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| Libra; Kuanna | |
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| Tweet Topic Started: Jun 5 2014, 04:38 PM (233 Views) | |
| Brijet das Ilusoes | Jun 5 2014, 04:38 PM Post #1 |
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Deusa dos Devaneios Lamuriosos
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[align=right]INFORMAÇÕES BÁSICAS[/align] Nome: Kuanna Idade real: 26 Idade aparente: 28 Data de nascimento: 12 de Outubro de 1522 Signo: Libra Local de nascimento: Litoral Sul de Pindorama (onde fica hoje em dia o litoral sul de São Paulo e a cidade de Cananéia) Local de treinamento: arredores de vilas e cidades de onde hoje estão as cidades de Rhône Alpes na França, Milão e Veneza na Itália, Sezana e Ilirska Bistrica, Zadar e Pioce na Croácia e Shkoder, Tirana, Corovode e Erseke na Albânia. Raça: Humana Idiomas falados: Tupi-Guarani(Fluente) - Grego(Fluente) - Português(Intermediário) – Romani (Intermediário) Aparência: ![]() O vislumbre da pele parda natural da índia se destaca chamando bastante atenção quando vista dentre a multidão pálida européia. Em seu belo rosto, a primeira coisa a ser notada são seus olhos amendoados, castanhos e profundos a ponto de fazer qualquer um que os fite por muito tempo se perder em meio à beleza exótica de suas profundezas. O nariz delicado e lábios carnudos ficam em segundo lugar em função disso, porém completam com perfeição seu rosto belo como em uma pintura, sendo emoldurada por longos fios negros e lisos que se estendem até o fim das costas. Esta bela pintura se completa a escultura de seu corpo bem formado. A amazona de 1,74m é muito satisfeita com seu corpo e todas as suas curvas: seus seios cheios sem exagero, sua cintura desenhada, seu quadril um pouco mais largo, suas belas coxas e seus músculos não muito desenvolvidos, porém visíveis e tendo todas as suas curvas bem divididas em 62kgs. O espírito livre de Kuanna é visto até mesmo em suas vestes soltas e leves, geralmente de tecidos finos e tons vivos mesclados a peças brancas. Quando somente entre os integrantes da companhia prefere vestidos menos longos em tons mais terra que a fazem lembrar-se de seu lar e em seus momentos de treinamento usa uma roupa antiga de treinamento dos monges adaptada para ela (uma calça simples e larga e um top sem mangas, feito da antiga blusa que forma um conjunto com a calça e era muito larga em comprimento e muito apertada no busto da moça) tendo em mente que o Sr. Ankell lhe pediu inúmeras vezes para que evitasse andar por ai ou mesmo treinar de roupas intimas por mais confortável que se sentisse (embora quando muito “distraída” goste de andar sem se prender a vestes e o homem já tão cansado resolvesse fingir não ver). Personalidade: O espelho sempre foi um amigo da índia que logo aprendeu que na cidade a aparência era muito importante e começou inclusive a se divertir com a vaidade. É fácil de notar sua energia e vontade de viver ao vê-la passeando pela cidade sem destino a procura de coisas interessantes e novas para se fazer, seja só ou com companheiros ela sempre encontra algo para fazer embora nem sempre seja algo bom, mas serve bem para passar o tempo. Embora se meta em umas confusões de tempo em tempo e nem sempre seja muito fácil de lidar, é visível ser uma pessoa de caráter e boa índole, até mesmo em seus momentos de indecisão geralmente esta pensando em como sua atitude poderia interferir na vida dos que a circundam. O espírito livre que rege a amazona lhe dá o dom da liberdade e da fome de saber e viver, transformando-a em uma pessoa receptiva e animada para os que estão dispostos a acompanhá-la independente de sua hierarquia ou sexo, mas sabendo se referir com respeito aos que não se aproximam tanto ou que preferem ser tratados de tal forma. Todo aliado é visto como digno de confiança e pelo menos um pouco de paciência, dês de que não desperdice isso sempre terá uma pessoa em quem possa contar. Aqueles que tocam nas feridas da índia já não desfrutam de seu melhor lado e dificilmente serão esquecidos, principalmente os inferiores que mesmo sendo tratados com respeito não sabem o valor de uma boa educação, estes podem ter certeza que o que receberão em troca será justo e equivalente ao dano que causaram (pelo menos na visão dela). Mais difícil do que fazê-la esquecer de alguém que ela tenha marcado em sua mente para encarar a sua justiça, é fazê-la respeitar alguém que não mostre o mesmo por ela, mesmo que superior. Cada escolha feita, seja ela boa ou ruim, terá um retorno natural para quem à fez e é assim que Kuanna se vê quando forçada a entrar em um combate. Se o karma preferir se manifestar através dela então que assim seja! Mesmo que desconhecendo este inimigo, lhe basta um motivo justo para que a batalha se inicie (mesmo que não goste), de qualquer forma, ela faz de tudo para que a luta termine da maneira mais rápida e tratando o oponente da maneira que ele merece (castigando os mais cruéis e derrotando mais rápido os menos maldosos e errados). [align=right]COSMO[/align] Manifestação: Em seu estado primário e mais fraco seu cosmo tem uma coloração pálida e esbranquiçada que lhe envolve o corpo como uma leve brisa branca. É possível ver envolta dela uma esfera de ar e conforme ganha mais força, por trás de Kuanna se manifesta através do vento a imagem de uma mulher branca de olhos fechados e vestes claras, segurando em sua mão direita à frente do corpo uma libra dourada feita de luz. Sendo nítido que se forma em cima da constelação de libra com suas estrelas visíveis através da luz, ela também carrega em sua mão esquerda uma espada média e quando a amazona começa a se mover se percebe que a imagem na manifestação atrás da mesma segue seus movimentos de forma espelhada, conforme seu cosmo vai aumentando até chegar a este nível a leve brisa esbranquiçada vai desaparecendo e ao sumir por completo, no momento em que a amazona esta prestes a atacar ou usar uma de suas técnicas os olhos da mulher as suas costas se abremrevelando seus olhos brancos e brilhantes. A justiça é igual para todos, aliados e inimigos, todos tem a mesma visão. Sensação: No estado mais fraco de seu cosmo as pessoas mais comuns sentem apenas uma brisa estranha talvez um pouco fria dependendo de sua consciência (aquele que fez algo errado e sabe disso ou até mesmo aqueles que não sintam o peso desses atosmas que para a amazona seria considerado algo ruim sente um frio com a intensidade equivalente a gravidade de seu erro na mentalidade da amazona, no entanto, a índia não tem noção disso.) que parece sempre vir da bonita mulher. Porem, seus aliados já se sentem inspirados e tranquilos, como quem vislumbra o mar sentindo sua corrente de ar refrescante. Mas para aqueles que se encontram do outro lado da balança, seus inimigos, os ventos da justiça lhe causam calafrios que lhe percorrem a espinha lhes dando desconforto, aos mais fracos até um peso em sua alma que lhes remetem seus erros passados e aos mais fortes o desconforto de suas injustiças pesando em sua mente, podendo transtornar levemente os de mente mais fraca. Conforme vai chegando a seu estado mediano, os inimigos de consciência pesada têm rápidos flashes de antigos arrependimentos e dos males que causaram, sendo o oposto para os aliados que desfrutam de rápidas cenas acolhedoras de seu passado e pensamentos reconfortantes de uma época que já se foi. Em seu estágio mais forte, a explosão de cosmo projeta em seus inimigos mais fracos o pesar dos que temem a justiça e o tremor dos covardes, os de mesmo poder sentem o frio gélido e impiedoso passar por suas almas impuras preparando-os para o pior e os mais fortes sentem no fundo de seu peito um aperto na alma a para alguns até uma sensação de remorso um tanto perturbadora. Em todo momento os que estiverem ao redor da amazona podem sentir um aroma adocicado e nostálgico para todos. (Em caso de aliados tão ruins como os inimigos, estes também sofrem as sensações dos oponentes, assim como oponentes muito bondosos desfrutam da boa sensação do cosmo da índia. Estar lutando ao lado dela por um bem já é um grande apoio no karma para melhora-lo.) Motivação: A justiça e a liberdade são sua essência e alimentam sua alma. A honestidade dos homens lhe dá esperanças nesse mundo mostrando-a que vale a pena protegê-lo dos que mancham sua plenitude com a discórdia. Ao ver atitudes belas, mesmo que pequenas, de honestidade suas energias são renovadas juntamente com seu sorriso. Sair pelas ruas e andar até aonde seus pés lhe levarem guiada pelo som dos pássaros ate onde desejar libertar seu espírito lhe traz paz e contentamento por sua liberdade. Mas infelizmente a indecisão é um mal que lhe assola e ter que escolher algo que afete, não apenas a ela mesma, mas também aqueles que lhe acompanham é algo difícil para a dançarina e a indecisão tira um pouco de sua autoconfiança. O desgosto e até um pouco de revolta invadem sua alma ao ver pessoas sofrendo como ela mesma sofreu ao chegar ao continente, muitas vezes, fazendo com que não pense antes de agir, colocando-a em situações complicadas. Com o espírito livre que carrega poucas coisas doem mais do que privá-la de algo tão básico como sua liberdade. Vendo-se presa, a índia se inquieta, perde o sono e se concentra com dificuldade, exatamente como um animal enjaulado. Domínio: Rank de Poder Geral: A Domínio dos Cinco Sentidos: Pleno Domínio do Sexto Sentido: Pleno (Empatia, Intuição, Sintonia, Clariaudiência, Clariolfatismo.) Domínio do Sétimo Sentido: Pleno(Todos os Kyklos) Domínio do Oitavo Sentido: Domínio do Nono Sentido: [align=right]TRAJE [/align] ![]() Mudanças: A armadura apenas se adaptou ao seu corpo feminino. Rank do Traje: A Características do Traje: Armas da Justiça: A Armadura de Libra possui acoplada nela seis tipos diferentes (seis pares) de armas banhadas em oricalco, que só podem ser usadas se o Cavaleiro de Libra e Atena acharem a causa justa. Elas possuem Rank S, diferentemente da armadura de Libra (Rank A). Eis a lista: 1. Tonfá de Ouro (Gold Tongfar): Essa Arma corresponde ao chamado do Cosmo do Cavaleiro que a carrega. Unindo o poder destrutivo do tonfá ao poder do cosmo do usuário, um único golpe dessa Arma define o rumo da batalha. Em Saint Seiya, foi usada por Shaka de Virgem para destruir o muro das lamentações. 2. Tridente de Ouro (Gold Trident): A energia do cosmo do guerreiro jorra pela ponta do tridente, causando danos inimagináveis ao oponente atingido. Em Saint Seiya, foi usada por Ikki para destruir o Pilar do Oceano Antártico, e por Aiolia de Leão contra o Muro das Lamentações. 3. Espada de Ouro (Gold Sword): Uma espada altamente resistente. Em Saint Seiya, o fio de sua navalha foi capaz de cortar até mesmo o esquife de gelo do Camus. Também foi usada por Shion durante a Guerra Santa, e por Mu contra o Muro das Lamentações. 4. Escudo de Ouro (Gold Shield): O escudo pode ser usado não somente para proteção, mas também para o ataque quando é arremessado. Em Saint Seiya, foi utilizado por Shiryu e por Aiolia na luta contra Pontos, e por Dohko para destruir o muro das lamentações. Somada ao seu peso, a rotação em alta velocidade aumenta seu poder destrutivo. 