hong Zhou não lhe revelaria naquele momento. As curas milagrosas e a estranha metamorfose eram outra pergunta sustentada por Karakal, cuja resposta viria com o tempo, por enquanto apenas era informado que a Unidade revelava a única forma real, sendo as outras formas transitórias e incompletas. Muitas pessoas procuravam a Montanha em busca da sabedoria dos imortais, mas apenas os que já estavam com um nível superior de compreensão conseguiam alcançar algum lugar além da sua floresta fronteiriça. A maioria nem entrava na floresta, fugindo ou perecendo aos terrores às suas margens. “Como vim parara aqui?”, perguntou Karakal. “Você também procurava iluminação, mas diferente daqueles outros pobres diabos, seu caminho foi mais reto. Talvez reto demais, como se já soubesse a direção”. “Se soubesse a direção, Hong Zhou, eu não teria ficado tanto tempo ali... Eu procurei todos os dias aprender como lidar com aquela floresta e seus habitantes. Chamei por Buda e talvez ele tenha me ajudado a encontrar a saída. Isto talvez explicaria.” “Talvez”. Caminharam até o amanhecer, passando pelo exótico jardim verdejante e florido. Aves amarelas, verdes, vermelhas, pretas e brancas partiam em revoadas de um ponto para o outro. O rio que atravessaram fazia um caminho sinuoso ao seu lado, mais estreito e gentil do que no outro ponto. Flores de lótus se abriam da lama às suas bordas. Sobre tal fertilidade incomum à região, Zhou respondia que “ela (a montanha) recebe inspiração divina, como chamam, por isto o fim da vida é adiado e pode até ser renovado antes que lá se esgote o ânimo de cada ser. Isto acontece com as plantas, mas também com outros animais. O espírito exterior é assim curado pelo espírito interior e a morte é evitada. No fundo, é como em qualquer outro lugar, onde algo sobrevive a cada vez que dorme ou a cada outono em que perde as folhas.” Ao lume do sol nascente chegaram a um platô onde um grande pereiro somava pálida sombra com um guarda-sol. Um paredão rochoso assemelhava-se com um grande muro separando aquela região de uma outra mais elevada e que do meio de sua névoa parecia pontear torres remotamente familiares a Karakal. O mais curioso era que parecia haver um par de senhores se servindo de um pouco de vinho, apesar da hora, cercados por alguns grous que andavam pelo gramado em tranquilidade. De alguma forma, ambos pareciam inadequados ao ambiente. Um tinha o traje desalinhado e revelando seu torso pálido onde também escorava sua bengala de ferro. O outro, apesar dos trajes de um escolástico chinês, tinha uma grande espada às costas e bebia entusiasmado ao dar uma risada. - Hah! Eu disse que ele não era mais um dos xamãs e príncipes precipitados, mas um dos nossos! Ante o sorriso do homem com a bengala, o espadachim sacou uma algibeira e lhe entregou sobre a mesa, pagando uma espécie de aposta. Karakal nada entendia, mas a espada lhe trazia à mente uma pergunta a ser feita, que Hong Zhou não deu tempo para proferir. Ele ajoelhou-se em frente aos dois e clamou: - Mestre Lü e Mestre Li, este jovem descende dos seus, mas chegou aqui por seus próprios méritos. Ele não domina a doutrina, mas conseguiu ainda assim alcançar um estágio superior da alquimia interior e conhece o Caminho do Meio de Buddha. - Ora, claro que sim, senão teria perecido ou fugido assim que o visse. – respondeu novamente o que foi chamado de Li, em verdade, Li T’ieh-Kuai, um dos “Oito Imortais” (Pa Hsien, Baxiän). Karakal esteve prostrado ao chão pouco depois que Zhou fez tal gesto e o espadachim deles se aproximou. - As florestas do Monte Kunlun não são teias de aranha para enredar aqueles que não são do Povo, mas se um dos nossos chegou até ela, não somos nós que vamos expulsá-lo. Qual é o seu nome, meu rapaz? – disse Lü Tung-pin, de pé. - Karakal, honrado em conhecê-los, Mestre Lü e Mestre Li. - Hahah, polido o rapaz, e sabe do que eu seria mestre, Karakal? Eu poderia ser mestre em beber vinho enquanto meu companheiro Mestre em dormir na rua. – apontou o espadachim para si e T’ieh-Kuai, que ficou emburrado de não ser o mestre bêbado. - Ainda assim eu não teria cultivado tais caminhos tanto quanto vocês. – respondeu Karakal, com o rosto ainda voltado para o chão. Tung-pin ficou algo intrigado, quase irritado com a prontidão da resposta. T’ieh-Kuai ficou mais entretido e alisou seu ventre nu enquanto se apoiava na bengala para ficar de pé. - Algo nele lembra meu mestre, aqui mesmo... O que fez a este homem, Yu Shi? Quantos anos fez rejuvenescer ele enquanto forçava seu chi em seu corpo, a ponto dele esquecer até qual era seu nome antes de acabar aqui? - Nenhum, mestre Li. – respondia Hong Zhou, cujo nome real parecia ser revelado. – Eu acredito até que ele ficou mais velho, apesar da força da montanha. Chegou aqui pouco mais que uma criança e não chegou a passar um ciclo inteiro nos pés de Kunlun. Karakal não compreendia onde Li T’ieh-Kuai pretendia chegar ou o que significava a resposta de Hong Zhou, o Senhor das Chuvas, como ali diziam. - Vou querer que me conte isto melhor, mas depois que ele mesmo me explicar o que sabe. Pode ir agora, nós cuidamos dele. – dispensaram o homem que dali se afastou tão rápido que Karakal já não mais o via quando terminou de se levantar. Os dois mestres o convidaram a acompanha-los num passeio enquanto mostravam o lugar e explicavam quem eram, bom, em uma forma de ver pelo menos. Eram da mesma descendência, bem como Li Tieh-Kuai contou que aprendeu sobre o Tao com Lao Tsé ali mesmo. Não se achava tão bom professor e recomendou a leitura, mas principalmente o treinamento. Tentar fazer os exercícios espirituais mais avançados era realmente perigoso para havê-los com desleixo – sua aparência maltrapilha era uma espécie de exemplo. Ali não era sua residência, mas visitavam o lugar em busca de alguns ingredientes alquímicos especiais, que só cresciam naqueles jardins, bem como procurando rever alguns amigos, em particular, Xi Wangmu, ou “Mama”, como eles também se referiam. Ela ensinou muitos xamãs e preferiu viver nas Montanhas do Oeste séculos atrás, para estar mais perto da “origem” e cultivar este jardim. Com o tempo outros se juntaram a ela, mas ela os expulsa se ficam ali tempo demais, exceto Yu Shi, de quem ela pareceu tomar gosto apesar de não se falarem muito. Talvez, justamente por isto. Afinal, quem era Yu Shi? Um xamã, disseram. Ele se tornou um eremita e dominou artes que seus pares não conseguiam alcançar, até do seu próprio modo ser capaz de convencer os céus a chover durante uma terrível seca. Ou assim contam os mitos sobre ele, porque ele não fala sobre isto, apesar de ter ficado famoso e reverenciado, ele preferiu viver como eremita e se escondeu aqui, onde Xi Wangmu o aceitou e desde então está por aqui, “assustando qualquer um que não saiba como vir voando”. - Ele também ataca quem não vem acima das nuvens. – acrescentou Tung-pin. “Verdade”, confirmou Tieh-Kuai. - Então vocês voaram até aqui? Montados em dragões como nas histórias? - Não, nós “aparecemos”, teletransporte é mais simples que levitar ou saltar, de certa forma. Mas só conseguimos fazer isto para cá quando Wangmu permite. Você não sabe fazê-lo, apesar de ser do nosso povo e instruído? - Eu ... Não aprendi o bastante. Acho também que esqueci como se faz, porque nunca consegui fazer algo assim desde que cheguei à montanha. - E antes, o que conseguia fazer? - Eu... Não me lembro. Aquilo seria mais trabalhoso do que os “Imortais” podiam esperar e alisaram seus bigodes encarando e medindo que potencial estava oculto sob tanta ignorância. Karakal usou aquela pausa para perguntar sobre a espada. - Os outros na floresta pareciam quase sempre procurar por uma espada, ou mais de uma. Parecia importante demais para terem apenas uma ideia vaga a respeito. - A maioria é assim, passam o tempo todo imaginando algo que podem fazer, mas não fazem alguma coisa realmente. Não o que queriam. O que acredito que estão pensando é o Sabre do Dragão, ou Matador de Dragões. Dizem que ela está aqui e é tão poderoso quanto minha Espada Celestial. Eu não posso dizer nada sobre isto até porque não vi ninguém conseguindo obter tal espada nos últimos tempos, mas dizem que todos os guerreiros seguirão aquele que a possuir. Certamente não é uma arma para estar nas mãos de qualquer um e por isto Wangmu a guarda muito bem, para que somente alguém que esteja apto a guiar de novo um trono à quem os Céus indicam ocupar venha a portá-la. – respondeu Tung-pin, contendo a atenção de Karakal maravilhado. - Parece que Karakal é também um guerreiro, além de aprendiz de xamã. Por que não leva ele consigo em uma de suas viagens, Tung-pin? – instigava Tieh-Kuai. - Talvez depois que ele terminar seu treinamento como xamã? Então veremos. Karakal consentia e parecia já muito agraciado com apenas aquilo. Chegaram então a um portão dourado que separava aquele grau do jardim do palácio acima dele. Os dois se despediram, pois Karakal não estava convidado a seguir adiante. Tinham certeza que o veriam novamente, então foi apenas um “até logo”. Yu Shi reapareceu pouco depois, usando agora uma diferente máscara e capa de penas. - O que eles lhe disseram? – perguntou Yu Shi, sem impor muito interesse na pergunta. - Algumas histórias, mas parece que se interessaram mais pelo meu silêncio que minha eloquência. Faz algum sentido para o senhor? - Bastante. Vocês, da velha Lemúria, têm um costume de falar calados irritante. Até que você é quieto, talvez isto prolongue sua vida mais do que qualquer remédio ou alquimia, feh! Assim encerrou a primeira manhã de Karakal no seio do monte Kunlun. A partir de então lhe foi ensinado segredos da terra e do céu que a velha tradição xamã conserva há séculos. Ervas e estrelas, solo e nuvem. Uma combinação de astrologia e fitoterapia integravam um estudo da meditação e do autoconhecimento, sendo desenvolvido o Cosmo de Karakal como uma força natural e em comunhão com a natureza. Karakal não estava admitido no mais alto patamar da Montanha, nem no mais profundo nível de suas lembranças anteriores, mas progredia em seu saber. Estava ficando mais próximo da “Síntese”, embora por enquanto apenas pudesse conhecer parcelas incompletas daquele saber que também poderia ser chamado “Psicometabolismo”. Compreendia principalmente como combinar o que ingeria e os fluidos e forças de seu próprio corpo a fim de alterá-lo, bem como podia influenciar pequenos e mais simplórios organismos, mas não outros seres viventes ou ambientes inteiros como a poderosa força de Yu Shi conseguia. Era um dom capaz também de curar a partir de tal influência, como ocorria com os homens-fera. Compreendeu que a montanha não era como parecia, sendo literalmente inacessível por uma abordagem horizontal devido à vigília de Yu Shi e seu acidentado paredão à beira do deserto, sendo que os túneis subterrâneos além de ocultos pela areia, também acabavam acessíveis aos homens-fera, que ali dormiam a maior parte do tempo. Tais homens eram em maioria xamãs de poder incompleto, que acabaram possuídos por espíritos ou por sua própria sede de poder e foram atraídos pela montanha em busca de mais. Seus corpos foram controlados pela própria sede de poder e seus espíritos são como fantasmas, perdidos e desgarrados. Quando prolonga suas vidas, Yu Shi na verdade permite que eles tenham uma chance de encontrar-se novamente, enquanto passam décadas perdidos naquela longa caçada. Se conseguem realizar esta comunhão, acabam por perecer em paz e renascem como espíritos mais evoluídos, na forma de algum animal que vivia naquele monte sagrado ou ainda como um homem esclarecido, embora sem as memórias de tal vida passada. Alguns também eram artistas marciais que do mesmo modo degeneraram-se em sua busca por poder e ficavam presos da mesma maneira. Entre os dias de treinamento só ou a cargo de Yu Shi, Karakal circulava pela área inferior da montanha, até um tanto ainda influenciado pelo lado bestial de seu espírito, compreendendo melhor como se separavam e como se reuniam. Com o tempo, passou a ser reconhecido pelos outros mesmo em sua inteligência feral limitada e a cuidar de seus corpos durante o dia, enquanto interagia com seus espíritos à noite. Yu Shi era contra esta prática, mas não impedia Karakal ao contar que isto acabaria por mata-lo antes de qualquer sucesso. Também não haviam ordens da Mãe Xi Wangmu neste sentido, pelo contrário, ela e os outros imortais que por ali passavam se compraziam do esforço do jovem por aquelas almas desgarradas. Ao fim de quase quarenta anos de treinamento espiritual, no ano de 1206 (no calendário butista,...), Karakal foi chamado a subir além do baluarte dourado para ter com Xi Wangmu. Capítulo Seis – Um encontro imortal “Dizem que ela tinha cauda de leopardo e presas de tigre, mas que também sabe se comportar como uma dama refinada”, Amir, sobre Xi Wangmu. 