5. Barra Dupla de Ouro (Gold Twin Rod / Gold Nunchaku): Armazenando o Cosmo do usuário, o nunchaku de Libra espalha brilhos como estrelas a cada movimento. A corrente é flexível e estica-se o quanto quiser. É constituído de duas barras. Em Saint Seiya, foi usada por Milo de Escorpião para destruir o muro das lamentações e por Shun contra o Oceano do Pacífico Sul. 6. Barra Tripla de Ouro (Gold Triple Rod / Gold Sansetsukon): Com múltiplos modos de uso, a barra tripla exige muita habilidade do usuário. É eficaz tanto no ataque quanto na defesa. É constituído de três barras. [align=right]TÉCNICAS[/align] Nome da Técnica: Olho de Yabá Bëló Categoria: Ofensiva/Estado Descrição: O corpo da índia se movimenta em uma lenta dança. Movimentos amplos e belos que prendem a atenção e pasmam a plateia, complementados com giros leves vão compondo uma coreografia que deleita os olhares de todos ao redor. O cosmo esbranquiçado que envolve seu corpo parece se soltar no ar a cada movimento, se espalhando e girando cada vez mais rápido formando um globo de vento tempestuoso que desprende partículas da terra que podem ferir os olhos dos inimigos. Pequenos objetos também podem ser levados pela força dos ventos que circundam o corpo da dançarina e podem acertar aleatoriamente qualquer um dentro da esfera com exceção da própria amazona de libra. Conforme Kuanna vai dançando e se movimentando a esfera tempestuosa que envolve seu corpo a segue sempre mantendo-a no centro, permitindo que seus pés a levem para qualquer lugar sem afetar técnica dês de que não pare a dança. Efeito: A princípio se vê a fina camada de cosmo que se espalha devagar aos primeiros movimentos da índia, porem só começa a afetar negativamente os inimigos quando os ventos começam a se movimentar. Usando sua habilidade de manipular os ventos a esfera se forma, desprendendo partículas do solo, pequenos animais e objetos (de no máximo 1,5kg) são carregados pela força do vento. Os ventos preenchidos com seu cosmo irritam os olhos dos inimigos (que estiverem dentro da área de ação da esfera, incluindo aliados) e as partículas do solo podem ferir os olhos (a critério da narração, podendo causar cegueira temporária). Os objetos e animais são arremessados aleatoriamente podendo acertar qualquer um dentro da tempestade esférica (a critério da narração), a técnica continua surtindo efeito enquanto seu cosmo queimar, sendo que ela dura um turno para se dissipar dando chance da amazona fugir enquanto a esfera continua no local onde deixou. Qualquer dano bruto (10% de dano sofrido) interrompe a duração da técnica. Alcance: Raio de 15 metros esféricos tendo como centro a própria amazona. Gasto: De 8% - 11% de gasto cósmico e 2% - 4% por turno. Gasto:De 9% - 11% de gasto cósmico para dano e 3% - 5% por turno para manter a técnica. Para Oponentes de Rank Muito Superior(S Acima): Dano Ínfimo - 1% a 2% de dano na Vitalidade. Para Oponentes de Rank Superior(A+ a S-): Dano Muito Baixo - 3% a 5% de dano na Vitalidade. Para Oponentes de mesmo Rank(A): Dano Baixo - 6% a 11% de dano na Vitalidade. Para Oponentes de Rank Inferior(A- Abaixo): Dano Mediano-Baixo - 12% a 17% de dano na Vitalidade. [spoiler=Dança do Olho de Yabá Bëló] http://www.youtube.com/watch?v=v6XTrIyoDDw [/spoiler] Nome da Técnica: Ira de Anhangá Categoria: Ofensiva Descrição: A amazona de Libra começa dando três lentos passos para frente, a cada passo seu cosmo branco como luz se ergue gerando ilusões de armas de uma mão com auras brancas (Espadas, adagas, machados, cimitarras, katanas e etc, todos de uma mão ou seja, tendo no máximo 90cm. Aproximadamente 20 armas.) a sua volta, após o terceiro passo, está começa a girar no local onde parou e lentamente as armas se estendem para todos os lados e começam a girar na mesma velocidade que ela, ate o momento que a velocidade chega a seu máximo e não se dá mais para ver a amazona, apenas um turbilhão de laminas giratórias com a silhueta da amazona em seu centro, mas totalmente branca e não podendo identificar detalhes sobre sua roupa ou aparência pelo foco alto de luz, enquanto nesse estado ela pode se mover pelo local como bem desejar tornando perigosa a aproximação de qualquer um enquanto ela efetua a dança. Efeito: A amazona eleva se cosmo a cada passo que dá (Não sendo realmente necessário esses passos para utilizar a técnica), então começa a girar ate chegar em sua velocidade de locomoção máxima, as laminas que giram ao seu redor são na verdade chutes que por sua velocidade causam a sensação de cortes tendo apenas a ilusão de serem laminas (tendo a limitação de 15 chutes por turno), a amazona neste estado pode se locomover com até metade de sua velocidade máxima (tendo o percentual desta perda de velocidade a cargo da narração) . Todo inimigo que for atingido pela esfera de “laminas” poderá ser arremessado para longe (Para assim oponentes mais fracos não sofrerem dano continuo e mais fortes sim, porem baixo, a distancia fica a critério da narração), o primeiro gasto cósmico é para ampliar o dano enquanto o segundo é para manter a técnica sendo que também poderá atingir aliados se entrarem na área de ameaça. Os oponentes que após serem arremessados voltarem a sofrer o chute, recebem novamente o dano, sendo que a Kuanna ainda pode direcionar os chutes para se defender de certos ataques porem com a perda de velocidade e caso não consiga se defender e o dano seja bruto o suficiente para interromper sua dança (10% de dano) a técnica também é interrompida. A técnica dura apenas 5 turnos e então ela para de girar, entrando em um estado de “tonteira” (a cargo da narração), no entanto não dura muito tempo pela enorme experiência em dança que a índia possui. Alcance: Raio de 35 metros esféricos tendo como centro a própria amazona. Gasto:De 9% - 11% de gasto cósmico para dano e 3% - 5% por turno para manter a técnica. Para Oponentes de Rank Muito Superior(S Acima): Dano Baixo - 6% a 11% de dano na Vitalidade. Para Oponentes de Rank Superior(A+ a S-): Dano Mediano-Baixo - 12% a 17% de dano na Vitalidade. Para Oponentes de mesmo Rank(A): Dano Mediano - 18% a 23% de dano na Vitalidade. Para Oponentes de Rank Inferior(A- Abaixo): Dano Mediano-Alto - 24% a 29% de dano na Vitalidade. Nome da Técnica: Dádiva de Ceuci Categoria: Defensivo/Suporte Descrição: Ajoelhada no chão, a amazona projeta seu cosmo para as camadas mais profundas da terra fundindo-o ao solo. Levantando-se lentamente ela chama seu cosmo (agora unido a terra) para a superfície formando uma cúpula de rocha em torno de si que repele os inimigos da área para fora antes de se fechar e em seu interior começa uma dança pesada porem bonita de se ver. Apesar de menos delicada, a coreografia que move o corpo da índia é tão bela quanto suas outras danças. O semicírculo de pedra tem seu interior completamente iluminado pela luz branca que emana da dançarina e se espelha pelo local uniformemente. A atmosfera no local se torna fresca e apesar da forte iluminação, também é agradável ver a bonita mulher mexendo seus braços e quadris naquela dança enigmática percorrendo toda a circunferência. A nuvem luminosa espalhada pelo local penetra nos ferimentos dos aliados presentes dentro da área fechada curando-os e curando a si própria gradualmente até o fim da dança. Nos últimos passos da coreografia a amazona se ajoelha e inclina o corpo para trás trazendo todo o cosmo liberando o cosmo das rochas esmigalhando-as em uma fina camada de poeira que cai sobre os aliados, agora, revigorado. Efeito: Kuanna fica de joelhos para que seu cosmos penetre mais fácil e mais rápido no solo (Não sendo necessário que fique exatamente de joelhos. Basta ter contato com o solo e poder mover os ombros para levantar a barreira). As camadas de terra ganham rigidez conforme absorve o cosmos da amazona e assim a mesma o controla (Utilizando sua habilidade de controlar terra). A cúpula tem a circunferência que a índia quiser, não podendo ultrapassar o raio de 75 metros. Nesse turno ela levanta a barreira e não cura com seu poder total devido ao gasto cósmico da barreira, porém no próximo turno Kuanna poderá gastar mais cosmo para atingir um percentual maior de cura para seus aliados, sendo o máximo de pessoas que ela consegue botar dentro da barreira/curar são quantas couberem dentro desse espaço e o percentual de cura total será divido pelo número de pessoas e caso a própria também esteja ferida receberá uma parcela . Enquanto dança, Kuanna espalha seu cosmo pela área de ação e concentrando-se, a amazona transforma a nuvem cósmica em pura energia vital. A energia procura espaço nos corpos e conforme penetra cicatriza os ferimentos (podendo durar em quanto a amazona estiver gastando seu cosmo). Quando a índia libera o cosmo das paredes de pedra, ela volta ao seu estado de origem espalhando-se pelo ar. Ela poderá continuar a curar mesmo se a defesa for quebrada e os inimigos não se beneficiarão ao entrarem em contato com o cosmo dela, pois a mesma seleciona quem deseja curar. A amazona pode se quiser apenas erguer a barreira e dispensar a cura se desnecessário, também podendo fazer ao contrario. Outros dominadores de terra que consigam superar a cosmo energia da índia podem desfazer a barreira com seu domínio, no entanto deve haver uma disputa de gasto cósmico para provar quem dominará a terra que há na barreira (a critério da narração contando já com o primeiro gasto cósmico para erguer a barreira na disputa de dominação de terra.). A índia também pode cessar a cura e gastar o mesmo cosmo que gastaria para curar consertando a barreira, tendo a mesma mecânica de cura para a vitalidade da barreira, podendo passar seu maximo de vitalidade do primeiro turno. Alcance:Raio de até 75 metros esféricos tendo como centro a própria amazona. Gasto: De 10% - 15% de gasto cósmico para erguer a barreira (20% - 30% de vitalidade da barreira). De 10% - 20% de gasto cósmico para curar por turno (20% - 40% de cura por turno). [spoiler=Dança da Dádiva de Ceuci] http://www.youtube.com/watch?v=mS79DIsmLOE [/spoiler] Nome da Técnica: O Chamado das Icamiabas Categoria: Ofensivo/Suporte Descrição: A índia ouviu muitas historias em sua infância sobre guerreiras que habitavam aquelas floresta e que eram temíveis diante de seus inimigos, que não viviam com homens e que eram tão ferozes quanto qualquer guerreiro indígena. A índia gostaria de ser uma dessas guerreiras nomeadas Amazonas, mas nunca chegou a encontrar nenhuma delas em sua vida, então teve de treinar sozinha e se tornar uma guerreira por ela mesma, se tornando assim a amazona de libra. Sua técnica foi inspirada em seu sonho de encontrar as guerreiras amazonas e se juntar a elas, e ate mesmo um dia as liderar em suas guerras contra os inimigos, emprestando suas armas para a destruição de todos em seu caminho. Efeito: Está é uma técnica complicada de ser concluída, demorando UM turno para ser preparada e então disparada sendo que apenas caso tenha armas dentro da área de ação da mesma que possam ser utilizadas. Kuanna solta um grito de guerra capaz de estremecer o coração de qualquer um que esteja inferior a ela, então com sua maestria no vento chama para perto todas as armas disponíveis no lugar, possuindo limite de até 25 unidades com rank máximo A- (as armas de Libra não são utilizadas nesta técnica) em um raio de 18 m² (Cada arma a mais do que o numero de inimigos adiciona um percentual de dano extra a cargo da narração.), inimigos e aliados de rank inferior que estejam segurando armas se não superarem a força cósmica da índia serão desarmados (a critério da narração) e suas armas adicionadas ao arsenal que se forma flutuante em linha próximo a índia. Neste momento as armas acumulam rochas e pedras, se necessário ate o chão pode se desfazer para isso ocorrer, após isso, mulheres aparecem com os braços dentro das grandes capsulas de pedra que armazenam armas. Elas possuem vendas nos olhos, roupas bárbaras como apenas um tapa sexo de couro, braceletes e botas, possuindo os seios a mostra e com as mais características diversificadas possíveis (brancas, negras, asiáticas, ruivas, loiras e etc). Kuanna então agarra em uma de suas armas da armadura de Libra (que apenas ela ou outro cavaleiro de rank igual ou superior podem manusear) e dá o sinal para avançarem, soltando outro grito de guerra, as guerreiras avançam com as armas na direção de todos os inimigos no caminho, destruindo a pedra quando se chocam contra os oponentes, disparando para todos os lados acertando todos dentro da área de alcance, agora as amazonas cósmicas (que são apenas imagens) acabam o trabalho fincando as armas ou as utilizando em um golpe contra um inimigo para cada arma, se houverem mais armas que inimigos, duas podem se juntar contra um, dando um maior dano nesses, a libriana poderá decidir em quem as que sobraram atacaram ( 5 armas e 2 inimigos, duas investiram automaticamente contra os dois, no entanto as 3 restantes Kuanna poderá escolher se avançara apenas em um ou se distribuirá as armas deixando a possibilidade a critério da narração.), assim como se houver menos armas do que inimigos, menos oponentes poderão ser acertados pelo golpe. Está técnica também pode ser utilizada de forma diferente: No lugar das amazonas cósmicas, VERDADEIRAS AMAZONAS(ou cavaleiros que estejam dentro do raio de alcance da tecnica) de Athena podem utilizar as armas, neste caso não serão revestidas com pedra as que forem utilizadas (mas as que sobrarem sim), entretanto, elas poderão utilizar o quanto cosmo desejarem (respeitando o maximo de 25%) para darem um IMENSO DANO em apenas UM GOLPE (o primeiro) com essas armas tendo os outros que se seguirem pela batalha um dano comum , recebendo também o bônus da habilidade Sangue do Caçador (apenas a parte sobre armas) de Kuanna, além de subirem UM RANK (estando a critério da narração) em velocidade pelo vento que irá as disparar como projeteis! Será considerada a utilização de uma técnica para cada uma delas. Ao encerrar a técnica, todas as armas utilizadas se quebram, menos aquelas que tenham algum poder cósmico ficando apenas avariadas. (Dano da explosão de rochas e dano das armas estão a critério da narração tendo abaixo apenas como sugestão.) Para Oponentes de Rank Muito Superior(S Acima): Dano Ínfimo - até 2% de dano na Vitalidade, Dano Mediano-Baixo - 12% a 17% de dano na Vitalidade. Para Oponentes de Rank Superior(A+ a S-): Dano Muito Baixo - 3% a 5% de dano na Vitalidade, Dano Mediano - 18% a 23% de dano na Vitalidade. Para Oponentes de mesmo Rank(A): Dano Baixo - 6% a 11% de dano na Vitalidade, Dano Mediano-Alto - 24% a 29% de dano na Vitalidade. Para Oponentes de Rank Inferior(A- Abaixo): Dano Baixo - 6% a 11% de dano na Vitalidade, Dano Alto - 24% a 29% de dano na Vitalidade. (OBS: No caso das(os) Amazonas/Cavaleiros de Atena que estiverem usando a técnica de Kuanna, todo o gasto que utilizarem terá seu dano uma categoria acima do dano que seria normalmente, por apenas poderem avançar em linha reta pelo disparo da velocidade da arma. (Ex: Se o gasto foi Mediano-Alto em cosmo, o dano será Alto)). Alcance: Cone de alcance 125 metros ou 150 metros em linha reta na direção escolhida. Gasto: 25% de seu gasto cosmo. [align=right]HABILIDADES[/align] Nome da Habilidade: Espíritos do Vento Descrição: O vento pode devastar uma terra e aterrorizar um povo quando em fúria, mas também pode lhe trazer o cheiro do mar, refrescar tua pele e trazer até você a serenidade das boas lembranças do passado. Mestre Chang Suen mostrou a Kuanna como entregar ao vento a sua própria energia carregada pelo que sente em sua alma, se comunicando com a brisa suave e dela, em troca, receber amparo. Dispersando seu cosmo no ar, deixando-o fluir e se misturar ao mesmo, equilibrando seus sentimentos para deles extrair a energia certa para manipular o vento. Quando serena consegue trazer boas brisas, quando feliz até os ventos sopram a favor, porem quando se enraivece a ira dos ventos é inevitável. Efeito: Seu cosmo se dispersa com facilidade e se une as moléculas do ar. Sua energia cósmica vai se impregnando como um vírus ao redor. Não é visível quando usado moderadamente, porém, quanto mais complicada a manobra mais cosmo é gasto e dependendo da energia da amazona mais denso se torna a atmosfera local (como exemplo, para uma leve brisa ou um vento com força suficiente para derrubar um jarro de planta de uma janela, não chegaria a gastar mais de 2,5% de seu cosmo, mas para causar uma tempestade de vento forte o bastante para derrubar uma cabana de madeira, a índia poderia gastar por volta de 15% de seu cosmo). Quanto mais agressiva a índia se tornar mais hostil será o vento, já que a habilidade já se tornou quase natural para Kuanna. Com essa naturalidade, ela passa a poder usar o auxilio dos ventos para erguer peso de acordo com a quantidade de cosmo que desejar usar (a critério da narração) e ampliar seus golpes usando o atributo ar fundido com sua velocidade dando um efeito cortante (ampliação de dano a critério da narração e dependendo de quanto gasto cósmico disposto). Nome da Habilidade: Espíritos da Terra Descrição: Kuanna começa a olhar para seu interior deixando suas emoções aflorarem. A força e o peso da terra são coisas que não ajudavam muito a índia que logo percebeu que para ganhar o respeito da terra teria que ser mais resistente do que ela. A amazona se empenhou ao máximo e foi aperfeiçoando sua própria forma de se comunicar com o elemento e aos poucos, dominá-lo. Embora se sentisse mais a vontade com o ar, a terra começou a fazer parte do seu dia-a-dia com o tempo de uma forma mais natural. Quando Kuanna se foca no elemento seu cosmo pesa e se aprofunda no solo, então ela assume o controle da terra podendo usá-la conforme sua vontade, brincando com a terra conforme sua imaginação mandar até que ela enrijeça e quanto tomar seu cosmo para si novamente a imagem/estrutura/objeto se esfarele. Efeito: Kuanna se entrega a uma ação ou sentimento. Seu cosmo pesa com a forte carga de energia que ela dispersa junto com ele e desce penetrando e se espalhando pelo solo, podendo ter gasto cósmico equivalente a distancia em metros quadrados (exemplo: 3m²= 1% de gasto cósmico, podendo ter uma expansão máxima de até 75m², estando a critério da narração) e depois puxa para si novamente o seu cosmo agora fundido a terra possibilitando que ela seja moldada à seu gosto idealizando a forma que quer que a terra tome e podendo em seguida manipulá-la com facilidade. Kuanna deve estar em contato com o solo para dispensar seu cosmo pelo mesmo e assim usar a habilidade, mas após ter seu cosmo fundido a terra o contato se torna desnecessário e seu cosmo pode permanecer na terra sem se alterar ou ser utilizado por até 5 turnos, depois desse tempo ele começa a se dispersar lentamente turno a turno. Kuanna também pode utilizar da terra para fortificar partes desprotegidas de si e também utilizar como barreiras frágeis (a resistência fica a critério do narrador de acordo com quanto cosmo ela gastar). Armas, objetos, imagens tem sua vitalidade e baseadas no tipo de solo que são compostos (a cargo da narração). Nome da Habilidade: Dança Cigana Descrição: A Dança que lhe foi ensinada pela Sra. Ankell quando se provou digna de permanecer na companhia. A Dança é alegre e envolvente, principalmente quando interpretada pela índia formosa que lhe dava um ar mais jovial, movendo-se com naturalidade enquanto parece brincar com suas vestes e seduzir a plateia com o olhar conforme os passos ficavam mais rápidos. Efeito: Enquanto se entrega a dança e a velocidade dos passos aumentam vai se tornando mais difícil acertar a amazona de libra, mais alerta, preparada para revidar e se defender de cada golpe enquanto o inimigo se distrai ou pensa que a mesma esta desatenta por apenas dançar, recebendo um bônus de esquiva e defesa (percentual a critério da narração) por seus movimentos rápidos e leves enquanto balança as mãos no ar entre seus passos permitindo defender e esquivar-se melhor. Kuanna apenas pode utilizar uma de suas duas habilidades de dança (ou qualquer outra que venha a aprender), tendo de ser declarada em uso como uma habilidade normal, ela se manterá ativa ate que mude de dança ou afirme que deixou de dançar assim desativando a habilidade. Também podendo ser utilizado com armas brancas. Nome da Habilidade: Dança Indígena Descrição: Esse foi o estilo de dança que a própria índia criou a partir das lembranças, costumes, histórias e sentimentos que tinha pela sua tribo. Juntando sua saudade com o talento para dança que descobriu na terra dos brancos, Kuanna formou seu espetáculo com uma coreografia mais forte e interpretativa, que dava ao seu público o misticismo do Novo Mundo visto como selvagem por muitos e a beleza hipnotizante adulta que a amazona aprendeu a ter. Efeito:Os passos mais pesados despertam um lado mais selvagem da libriana agora focada e pronta para o ataque tentando não perder o inimigo de vista por nem um segundo. Seu objetivo fica claro em sua mente e Kuanna fará o necessário para cumpri-lo sem erros para que no fim cada um tenha o que lhe é de direito, o que lhe for justo através de seus punhos e pés, recebendo um bônus de ataque e precisão( valor percentual a critério da narração) por seus movimentos pesados enquanto dança e luta. Novamente ela só poderá utilizar uma de suas habilidades de dança por vez, mas podendo mudar a todo turno por sua maestria e velocidade. Também podendo ser utilizado com armas brancas. Nome da Habilidade: Sangue do Caçador Descrição: Por mais que a índia tenha se habituado ao ambiente das cidades europeias, o seu sangue nunca será esquecido por ela. No momento em que o Mestre Quon e Mestre Cheng por brincadeira colocaram uma lança em suas mãos, eles tiveram esta visão e resolveram explorar este talento nato. Kuanna testou cada uma das armas utilizadas no espetáculo e sua curiosidade, interesse, tempo livre nas viagens de uma vila à outra e as noites em que seus mestres estavam bêbados de mais para procurarem coisas interessantes para se fazer nos arredores propôs muito tempo para treino. Percebendo o quanto sua herança ancestral estava presente dentro de si, a índia resolveu explorar isso da melhor forma que pode, expondo seus