1206 Era ainda inverno e o frio intenso atingia mesmo o seio da Montanha sagrada, cujo jardim ficava cercado de geada, resistindo bravamente com o calor da terra à inclemência do gelo. Entretanto, além do portão dourado a sensação de congelar desaparecia e era substituída por uma brisa amena. Embora o dorso da montanha e seu pico fossem de gelo ilimitado, atravessando as nuvens como se infinitos, aquele rincão onde torres de rocha antiga se elevavam era de um clima avesso a tal extremo. O curso de água que vinha e voltava para a rocha deslizava tranquilo, com mesmo alguns peixes apesar da altura. Um lago feito de água cristalina sobre pedras vermelhas brilhantes formava um belo lugar para descansar à luz do sol invernal e algumas rochas separavam o lugar de uma área adequada a um banho. O palácio era feito de várias pequenas construções abobadadas e algumas sem paredes, apenas atuando como sombreiro e colhedoras da neve. Algumas construções tinham terraços por teto, cobertos por flores e arbustos, encimados por algumas árvores de jade. Ao topo de tudo aquilo, pronunciado à beira de um desfiladeiro, ficava o pessegueiro. Em um gazebo a frente do lago, uma mulher estava sentada por trás de um biombo de papel. Este era decorado com uma imagem tipicamente mitológica, com criaturas fantásticas e alguns outros personagens interagindo ao meio, mas a luz ao fundo permitia ver a silhueta de uma senhora em uma espécie de trono. Sem ninguém a fazer as apresentações, estavam quase que sozinhos, não fossem os pássaros, inclusive um par de grous que andavam, um de cada lado de Karakal e posteriormente uma tigresa que vinha deitar-se aos pés da senhora, com metade do seu corpo exposto além do biombo. Um último animal revelou-se atrás dela, voando para cima do telhado do gazebo e expondo à vista penas de muitas cores em sua cauda. A única atitude que Karakal pode tomar foi prostrar-se em reverência a alguns metros dela. Uma voz diferente atingiu seu corpo e espírito, revelava palavras à sua mente, enquanto transmitia calor e calma. Tinha também grande sinestesia, mas não podia se concentrar no perfume ou na música que lhe impressionavam, pois sua atenção estava no que ouvia. - Karakal, eles o chamam. Também de irmão-mais-velho, ou mesmo mestre. É curioso, sendo o mais jovem de todos eles. Estariam dispostos a segui-lo, mesmo que isto significasse desistir da imortalidade e da conquista, sabe disto, jovem Karakal? - Sei dos nomes, Eminência Celestial, mas não persegui seus propósitos. Se o destino deles for convergir com o meu, estarei com eles como irmão ou mesmo líder, se assim for. - Não quer controlar seu destino, meu rapaz? Nem o deles? Conduzi-los para uma existência melhor e livrá-los do mal? - Mentiria se negasse meu desejo, mas sei que não posso tomar tudo isto com minhas mãos. Então veio um silêncio que fez Karakal despertar daquela estase que entrou ao conversarem. Tudo parecia frio e ele sentiu-se sozinho apesar de estar cercado por aquele palácio maravilhoso. Um vento soprou como se lhe fosse cortar a carne dos ossos. - A morte solitária, sem glória, honra, precipita o homem no inferno de múltiplas existências onde ficará fadado a repetir seus erros até que cultive o Caminho. Isto significa recriar e modificar o ciclo em que se encontra. Não está disposto a fazer isto, é o que pensa? - É a abelha que muda o destino da árvore quando carrega o pólen para longe ou a árvore que o faz quando floresce? Eu fiquei me perguntando, mas os dois seres, cada um por si, inevitavelmente me parecem fadados a carregar a mudança consigo... Perdoe a arrogância de falar tão simples à Sua... Então seus pensamentos foram interrompidos, assim como sua fala, o frio terrível desapareceu de novo à brisa morna e seu coração posto em suspensão relaxou. - Você tem uma boa percepção do que é a mudança, mas precisa conhecer mais antes de consumir suas dúvidas. Quanto mais longe enxerga, mais incerto tende a ser o que vê. Se for perto de cada coisa, terá como compreender tudo mais claramente. É chegada a hora de sair desta montanha e ver o mundo, se realmente se importa em mudá-lo, bem como a si mesmo. Eu esperava que pudesse ser um sucessor para Yu Shi, para que ele pudesse descansar ao lado de sua companheira, mas não parece ser este o seu Caminho. Sugiro que parta sem delongas, nem despedidas. - Mas... Yu Shi, eu achava que ele era um imortal também. Também nunca soube nada de uma companheira. - Muitas coisas você ignora, sobre Yu Shi ou mesmo sobre si. Um dia você também teve uma companheira e talvez um dia volte a estar com ela, mesmo que consiga se tornar um imortal. Yu Shi seguirá existindo, mas ele já não precisa mais lutar para manter um corpo vivo. Agora que os espíritos dos homens-fera estão em calma, graças à você, ele poderá descansar em paz. Eram boas notícias, de certa forma, mas também carregavam uma melancolia. A ideia de uma companheira parecia muito distante, confortável, mas triste por sua ausência. Onde estaria ela e como seria? Teria envelhecido ou era como ele? Uma ternura pareceu acalentá-lo enquanto abaixava sua cabeça. - Sinto muito por lembra-lo do que não tem, mas para prosseguir no Caminho precisa se despir de tudo isto. É um xamã e um guerreiro, bem como um membro do Povo Antigo da terra que já se perdeu. Poderá levar apenas isto e suas ferramentas em tais artes para sua jornada. Por isto, eu peço que vá até aquele pavilhão e o abra, há um par de utensílios para você tomar antes que parta com a minha benção. Ele estava pronto para partir sem nada e foi surpreendido por tal concessão. O tal pavilhão era octogonal, apesar do teto ser circular. Uma pequena varanda o cercava e detalhes de tigres dourados cercavam as colunas e o portal que abria. Encontrou ali dentro, sob a luz de duas tochas, uma espécie de estandarte, que se revelava no fundo uma capa de plumas douradas escuras encimada por uma máscara de tigre e dotada de um embornal interior. Abaixo dele estava uma espada muito larga, com o cabo lançando sobre o dorso da lâmina um dragão negro. Vestiu a indumentária e levou a espada à mão, ainda acostumando-se com o peso absurdo da mesma. Ao pisar fora do palácio as plumas e pelos do tigre ficaram azuis, como sua roupa. - Presumo que saiba usar tais objetos, especialmente como não usá-los e a quem não lhes dar. A capa pertenceu a xamãs muito antigos, cada um somou a ela penas de por onde passou, a ponto de ficar parecendo um farrapo recomposto. Mas também contribuíram com sua experiência e ganharam o respeito dos Espíritos, que reconhecerão outro digno dela. Já a Espada, bom, chamam ela o Sabre do Dragão... Deixaram ela aqui alguns anos atrás para evitar que a fama dela trouxesse infortúnio aos homens, mas este nunca foi o seu lugar. Parece um pedaço de ferro, para mim, talvez em suas mãos ela tenha mais significado do que a representação de uma ameaça. Pouco depois que sair daqui irá começar a primavera, mas não precisará se preocupar com o frio mesmo que não vestisse seu velho hábito azul por baixo, hohoho. Está muito bem assim, ainda que não tenha uma proteção para seu frágil corpo. Pode partir agora, meu jovem. - Eu não tenho palavras para descrever minha gratidão, Rainha Mãe do Oeste. Farei bom uso de sua gentileza a replicando, ainda que muitas vezes meus feitos não possam se igualar aos seus, eu tentarei. A anciã imortal assentiu diante da reverência do jovem, que permaneceu de cabeça baixa pensativo, revendo algumas memórias vagas e distantes. Sobre a lenda da Terra Pura e por que sair daquela montanha agora que já havia chegado ao seu centro. Entretanto, assim como os xamãs e aventureiros não puderam passar pela base da montanha, vinha à sua mente a família nômade que também não tinha tal paz, o povo nas montanhas, no deserto, nas cidades... - O que é, meu filho? Parece confuso. - Estava apenas procurando saber... Acho que me lembro que procurava por Shambhala, seria injusto perguntar se encontrei, mas gostaria de saber por onde começo a procurar. - Bom, para enxergar a direção você pode procurar nas estrelas ou dentro de si. Encontrará as mesmas respostas. Respostas estas que eu não duvido que já tenha. Dito isto e após um último gesto de gratidão, dali partiu Karakal, saltando às nuvens sem sequer ter olhado para os pêssegos da imortalidade uma única vez. Pulou para o nordeste, à direção do Jabuti Negro, como dizia a tradição. Os céus fecharam-se em uma tenebrosa tempestade enquanto a poeira vermelha levantava-se sob sua corrida. |
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| Maeveen de Sagitario | May 31 2014, 09:16 PM Post #4 |
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O Mais Veloz entre os Cavaleiros
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As Outras Rodas do Tempo Capítulo Sete – Os oráculos da Guerra “Sem ventos, sem ondas”, provérbio chinês. 1206-1233 Além do deserto, quando encontrou as primeiras tribos de nômades, percebeu Karakal que havia uma exaltação atípica. Estava ocorrendo um conflito entre as tribos cujo drama não tinha par. Irmão contra irmão, Jamukha e Temujin prometiam um embate final entre suas forças depois de terem lutado juntos. Até que o rompimento de tal laço de amizade não era algo tão avesso ao passado, mas a escala de suas alianças e os sinais das intenções ali envolvidas eram diferentes de quaisquer outros. Seu objetivo ali era conhecer os xamãs e o que opinavam sobre isto. Sua figura estava envolta de um misticismo e era reconhecido como algo a ser respeitado – e temido. Advertiu-os sobre os perigos de patrocinarem uma guerra e de chamarem aquele que sairia vencedor no confronto como um escolhido. “Mas e se ele for, Kokhesar?”, perguntaram ao xamã “Lua Azul”, e ele apenas respondeu “Que então os céus tenham clemência”. Naquele ano, Chingis Khan (Genghis) foi o título conferido a Temujin segundo a orientação de um dos xamãs com quem Karakal esteve. Um impulso era dado a algo que não podia mais ser detido. A formação de um império se aproximava e muitos clérigos e monges acorriam para procurar a aliança do grande Khan, que no entanto fez como os Kara-Khitai e manteve-se fiel às práticas xamânicas dos seus ancestrais. Práticas estas que no convívio com eles Karakal tentou aprender, enquanto compartilhava outros saberes que dominava, adquirindo um pouco e compartilhando bastante, tentou inspirar a ideia de que aprender era melhor do que destruir aquilo que era diferente. Nada muito efetivo, levando a mortes vãs de mongóis e chineses de Xia Ocidental. Sua intervenção também fora notada pelos chineses, provavelmente por delatores dentre os xamãs. Estes conheciam a lenda do Sabre do Dragão e acreditavam que este era a espada sempre guardada às suas costas. Tentaram ataca-lo para roubar sua espada diversas vezes, tanto agentes de Xia, quanto de Jin, no intento de usar isto para converterem-se eles mesmos nos senhores da Guerra, derrotar os mongóis e aniquilar os rivais unificando a China. Conforme a campanha mongol se alastrava também para o Oeste, na direção do Khwaraazm, para lá também seguiu Karakal. Em vão procurou pelo que ele lembrava remotamente ter sido uma família, escutando rumores do “acampamento de fumaça” há muito distantes de testemunhas oculares, exceto por idosos. Um deles até se lembrava de um “garoto com uma lança e uns pais estranhos, parecia ter a minha idade ou menos. Eu o vi no seu casamento e meu pai lhe presenteara com um qu’ran”. Naquela hora, Karakal pôde recordar-se da conversa com o islamita e de como o livro esteve muitas vezes nas suas pernas para ler à noite. “O seu avô, onde ele está?”. - Junto a Allah e sua misericórdia. Em breve estaremos juntos e não acho que seremos poucos nesta viagem. – disse o velho homem, “Al-ḥamdu lillāh”, confirmou Karakal. Ilah, Deus, tinha uma compreensão ligeiramente diferente para ele, mas não discordava do desejo do homem. Reconhecendo os “momentos” diferentes de cada tempo, Karakal apenas pôde relegar seu reencontro com sua família a um desejo. Não havia encontrado mais lemuriano algum naqueles vinte anos entre os xamãs e sua assistência, nem que fosse como médico, mas também como conselheiro para evitar o desvio pela ambição dos praticantes das artes espirituais, voltou para o Leste. A guerra por lá pesava cada vez mais favorável aos mongóis, embora os chineses arrogantemente ainda acreditassem que era apenas uma questão de tempo até alcançarem a vitória. Por isto, não pouparam esforços quando souberam do retorno de Karakal além do Deserto de Gobi. Ele era a “solução mágica” para seus problemas, afinal. Em meio a uma emboscada, Karakal recebeu a ajuda de um outro espadachim. O homem, com golpes exóticos, circulares e poderosos, perguntou a Karakal por que ele tinha uma espada e não a usava – se era por falta de um mestre. Tung-pin, se não outro, era quem o resgatava. E ele naturalmente reconhecia a espada e parabenizava Karakal pelas encrencas em que havia se metido. Diante da confusão em que estava o norte e da organização que tomava o exército mongol, Tung-pin perguntou se Karakal tinha tomado parte naquilo, apenas por precaução. Pelo contrário, era o próprio abandono das artes marciais e da retidão espiritual que precipitava os inimigos nas mandíbulas dos mongóis, entendia o xamã lemuriano. Tinha feito o possível para tornar os ventos menos terríveis às vítimas do confronto, mas a tempestade de sangue não podia ser contornada. Tung-pin olhou para o céu e confirmou. “É apenas o prenúncio. A morte ainda vai se espalhar muito mais do que pelo fio das espadas e flechas”. Ao lado de Tung-pin, de 1227 a 1233, Karakal viajou pelo reino de Jin e depois para Song. Uma aliança frágil era construída entre o reino do Sul enquanto o Norte era assolado pelos nômades. Isto revitalizava a Rota da Seda, agora sob a guarda mongol, abrindo um caminho cujo fluxo chegaria ao Ocidente mais forte do que nunca. Tal aliança seria substituída pela guerra, mas não mudaria o poder mongol sobre o comércio, uma vez que obtiveram o favor de muitos dos mercadores que percorriam a Rota. Ela espalharia riqueza, mas também a morte. A Peste Negra, anunciada pela Guerra Santa que irrompeu em 1260 após uma série de conflitos isolados. De estalagem em estalagem, os dois guerreiros lemurianos treinaram juntos e forjaram uma grande amizade, até por não serem muito distantes de idade como aparentavam a princípio. Karakal às vezes até parecia mais velho, como de praxe, bem como tinha dons psíquicos mais notáveis, embora tenha aprendido mais com Tung-pin sobre o uso de seu Cosmo, ou “energia interior”, para batalha, de forma a sincronizar-se com o peso e energia exterior que encontrava na espada e realizar golpes mais eficientes. Inevitavelmente tiveram alguns duelos com outros “aventureiros”, mas nenhum que realmente demandasse o uso de força sobrenatural. A jornada pelo território Song foi suficiente para deixar claro que nem a Espada Celestial, nem o Sabre do Dragão estavam disponíveis para guerreiros comuns o obterem. Em 1233, Karakal e Tung-pin encontraram Chang Kuo viajando em sua mula, rumavam para o o norte a fim de acompanhar o cerco a Kaifeng, porém Chang Kuo disse que matérias ainda mais obscuras que a queda de uma dinastia estavam se levantando no Ocidente e chamou Tung-pin para acompanha-lo e discutirem a questão com os outros “do Povo”. Karakal, contudo, não tinha experiência com as relações entre o Santuário e os lemurianos e preferiu seguir sua jornada solitária. Vestiu a capa negra de inverno e deixou os imortais em seu caminho. Toda a região já tinha mais de um ano de batalhas, os Mongóis tinham começado o cerco na primavera do ano anterior e agora em meio ao inverno a fome assolava a cidade e um fedor pútrido vinha de lá. Muitos mongóis pereciam constantemente, bem como seus aliados chineses do sul e do oeste, mantendo as redondezas atulhadas de neve, lama, lanças, flechas e sangue. Os acampamentos mongóis tinham uma tenda central dedicada a Ogödei Khan, filho e sucessor de Genghis Khan, falecido há 5 anos. Estavam certos de que o cerco acabaria antes da primavera, mas um rumor estava deixando as tropas agitadas. Já não devia haver mais soldados em condições de lutar, mas eles não pareciam mais reduzir os números, pelo contrário, recentemente cada vez mais apareciam mais e mais arqueiros aos muros de Kaifeng. Uma reunião de sacerdotes taoístas, xamãs e monges budistas discutia a matéria em uma noite quando Karakal juntou-se a eles. A energia negativa que vinha da cidade se explicaria simplesmente pela morte devido às doenças e miséria a que estavam submetidos, até pelas revoltas de pessoas tentando roubar dos estoques imperiais, mas estava ainda mais forte do que o esperado e era isto que estava atraindo a atenção de Karakal desde o princípio. O problema não era recente, mas havia aumentado. Os taoístas culpavam os problemas de sepultamento diante de tanta guerra e aproveitavam para fazer propaganda contra a sede de poder mongol, mas os xamãs discordavam porque haviam permitido o recolhimento das tropas e quando não conseguiam alcançar seus próprios soldados mortos, os queimavam com flechas incendiárias. Se Erlik, o deus mongol da morte, estava ficando mais forte, era porque os Jin tinham virado as costas para o Céu e estavam agora adorando a Terra – e desenterrando seus próprios corpos dos mortos que deviam estar repousando. Os budistas não se apegavam àquele tipo de matéria, não era sua especialidade e estavam atuando mais como moderadores do acirrado debate entre os sacerdotes em reunião. Karakal recomendou que a cúpula religiosa recomendasse um cessar-fogo e se propôs e entrar na cidade e conferir ele mesmo o que estava acontecendo. Se fosse mesmo um fenômeno natural devido ao descuido com os mortos, ele poderia expulsar a energia negativa irradiando energia positiva. Se fosse algo mais, não estava desarmado. Em seguida, teletransportou-se para dentro da cidade e andou furtivamente por ela. Estava em ruínas, destruída pelas armas de cerco e pelos saques internos, era difícil até achar cidadãos comuns, particularmente os pescadores que pouco conseguiam pescar do Rio Amarelo. As águas estavam contaminadas e o pouco que obtinham tinha prioridade de atender a corte imperial e o exército. De tal forma, praticamente já não havia mais crianças vivas e era até difícil procurar por mortos quando mal parecia haver gente viva na cidade. Vestindo uma capa de inverno sobre suas penas e sem a máscara, Karakal procurou saber dos cadáveres, dizia ser um sacerdote taoísta e tinha toda a instrução para agir como um, então soube que todos estavam sendo levados para as masmorras do castelo. O castelo ficava cercado pelas águas e os seus diques eram bem mais limpos que os outros da cidade. A região subterrânea era limitada, então havia pouco para procurar. A noite, Karakal entrou no palácio e começou a esgueirar-se em busca de respostas. Sentia cada vez mais forte a energia negativa ali e conteve suas próprias emanações de Cosmo a fim de não ser percebido. Quando finalmente sentiu o odor da morte novamente, viu um portão de ferro que dava saída para as águas e várias trilhas de passos arrastados seguiam por ele. Do outro lado do corredor encontrava outro portão e ali uma pilha de corpos recebia a descarga deles por cima, num acesso específico por onde os soldados arremessavam os cadáveres. Os soldados tinham evidente temor e asco daquele trabalho, mas não contradiziam o tal “lorde Shiang”. Ali viu apenas um homem mais forte e armado em revista de uma tropa de soldados com lanças e arcos à beira da pilha de corpos. Eles não respondia às suas ordens e Karakal entreviu um brilho azulado de seus olhos. Eles pareciam fita-lo apesar da capa preta escondê-lo bem. Até que o próprio comandante virou-se e ordenou que o invasor se revelasse. Karakal o fez e espalhou sua energia positiva sobre a área, o que fez recuar vários dos soldados que chiavam em rancor. Os primeiros dispararam suas flechas e a psicocinese de Karakal as desviou. Ele posicionou-se à saída do corredor como se fugisse, isto atraiu os inimigos em coluna e ele os varreu numa única carga com a espada ainda coberta, usada como um remo sobre eles. De pé a frente dos oponentes, Karakal sentiu uma fisgada em seu ombro e notou uma fina perfuração ali. O comandante tinha sua lança de alguma forma preênsil em sua armadura e de maneira geral lembrava ele mesmo um tigre, mas alado. A ponta da lança tinha muitos espetos além do cravo central e a máscara do homem cobria quase todo seu rosto, exceto olhos malévolos que se apertavam um pouco mais enquanto ele sibilava novamente: - Quem é você, Tigre Negro? - Me chamam Karakal, mas eu não sou tão estranho a estas terras quanto você, amásio da Morte? - Warrh! Sou Shen Diao, Espectro da Estrela Terrestre da Guerra, a Mantícora do Rei dos Mortos! Não que você saiba o que é isto, xamã tolo. Vou arrancar sua pele e oferecer seu yin a Hades. Não havia tempo para mais esclarecimentos, embora aquilo fosse vagamente familiar, o fato é que o veneno se alastrava pelo corpo de Karakal e impedia o uso de um dos braços para manipular seu Sabre do Dragão. Com uma mão apenas ele tinha menos velocidade para atacar, portanto concentrou-se em defender e usar o sabre como barreira para as ferroadas. Ainda assim, o veneno se alastrava e acabava perdendo mais velocidade, sendo ferido por um segundo aguilhão. O oponente debochou da sua coragem, bem como da hesitação em usar a arma, “grande demais para um homem usar direito mesmo que tivesse as duas mãos livres”. Perdendo o tato de parte do corpo e vendo a rigidez se espalhar, Karakal era alvejado uma outra vez enquanto liberava uma carga “yang” por seu corpo e afetava sua fisiologia num choque. Cumulado de energia negativa, surpreendia Shen Diao e de repente, seus cabelos cresciam para além dos ombros, negros. Os olhos amarelavam-se enquanto os braços pulsavam e o seu corpo se arqueava, até concluir com um ronco profundo a mudança. Não houve muito tempo mais para Shen Diao reagir, Karakal curava seu corpo com a Síntese de seu ser com a parte feral do seu espírito. Sua Cosmo Energia também se expandia por seu corpo e num único avanço, partiu o Espectro ao meio com a enorme espada em brilho azul. Terminou o giro atrás do oponente e o torso do Espectro se virava. Ele tinha o sangue escapando do corpo, escuro e viscoso, diverso de um homem normal e procurava rir, gabando-se da sua imortalidade. Então Karakal emanou sua energia “yin” novamente e naquele brilho queimou Shen Diao até as cinzas, o que fez desaparecer de volta aos infernos também sua armadura de Mantícora. De volta à forma habitual, Karakal prostrou-se fatigado Logo uma série de soldados o cercou, pelo corredor desciam soldados dos Jurchen e ao seu lado ou aos seus pés as pilhas de soldados tornavam-se espectros trevosos enquanto surgia das sombras no meio deles um outro homem de armadura sombria. Era desta vez uma figura menos agressiva e tinha um cabelo branco quase brilhante. Karakal ergueu-se com a espada servindo-lhe de apoio e notou que a energia deste homem era ainda superior. A frente dos soldados imperiais um comandante em trajes nobiliárquicos levantou os braços para os lados anunciando uma surpresa: - Este é o vagamundo que tem o Sabre do Dragão, Lorde Shiang! Homens, detenham-no! Os soldados humanos sacaram suas bestas e dispararam dardos que não passaram do lado dos braços do nobre Jurcheng. Eles também sentiram a forte barreira que impedia eles de cruzarem seu caminho e depois uma força espalhou-os em várias direções, causando um estalo agonizante em seus tímpanos. Em seguida foram os espectros do outro lado e giros de espada os dividiram e lançaram longe de Karakal. Ambos os lados aos poucos se levantavam, mas Shiang sorria apesar do aparente fracasso. Karakal por outro lado ofegava. - Hah! É irônico, no mínimo. Você é um Tigre Negro que acabaou de matar o Tigre Devorador de Homens, Mantícora e por causa da minha aparência e domínio das artes da morte, os homens me chamavam de Tigre Branco, como o guardião do Oeste. - Har... Eu também vim do Oeste... Shiang? Você também é um Espectro? - Sim. Sou o Espectro da Estrela Celeste da Sombra, o Necromante. Eu vejo que está precisando descansar, mas é um homem valente e tal como um tigre no inverno, mesmo faminto irá continuar a lutar até a morte. Eu sou o tigre outonal, já devorei muitos homens, mas um a mais apenas me tornará mais poderoso... Eu posso poupá-lo... - Se lhe der a espada? Nunca! - Esqueça a espada, aquele a que sirvo não precisa comandar mortais. Eu quero que se junte a nós, como meu discípulo, posso te ensinar o verdadeiro sentido da imortalidade! Eu vejo que mais do que um mero lutador, você também é um lemuriano. Não sabe em quão alta conta será tido em nossa hoste se tomar a decisão mais sábia agora. Suor escorria a ponto de incomodar a vista de Karakal, mas não podia baixar a guarda ou os soldados o capturariam. Podia fugir, mas naquela distração podia ser capturado por Shiang. Lembrou-se da sua promessa a Xi Wangmu, verdadeira senhora do Oeste, e riu-se. - Posso saber qual é a graça? É o desespero? Não precisa se importunar, basta considerar minha oferta e poderá ficar até com sua espada. - Lorde Shiang! Mas são as ordens do Imperador que... - Silêncio! O imperador Jurcheng é apenas um meio para o verdadeiro Imperador Divino. E ele demanda que os fortes estejam ao seu lado ou se rendam. Fale agora, qual é sua decisão, Karakal? - Heh... É que me recordei de uma conversa com alguém que antigamente os imperadores, aqueles