sentidos em teste sempre que possível descobrindo assim um olfato e audição privilegiados que usa instintivamente ou ao se concentrar quando a dificuldade é grande demais para atingir seu melhor resultado. Efeito: Kuanna ao utilizar qualquer tipo de arma branca após alguns turnos de adaptação (a critério da narração).Consegue maneja-la com naturalidade. O período de adaptação não se faz necessário caso a arma utilizada seja uma que a amazona já tenha se hábito a usar (lança, espada média, arco e adaga). Após treinar sua energia a índia aprendeu a usar seus sentidos em comunhão com seu cosmo podendo ouvir passos furtivos e cochichos de estranhos sendo carregados pelo vento a uma distância de quilômetros (distancia exata a critério da narração), e quando abafados por cômodos fechados, florestas e afins, ou de distâncias muito extremas torna-se necessário que a amazonause o auxilio do vento para lhe trazer os sons mais longínquos e difíceis exigindo concentração. Já seu olfato, que em uma distancia similar a da audição permite que sinta o cheiro de estranhos e dependendo da quantidade de força cósmica que a pessoa emane, a amazona consegue distinguir até mesmo sua essência (o aroma é definido pela narração com base na personalidade/essência do personagem ficando de a critério a índia a assimilação de forma interpretativa). Usando de seus sentidos Kuanna consegue encontrar o rastro de uma pessoa com facilidade mesmo que a pessoa tenha passado pelo local há algum tempo. (definido pela narração). Essa habilidade também serve para explicar a habilidade furtiva, acrobática e caçadora da índia em sua historia, seus efeitos sobre isso estão a cargo da narração. |
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| Brijet das Ilusoes | Jun 5 2014, 04:38 PM Post #2 |
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Deusa dos Devaneios Lamuriosos
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[align=right]HISTÓRIA[/align] Capitulo 1 : A chegada do doce aroma 12 de Outubro de 1522, as margens do rio naquela noite não estavam tão silenciosas como de costume na tribo dos Tupinambás. Dentre as árvores da floresta fechada que se estendia pelo litoral de Pindorama podiam-se ouvir ao fundo os gemidos de dor de uma índia que estava prestes a dar a luz. A aldeia esperava o regresso da mulher com ansiedade, principalmente Kuruã, o guerreiro mais forte da tribo que mal poderia esperar para ver seu primeiro filho. Se não fosse repreendido pelos mais velhos inúmeras vezes, ele já teria ido ao encontro da esposa a tempos, mas teve de se contentar em esperar no limite da trilha que levava ao rio e a tribo. Os gemidos não paravam e ela demorava demais. Foi então que começou a pensar que a criança poderia já nascer morta ou sua mulher poderia não resistir. Os pensamentos mais dolorosos assombravam sua mente quando os gemidos da mulher cessaram. O silêncio foi como uma lança atravessando seu peito. -- Unaí! Unaí! Antes de se dar conta já estava correndo o máximo que suas pernas conseguiam chamando desesperadamente por sua esposa e chegando próximo a margem do rio, o guerreiro emudeceu. O bebê se movia preguiçosamente nos braços da índia que sorria sentada na parte mais rasa do rio limpando a criança recém-nascida. Finalmente o guerreiro pode sentir seu coração bater novamente e após respirar fundo, se aproximou da mulher. Pode ver que havia bastante sangue sendo levado pela água, mas sua esposa não demonstrava estar mal, na verdade, parecia tão feliz quanto ele. O índio se agachou ao lado de sua parceira, pós o braço sobre seus ombros e a beijou, finalmente conseguiu dar continuidade a sua linhagem e formar uma família. Unaí esticou um pouco os braços para que o homem pudesse ver melhor a criança. Kuruã estava tão aliviado e feliz em ver que sua mulher estava viva, bem e que conseguira trazer a criança ao mundo que nem ao menos lhe veio à cabeça ver o sexo da criança, mas agora que já estava recomposto pegou seu filho no colo com todo o cuidado que pode acolhendo-o nos braços musculosos. A criança parecia protestar um pouco de principio esticando as pernas gordinhas, mas logo se acomodou no colo do pai. Era uma menina. Bonita, saudável e gordinha. O homem realmente queria ter um filho para passar o posto de guerreiro mais poderoso e respeitado, mas assim que a criança abriu os olhos grandes e castanhos, tão profundos e belos como os de Unaí, ele se sentiu extremamente orgulhoso e feliz, sem saber o motivo ao certo, mas já não importava, queria voltar para a tribo e apresentar sua filha aos mais velhos. Com a criança em um braço e sua mulher apoiada no outro andando ainda um pouco devagar, a família caminhou sob o luar até chegar ao seu lar, onde todos aguardavam a chegada da criança. Normalmente, com a lua assim tão alta já estariam todos dormindo, mas esperaram a criança para irem dormir. Deixaram a fogueira mais alta, pegaram um pouco da comida que estava guardada e foram dançar e conversar. As crianças corriam de um lado para o outro, os homens mais velhos sentavam-se mais perto da fogueira observando os mais jovens dançar, Kuruã se gabava do mais novo título de pai para os amigos e Unaí estava sentada um pouco mais distante da fogueira com a criança no colo e mais um aglomerado de mulheres falando sem parar em seus ouvidos. -- Iracema? É horrível! Ela não tem cara de Iracema! – protestava sua irmã -- E acha Ubirani melhor? Ela é gorda como um bicho de coco... se é assim devia ser Taci! -- Não seja amarga por não conseguir dar um filho pro seu marido, Amana. A criança é linda e merece um bom nome. – Disse uma anciã – Não gosta de Kaolin, Unaí? -- Bem, na verd- -- Espere, Espere! Eirapuã é perfeito, já que os olhos dela são belos como os seus e brilham como as estrelas. – Interrompeu sua prima Iramaia. Toda aquela gritaria estava lhe esquentando o sangue e se não estivesse mamando, sem dúvida a criança estaria chorando. -- Se quer dar o nome pelos os olhos então que seja Teça. -- Cale-se, Amana! Nem sei por que esta aqui! – Iramaia gritava. -- Filha da mulher mais bonita com o guerreiro mais forte e neta do pajé... Tão preciosa assim deveria se chamar Boyrá. – disse a velha. -- Pra mim ela te- -- CHEGA!!! – Desabafou Unaí, já quase sem ar de tão nervosa. A mulher era bonita, prendada, jovem e uma pessoa realmente caridosa, mas paciência não era uma das suas virtudes mais trabalhadas e sua personalidade forte não ajudava, fazendo com que até seu marido pisasse em ovos quando estava de mal humor. O silêncio foi instantâneo e até alguns dos homens voltaram suas atenções para a filha do pajé. A índia respirou fundo, amenizou seu semblante e falou: -- Momentos antes de ela nascer, eu já estava cansada e tinha perdido muito sangue. Comecei a pensar que não conseguiria e que uma de nos duas acabaria morrendo. Preparei-me para dar minha vida pela dela e foi neste momento, no momento em que me senti em paz com a morte, senti uma brisa quente como o abraço de uma mãe que me deu forças para continuar. Fechei meus olhos e entreguei minhas forças ao vento e repentinamente eu senti um cheiro doce e agradável. Nenhuma flor que eu já tenha cheirado tinha um perfume tão bom. Pensei que já estava morta mas quando abri os olhos, minha filha já estava banhada no rio e bem. Por isso ela se chamara Kuanna, pelo cheiro doce que me avisou de sua chegada ao mundo. E assim fora decidido naquela noite, então, o tempo passou. A criança parecia crescer rápido para a idade. A menininha roliça de 3 anos conseguia ser mais rápida que os meninos 5. Apesar de não ser homem, Kuanna adorava seguir o pai quando ele se embrenhava na mata para caçar, estava sempre indo para riacho escondida para imitar os movimentos do pai quando pescava e às vezes pegava algum peixinho, mas seu passatempo preferido era pegar gravetos pelo chão e ir brincar de guerra com os meninos, usando os pequenos galhos como lanças ou punhais. Aos 6 anos, era mais alta do que as meninas de 9 anos. Sua mãe lhe ensinava a cozinha, costurar e a cuidar do seu lar. Adorava ajudar a mãe e se divertia com as tarefas, mas assim que terminava, corria até seu avô para ouvir sobre as lendas da floresta e os feitos dos guerreiros da tribo. Era as vezes estranho para a menina, mas o seu avô as vezes misturava ervas que tinham um cheiro forte, ele as incendiavam e deixava que Kuanna ficasse a sentir o cheiro da fumaça por um tempo, ela nunca soube para o que servia isso, mas ampliava ainda mais seu olfato para perceber os cheiros, alem de ter uma ligação espiritual muito forte. Depois de ouvir bem as histórias, ela as contava para os amigos e juntos, eles inventavam várias histórias com base nas da neta do pajé, mas colocando a si próprios como os heróis. Capitulo 2 25 de Novembro de 1534, aos 12 nos já era comparada a mãe naquela idade. Tinha um corpo mais bonito do que os das moças de 15 anos e isso já faziam seus pais pensarem que logo teriam que planejar em um noivo para a menina. Kuanna não queria se casar assim tão cedo, mas como a ideia era bem futura, resolveu não dar atenção a isso agora. Havia coisa de mais acontecendo ao seu redor para dar atenção a algo tão pequeno. Fazia pouco menos de 5 meses que homens estranhos apareceram vindos do mar em grandes construções que flutuavam como canoas apesar de terem um tamanho monstruoso, em comparação. Os homens tinham a pele clara como areia, alguns com olhos cor de água e cabelos claros com ondas que lembravam o mar. Eram estranhos, mas não necessariamente feios, estavam cobertos de tecido do pescoço aos pés e não se podia entender uma palavra do que diziam. Aos poucos o espanto e o medo inicial foram passando e reparamos nos itens estranhos que carregavam consigo. Um tipo de pedra muito fina que refletia melhor do que a água e ornamentos engraçados para a cabeça. Um deles disse coisas estranhas para a indiazinha que não entendia nada, mas também nem se importava, ela só queria um presente legal e os de pele clara poderiam dar para ela. E logo realmente recebeu uma coisa engraçada, porem bonita. Era algo que o homem de bigode engraçado tiraria de dentro de um buraco em suas vestes. O objeto tinha uma correntinha fina e na ponta um circulo dourado do tamanho da palma da mão da criança que se abria no meio. Seu interior era branco com desenhos finos e negros que rodeavam toda a borda e no centro dois finos gravetos giravam fazendo um som gozado. Tudo parecia ir bem, até chegarem mais e mais destes homens. Eles traziam consigo armas estranhas que acetavam as pessoas mesmo de longe só puxando um gravetinho miúdo, e isso feria mais do que qualquer flecha ou lança. Eles ficaram mais agressivos e não queriam mais apenas conhecer aquelas terras, mas sim toma-las. Iniciou-se então uma guerra contra os homens brancos que invadiam com rapidez cada canto de seu lar e todas as tribos, aliadas ou inimigas, relatavam os mesmos acontecimentos em seus territórios. E quando o pânico começou a se instalar nos corações de seus iguais, foi resolvido que todos iriam se unir e enfrentar o inimigo, fazendo valer o sangue de seus guerreiros sem recuar em momento algum. A cada nova batalha, metade de seus