que realmente queriam receber um mandato do Céu e não das Profundezas da terra, e ela presidia o Oeste, não um tigre... mas saí de lá disposto a encontrar um Jabuti Negro no Norte. Eu acho que acabei de encontrar! Conhece a história dele? O general jabuti e o general serpente. Hah, é curioso porque eles eram demônios antes de se arrependerem. Então, o que acha, Jabuti Negro, gostaria de se arrepender diante do Céu Eterno? - BAH! Insolente! Morra, sua espada vai trazer a morte de milhões de vermes como você e as hostes do Imperador são infinitas! Shiang liberou um ataque de sombras combinado aos seus espectros, enquanto Karakal girou sua espada entre eles e os agressores vivos, que depois de caírem, levantavam-se novamente para lutar mais uma vez. Karakal penetrou as forças do inimigo e lançou seu Sabre do Dragão contra a armadura de Necromante, mas esta era feita de material ainda mais poderoso e a lâmina chinfrou. Surpreso, mas acuado, Karakal recorreu novamente à síntese de suas energias e fortaleceu-se ao máximo, até lançar seu mais poderoso golpe contra o Espectro. O elmo deste partiu-se e seu Suplício rachou, mas o mesmo aconteceu com sua espada. Misteriosamente, um rolo de pergaminho caiu dela. Jamais tivera Karakal ciência daquilo e não teve tempo de recuperar o tomo, pois as sombras de Shiang engoliram o papel. O Espectro escondeu-se de Karakal, que rosnou enfurecido. - Hah! Este é o Tomo de Wumu! Era este o poder que a espada continha! Você fracassou, Karakal, esta guerra e a Verdadeira Guerra mudarão... Espere, onde está a outra metade? - Metade? – uma sombra empurrou Karakal e derrubou a espada partida dele. Revirando o metal, nada mais estava oculto ali. Quase em Frenesi, Shiang sacudia a cabeleira branca manchada de sangue furiosamente. - Maldito! Onde escondeu a outra metade? Diga-me! Levem isto daqui, o Imperador precise saber! – os espectros desapareceram nas trevas com o rolo de papel. - Feh! O equilíbrio é feito de duas partes, sempre, Jabuti. É a sua última chance, Jabuti, você se arrepende e manda seus criados voltarem, ou terá que conhecer realmente as trevas, onde ficará para sempre... - Homem louco, vai se arrepender no Inferno por isto. Será odiado pela traição de deixar a relíquia em nossas mãos e culpado pela morte de quem porta a segunda parte deste tomo. Quantos anos de dor estão pela sua frente? - Não será para sempre! – Karakal circulou as mãos em torno de si e combinou sua energia novamente. Corria um risco gigantesco naquela técnica e executava-a contra alguém pela primeira vez, mas não hesitou. - PUNHO DO DEMÔNIO IMORTAL! Lançou um soco de palma aberta que deslocou o ar com o Sétimo Sentido em plena potência, mas além disto, projetou seu espírito e com mesmo ímpeto atingiu o inimigo. A alma separada do corpo de Shiang gritou em silêncio para os ouvidos, mas fez convulsionar todos os espíritos presos nos corpos até que ficassem quietos. Karakal voltou a si prestes a desmaiar, mas o corpo de Shiang caiu vazio ao chão depois disto. Sua mente ainda conseguia ouvir o homem agonizando, mas Karakal não se apiedava dele. Recolheu os fragmentos de sua espada e interrogou pela mente o nobre aterrorizado pela luta e a recente explosão. Ele não sabia para onde a relíquia tinha sido levada. “Perdida!” Então desapareceu dali deixando um cheiro de chuva para trás. Capítulo Oito – O purgatório do metal “Eliminar impurezas, purgar o metal é necessário para que ele fique mais forte, assim temos mais tendo menos” Aarati, Haddied Esper. 1233-1251 Após as chuvas frias de janeiro e a fuga do Imperador Jurchen, Kaifeng caiu sob as hostes de Ogödei sem resistência. Já Karakal, sem encontrar Tung-pin e envergonhado pela ruptura da espada que lhe fora confiada por Xi Wangmu, decidiu reconhecer que era hora de voltar a Jamiel. Era preciso saber o que faziam Espectros influenciando reinos humanos e não se recordava senão de vagas menções de Tung-pin sobre as lendas dos Santos e dos outros lemurianos que se juntaram à Ordem de Athena e participavam da Guerra Santa contra Hades. Além disso, eram os alquimistas responsáveis pela criação das Vestes Sagradas, as armaduras de ouro, prata e bronze, poderia conseguir restaurar o Sabre do Dragão com eles. Além disto, talvez soubessem do paradeiro de Tung-pin e da história do Tomo de Wumu. Encontrar Jamiel não fora fácil, mas após seu embate com Shiang e toda sua experiência, não havia barreiras para ele alcançar aquela que fora sua terra natal. Suas plumas estavam rubras, pois já era Verão e quando viram o “tigre alado” caminhando até as casas dos lemurianos, não demorou até que uma patrulha de guerreiros o abordasse. Qual não era sua surpresa de ver à chefia da patrulha seu próprio pai. Como antes lá estava ele guardando aquelas montanhas, não o reconhecia, tendo contudo algumas marcas da idade na sua face – envelhecera precocemente devido ao desgosto pela perda do filho. - Alto lá, quem é você? - Sou Karakal... O senhor é Byakhra Sadavir? Esposo de Saka? - E ultimo do meu nome. Como sabe quem eu sou? Você por acaso veio do Norte? - Sim... E também do Leste. Mas meu destino é no Oeste. Ou aqui. - Aqui? – aquele homem estava confundindo tanto Byakhra quanto os outros patrulheiros. Karakal. - Sim, porque eu acho que nasci aqui, que tinha um pai chamado Byakhra e uma mãe chamada Saka, também acho que eu era o último do meu nome, Sadavir. Mas faz muito tempo que ninguém me chama assim, então não sei se ainda mereço ser. Infundindo um sentimento misto de ira e afeto, Karakal turvava a visão do pai com lágrimas. Os demais patrulheiros ficaram confusos, mas começaram a entender antes que o homem segurasse Karakal pelos braços e balançasse seu corpo o bastante para rolar a cabeça de tigre para trás e viu o rosto jovem de seu filho. Estava tão maior e mais forte, mas ainda conseguia ver a face do menino que ele mesmo treinou a ser guerreiro. - Tem que ter muita coragem para vir aqui e se chamar Sadavir depois deste tempo todo, Chakor... Seu... Seu... Sua mãe ficou tão preocupada e que história é esta de Karakal e isto tudo? - Peço perdão, meu pai, mas eu realmente não sabia quem era por muito tempo em que estive longe daqui e quando descobri, eu já era este Karakal que você está vendo. O pai franziu o cenho e deu-lhe uns tapas nas costas e um abraço confuso, virou-se para seus homens e falou que seu filho tinha voltado a Jamiel, não tinha morrido e que era uma boa nova naqueles tempos. Tempos sombrios, mas não naquele dia. Logo a notícia se espalhou, afinal, uma cadeia de pensamento, sussurros e comentários e uma novidade estava insatalada na terra lemuriana. A sua mãe estava fora de casa e o pai pediu que ele esperasse, pois ia busca-la onde estivesse. Mesmo assim Karakal, Chakor, pôs a cabeça para fora da casa dos pais e viu os outros espiando onde estava. Acenou e olhou para o horizonte suas montanhas eternas. Sorriu e sentiu que alguém tinha chegado ali perto. Um aperto voltou ao seu coração e esgueirando em torno da casa circular vinha a senhora sua mãe. Assim como o pai, os anos foram inclementes, com o vento riscando sua face. As mãos dela estavam algo coloridas pela tinta dos tecidos que ela manipulava, mas ela não conseguiu evitar de tocar seu rosto, ficando encabulada pelo vermelho que tingiu nas bochechas do filho, que apenas riu – já estava todo de vermelho afinal. Logo alguns lemurianos mais se reuniram, eram poucos, como sempre, mas parecia haver até menos do que se lembrava – e se lembrava vagamente. Alguns riam do moço estranho que era, com dedos vermelhos pintados na cara, parecia uma figura de histórias de alhures, vindo de alguma tribo remota e a cabeça de tigre ainda ajudava mais. A mãe o trouxe para dentro, lavou suas mãos e a face dele com cuidado e carinho, enquanto o pai girava pela casa, clamando por respostas e histórias, de volta à velha empolgação que tinha, ou quase isto. Seu filho deixava as palavras virem devagar, como agradava a mãe, mas também acalmava o pai. Ele começou do final, vinha da China, tinha consigo um artefato que precisava de reparos e tinha visto coisas que lembravam-lhe da história das Guerras Santas, o que os pais soturnamente confirmaram. Então pulou o Espectro e falou de Tung-pin, dos xamãs das estepes e a guerra dos mongóis, daí chegou aonde “Karakal começou”, no Monte Kunlun. Falou que era um lugar sagrado, procurado por Amir, mas com a confusão de que era ali um pedaço de Lemúria. Não era o caso, mas era um lugar diferente. Contou brevemente do suplício que passou até conseguir compreender seu poder, falou de como Buda respondeu a sua prece, ou algo deteve a fera e isto levou-lhes inevitavelmente ao assunto da sua família nômade. - Amir... O seu filho Batur o matou em conluio com o cunhado dele. Os homens-fera da montanha mataram os dois e eu acabei preso, de corpo e espírito. Foi aí que eu esqueci que era Chakor e quando escapei, eu já era Karakal... Como... Como ficou Sibel e os outros depois disto? Deve ter sido difícil para eles, mas quando voltei, eu já não os encontrei mais. O pai coçou o queixo, depois a nuca e o cabelo. A mãe retirou o prato de comida do filho e sorriu quieta. Byakhra inspirou fundo e falou. - Vamos ter que falar como Anzjani. Ele... Vai mesmo querer falar com você. Nós tivemos que convencê-lo ao casamento e quando... Quando aquela tragédia aconteceu ele ficou muito aborrecido conosco, afinal, fomos nós.... Fui eu que criei aquela situação e coloquei você em apuros. Ele determinou que nós trouxéssemos a família deles para cá e apesar de Sibel ter guardado alguns anos de luto, foi determinado que o luto acabasse no décimo ano e a partir daí ela procurasse um outro noivo. Eles... Agora vivem perto daqui. E têm um garoto, já é quase um homem feito, tem uns 22 anos e é aprendiz de ferreiro além de ajudar no rebanho... – interrompeu-se, com receio de estar aborrecendo o filho, mas não era o caso. - Está bem, pai. Ela está certa e tenho certeza que ela escolheu um bom homem. - Mas nós temos que falar com o Anzjani, ela era... Ela ainda é sua esposa, você não morreu, nem abandonou o lar, foi ... Sequestrado e ela ainda é jovem, uma mulher madura. - Byakhra! – advertiu sua esposa. Karakal sorriu e o pai ficou desconsolado, mas havia algo mais a fazer naquela visita ao Anzjani. Ela aconteceu antes mesmo de rever Sibel, ainda naquela tarde. Jacques Pieters já era o ancião quando autorizou o casamento e partida de Karakal. Tinha pouco tempo de nomeação e o fez por consideração a muitos fatores, entre eles a previsão de retornarem e poderem gerar herdeiros. Em vez disto, perderam-se vidas lemurianas em uma busca patética por fantasias, além de perderem o único filho da casa Sadavir. Por compensação, trazer Sibel, sua mãe, tia e primo fazia algum balanço, ainda que tivessem costumes diversos dos tradicionais, após se adaptarem, assim como aconteceu com ele, criado na França e agora Anzjani responsável por guiar toda aquela comunidade. Já o retorno de Chakor o deixava intrigado, até porque acreditar na sua versão na história era um primeiro desafio. De fato, ele tinha um espírito forte e aquela capa indicava que alguma espécie de alquimia havia alterado as plumas e a pele dos animais usados. Ainda assim... - Desde quando recuperou suas memórias, Chakor Sadavir? - Eu não me lembro de tudo, ainda. Muito ficou esquecido, inclusive o caminho para Jamiel. Meu nome mesmo foi uma das coisas que mais demorei a recordar. - Mas quando é que se recordou que tinha deixado para trás uma família, uma mulher, pai, mãe? - Há cerca de um ciclo de anos, mas estava estudando o Tao e só vim a entender realmente o que estava para trás há cerca de uns trinta anos. - Hum... E não pensou em deixar para trás estes seus estudos e voltar às suas obrigações, como marido e Guerreiro de Jamiel? Você traiu a nossa confiança em seu discernimento e no de seu pai. A troco de quê? Iluminação? Você é agora mais próximo de Deus que nós? - Eu estava em busca de equilíbrio, mestre Anzjani. Meu corpo e espírito estiveram à beira de se separar e eu precisava completar a união entre as partes. A síntese, terkip. - Fale nossa língua conosco, ou pense apenas, garoto. Não este chinês... - Turco... - Que seja! Sua petulância custou anos de pesar à sua então companheira. Sabe quantos anos esta mulher do nosso povo esperou? Não foram os 10 anos que dei, mas os 50 anos que você prometeu que passaria com a família dela nos desertos e montanhas do norte. Agora você retorna, arrogante como um xamã dos mongóis, que estão agindo como se fossem os próprios arautos do Imperador dos Mortos, e ainda quer pedir a nossa ajuda?! - Humildemente, mestre Anzjani... - Mordienne! – o ancião tinha um ânimo forte e a irreverência tácita de Karakal não amenizava a situação. Sabia ele que não havia razões