homens não voltavam e muitos se feriam gravemente, mas sempre traziam pelo menos um prisioneiro para a tribo e isso significava um jantar diferente para a noite. Geralmente faziam uma pequena festa e convidavam o inimigo para o banquete que teria como prato principal o prisioneiro inimigo, mas como não conseguiam se comunicar com os brancos, comiam seus prisioneiros sem a presença do inimigo. Nunca houve tanta frequência deste ritual e Kuanna chegou a se perguntar várias vezes o motivo de sua importância, mas tinha medo de parecer ignorante ao perguntar ou até mesmo de acabar desrespeitando a tradição, mas seu avô era já bem vivido e conhecia bem a cabeça da neta a ponto de ler as dúvidas refletidas em seus olhos. Uma noite, no meio da cerimônia de preparação da carne, o ancião chamou a garota discretamente para perto de si e a mesma foi sem hesitar para perto do querido avô. -- Tamuía! Tamuía! Quer falar comigo? – A menina corria animada para o colo do avô pensando que o mesmo lhe daria alguma coisa ou lhe contaria uma história nova que tenha se lembrado. O ancião, sorrindo com a animação da jovem menina, pensava que gostaria muito de se sentir animado com a festividade como a neta, mas seu vasto conhecimento do mundo e seus instintos lhe diziam que aquela vitória não significava o fim da guerra e que a cada conflito, mesmo que levem benção de uma vitória, não compensaria a perda dos guerreiros em batalha que futuramente fariam muita falta. Em breve teriam que colocar até alguns guerreiros mais jovens para lutar e afastar a tribo do litoral para um lugar mais afastado que o inimigo não conheça, para proteger as mulheres, as crianças, os muito idosos e os inválidos. Estes pensamentos lhe tiravam o sono, a alegria e um pouco até de sua esperança, porém ao ver sua linda e única neta sorrindo se lembrava de que a esperança não podia morrer, afinal, já que sem a mesma não teria forças para lutar e proteger aquela criança que lhe tinha tanto carinho. -- Garota arteira! Vi-lhe seguindo seu pai as escondidas quando ele ia caçar ontem. Sabe que é perigoso para você ir atrás dele, principalmente agora que os brancos se enfiam em nossas matas. Muitos saem sozinhos e não voltam. Se lhe pegarem e você estiver muito para trás seu pai não verá, nem poderá lhe salvar! Nem saberá que você está lá! Sabe como ficariam seus pais ao saber que sumiu? Sabe que desgosto me daria ao saber disso? -- ...Mas Tamuía, eu não vou muito longe, quando vejo que meu pai se afastará muito eu volto. E mesmo assim, se os outros homens se separarem e um homem branco aparecer para atacar meu pai enquanto ele estiver só? Quero estar perto para ajuda-lo! Eles nunca vem sozinhos e não seria justo, ainda mais com aquelas armas que atiram fogo! Quero ajudá-lo! Lutarei ao lado dele! -- Lutará? Com o que? É uma criança, é uma garota, não sabe lutar, nem nunca segurou uma lança. Ou estou enganado? Não tente me esconder as coisas criança. Já vivi tempo de mais para que alguém que nem olhou para vida ainda possa me enganar, sem contar que lhe conheço dês de seu primeiro dia de vida e sei que você não diria isso se não pudesse garantir que não atrapalharia. Kuanna permaneceu calada, não gostava de receber sermões mesmo que já tivesse ganho alguns, seu avô compreendeu a tristeza da neta e botou a mão sobre sua cabeça, afagando a menina para depois ver um sorriso nascer nos lábios dela, ele apenas estava se preocupando com a jovem. A índia iria voltar a brincar, mas seu avô a impediu, levando-a para dentro da casa dele para que então pudesse tirar de trás de um dos “moveis” uma lança escondida, feita de madeira e ossos de animais. -- Sei que não poderei lhe impedir de ir atrás do que quer, mas pelo menos poderei tentar garantir que fique segura, sei que isso é errado, mas eu vi que é seu destino, mesmo que não pudesse ver tão longe, mas devo fazer isso. Afinal, a deusa me disse para fazer... A menina ficou surpresa, sabia que seu avô tinha fortes ligações com os espíritos, mas nunca imaginaria que ganharia um presente assim, mesmo não sabendo que a deusa ao qual ele se referia, era a deusa da guerra grega. Agradeceu ao seu Tamuía e levando a lança escondida para fora da tribo, começando assim seus treinamentose brincadeiras com sua mais nova arma. Era maior que os galhos e mais pesada do que a que era usada nas caçadas, a menina mal conseguia balançar a arma cortando-se inúmeras vezes com a ponta muito afiada que quase perfurava seu pé quando a lança escorregava e caía. Era mais difícil do que imaginava mas logo se acostumou com o peso da arma treinado ao caçando pequenos animais e ao conseguir suas primeiras caças já se sentia extremamente poderosa com sua arma. Noites passaram-se depois desta, guerreiros eram sempre enviados e voltavam, mas uma vez, eles foram, mas apenas o pai de Kuanna não voltará, ela perguntou por ele, mas ninguém queria falar para a garotinha, ate que ela já tinha percebido o obvio. Ele foi pego, no mesmo instante ela sabia que tinha de fazer algo, chegando ate a falar com o avô quando este estava preparando mais um ritual de canibalismo, mas ele não poderia fazer nada contra os homens brancos, era uma pena que seu genro haveria partido, mas a menina acreditava plenamente que ele estava preso ate que decidiu em uma noite ir sozinha, se embrenhando na mata ate o acampamento dos brancos. -- Tamuía, idiota! Hipócrita, tribo idiota! Irei salvar meu pai sozinha! Seguia o caminho furtivamente ate o acampamento dos brancos passando por toda a mata densa na noite. Estava muito escuro, por isso foi fácil para a jovem achar os brancos pela luz que o acampamento deles tinha, a índia procurava pelo seu pai, mas não o encontrara de forma alguma, apenas muitos outros prisioneiros de outras tribos. Agarrava de maneira forte em sua lança que haveria trago consigo. Esgueirou-se ate o acampamento, os vigias estavam mais tomando conta dos prisioneiros do que do local, já que acreditavam que os indígenas não atacariam a noite, pois já conheciam seus rituais e muitos ali pareciam feridos, sua tribo realmente deu um bom trabalho para eles os deixando naquele estado. Ela era pequena, isso a ajudava a se aproximar do acampamento sem ser notada, não reparou, mas movia-se com destreza de uma caçadora, mesmo que ainda faltasse muito para melhorar, até que enfim estava dentro de uma das tendas. Ela então se deparou com alguns macacos brancos dormindo, um deles era o maior e mais forte, então a índia pensou que este poderia ser o líder por seu tamanho, aproximou-se devagar e preparou para fincar a lança em seu pescoço, talvez matando o líder deles esses a retribuíssem respeito. Mas tudo foi por água a baixo quando um dos homens a agarrou por trás, retirando facilmente aquela lança de sua mão. -- Lhe peguei guria! Ela não compreendeu o que ele disse, tentava o arranhar e morder, mas era afinal um homem maior e mais forte, todos ali acordaram e logo encontraram a menina rendida no chão, muitos deles começavam a conversar e sorrisos maliciosos passaram a surgir em seus rostos, ela estava desesperada e não parava de se debater no chão. Eles estariam prontos para fazer o que quiserem com ela neste instante, mas um outro homem adentrava a tenda, afastando eles e levantando a menina em um só puxão, ele então começou a gritar coisas que ela não entendia para eles, aqueles macacos pareciam o temer e tremiam diante das palavras fortes dele, os macacos se arrumaram de forma instantânea e pegaram em seus pedaços de madeira brilhantes, correndo para o lado de fora da tenda. Kuanna rapidamente fora amarrada e então jogada para perto dos outros índios, só agora que ela haveria reparado: Alguns escaparam quando todos se distraíram com ela, alguns estavam caídos mortos no chão, outros conseguiram se esconder na mata, outros nem tentaram se mover para não sofrerem. Mas houve um, apenas um que ficou para trás, ele haveria arrebentado as cordas que prendiam seus pés e suas mãos, assim como libertado aqueles outros que fugiram, todos os índios estavam fascinados, inclusive Kuanna a olhar aquele guerreiro exemplar, derrubando homem por homem, não importava o quanto tentassem o prender, ele era mais forte, uma energia avassaladora tomava conta do coração da índia, e ao fundo ouvia-se um falcão a gritar, e por um instante ela poderia ter visto a ave atrás do homem, sendo seu guardião enquanto media forças com muitos homens. Mas toda a cena se desfez quando alguns macacos brancos miraram seus grandes gravetos na direção dele, barulhos altos e incômodos distorceram a audição dela, fazendo-a ficar tonta por alguns segundos, quando viu aquelas coisas cuspirem fogo e atravessarem o corpo do guerreiro, fazendo-o cair de joelhos e logo depois inerte no chão, mas com um sorriso por seus irmãos terem fugido. Muitos macacos e índios foram mortos naquela pequena luta. A índia ainda estava perplexa pelo o que ocorreu, mas logo adormeceu quando um grito de raiva foi-se ouvido, e então um dos gravetos que cospe fogo golpeou seu rosto pelas mãos do grande líder dos homens brancos. E tudo era trevas. Capitulo 3 25 de Novembro de 1534, um dia se passou, a índia acordou dolorida dentro de uma construção de madeira aparentemente, o cheiro do mar era forte e esta ficava ate enjoada, estava em uma cela suja com outros indígenas nas outras celas, haveriam sobrado dez índios contando com a jovem. Haveria quatro mulheres e cinco homens, todos estavam tristes e cabisbaixos, uma delas estava chorando enquanto o índio ao lado da mesma tentava acalma-la. -- Jandira, acalma, iremos conseguir voltar. -- Não! Jamais iremos ver nossa terra de novo! Kuanna teve um imenso aperto no coração, pensou o mesmo, se iria conseguir voltar para casa ou não, agora mesmo estava se arrependendo de tudo que fez e de todos que acabou deixando para trás por suas ações não pensadas, a jovem agarrou nas grades de metal da cela e começou a tentar arrebenta-la, força-la, estava encarcerada e isso era terrível, a prisão para a jovem era cruel demais. Ate que o som de uma porta sendo aberta ecoou pelo lugar, a menina se afastou da grade e foi para um canto da cela. Dois macacos brancos estavam passando por ali, eles haveriam fechado a porta atrás deles, estavam falando coisas sem nexo para Kuanna, mas a maldade era expressiva neles. Ambos abriram a cela do casal ao qual a mulher chorava, um dos homens apontava aquele graveto para o índio, enquanto o outro agarrava de maneira brusca no braço dela e retirava-a da cela, esta se debatia, chorava e gritava em desespero, a índia ficou apenas observando o que iria ocorrer, o índio avançou na direção do macaco, mas este acertou seu rosto, fazendo-o cair no chão e rapidamente trancava a cela. Agora ambos homens a levaram para uma cela vazia, começando a abrir o tecido de suas roupas a prendendo no chão, a jovem não conseguiu permanecer observando e foi para o canto de sua cela, agarrando em sua própria cabeça tremendo de medo com os gritos da índia e os de fúria do índio, era agonizante permanecer ali, rezou para seus deuses, pediu para que acabasse logo aquele tormento, alguns dos outros índios tentavam fazer o mesmo e ignorar