para o homem mentir, até porque sentia a verdade em seus pensamentos, mas além de não se intimidar, não parecia reconhecer sua ancilanidade como os outros. Refletiu, contudo, que talvez ele não fosse a quem ele atendesse como “ancião”. Se era verdade que ele encontrou com a tal “Senhora do Oeste”, ela teria pelo menos o dobro da sua idade, o que não a tornava uma autoridade maior, não era deusa, Athena sim. E ela precisava deles, afinal. Isto reforçava a premissa das notícias do leste e pediu logo que ele falasse o que encontrou. Karakal mencionou as “energias negativas” que sentiu em suas viagens, culminando no encontro com dois espectros. Novamente a narrativa parecia inverossímil, apesar da verdade estar banhando as palavras de Karakal. Se aquilo fosse verdade, ele tinha despertado o Sétimo Sentido, era o mínimo que se podia deduzir. Contudo, havia a espada para colocar um porém, talvez fosse por causa dela e além do mais, ele quebrou a mesma. O Anzjani examinou os fragmentos e reconheceu que o metal era raro, um ferro muito puro, talvez estelar ou apenas sob um controle muito bom de temperatura e pressão, mas agora era apenas metal, poderiam ser de uma técnica como a do Aço de Damasco ou o Hagane japonês, mas já o livro de Wu Mu, lembrava deste nome. Dispensou Karakal para refletir sobre o assunto, determinando que ele não saísse de casa até se decidir sobre seu caso. O Anzjani perguntou sobre Wu Mu para o Conselho e com ele se reuniu para chegar ao consenso do que fazer. Jacques descobriu que este foi o nome dado ao general Yue Fei, ele tinha sido decisivo na vitória dos Song contra os Jurchen, justamente os Jurchen que agora procuravam o livro de sua autoria. Yue Fei tivera uma inscrição precoce no exército e progrediu rápido no domínio das armas. Tinha algo em similar com a origem de Chakor, mas acabavam por aí as semelhanças, já que Yue Fei era um sinônimo de lealdade e competência, em 7 anos tinha sido feito general de um dos maiores exércitos dos Song e seu exército cresceu e venceu interminavelmente até ser determinado que fosse feita a paz e ele voltasse à corte... Tudo indicava que além de general competente, ele também dominava poderes sobrenaturais no estilo dos taoístas de controlar o Cosmo, até porque os Jurchen também contavam, não só desta vez contra os mongóis, mas em outros momentos também de seus recursos místicos. A questão para Jacques era: se havia metade dos seus ensinamentos guardada em uma espada daquele tamanho, só era possível acreditar que havia um par e que naquela outra espada estaria a segunda metade – e Karakal devia ter obtido a mesma de uma mesma fonte. Tal recurso poderia ajudar na iminente Guerra Santa e era melhor ainda que Hades tivesse qualquer reforço a mais. Karakal ficou pouco tempo em sua “reclusão domiciliar”, a casa era pequena para o que ele lembrava, afinal, ficara maior, mas aos poucos lembranças vinham à tona e sentia que amava aquele lugar. Sua mãe e o jeito silencioso dela, ou a empolgação súbita do pai, que oscilava entre se incomodar como ancião, com os vizinhos comentando ou com o próprio filho, que “causa confusão demais para quem estava morto até horas atrás”. “Imortal”, que piada de mau gosto darem este tipo de nome para o que ele tinha aprendido. Sua mãe lhe deu trajes “adequados” para um lemuriano e pouco depois de se vestir, foi chamado novamente à presença do Anzjani e do Conselho. Questionado sobre a segunda espada, Karakal não tinha certeza se a Espada Celestial de Tung-pin continha também um pergaminho, pois era menos larga que seu sabre, embora também fosse bastante pesada. Preservando a discrição do amigo, bem como falando a verdade sobre seu paradeiro, disse que não sabia, embora tivesse uma ideia de onde poderia estar, com quem poderia estar, mas sinceramente não sabia, só acreditava que não estava em mãos inimigas. Irritou mais uma vez o Ancião, mas este já tinha deliberado com os demais membros e tinham se decidido sobre sua petição para reformarem a espada. Ele mesmo teria que fazer isto, mas para ter o direito de aprender o ofício de artesão, teria que começar como “mineiro”. Depois de ser bem sucedido na busca por minerais, poderia voltar a viver em Jamiel e treinar com os outros aprendizes da alquimia e metalurgia lemuriana. Demonstraria assim sua lealdade e daria algo em troca do conhecimento, sem pôr em risco a segurança de Jamiel devido a seus contatos suspeitos no exterior. O próprio Haddied Kaptan confirmava que aquilo era mais que um castigo, mas uma missão importante e um teste de valor. Os “mineiros” eram também conhecidos como “caçadores de estrelas” e para concluir tal tarefa precisaria de instruções com os seus aprendizes antes de partir, tão logo estivesse pronto. Karakal não resistiu à decisão, pelo contrário, sentia-se “deslocado” ainda e talvez fosse uma boa forma de se acostumar. Poderia ajudar daquela forma, mas sentia que não era realmente a forma mais útil de ajuda. Seus pais ficaram bastante sentidos da decisão, mas a comunidade já estava acostumada com o rigor do Anzjani e os anos não o deixaram mais suave. Karakal também permitia que havia uma sombra a mais sobre o homem, seus pensamentos cogitavam certamente se o que Karakal aprendera da velha lemuriana no Norte não eram “também” uma ameaça. Karakal intuía que era visto como ameaça, mas não sabia qual era o precedente que assombrava os pensamentos do Anzjani. De qualquer forma, fechava os olhos, era bom dormir de novo sob as lãs tecidas por sua mãe, mesmo que por uma noite apenas. No dia seguinte iniciou sua instrução com os ferreiros de Jamiel, uma Esper, Aarati, havia sucedido o outro que falecera há duas décadas, em circunstâncias que pareciam ainda marcar sua sucessora, que parecia ter admirado bastante o antecessor, Nanak. Já Aarati tinha seu próprio admirador no jovem Katir. Katir tinha uma familiaridade nos traços que causou um frio no espírito de Karakal, seguido de um calor. Já o rapazote, vinte e poucos anos, estranhou muito a sua chegada e o evitou, como se fosse alguém ruim. Todavia, fora ele que Aarati confiou ensinar o básico da compreensão do pó de estrelas e outros artigos que seriam necessários na forja de materiais e onde eles poderiam encontrar isto – teoricamente. Diante do pedido dela, Katir não pôde evitar, mas Karakal foi quem teve que destravar o diálogo, dizendo “não se preocupe com quem eu fui, pense que eu nasci quando entrei nesta oficina. Assim você também não precisa se preocupar com seu próprio nascimento”. Assim guardaram silêncio sobre o tópico e quando os pais de Karakal o visitaram ali, ficaram pasmos de saber que o filho de Sibel estava instruindo aquele que fora um dia esposo de sua mãe. Sem perceber, por competir com a rápida compreensão de Karakal, Katir progredia mais rápido em seus estudos e estava ficando mais contente com as boas impressões que causava a Aarati. Também aprendia com algumas das inferências de Karakal e sua sabedoria, quando lhe dava ouvidos, mas fez de tudo para que ele não visse sua mãe. Até perceber que sem querer o mencionava em casa, embora não na presença de seu pai, outro guerreiro por ali. O aborrecia ver como a mãe parecia contente de ouvir aquelas poucas palavras sobre Karakal, mas ela desmentia qualquer afirmação de que ela quisesse voltar a estar com ele. Antes de partir, o único reencontro que teve fora com Yavuz. Ele estava bem mais velho, mais parecido com Amir quando o viu pela última vez. Ele tinha feito família por lá, mas não ocupava uma posição muito notória, era pastor também e estava satisfeito. Não foi um encontro longo e Yavuz ficou satisfeito de Karakal não lhe pressionar por respostas. Viu Sibel uma vez de longe, seguindo uma águia que parecia treinada. Ela fez um afago na águia e Karakal teve a impressão de sentir o toque em sua nuca, como quando ela o acarinhava em seu colo. Então partiu para o sudeste e além da região da Caxemira, em busca de estrelas cadentes e meteoros. A busca se deu por uma região que seu pai antes patrulhara, nos arredores de Balkh, Bactra, em grego. Embora pudesse investigar as estrelas, Karakal verificava entre os homens rumores e indícios de asteroides ali caídos nas características que procurava. Os mongóis haviam passado por lá havia quase 15 anos e a cidade estava agora sem fortificações, embora ainda contivesse muitos livros, em árabe, sânscrito e até em grego. A fusão de saberes ali encontrada era fascinante e à guisa de obter mais informações sobre as cavernas, Karakal aprendeu bastante em suas bibliotecas. Sua aparência era a de um viajante local qualquer, com um turbante cobrindo suas marcas lemurianas e com facilidade de tratar com os governantes impostos pelos mongóis, devido à facilidade com o idioma e costumes já conhecidos. Fascinante também eram as construções que remetiam à cultura helênica e os budas escavados nas cavernas, cavernas estas que depois de anos de exploração revelariam o gamânio que era necessário ao reparo das armaduras. Esteve sempre bem perto, mas encontra-lo exigia o completo domínio do Sexto e Sétimo sentidos, o que era o atual nível de Karakal. Sua descoberta apenas levou a novas explorações e ele se revelava cada vez mais eficiente, voltando de cada expedição após alguns meses com novos materiais, pó de estrelas, diamantes, até oricalco no Oceano Índico. Também obtinha espécies diferentes de plantas e descobria suas propriedades experimentando-as com seu Cosmo. A cada sucesso, lhe permitiam que estudasse um pouco mais do reparo das armaduras a partir daqueles materiais. Alguns confrontos com forças de Hades traziam tal necessidade e armaduras que descansavam há mais tempo precisavam ser reabilitadas para que novos candidatos as usassem em tempo de servirem à Guerra Santa. Em um desses reparos, Katir usou muito de seu próprio sangue e a intervenção da Terkip de Karakal o salvou. Alterando a fisiologia do garoto, fez o coração dele bater mais devagar e regenerou seu corpo, enquanto doou seu próprio sangue ao jovem, que depois de estabilizado, passou por vários dias de sofrimento até se livrar da influência caótica que era o sangue impregnado de energia de Karakal. Isto o fez ser novamente convocado ao conselho que viu com grande consternação aquela sorte de técnica. Exigiram que ele revelasse a origem, mas ele não podia levá-los ao Monte Kunlun, pois emissários poderiam acabar presos nos bosques de mudança perpétua. Tudo lhe dizia que aquele lugar era assim desde sempre e que a Senhora da Montanha apenas era sua guardiã. O Anzjani tinha uma opinião diferente e pensava que aquilo significava talvez um outro antro de “Vicissitudes”, pois isto encaixava perfeitamente na narrativa de Karakal. - Se não vai nos revelar mais informações, teremos que impedi-lo de continuar com tais práticas. Elas remetem a conhecimentos proibidos. Ainda que tenha usado tal saber para curar hoje um jovem, amanhã pode causar um desequilíbrio incalculável. Não é só a sua falsa “imortalidade” que ofende à natureza dos seres vivos, sua própria soberba de usar tais dons sempre que julga necessário exige uma atitude do Conselho para que isto cesse. - Então querem me prender dentro de mim mesmo, para que eu não possa mais controlar as mudanças que ocorrem comigo? Eu não serei o primeiro, mas é isto mesmo o que querem, agora? O Conselho estava reunido em uma audiência secreta com Karakal e entreolharam-se com pesar. Cada um assentiu mais uma vez até o Anzjani anunciar: - Não temos alternativas. Nós o isolaremos deste mundo e removeremos até o seu Sétimo Sentido. Enquanto seu corpo viver, e ele vai ficar assim por muito tempo, pois esta terkip sua não o deixaria morrer, vai ficar fora do samsara e eu não posso garantir que seguirá adiante, mas nunca foi nossa intenção lhe dar falsas esperanças. Se soubéssemos no que consistia esta doutrina que adquiriu, ainda que contra sua vontade, teríamos feito isto no momento em que retornou a Jamiel. Não há mais momento para hesitação. - Façam o que entendem ser preciso. Se posso, gostaria de ver meus familiares, ainda que não vá poder lembrar deles na minha clausura, nem depois dela, se um dia acabar, e de lhes informar que esta doutrina não é tão perigosa quanto parece. Ela é uma superação de um grau em uma escala que vai muito além do próprio corpo. A princípio, ela parece fazer jus ao nome de técnica da imortalidade, mas o espírito imortal prescinde da forma do corpo e é por isto que não temo a terkip. Em verdade, eu acredito que ela poderia nos salvar, através da compaixão infinita. - Athené! Athena detém a compaixão infinita e nela esperamos a vitória! Você está louco, Chakor Sadavir e não há razão para nos prolongarmos, isto não é um debate. Entrega-se? Karakal abriu os braços e deixou que eles o atingissem com o poder que lhe retirou os sentidos naturais, o sexto e o sétimo sentido. Era para ele ficar assim imóvel, mas seu corpo desapareceu, deixando no ar mais um pouco de cheiro de chuva e fumaça. Choveu naquela noite e alguns anos depois, veio a fumaça. Capítulo Nove – Mudanças “Nossa vida é a criação de nossa mente”, Buddha Gautama. 1251-1420 Karakal atingiu o oitavo sentido dominando além do Rupa e da Vedana, skandhas que já tinha conhecido por seu treinamento e lhe permitiam lidar com corpo e mente sem medo de que a cisão fosse torna-lo um fantasma errante, e chegava ao Sañña e simplesmente perceber o que ele já sabia, que não dependia daquela posição do seu corpo no tempo e no espaço. Seu corpo, efetivamente alijado dos seus sentidos, ainda podia ser tocado por seu espírito, que dele se separava no plano astral. Assim desapareceu dali para o lugar onde poderia se recuperar, nas profundezas do Monte Kunlun ao lado do lago subterrâneo que vinha do degelo do monte. Ali, como uma antena receptora, o Cosmo disperso pelo vento se reunia no gelo e fluía pela água, aspergindo com as gotas da queda d’água ao seu lado energia renovadora. Seu espírito fez o mesmo trajeto, mas com um pequeno retardo devido à realização de tudo que estava acontecendo. Ao se reunir com o corpo, não podia ainda “retornar” a ele, pois isto o aprisionaria naquela forma. Então esteve junto de si, como a água em torno da rocha, mas em movimento e não estático, ampliando sua compreensão do que ocorria. Não demorou até que os “homens-tigre” que ainda estavam vivos o encontrassem. Seus espíritos já não eram tão conturbados como antes e Karakal agora podia compreender perfeitamente que estavam sempre parcialmente destacados do corpo e por isto sua razão não se restabelecia senão quando acalmados pelas forças da Montanha. Ao chegarem perto dele, aconteceu o mesmo efeito e eles se humanizavam. Ali, em posição de lótus, eles ficaram preocupados sobre o que tivera acontecido ao “Mestre Karakal” e um ímpeto de vingança lhes ocorreu, detido pelos pensamentos de Karakal que chegaram às suas mentes. Em vez disto, eles foram convidados a ficar ao seu lado, meditando e adquirindo da mesma fonte de energia a fim de curarem as feridas em seus Sentidos. Após cinco anos cercado por eles, os homens já tinham barbas e envelheceram um quinto deste tempo sem nenhuma nova metamorfose. Sentindo-se mais completo, admitiu subir água acima até encontrar a caverna onde repousavam o espírito de Yu Shi e sua esposa. Além deles, encontrou um casal de pássaros que fizera seu ninho à entrada da gruta. Eram uma espécie de conexão física – ou nova encarnação – daqueles espíritos que se cuidavam em relativa paz. Yu Shi, o velho Hong Zhou, era um pássaro vermelho nas asas e com o peito negro e voou sobre Karakal como se ele fosse um intruso, efetivamente empurrando seu corpo astral para longe até manifestar-se como homem diante dele e questionar o que ele andava fazendo. Karakal contou sua história e Yu Shi entendeu que não cabia a ele ver a Senhora naquele estado, reconhecendo que apesar de ter mantido sigilo do Monte daqueles lemurianos que não estavam agindo com a mais reta sabedoria, tinha deixado para trás as relíquias que eram do tesouro dela e lhe perturbaria um retorno ingrato como aquele. Era melhor que ele aproveitasse para viajar e retornasse quando pudesse demonstrar sua gratidão em plenitude. Isto é, fazendo um bom uso de seu conhecimento, além de apiedar-se das almas de uns pobres espíritos loucos que ali estavam. Então Karakal partiu e viajando pelos ares seu espírito tomou a forma de uma águia de cauda comprida, que voou rumo ao Oeste até ser avistado por Espectros que rondavam a Europa. Seguiu sua viagem para o epicentro daquela confusão espiritual, o Santuário, mas não foi admitido dentro dele, pois este era protegido contra espíritos de maneira geral. Viu pela primeira vez como treinavam os Santos, como se esforçavam e voltavam, quando voltavam, exauridos de suas missões contra os Espectros e procurou acompanhar estes, para que regressassem em segurança e suas feridas não lhes roubasse a vida e a esperança. Todavia, a Guerra Santa foi levada às escadarias e quando tudo acabou, após um trágico choque de forças e uma abismal confusão no topo daquelas montanhas, envolvendo a cisão dos espíritos de deuses e uma profanação protagonizada por um lemuriano, conforme compreendeu quando ele saiu e foi levado para o cabo Sunion. Apesar da similaridade dos seus estados, Karakal não conseguia nutrir a usual empatia pelo sofrimento daquele ser. Seu sofrimento era tão diferente quanto sua agonia. Ele... Se apegava ao sofrimento, de forma que seu desequilíbrio ameaçava o próprio estado de Karakal como forma espiritual. Talvez por causa do ikhor divino, mas Chirag parecia distante da realidade de qualquer outro ser que já observara, mesmo Espectros. Apesar disto, Karakal sentia que não havia apenas sofrimento, mas melancolia e algo mais, uma esperança, por isto, vigiou aquele cativo por algum tempo, pelo menos até que a dor física dele parasse de perturbar tanto o que sobrava de seu espírito. Neste tempo, talvez fosse apenas percebido como um espírito selvagem qualquer, como aparentava, e se fez bem ou mal em observá-lo, não sabia dizer. Partiu quando parecia ser o fim e o corpo definhava enquanto o espírito sumia do alcance. Flamejou sua esperança para que ele seguisse o caminho certo e deixasse ir aquela energia que não lhe pertencia e voou de novo para o leste. Em mais décadas de jornadas como espírito, inspirando pessoas que reconstruíam aquilo que a Guerra Santa havia derrubado e procurando fortalecer sua essência a fim de conseguir entrar em Jamiel novamente, Karakal perdeu o momento em que o espírito errante de Chirag reencontrou-se com seus familiares, antecipando a fase final daquela saga para os lemurianos. Um dia, reviu o pai, ainda mais desgastado pela idade e pelo pesar, em uma de suas patrulhas nas montanhas e se revelou para ele, enviando-lhe algum conforto e se abrigando em seu peito, conseguiu forças para retornar à terra natal. Esteve nos sonhos dos pais e confirmou seu amor por eles, então seguiu adiante, revendo o jovem Katir e por fim, não se inibiu mais de procurar Sibel. Ele examinou a casa dela percebendo as marcas de seu caráter na decoração, os objetos vindos da vida nômade transportados para uma casa fixa. A luva para a águia. Por fim, o qu’ran refinado e envelhecido que fora um dia seu. Ela questionou-se se ela tinha se convertido, mas achou improvável, em Jamiel. Passou pelas páginas sentindo um alento reconfortante e não resistiu a visita-la em seu sonho também. Primeiro ela o viu como uma ave, num sonho agradável que tinha remetendo a sua juventude nas estepes. Ela o observava curiosa com a beleza das suas penas coloridas e o tamanho de suas asas e cauda, até que ela arriscava chamar por ele e finalmente se aproximava, voando perto dela. Não demorou até que ele pousasse e tomasse a forma de quando era jovem e a surpreendesse. Enquanto a emoção a sobrecarregava, ele viu-se adquirindo a feição madura enquanto ela permanecia a mesma, tal como quando se casaram. O rosto dela então flexionou em tristeza. - Nestes anos todos... Você desapareceu. Mesmo em sonhos como este, você nunca voltou. Era por isto que ela reconhecia que era sonho, mas ele sorriu. - É porque de outra forma eu nunca fui embora, não é? – colocou as mãos sobre os ombros dela, que sorriu espalhando as lágrimas e o abraçou. - Não foi mesmo! Mas você estava vivo! Você está vivo ainda, não está? - Sim, mas não da mesma forma. Eu ainda existo materialmente, mas bem longe daqui. Já o meu espírito ainda tem bastante a amadurecer. Há... Muito trabalho a ser feito no mundo espiritual e até isto acabar eu não posso retornar ao meu corpo, pois seria um passo para trás. - Mas... Dar um passo para trás pode não ser necessário para continuar o caminho? - Voltar não é sempre uma opção. Os ciclos precisam continuar girando e você, minha prometida, vai sempre impulsionar meu caminho adiante. Havia muito que ela queria lhe dizer, mas além daquilo, apenas fatos eram trocados enquanto ela deixava que suas memórias eram visitadas por ele enquanto o mesmo tocava sua fronte. Não precisava de palavras para mostrar o quanto ele fora importante, mesmo quando ela passou a criar o filho Katir. Ela também queria agradecê-lo, mas ele é que tinha um agradecimento incomensurável para ela, por ter guardado tão bem sua raiz. Antes de partir, ele disse que Katir tinha bastante dela, especialmente no coração. Faltava falar com o Anzjani, mas descobrira que Jacques perecera e Tahiil, um sujeito que era amigo de seu pai, tinha sido aclamado pelo povo como novo Anzjani. O peso do cargo atingia ele severamente, especialmente pela resistência do Conselho à sua nomeação. Era difícil chegar ao consenso e lidar com a rigidez à que estava acostumado o Conselho. Revelando-se a ele, Karakal pediu perdão pela desobediência, ainda que inadvertida, e o velho lemuriano não duvidou dele, afinal, era um espírito que o visitava com uma energia bastante pura. Ele não ousou convidá-lo a retornar, mas apenas porque Karakal não ousaria aceitar, não para provocar mais conflito com o Conselho. Ainda assim, Karakal ouviu o ancião e prestou seus conselhos a ele, acompanhando-o em uma longa meditação para lhe ensinar um pouco do que aprendera fora de Jamiel. No entanto, ele não aceitava tal saber e ao final dispensou Karakal, pois achava que aquele conhecimento estava contaminada pelo mesmo mal que Chirag. Sem desafiá-lo, Karakal foi embora e desejou que a luz infinita guiasse o caminho de Jamiel. Apesar de ter retomado suas viagens para cultivar o Tao como espírito e auxiliar na reconstrução do mundo, parecia muito trabalho para sozinho realizar. A peste, a guerra e por fim, a incursão de Chirag a Jamiel dilapidavam seu esforço e o tornavam inócuo. Ao retornar à Jamiel destruída, viu as pedras deixadas em memória de seus pais. Byakhra pereceu junto com outros soldados e sua mãe não fugiu à destruição que se espalhou pela cidade. Katir, descobrindo que sua amada Aarati perecera tentando defender o Haddied Kaptan, lançou-se contra Chirag e encontrou seu fim ao lado dela. Sibel, em desgosto, partiu de Jamiel com o esposo. Era uma desolação sem fim e um novo Conselho se erguia, com uma árdua missão de reconstrução. Po Nya fora um cavaleiro de Athena, assim como sua esposa e seus amigos. Seria alguém diferente naquela posição, mas Karakal traria novamente a sombra de Chirag se insistisse em seu retorno. Procurou derramar sutilmente sua energia pela terra e as pessoas de lá por alguns anos, evitando ser percebido, embora tivesse certeza que o Anzjani sabia que estava por lá, sem saber sua identidade. Por volta de 1420, quando várias crianças já tinham surgido em Jamiel e outros lemurianos haviam retornado, Karakal decidiu procurar por Sibel, que não retornara. Ele tinha tentado antes, mas ela estava realmente longe. Então decidiu ir além e revisitou o Monte Belukha, onde encontrou o marido de Sibel – viúvo. Era aniversário da morte dela, datada de 1371. Karakal disse ao homem que, apesar de seus mais de 200 anos, esperavam por ele em Jamiel. Que havia outros sobreviventes de sua família e novos descendentes tinham surgido. Ele não sabia quem era aquele espírito, mas agradeceu e seguiu conforme seu conselho. Karakal então retornou ao Monte Kunlun a fim de reaver seu corpo e prestar a devida homenagem à partida de Sibel. Em Kunlun os discípulos que tinham crescido com a instrução de Karakal já tinham chegado à idade avançada e apesar de alguns terem viajado pelo mundo onde ensinaram filosofia e artes marciais para a humanidade, a maioria tinha conseguido voltar para descansar nos confins da Montanha, tornando a lenda sobre ela ainda mais forte – e distante. Não havia outras pessoas procurando por ela naqueles tempos. Em paz com aquele legado e revendo as faces gratas dos discípulos, voltou ao seu corpo e ele parecia vazio. Não sentia nada por ele, mas sua consciência desperta alcançava os arredores e os discípulos. Assim, irradiou sua energia pelos chakras e rompeu os portões bloqueados até irradiar sua aura brilhante por olhos, ouvidos, boca, nariz e palma das mãos, por fim, da própria fronte e dos sete chakras. Liberto, partiu o quanto antes para as montanhas do Altai. Procurou incessante por um ninho de águia e colheu algumas penas e galhos. Fez uma caixinha com elas no interior e deixou-a na montanha, na estupa erigida pelo esposo dela e lastimou sua vagareza, apesar de tudo que enxergava passar tão rápido. Prometeu não deixar ocorrer novamente tal sorte de oportunidades passarem e encomendou a boa viagem, que tinha certeza já ter começado e seguido adiante, em novos ciclos. Retornando ao Kunlun, encontrou com uma figura dos Imortais em uma visita. Um dos poucos que preferia chegar lá andando e que parecia grato de não ter mais “tigres” no pé da montanha. Chang Kuo, naquela época um imortal, mas antes um Haddied Kaptan, via Karakal com certa surpresa, mas não mais do que a surgida quando ele se ajoelhou para pedir para aprender mais. “Sua fome não tem limites, não é? O que o faz pensar que precisa aprender mais, agora que apenas o Céu está além do seu alcance?” e Karakal o respondeu: - Meu objetivo não é alcançar o Céu, mas lhe mostrar minha gratidão. Eu escolhi continuar onde fui interrompido e eu preciso terminar de aprender como forjar como um lemuriano, pagar meus respeitos a Xi Wangmu e depois, depois voltarei a tentar empurrar a Terra contra o Céu, já que as profundezas nunca param de querer devorá-la. - É... Parece que tem muita coisa para fazer, olha, acho que você devia comer um pêssego. Depois disso, me acompanhe. Vamos juntar algumas coisas e aí você fará sua espada. É isto o que quer, não é? Karakal pegou o pêssego e notou o cheiro cítrico e a casca felpuda, rompida aos dentes revelando doçura e umidade. Era a primeira vez que usava os sentidos daquela forma depois de mais de um século. - Bom, não acha? Estar vivo, eu digo. E Karakal concordou. |