e alguns outros homens também gritavam de fúria tentando quebrar as celas. Mas tudo era em vão, ate que tempo depois os macacos saiam, permanecendo um choro no ar que machucava ate a alma. Kuanna apenas permaneceu inerte, enquanto choros se juntavam no ar formando uma melodia horrível de se presenciar. Um mês se passou então, aqueles homens voltaram a retornar mais duas vezes depois daquela, mas na quarta vez o casal revidou, e foram mortos pelos guardas e seus corpos jogados no mar. Um índio mais velho que estava ao lado da cela de Kuanna também haveria morrido, ele tinha uma tosse forte e tremia muito, suando sem parar a dias. Um dos homens brancos ate veio para vê-lo, usando instrumentos estranhos nele enquanto era preso, mas parecia que nada poderia fazer, falecendo assim um dia depois da consulta. O homem branco parecia preocupado, já que muitos outros naquele navio tossiam, mas eram mantidos longe do resto da tripulação, seria aquilo um castigo dos deuses indígenas sobre aquele povo? Pelo menos era o que Kuanna acreditava, ela era obrigada a comer a comida daqueles macacos, era diferente, tinha gosto estranho, ela se recusou muitas vezes passando ate fome, mas quando estava fraca e sem quase movimento deitada em sua cela, um dos índios próximos tentou esticar o braço para dar a comida na boca de menina, os outros índios então começaram a incentiva-la a não desistir, eles tinham remorso de uma criança tão nova ser trazida assim e queriam mantê-la bem, Kuanna ficou relutante, mas então lembrou-se de sua casa, sua família, seu Tamuía. Então superou aquilo, e finalmente voltou a comer como um leão faminto, aquele era apenas o começo do inferno. Outro mês se passou e mais dois índios morreram com aquela tosse estranha, Kuanna já haveria se tornado conhecida dos índios que restaram, haviam falado sobre suas famílias, suas tribos, suas tradições. Ali eram todos iguais, não haveria guerra, apenas sobrevivência. A menina sempre se manterá longe dos que tossiam, já que parecia que isso iria passando de um para um, como uma maldição. E eles compreendiam, já estavam condenados. Tentaram levar os índios para fora e obriga-los a trabalhar, mas eram relutantes e causavam mais problema do que faziam trabalhos, ate mesmo Kuanna tentaria escapar deles, uma confusão se iniciou quando o índio que ofereceu ajuda para a menina se soltou e tentou fugir, saltando no mar. Foi em vão, pois atiraram contra ele segundos depois de pular, apenas fazendo o vermelho de sangue e seu corpo boiar no mar. Os brancos então decidiram botar todos os índios de volta a suas celas. E então o ultimo mês chegou, os cinco índios que sobreviveram contando com Kuanna não poderiam acreditar que haveriam parado, barulhos de pessoas se movendo la fora, sons estranhos, tudo estava muito complicado para entender. Ate que os brancos chegaram, retiraram eles a força e mandaram eles andarem, poucas coisas já se daria para entender, como “Andem!” ou “Parem!”, mas de qualquer forma ainda falavam coisas sem sentido para a índia. Então Kuanna gelou quando viu, pela primeira vez, a grande cidade de Lisboa, construções de madeira sendo puxadas por animais grandes que ela não conhecia e brancos em cima, pessoas usando os mais tipos de tecidos diferentes e modos diferentes, grandes casas que mal conseguiria ver além do que ali. A índia rapidamente foi quebrada de seu delírio e empurrada por um dos guardas, descendo assim uma tabua de madeira para a cidade, encontrando outros prisioneiros, mas estes eram diferentes, tinham pele negra como as penas de um tucano e outros mais claros chegando a ser marrons como a terra, ela estavam boquiaberta, suas pernas tremiam, ela estava entrando em um mundo de aberrações. Sendo que a única aberração para eles ali, era ela. Capitulo 4 25 de Fevereiro de 1535, Kuanna e os outros índios permaneceram no porto, amarrados certamente e sendo cuidados por homens brancos. Todos que passavam olhavam torto, intimidados ou ameaçadores. Horas incontáveis se passaram nesse vai e vem de brancos, alguns paravam, balbuciavam coisas uns com os outros olhando para a índia e depois para os macacos que trouxeram eles, ate um momento que trocaram algo que ela não conseguiu ver direito, um homem agarrou em uma das índias que sobreviveu e começou a carrega-la, esta relutava e tentava se soltar mas os homens eram fortes de mais e acabavam por sumir com ela, o seu possível marido tentou correr atrás, mas logo o renderam e mantiveram-no preso. Mas logo apareciam outras pessoas, e iam levando os índios pouco a pouco, apenas Kuanna permaneceu para trás junto a outro índio. -- Gabriel não chega mas?! Que ele não nos tenha feito trazer mais carga a toa! – Praguejava um marujo ao entardecer. Parecia que aguardava com ansiedade o cliente. -- Ele virá, precisa desses bichos pra arrancar dinheiro dos trouxas e pagar suas dividas que tem por ai. O dia estava acabando, muitas pessoas estavam se preparando para partir. Ate que um homem apareceu, alto, cabelos negros desgrenhados, bigode razoavelmente cuidado para aquela época, longo manto. Os marujos ficaram prontificados, ele parecia importante para impor respeito assim, junto a ele estava outro homem, um homem pouco gordo, com um bigode grisalho que se juntava as costeletas sem ter barba, usava outro chapéu engraçado, mas diferente do primeiro homem, tinha roupa de burgueses naquela época e seus olhos representavam maldade e mal sabia ela que ele planejava começar um negócio sujo na cidade, um bordel bem frequentado com as mulheres mais diversificadas e ao olhar para a menina via uma atração exótica para seus clientes mais estranhos, diferente do outro homem ao qual Kuanna não conseguiria ver o rosto pelos cabelos desgrenhados que o escondiam, ele já tinha seu negócio muito bem formado fazendo um sucesso discreto entre os burgueses com suas atrações com animais exóticos e bom entretenimento, pelo que diziam. -- Vejo que conseguiram uma indiazinha.... é melhor do que imaginava.... – Disse o homem a um dos marujos aos sussurros – Continuem me trazendo animais novos, e que sejam mais fortes pois dos que trouxeram mais da metade já morreu. -- Depois que recebemos nosso pagamento ele é sua responsabilidade, não posso fazer nada se os deixar morrer, senhor. Estes enfim chegaram perto de Kuanna, o homem mais velho sorria ao ver a garotinha, mas um sorriso pervertido, malicioso, cruel e nojento. Ele tentou erguer o queixo da jovem que estava escondendo o rosto, pois não desejava ser levada, mas ao sentir o toque da mão daquele homem, ela imediatamente revidou tentando o morder, mas fora rápido em retirar os dedos dela antes que os perdesse, em resposta a isso um dos homens brancos do navio iria acerta-la com o graveto de fogo, mas o homem de cartola interviu, entregando sacos fechados para o homem, este abria um imenso sorriso e desamarrava Kuanna de onde estava presa, mas permanecia amarrada pelas mãos. -- Seja forte Kuanna...Use as lembranças daqueles que ama para ganhar forças... Disse o índio ao ver ela partir, lagrimas começaram a brotar nos olhos dela conforme iria sendo puxada para longe sem ao menos conseguir se segurar. Pouco tempo depois estava em uma das construções de madeira levada por cavalos, ela era posta lá dentro e começavam a partir. Ela permaneceu um bom tempo de cabeça baixa, ate reparar pela janela que a cidade era mais estranha do que ela imaginava. Macacos das mais diferentes formas e tamanhos, o numero era incontável, alguns tristes, outros felizes, alguns com muitas roupas, outros com roupas destruídas, aquilo era o caos para ela. Estavam chegando ainda mais perto do centro daquele caos, Kuanna ficava perplexa com as grandes construções agora, conhecidas como mansões, e finalmente paravam enfrente a uma, só que esta era a mais feia de todas. Ambos os macacos brancos falaram algumas coisas entre si, mas como sempre ela não entendia nada, ate que o homem de cartola desceu da construção puxando a corda que prendia a índia, ela seguia relutante, mas assim como todos os homens mais velhos ele era mais forte que ela. Não entraram pela frente, mas sim deram a volta na grande mansão, abrindo uma porta de madeira no chão. Havia luzes lá embaixo, era muito estranho para a menina uma porta que dava para dentro da terra, ela então foi empurrada lá para baixo, rolando a escadaria de pedra. -- Prendam esse animal! O homem gritou, Kuanna não compreendeu, apenas a palavra “Animal”, rapidamente ela se recompôs para ver se haveria algum animal ali para a atacar, mas o que viu foi pior ainda para ela: Criaturas, das mais diferentes possíveis, monstros ate? Um homem tão pequeno como uma criança, mas parrudo e barbudo, uma mulher imensa, maior que o maior homem que já haveria visto, outra...Mulher? Ela tinha forma e expressões de mulher, mas haveria muitos pelos em seu rosto, onde apenas homens possuíam, havia também um homem que, ela não conseguia processar em sua mente, eram dois em apenas um ligados pelo torso e por ultimo, uma mulher, ou homem, estava vestida como mulher mas tinha um rosto masculino, isso tudo espantou Kuanna de forma drástica, a fazendo correr escadas acima e surrar a porta de madeira diversas vezes almejando sair, mas quando reparou já estava sendo puxada pelas “criaturas” e sendo arrastada, tentava se soltar mas era em vão, foi arremessada dentro de uma caixa e então trancada lá dentro, era feita de madeira e havia frestas para ver lá fora, todos aqueles monstros estavam a encarando aparentemente assustados também. Ela se arrastou ate o fundo da jaula tremendo de medo, mas começava a ver que não estava só, haveria outros muitos animais presos em outras jaulas de diferentes tamanhos e alguns deles eram de sua terra, todos estavam assustados como ela. Ao lado de sua jaula haveria uma família de papagaios presos também, ela tentou lentamente toca-los, mas foram ariscos e atacaram-na, fazendo a índia recuar com a mão, nunca viu esses seres mais ferozes do que agora. -- É mesmo um animal. – O homem-mulher disse. -- Nunca haveria visto um desses antes. Nem eu. – Os dois homens juntos ficaram surpresos. -- Será que vão comê-la também? – A mulher alta ficou em duvida. -- Não seja idiota, ela será a nova atração, só se eles cansarem dela. – As palavras saiam de uma boca entre a barba daquela mulher. Ela ouvia cada palavra, mas entendia apenas duas da conversa inteira de todos eles, ate que o pequeno homem pegou em um prato algumas coisas indo entregar a ela. -- Marco, não sabe se ela pode comer isso! -- Não encha, ela talvez fique mais mansa se alimentarmos direito. A mulher barbada ficava furiosa por receber essa resposta, o pequeno homem lentamente se aproximou, passando a comida por um espaço horizontal. O homenzinho se afastou, sentando-se em um banco em uma mesa grande como todos os outros, estavam comendo também. -- Não prestem atenção, iram intimida-la. – Avisou calmamente o pequeno homem. Então todos voltaram para a comida, continuavam a conversar coisas fúteis e sem importância para a menina, ela olhava a comida, era estranha, diferente, não era como a do navio ou como de sua terra. Tinha medo ate de comer aquilo, então