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| Maeveen de Sagitario | May 31 2014, 09:17 PM Post #5 |
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O Mais Veloz entre os Cavaleiros
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Epílogo Um novo ciclo “O nome de Karakal era tão misterioso quanto o próprio segredo de uma lenda, como conseguira passar silencioso por tantos eventos e ainda assim tantas marcas ficarem para provar sua existência, era algo difícil de aceitar, mas depois que está com ele, entende que seria tudo diferente se ele não estivesse ali” Jiao, aprendiz de ferreiro lemuriano. 1420-1549 Após viajar com Chang Kuo até as ilhas Penglai, onde naquele reduto de lemurianos reencontrava Tung-pin e terminava de dominar a Metalurgia Imortal, recebeu do amigo um pedido. Ele não tinha apenas aquela Espada Celestial, mas também uma outra, afinal, colecionava artigos do gênero e por isto, queria que Karakal ficasse com ela. Ele devia fazer uma espada à altura daquela e forjar o novo Sabre do Dragão sobre a alma de sua espada. Questionado sobre o livro de Wumu, disse ele que era por isto mesmo que ele devia ficar com aquela espada, para que um dia recuperasse a outra metade e completasse o artefato. Apesar da experiência toda de Tung-pin, ele achava que Karakal um dia precisaria ser um comandante de grande envergadura, ainda que não precisasse de um manual para liderar homens em guerras, pois seu desejo verdadeiro era mostrar um caminho de paz. Apesar do agradável tempo com os Pa Hsien, Karakal voltou a procurar por minerais que pudessem ser usados no novo Sabre, para integrar a liga com os antigos materiais e pelo ano de 1460 chegou a Jamiel para reclamar aquele material e sua capa de plumas e pele de tigre. Sua existência como lemuriano foi recebida com surpresa e confusão, pois parecia jovem, embora demonstrasse ser mais velho. Procurou obter a confiança de Po Nya e ajudar a comunidade antes de pedir pelos seus objetos, que Po Nya já presumira ser seu primeiro objetivo. Po Nya tinha naturais reservas quanto a Karakal, quando compreendeu quem ele era, mas não acreditava que devessem viver à sombra dos Buddadhev para sempre e o aceitou, para que completasse sua tarefa e vivesse ali, se quisesse. A espada foi concluída em 1470, enquanto isto Karakal procurou ajudar, mas não era bem aceito em todos os círculos – por não pertencer a nenhum ainda era um estranho. Ele levou pouco tempo para retornar ao Monte Kunlun e apresentar-se a Xi Wangmu, que prescindia de palavras para aprovar e reprovar toda sua caminhada até ali. Deu-lhe a espada por guarda, até porque ela estava incompleta ainda, já a capa, a capa sempre fora um presente. Karakal a esta altura já podia imaginar se não estava falando apenas com o espírito de Wangmu, enquanto o corpo dela permanecia imóvel, como o dele. Então por trás do biombo ela também comeu um pêssego, em vaga menção à própria mortalidade. “Perdoe a indiscrição, mas se até a Terra tem fome... Está servido?” A maneira com que Xi Wangmu se integrava a todos os seres da montanha não lembrava o que Karakal viu em Chirag e restaurou sua confiança de que dois caminhos podiam ter a mesma direção, mas por sua distinção, chegarem a destinos muito diferentes. De volta a Jamiel, as alegrias vividas naquele século passavam a ter seus pares de tristezas e Karakal procurou defender e amparar aquelas pessoas com a melhor dedicação que possuía, atraindo muito pouca atenção do Conselho a vê-lo como um rival, mas sim como um Conselheiro deles mesmos, quando estavam perdidos. Em particular, era interessante para aqueles veteranos lemurianos do Conselho que eram todos ex-cavaleiros saber o que alguém que não tinha a mesma experiência, mas outras tantas, tinha a dizer. Conheceu Jigme quando foi encontrado perto do Cemitério de Armaduras e pôde ali ser confundido com mais um fantasma que ali habitava, depois vieram a ser devidamente apresentados por Po Nya. Quando o rapaz começou a treinar com Po Nya, pôde contar com eventual apoio instrutivo de Karakal, especialmente sobre a história do Oriente. Contudo, esta postura suportiva de Karakal não evitou as dissensões diante da profecia de Po Nya em 1482, até porque Karakal se contrapunha à ideia de evitarem uma previsão pela sua chance de erro. Quando Sage e Hakurei nasceram, os visitou oferecendo presentes de boa sorte, espadas de moedas (http://primaltrek.com/coinsword.jpg) que ele mesmo coletara em suas viagens pela China com Tungpin para servir de amuletos. Quando crianças viam o “xamã” como um excelente contador de histórias, cada um com suas favoritas, Sage preferindo as guerras chinesas e Hakurei as viagens pelas montanhas na caça de minérios. Adiante foram ambos introduzidos no treinamento de Po Nya e se distanciaram mais de Karakal, que não tinha pretensão de interferir naquele destino, apenas preservá-lo. Neste tempo Karakal vigiou, cuidou e protegeu, oferecendo instruções de meditação, medicina e também de artes militares, em nada parecendo ao Conselho ameaçar a comunidade revelando saberes proibidos – que eles nem tinham certeza se Karakal os dominava mesmo. Sua aparência às vezes o fazia passar por um homem estranho, um feiticeiro ao qual se recorria por remédios e opiniões, mas ele fazia bem mais que isto, pois vigiava espiritualmente a cidadela como um reforço sutil aos outros vigilantes, como Lunion de Grou. Sua quietude interrompeu-se após a decisão do que fazer quanto a Daniki, por parte do Conselho. Com isto perderam uma integrante e também Lumiere, deixando o caminho que pretendiam tomar ainda mais intrafegável. Procurou assim, passar a monitorar mais intensamente aquela tensão entre o Santuário e Jamiel. Com a eleição de Stregao, Karakal alertou o Conselho que se mantivessem aquela postura, Jamiel que já tinha grandes guerreiros a serviço do Patriarca, estaria abdicando da própria defesa e arriscando seu papel. Sem sucesso, adotou uma postura menos discreta, causando alguma polêmica por contrariar alguns jovens exaltados e cada vez mais temperamentais. Seja verbalmente, seja por lições físicas aos que se arriscavam a desafiá-lo. Tinha por fim que reconhecessem, pelo menos, sua inaptidão. Foi censurado pelo Conselho por estar instigando mais caos, porém realmente não havia ninguém naquele momento que pudesse desdizê-lo. Pediu para treinar os jovens, mas sem apoio do Conselho somente um pequeno grupo se voluntariou. Aos poucos, ele adquiria a confiança daqueles jovens guerreiros e isto atraiu alguns mais, infelizmente, não o suficiente para deterem uma força poderosa o bastante para dissuadir os agressores enviados por Ares, o Deus da Guerra. Era um dia já bastante tumultuado por causa da reunião do Patriarca com o Conselho, por isto a chegada dos servos de Ares a serviço de Enyo a princípio pareceu uma confusão local e não um ataque estrangeiro. Ao primeiro verter de sangue Karakal reconheceu que não se tratava de um grupo comum e o grupo de Karakal se destacou rápido para proteger as pessoas e organizar a evasão de quem não podia se defender. Contudo, os números de Ares eram maiores e embora não oferecessem individualmente duelo suficiente para Karakal, não podia estar contra todos ao mesmo tempo. Em outros pontos de Jamiel ocorriam muito mais vítimas e por eles saltava Karakal, tentando proteger e evitar mais mortes. Com tal cenário, foi inevitável que uma grande multidão corresse em busca de proteção para a sede do Conselho, onde Karakal esperava haver mais proteção também – seus aliados tentavam em vão organizar a fuga enquanto ele ficava para trás cuidando de feridos e procurando outros invasores. Quando localizou um deles, perguntando sobre seu líder e propósito, sentiu a energia de Enyo nas vizinhanças do palácio e o servo dela apenas sorriu malévolo, contente por terem quebrado toda a ordem do lugar com sucesso. Enyo tinha uma força, mas era rivalizada por outros do Santuário algo em par com ela. Ao passo que os vis servos dela ainda estavam nos arredores ferindo principalmente os mais velhos que ficavam para trás em suas casas. A eles Karakal deu prioridade, devotando sua esperança nos cavaleiros de Athena. Entretanto, sentiu pesarosamente o estertor da energia de Daniki. A esta altura, já trilhando o Caminho das Feras contra um decurião inimigo, lançou seu urro de pesar e voltou à forma de homem, quando encerrou aquele que também era o último combate em seu fronte. Rumou então para o local onde se dera a batalha com Enyo, e deparou-se com Po Nya entre os sobreviventes. Aquele que até há pouco era o Anzjani retornara pouco depois do fim da batalha e de pronto passou a dar suporte ao Conselho na condução do rito de partida das vítimas. As pessoas em luto queriam respostas e os jovens, frustrados, culpavam os Santos que deviam estar lá, pois se Ares atacava, era uma Guerra Santa se erguendo, não um inimigo qualquer. Sussurravam o nome de Hades e as histórias dos seus Espectros entre os seus. Especialmente faziam isto pelas costas de Po Nya, culpando assim como Sara havia feito o ancião por muito do que ocorrera. Karakal então andou entre eles, fincou sua espada no chão e o eco se espalhou pelas montanhas. - Chega! O Santuário foi invadido há apenas cinco anos e todos nós sabemos que eles se preparam para uma Guerra que não teve fim naquele embate. Eu observei Jamiel por quase três séculos e também lancei meus olhos sobre o resto do mundo e o que eu vi? Eu vi que nós somos diferentes, mas ao fundo, iguais. Nós não estamos fora do samsara, nós morremos e voltamos e nossos erros fundam outros erros enquanto nossos acertos tentam restaurar o balanço. Todo o mundo precisa de equilíbrio e Jamiel faz parte do mundo, pelo menos, desde que o mundo nos acolheu com o fim de Lemúria! Meu pai de sangue e também aquele que me tratou como seu filho buscaram por uma Lemúria que se foi, um Reino perdido de bênçãos que não está neste mundo. Eles não o encontraram, não em seus ciclos, mas isto não significa que nunca chegarão lá. Nossas vidas não acabam aqui, as vidas dos nossos ancestrais não acabaram quando se foram, eles continuam através de nós, do que plantamos e do que colhemos. Cada cria que uma rez dá é a chance de que seu sangue não vai extinguir – e a chance de deixarem de existir para sempre. Se nós não cultivarmos, não cuidarmos de Jamiel, nós nunca chegaremos ao lugar que queremos viver. Eu não quero que Jamiel sofra, mas não posso evitar que ela sinta dor, apenas mostrar, como me mostraram, que o sofrimento é uma opção. Vocês querem sofrer? Um silêncio arrebatou o grupo, pois estavam envolvidos por aquela fala, mas temiam o tom e o poder de Karakal como uma ameaça real. Então Karakal retomou a fala, ainda mais intimidante. – Vocês querem sofrer?! - Não! – disse um jovem, ainda com o rosto marcado de cinzas e lágrimas e cercado pelos braços do pai. Karakal então se aproximou dele, em passos pesados e postura curva. - Ótimo! Então você irá se guardar contra o sofrimento, rapaz. Isto não depende de mim, nem dos Santos de Athena, mas de você. – apontou contra o peito do garoto. Depois do seu pai, segurando o seu ombro. – e de você. Cada um de nós deve ser um Santuário! E eu quero ajuda-los a serem. Eu tentei por anos e vocês me taxaram de louco, como se lutar não fosse algo fadado a todos, a dor, uma escolha. Tolice! Nós causamos nosso próprio sofrimento e é hora de parar. Vão para casa e cuidem de seus feridos. Vamos fazer este lugar ir adiante, para que o próprio mundo possa ir adiante. E o povo, consternado, saiu aos