deixou no prato e permaneceu no canto chorando, sentindo saudade de sua casa, sentindo falta de seus pais, de seu avô. O lugar em todo era iluminado por velas, haveria camas para cada um deles e dividiam o lugar com os animais, barris contendo alimentos e uma latrina o mais longe possível das camas, o lugar cheirava a suor, fezes e urina, Kuanna estava passando de inferno em inferno, estava pedindo perdão por ter desobedecido seu Tamuía, talvez os deuses estivessem a punindo por conta disso. Horas se passaram, a barriga de Kuanna começou a rugir, ela pensou em morrer, em se juntar a terra para que pudesse se fundir ao vento e voltar a sua casa, mas as palavras de seu amigo no navio ecoaram em sua cabeça, ela não podia desistir, não agora, iria voltar para casa e ver seu avô. De forma repentina ela se ergueu, puxando o prato com pão de trigo e carne, não se importando do que seria aquilo, ela começou a comer em disparada, como um animal faminto. Ela haveria acabado mais rápido do que imaginava, mas logo reparou que o pequeno homem estava entregando mais para ela, já que a outra comida já estava fria. -- Comida? – Perguntou o homenzinho -- Co...mi...da... – Falou lentamente a índia olhando nos olhos castanhos do homem. O anão sorriu, vendo-a devorar outro prato de comida, ele parecia ter gostado da menina por querer ajuda-la, e isso ela havia reparado. Aos poucos os outros aberrantes foram perdendo o medo da jovem índia e se aproximando, ela tentava repetir as palavras que eles diziam quando apontavam para algo ou faziam gestos. Conforme os dias foram se passando Kuanna começou a conseguir entender frases simples e expressar-se um pouco no idioma deles. A mulher gigante se chamava Cassandra e não era dotada de muita inteligência o que há tornava um pouco boba, mas sua força era equivalente a de um homem, os homens que dividiam o mesmo corpo eram Tomás e Afonso e concordavam em tudo sempre fazendo parecer varias vezes que um lia a mente do outro. A mulher barbada era Paola, uma italiana que se não fosse pelas axilas, pernas e rosto muito peludos seria realmente muito bonita e não parava de falar sobre sua infância em Roma e da beleza que diz ter perdidona adolescência. A outra mulher que parecia um homem na verdade realmente era um homem só que ele dizia ter a alma de uma mulher e ter nascido no corpo errado e gostava de ser chamada de Lady Abigail, era quem cozinhava e tentava manter aquele lugar fúnebre organizado e o mais confortável possível para todos, principalmente para Marco, o anão que todos sabiam que ela amava. Até mesmo a índia pode perceber, mas o homenzinho não queria nada além de amizade com a “mulher”. Diziam que ele era um artista que se apaixonara pela mulher cigana (que a jovem ainda não sabia o que era, mas sentia imensa curiosidade com relação a isso), mas que era casada e por isso abandonou os palcos e deixou que o dono da companhia o vende-se por peso na consciência já que a cigana era sua esposa, mas Marco nunca confirmou nem negou nada sobre o assunto. O grupo de reclusos se tornou tão próximos a indiazinha que arrumaram uma cama um pouco mais confortável para a menina e a deixavam livre pelo cômodo até as 18h, que era o horário exato em que o homem aparecia para ver como todos estavam e para entregar alimentos, água e mandar os criados da casa retirarem as roupas de cama e vestes sujas e recolherem o lixo. Os servos abominavam os que ali viviam e os temiam, mas não a ponto de deixar de cumprir uma ordem de seu mestre, um homem que se mostrara frio para a índia e detestava vê-la fora das grades, punindo a todos quando a via solta deixando de entregar os alimentos da semana e deixando-os com fome. Era injusto todos pagarem com a fome por sua liberdade e Kuanna sabia disso então quando estava próxima a hora do homem chegar, Marco avisava a garota que corria para sua cama dentro da jaula e ficava lá até que o homem e todos os servos tivessem ido. 11 de Março de 1535, era um dia terrível para todos lá, mas haveria de ocorrer todo o mês, se arrumaram com suas melhores roupas, ajeitaram-se e se preparam para algo que ela não saberia o que era. Então as portas de cima se abriram, carregavam todas as jaulas para fora, todos iriam saindo, ate que enfim a grande mulher e os siameses carregaram a jaula de Kuanna, era muito estranho para a criança, tudo estava arrumado no lado de fora, todos ajeitados, tudo muito lindo para aquele lugar, Kuanna foi posta em cima de um pedestal e logo após coberta por um pano vermelho. Marco se aproximou do pano, era visível pelo tamanho pequeno do homem, então este sussurrou. -- Quando retirarmos esse pano haverá muitas pessoas, se agite bastante, faça muito barulho, isso irá entretê-los, é para seu bem estar... – Ele disse com o tom de preocupação. Ela não compreendeu muito bem toda a frase, mas notou que poderia estar em perigo, ela tinha de sair logo dali! Então começou a tentar sair rápido, já estava fazendo bastante barulho, Marco iria tentar interrompe-la e dizer que não era a hora, mas as pessoas já haveriam chegado, ele logo foi para seu lugar começando seu show. Sim, era um show, o andrógeno começou a receber muitos nobres, vindos de bastantes lugares mas a maioria era portuguesa, eles estavam fascinados e assustados vendo as abominações. Marco era um malabarista, fazendo seus shows com diferentes tipos de coisas: Bolas, copos e ate facas. Ele era o menos estranho para os nobres, segundo viria a mulher gigante, levantando tanto peso quanto o homem mais forte visto, seus músculos eram imensos também, logo após a mulher barbada, esta ficava sentada em uma cadeira passando as mãos em sua barba e ficando a mostra, os siameses serviam aperitivos e bebida, eles se faziam de loucos como se fossem doentes mentais. Isso era um show de aberrações, mas também haveria os leilões de animais raros, sempre haveria mais de um e ninguém pensava na reprodução deles, muitos eram vendidos para serem comidos, demonstrando sinais de nobreza por este motivo. Mas ate que a atração principal chegou, era hora de Kuanna ser apresentada como animal do novo mundo, ela ainda estava agitada por todas aquelas vozes e pessoas lá fora, ate que enfim seu pano foi puxado e todos ali se assustaram a se depararem com aquela menina estranha, alguns riram, outros botaram as mãos sobre a pouca, outros ficaram com raiva. Kuanna, assustada como sempre tentava sair da jaula, tentando quebrar as barras de madeira e fugir, mas tudo que conseguia era entreter o povo, aplaudiam e vaiavam o animal do outro mundo. Horas de passaram nisso ate todos irem embora e todos serem guardados novamente naquele porão. Marco se aproximava de Kuanna. -- Foi muito bom menina, continue assim e permanecera viva... A indiazinha ainda não compreendia o que ele queria dizer, mas isso permaneceu, e todo mês era essa apresentação a nobres diferentes e alguns ate iguais. Ela deveria continuar a atuando como animal do novo mundo para se manter viva, e assim seria por um ano e sete meses. 11 de Setembro de 1536, depois de outro dia de exibições, Kuanna já era uma amiga intima de todos ali, aquilo seria sua família agora, mesmo que seu lar nunca parasse de passar em sua mente e como conseguiria voltar a ele, todos ali já tentaram tirar essa ideia da mente dela, mas a índia já estava se tornando uma mulher e muito dedicada, com sonhos alem daquela jaula. Ate que em uma hora da noite todos no porão foram acordados com sons de passos pesados e um homem falando muito alto logo acima. -- Escute bem Gabriel, eu lhe dei uma das minhas atrações para lhe ajudar e ainda deixei me pagar depois, estou de volta na cidade e você não tem NADA para me pagar?! -- Desculpe Sr. Ankell, mas são negócios e eu não tenho nada agor... O som de um soco, ou um chute, ou ate mesmo um tapa, a única coisa que sabem é que o mestre caiu no chão pelo som do corpo dele. -- Me perdoe Ankell, irei resolver seu problema neste instante! Tudo ficou em silencio, ate que a portão do porão foi aberta e de lá o mestre desceu o mestre, junto a um homem um pouco forte, trajando roupas ciganas, mas que Kuanna achava estranhas e exóticas, ele possuía um cabelo longo negro, preso em um rabo de cavalo, um bigode que se ligava ao seu cavanhaque, tinha olhos castanhos e parecia bem serio. Logo atrás dele vinham dois homens, esses eram mais estranhos que ele, postavam roupas laranja cobrindo o corpo todo menos os braços, meias e sapatos. Ambos eram não possuíam nenhum cabelo na cabeça e portavam rostos inexpressivos, o rosto do mestre Gabriel estava vermelho de um lado. -- Aqui, escolha qualquer um deles e pode levar! O homem parou e ficou olhando pelo lugar, examinava cada um ali com o olhar, cada animal, cada aberração. Ate que seus olhos se encontram com os de Kuanna, este imediatamente ficou maravilhado pela criatura. -- Que...Ser é este? Não, não me diga, será ela! O mestre ficou perplexo, ficando na frente do Sr. Ankell juntando suas mãos implorando para que este não a levasse, mas o cigano ergueu a mão como se fosse acerta-lhe o rosto e este se escondeu entre os próprios braços. -- Quon, Chang, levem-na. O homem permaneceu de cabeça baixa, mas o ódio que sentia por ele poderia mata-lo a qualquer instante, com apenas um braço ambos homens com olhos puxados levantaram a jaula e começaram a retirar ela daquele lugar. Kuanna ficou desesperada de novo, agarrando-se as barras de madeira esticando o braço para seus amigos. -- Marco! Não, deixa, mim! O anão estava no canto mais escuro e longe do quarto, mantendo seus olhos fixos no Sr. Ankell, parecia haver algum tipo de ódio, inveja, ciúme, algum sentimento ruim naquele olhar direcionado ao cigano, mas Marco não deixou de olhar para Kuanna e se despedir apenas com um aceno, saindo assim da visão de ambos. A índia começava a chorar com a despedida dolorosa, logo era posta dentro de uma grande carroça como era chamada essas construções, os homens fechavam as portas, então, novamente, tudo era trevas, e de lá de fora, Gabriel ainda discutia com o Sr. Ankell. -- E se você se atrever a chamar a guarda, não irei apenas vir atrás de você como também irei acusar todo esse seu esquema, me entendeu? – Disse o cigano. Nada pode ser ouvido como resposta, e então o movimento começava, estava de novo em uma nova viagem. |
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| Brijet das Ilusoes | Jun 5 2014, 04:39 PM Post #3 |
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Deusa dos Devaneios Lamuriosos