poucos, mas alguns aclamaram aquilo enquanto o exausto Karakal se apoiava na sua espada e revia o que acabara de fazer. Mais tarde, passou pelas casas vendo se precisavam de cuidados, mas muitos começaram a dizer que não era nada grave e podia dar atenção aos outros. Ouviu alguns agradecimentos e sentiu também as rejeições, que para sua surpresa eram menores do que imaginava. Po Nya, antes de partir, falou com ele brevemente, agradecendo-o e recebeu de volta o mesmo cumprimento, sem a típica censura que estava recebendo de outros. No segundo dia do ano novo, o Conselho o procurou para uma entrevista acerca do que acontecera e Karakal expôs suas preocupações de longa data com aquela fragilidade crescente. Reportou sobre a diferença encontrada entre soldados e lugares-tenentes e a força que sentiu vir de Enyo, bem como lamentou a perda de Daniki que não conseguiu evitar. Segundo Karakal, as ameaças não se restringiam ao que podiam ver ou prever, ao passo que uma sólida fundação, respeito pelos aliados e também pelos inimigos, pela tradição e, sem ressalva, pela mudança, era essencial para que cultivassem uma existência em equilíbrio e que poderia trazer Jamiel de volta a um ciclo de prosperidade. Não frágil concessão dos deuses, mas algo obtido por eles mesmos, como diria o próprio Buda. Um longo interrogatório revirou as crenças, história e habilidades de Karakal, revelando não existir uma ambição que planejara aquela intervenção anterior e questionado sobre a ausência de Po Nya, concordou que teriam mais chances se houvesse um Anzjani presente, mas não era certo. Não era sua intenção suprir a ausência de Po Nya quando começou a treinar seus próprios guerreiros, apenas julgou necessário. Quando por fim, os quatro membros do Conselho ali reunidos conferenciaram seus pensamentos, com a usual divergência entre os dois membros mais novos, Numus e Libinem, e os mais velhos, distintamente mais poderosos e mais moderados. Havia uma inclinação de Relicus e Dana de encerrarem a reunião apenas tomando Karakal como um possível candidato a membro do Conselho ou ainda a Anzjani, caso Po Nya não mudasse de ideia e voltasse a estar com eles. Já os outros dois entendiam que Po Nya já havia feito sua escolha e que Karakal representava uma renovação fora da trilha equivocada que eles quatro tinham começado. Reconheciam todos que ele não era um lemuriano exemplar na trajetória, mas isto mesmo apontava numa direção que soava promissora, pois se entendiam corretamente, ele treinara com uma das lemurianas mais antigas vivas, a qual os registros lemurianos falam apenas de forma lendária. Xi Wangmu teria vivido em Lemúria e partido para o seu exílio na montanha a fim de cultivar aquela antiga sabedoria em segurança, afastada da mortalidade crescente no mundo. Era um caminho que poderia ser explorado e uma conexão com o passado glorioso que podia ser restaurada. Ademais, podiam contar com uma competência tanto na alquimia quanto na forja e uma juventude invejável – a despeito de ser quase tão velho quanto Dana e Relicus. Havia ainda incerteza sobre a nomeação de alguém sem carreira no Santuário, mas fato era que os antecessores de Po Nya não tinham seguido tal trilha e antes dele, Yao Hun, Jacques e até aquele eleito pelo povo, Tahiil, não tinham tal histórico. Jacques, inclusive, fora até muito conservador e suas origens tinham origem tão estrangeira quanto seu nome. Antes tinham favorecido veteranos das Guerras Santas e pessoas com laços mais estreitos com o Santuário, mas isto não impediu a precipitada aclamação de Tahiil pelo povo e a presente situação. Karakal, filho do clã Sadavir, tinha raízes em Jamiel e no resto do mundo e se o Santuário não era mais um vínculo certo, tinham contudo fundamentos comuns para que se forjasse uma nova e mais poderosa aliança. Relicus, amargo pela perda de sua própria família também conseguia ter empatia pelas perdas que Karakal sofreu em sua própria miséria e da vantagem de tê-lo não mais como um aliado eventual, mas sim como alguém cuja responsabilidade o vinculava à sua Terra. Dana era a última a ceder, mas por sua ligação com Po Nya, sabia que o distanciamento de seu marido e sua ligação ao cargo não eram um empecilho para a decisão que agora lhes cabia tomar. Ao fim da longa reunião não lhes restou dúvida que era adequado chamar Karakal a ser o novo Anzjani. Aquela indicação foi tanto surpreendente quanto até bem aceita pela população, em particular pela figura de protetor gerada no último incidente, mas tal popularidade também estava fadada a atrair receio e pré-concepções. Karakal tinha ficado muito tempo lá, servindo sem exigir, mas ainda havia quem pensasse que aquilo tudo pudesse ser um longo engodo. Tal preconceito não encontrava amparo no que podia ser sentido e o novo Anzjani estava desde seu primeiro dia investido no cargo iniciando em Jamiel um processo para instruí-los a não confiar nas “verdades” e “mentiras”, mas sim na descoberta da verdade. Seu primeiro pronunciamento foi como uma aula curta e provocante. Ainda havia muitos a conhecerem aquele que era o Ancião responsável por guiar Jamiel na iminência de conflitos entres deuses e homens, mas que também tinha já cobrado seu preço e envolvido gravemente os lemurianos. [align=right]HISTÓRICO DA ARMADURA (ANZJANI)[/align] Nome do Usuário: KARAKAL Período de uso: 1549 Histórico resumido: Karakal nasceu em Jamiel, quando foi chamado Chakor Sadavir, casou-se com uma lemuriana muito jovem e alguns anos depois desapareceu em uma expedição e foi dado como morto. Sobreviveu e acabou recebendo um treinamento taoísta e xamânico no místico Monte Kunlun que durou décadas, vindo a retornar a Jamiel para retomar seu lugar naquela sociedade, mas apesar de ter começado a instrução no caminho da metalurgia, ao resgatar um outro aprendiz da morte foi julgado detentor de técnicas proibidas, devia ter sido enclausurado dentro de si mesmo, mas seu Oitavo Sentido tornou tal prisão inútil, apesar do efetivo exílio. Como espírito vagou procurando aprender mais e proteger as pessoas que reconstruíam o mundo após a Guerra Santa. Quando julgou que estava pronto, recuperou seu corpo no Mt. Kunlun e voltou a estar com os Pa Hsien para terminar o aprendizado da metalurgia, voltando para Jamiel quando já tinha se tornado um pleno ferreiro. Ali em Jamiel, sem mais parentes vivos, ficou como um estranho feiticeiro que ajudava quem precisava enquanto fazia suas próprias pesquisas. Conforme se aproximavam as marés de uma nova guerra, procurou treinar os lemurianos, mas não obteve apoio suficiente para ter conseguido ajudar mais na defesa contra as forças de Ares, ainda assim, foi um bastião importante naquela luta, entretanto, sua participação foi digna de nota. Dias depois acabou eleito pelo Conselho como novo Anzjani numa esperança de que possa equilibrar o balanço entre os interesses do Santuário e aqueles próprios da Raça. Situação Atual: Karakal assumiu recentemente o posto e ainda está ficando familiar com a nova maneira de ser visto e tratado. Pretende dar prioridade à reorganização e treinamento dos lemurianos, mas seus planos ainda não foram postos em prática. Espera em breve ter seu primeiro contato oficial com o Santuário - mas não só com eles, tendo em vista que tudo indica que há três facções, no mínimo, em movimento na Guerra Santa.[/SIZE] [align=right]HISTÓRICO DA ARMADURA DE MANTÍCORA - ESTRELA TERRESTRE DA GUERRA[/align] Nome do Usuário: SHEN DIAO Período de uso: 1170-1261 Histórico resumido: Shen Diao fora um guerreiro e lutador de artes marciais durante as guerras entre os Jurchen e a Dinastia Song, vindo do Norte, era tratado como um bárbaro, mas logo reuniu em torno de si um bando cuja aliança fora cobiçada pelos dois lados da guerra. Sua prática de assassinatos e pilhagem de vilas caracterizavam suas estratégias e era realmente bom duelista, apesar de complementar sua perícia com a lança com o uso de venenos. Sua rival foi uma assassina dos Song que não conseguindo matá-lo, tornou-se sua amante. Alguns anos depois, ela o traiu em definitivo e disse que os Song tinham em seu poder sua família para evitar que ele a estrangulasse. Sua tenacidade e dedicação ao espírito de luta o recompensaram com o chamado a usar a armadura da Mantícora, a Estrela Terrestre da Guerra. Situação Atual: Derrotado por Karakal, ressuscitou como outros espectros para participar da invasão ao Santuário, onde foi exterminado em definitivo e o suplício voltou a ficar a espera de um novo usuário. [align=right]HISTÓRICO DA ARMADURA DE NECROMANTE - ESTRELA CELESTE DAS TREVAS[/align] Nome do Usuário: SHIANG KHO Período de uso: 1030-1233 Histórico resumido: Shiang Kho fora um membro da nobreza Jin Tardia e alto funcionário do Império Khitan de Liao. Seus ancestrais alegavam ter sido imperadores legítimos, mas o fato era que tinham assassinado o último imperador Tang e agora serviam os imperadores Khitan, ele era professor da família real. Seus estudos o levaram à compreensão do Tao até conseguir dominar o Cosmo no uso da esgrima e assim, usou sua influência junto ao jovem imperador que instruiu para que lhe desse um papel ao seu lado nas campanhas contra o reino coreano de Goyreo. Adquiriu terras das conquistas e foi chamado de Tigre Branco do Oeste, em razão de seus cabelos brancos precoces e da bandeira da sua companhia. Porém, com o sucesso, passou a viver em luxúria e relaxou suas práticas e cultivo do Tao, cuja depravação levaram ao seu enfraquecimento e derrota em batalha. Humilhado, voltou-se novamente para os estudos e as técnicas proibidas de manipular a energia negativa. Envenenou seu corpo de tal forma que sua aparência pouco remetia ao jovem forte e nobiliárquico, então procurou os tomos a fim de chamar as forças das trevas, particularmente o deus Erlik, acabando por conseguir uma oportunidade de mostrar seu valor sacrificando todo o seu domínio, que prendeu e ateou chamas à noite, num incêndio que não manchou seu nome, mas levou milhares de vidas para o submundo, inclusive oferendas especificamente preparadas. Sua articulação e conhecimentos profanos fizeram-no receber o Suplício da Estrela Celeste das Trevas, o Necromante.[/b] Situação Atual:Em 1233 Karakal atingiu corpo e espírito de Shiang Kho, destruindo o elo com o mundo material de Shiang e o deixando perdido e inconsciente, lançado à insanidade e incapaz de retornar ao Hades para ressuscitar. A armadura foi levada pelos espectros trevosos até que tivesse novo titular. [align=right]HISTÓRICO DA ARMADURA (HADDIED ESPERT)[/align] Nome do Usuário: AARATI Período de uso: 1230-1368 Histórico resumido: Aarati tivera uma origem humilde, vivendo em uma colina próxima, mas não tão relacionada com a comunidade Jamiel. Seus dons com a telecinese se mostraram cedo e sua disciplina agradou de tal forma o Haddied Kaptan que ela foi introduzida ainda bem jovem como aprendiz de de Nanak, mas tais lições, por mais que desenvolvessem rápido, foram estes interrompidas pelo assassinato do Haddied Espert. Teve de aprender o restante com escassas aulas do mestre forjador - ocupado com o Conselho, muitas vezes - e sozinha, gerando resultados promissores que a investiram no cargo 20 anos depois de sua vacância, quando ela tinha então cerca de 40 anos ainda. Logo ela teve aprendizes para instruir, inclusive Katir, filho da viúva de Chakor Sadavir. Situação Atual:Faleceu no ataque de Chirag Buddhadev ao Conselho em 1368, tentando defender seu mestre o Haddied Kaptan. [align=right]HISTÓRICO DA ARMADURA (KAPTAN TAL-GHARFIEN)[/align] Nome do Usuário: ISHAN Período de uso: 1080-1221 Histórico resumido:Ishan assumiu o cargo depois de uma Guerra Santa, tendo sido seu trabalho de escritor e coletor de histórias sobre a referida Guerra uma das motivações para sua indicação. Era um curioso nato, mas com bastante respeito pelo sagrado e pelas tradicionais profissões de Lemúria. Sua formação também passou por um mosteiro budista e conheceu diversos ensinamentos dos xamãs dos arredores do Planalto Pamir quando mais jovem, tendo bastante apreço em ensinar e conseguir outros para replicar conhecimento, no entanto, era muito exigente e bastante conservador quanto a questões que contrariassem os métodos mais tradicionais e espirituais de viver e preservar a vida. Medicina humana, ele observava não sem muita razão, era em grande parte obra de charlatões e a alquimia lemuriana envolvia uma compreensão melhor de vida e morte. Situação Atual:Faleceu "aceitando" sua morte em velhice, aos trezentos e cinquenta anos. O cargo ficou em vacância, posto que em sua exigência treinou bem seus aprendizes e estes já eram mestres consideráveis, mas sem nenhum deles exceder o nível ordinário a ponto de atrair o interesse do Conselho imediatamente. |
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