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Capitulo 5 12 de Setembro de 1536, a pequena índia dormia em sua jaula, tiveras dezenas de sonhos com sua terra, sua família, seus amigos do show de aberrações e os índios da embarcação. Então a menina era acordada quando reparou que a carroça haveria parado, uma musica estranha estava tocando lá fora, pareciam sons de corda. A parte de trás da carroça se abria e os dois monges retiravam Kuanna de lá, ela enfim veria onde estava, em um acampamento longe da cidade, entre as arvores, uma belíssima mulher estava sentada em uma pedra, cantando uma bela canção, ao lado dela um homem tocava um instrumento estranho para a índia, mas que produzia um som belo com aquelas cordas, em pé estava outra mulher com idade avançada, mas bela, muito bela, esta dançava envolta de uma fogueira apagada, suas roupas eram coloridas e vivas, portando também muitos anéis e colares aparentemente de ouro. O sol já estava claro no céu o que fazia Kuanna fechar um pouco os olhos, mas aos poucos iria se acostumando com a claridade, também notou em três homens sentados em uma carroça maior, estes estavam comendo e conversando, um era gordo como um porco e velho, o outro era um pouco mais novo, porem magro como um palito, o terceiro era jovem e ate um pouco belo, o lugar possuía duas grandes carroças e outras três menores, as duas grandes eram puxadas por cavalos assim como as carroças menores. Em uma das carroças estava pintado um nome grande, “Companhia Itinerante do Sr. Ankell”. Todos pararam de fazer suas atividades quando repararam que a menina chegava, ela não estava tão assustada assim, pareciam pessoas belas e normais, mas também não estava tranquila. -- Artemio! O que é isso? – A mulher que dançava se encaminhou na direção dele com as mãos na cintura. -- Nadja, minha querida! Ela é o nosso pagamento por aquele empréstimo que fiz ao meu amigo Gabriel, se recorda? Brigou tanto comigo e agora vê que eu estava certo? Ele não negaria em me pagar o que deve. A índia ficou surpresa, era outra língua ao qual ela não compreendia. Os monges que carregavam a menina sorriam, mas tentavam disfarçar acelerando o passo e a soltando perto de uma das carroças, o homem e a mulher continuavam a conversar, ou discutir, Kuanna não sabia, pois ele sorria e ela brigava, era uma confusão apenas. Permaneceram olhando a menina ate voltarem a seus afazeres, onde passaram a esquecê-la. Horas se passaram e estava anoitecendo. A moça que cantava mais cedo se aproximou da jaula de Kuanna, estava carregando um prato de comida igual aos dos portugueses. -- Coma mocinha... A menina não entendeu, mas aquela mulher não estava assustada com ela como as pessoas ficavam, pelo contrario, ela sorria e tinha lindos olhos azuis com seus cabelos loiros contornando seu rosto branco, a moça parecia gentil e se preocupava com a índia. Kuanna já haveria aprendido que quando alguém desejava ajudar ela, era por bom coração, pois ela não possuiria nada para oferecer aos outros além de sua presença na frente de outras pessoas. A indiazinha aceitou de bom grado a comida e comeu normalmente, não parecia tão bestial assim, na verdade aparentava ate ser um pouco normal, haveria aprendido bastante com Marco os costumes dos homens brancos, pois se mostrasse que era um animal sempre acabaria sendo presa ou coisa do gênero. -- Elizabeth! O que está fazendo?! A mulher se virava para ver seu chefe, ele estava aparentemente furioso e se aproximava rapidamente de ambas. -- Estou alimentando ela, não a demos nada para comer o dia inteiro e como ela pode ser um animal assim?! O cigano olhava para a índia, ela estava sentada normalmente com o prato no colo, botava a carne dentro do pão como Marco a ensinou e comia, não estava entendendo nada do que ambos falavam então não se dava o trabalho de parar sua janta, o homem cruzou os braços e ficou a encara-la, ela parecia agir como uma pessoa normal, apenas sua aparência era diferente, assim como sua roupa, apenas usava seu tapa-sexo, seu cabelo bagunçado e sua pele suja pela falta de banho, o homem ficou há pensar um tempo. Kuanna não saberia que Eliza estava se arriscando por ela, mas a mulher tinha um coração de um anjo e nunca gostava de ver injustiça acontecerem com as pessoas ou animais, ela poderia ser apenas uma artista do circo, mas trazia bastante dinheiro com sua voz e o Sr. Ankell não poderia negar. Ele então suspirou, poderia ser ganancioso, mas tinha um bom coração por sua terra natal, uma bondade nunca era ruim, menos quando se perdia dinheiro. Alias, funcionários felizes são funcionários que dão dinheiro. -- E o que você espera que eu faça? – Perguntou o cigano. -- Solte-a, deixa-a comigo e irei cuidar dela, eu prometo que nada ocorrerá de errado. – Suplicou a moça para seu chefe. -- Pelo que notei conseguiram ensinar ela a falar, passe quanto tempo for para ensinar o suficiente a ela para que aprenda as regras e possa conviver conosco. – Dito isso ele se virou e retirou-se. Eliza não queria concorda, entretanto já estava indo longe demais, apenas agradecendo com um aceno com a cabeça, logo virava para Kuanna e acariciava sua cabeça, o coração da índia parou por alguns segundos com o carinho da mulher, há muito tempo não haveria recebido um afago assim, tão carinhoso, ela era mesmo como os brancos? Quem seria aquela mulher? Kuanna não parava de se perguntar muitas coisas, queria falar com a moça mas todas as palavras que a menina dizia a mulher não conseguia interpretar, acabando por ficarem sem se comunicar. Dias então se passaram, toda a manhã Eliza ia levar comida para Kuanna, após isso começava a conversar com ela, a cantora além de ser bondosa era inteligente e sabia escrever e ler, isso era algo incrível para aquela época, explicava para a índia cada palavra e cada letra, ensinava os tons e a fala, Kuanna tentava a imitar e aprender como fez com o Marco, mas desta vez era mais fácil pelos “desenhos” que Eliza fazia no papel. Aos poucos Kuanna ia conhecendo o resto das pessoas, os três homens eram bufões, animavam o povo com brincadeiras e às vezes piadas, os monges eram grandes acrobatas e lutadores que faziam espetáculos com armas e punhos, Elizabeth e Gustav eram cantores, assim como também tocavam diversos instrumentos, Ankell era o mestre de cerimônia e sua esposa, Nadja era uma incrível dançarina cigana, a índia a viu dançar diversas vezes envolta de uma fogueira a noite e sempre achava incrível, passos belos, calculados, giros sedutores e o olhar da cigana era de cativar qualquer homem. 19 de Novembro de 1536 muito tempo se passou dês que a índia entrou para a companhia itinerante, mas a mesma já estava falando o grego da língua deles muito bem, errava uma ou outra palavra, mas entendia totalmente o sentido de uma frase que no começo era complicado para ela. Eles haveriam passado por vários lugares diferentes, climas diferentes e viam pessoas diferentes, para evitar o frio de certos lugares deram roupas para a índia costuradas pela própria Eliza, ela não via opção se não vestir para proteger-se. Kuanna foi apresentada como animal do novo mundo, mesmo que a cantora não gostasse disso, mas era o único meio de permanecer na companhia sem que o Sr. Ankell a vendesse. Mas desta vez ela encenava ser violenta e agressiva, compreendia que teria de fazer isso para não ir para uma nova “casa”. Ate que chegou um dia muito esperado, Elizabeth se aproximou com um sorriso no rosto perto da jaula da Kuanna segurando algo brilhante em sua mão, não saberia se aquilo era bom ou ruim, mas não podia acreditar no que via, a mulher estava abrindo a porta de sua jaula! A índia estava abismada, se lembrava da conversa que ambos tiveram no começo e sabia que Eliza cuidaria dela. -- Venha querida, está na hora de sair... A mulher estendeu a mão para a menina, esta segurou na mão da moça e lentamente ia saindo, suas pernas tremiam, estava nervosa, depois de tanto tempo haveria finalmente deixado sua jaula. Eliza sorria, os monges observavam em sua carroça ao lado de jarras de vinho, estes sorriam. O Sr. Ankell estava trancado em sua carroça com a sua esposa enquanto os bufões não ligavam para isso. O marido de Elizabeth começou então a tocar uma melodia naquele instrumento de corda, era uma bela musica para este momento. As pernas da índia estavam fracas por não andar a bastante tempo, mesmo que fosse solta nas apresentações e apenas presa por correntes e cordas para insinuar que era feroz demais. Eliza começou a caminhar com a jovem índia, está estava vestida com um vestido simples de camponesa, estava descalça e a sensação da terra em seus pés era maravilhosa. Lagrimas começaram a nascer em seus olhos, eles estavam em uma clareira ao qual haveriam montado um acampamento ate a próxima cidade. Ate que chegou um momento ao qual Eliza soltou a mão da índia, a pequena ficou a olhar a mata a sua frente, neste momento Sr. Ankell estava saindo de sua carroça que foi quando viu a menina começar a correr para dentro da floresta. A cantora ficou surpresa, não esperava que a garota fosse fazer isso, Artemio se enfureceu, tinha de fazer algo para não deixar seu dinheiro fugir daquela maneira. -- QUON !CHANG ! PEGUEM-NA! Enquanto isso, no meio da floresta, Kuanna continuava seu caminho, correr nunca foi tão bom para aquela menina, estava se sentindo livre, feliz, muitos anos se passaram dês de seu ultimo sorriso sincero e prazeroso daquela forma, ela pulava as raízes soltas, abaixava-se dos galhos, esquiva-se das arvores, a floresta para ela era seu lar, a índia permaneceu a correr por alguns minutos, ate que se cansou e sentou-se em uma arvore, segurando na grama molhada pela chuva e sentindo o cheiro de terra molhada, estava se sentindo em casa, mas ainda faltava para chegar lá, ate que ouviu sons de alguém se aproximando, rapidamente tentou esconder-se e esperar alguém passar. Mas nada, esperou um minuto inteiro e o som de passos sumiu, quando finalmente iria retirar-se de seu esconderijo, sentiu duas presenças atrás dela, se virando rapidamente. -- Kuanna, Já passeou bastante não é? Agora trate de voltar pelo mesmo caminho. -- Quon, não seja tão severo, é apenas uma criança. Mas é serio, volte agora mesmo. Ambos os monges estavam atrás da menina, ela não acreditou como eles chegaram tão rapidamente ate ela se estavam sentados na carroça quando ela saiu. Kuanna não perdeu tempo, não poderia ser presa de novo, ela se virou e então começou a correr, mas depois de dez passos Chang gritou a ela. -- Então deixará sua amiga Eliza sofrer sozinha? Sua liberdade vale tanto assim? Ouvir isso fez a índia travar e seus olhos se arregalarem, lembrou que Elizabeth deu a palavra dela que iria cuidar de Kuanna, e também lembrou que ela sofreria se algo acontecesse. A índia se ajoelhou no chão com as mãos na cabeça, não conseguia se decidir, a indecisão estava acabando com ela por dentro. Ir para casa e rever sua família era o que mais desejava, mas não saberia como chegar ate lá e nem se iria sobreviver sozinha, voltar iria salvar Eliza de um castigo e ficar perto de sua amiga era algo que gostava muito, mas ainda estaria presa a aquele lugar. O peso da balança estava ferindo seu coração e sua mente, outras lagrimas começaram a descer por seu rosto e começou a chorar. Os monges ficaram observando ela, então decidiram interferir na decisão da menina, vendo que está estava entrando em colapso. -- Veja garota, existe uma energia no universo que move tudo, está energia se chama Karma. – Explicou Quon. -- É a energia que explica que tudo que se dá, recebe em dobro. A lei do retorno, Elizabeth é uma mulher de bom coração, acha que ela merece sofrer por lhe dar liberdade? – Perguntou Chang. A índia compreendeu o que os dois falaram, mas não entendeu o significado daquilo, mas algo fazia sentido, Eliza a ajudou desde sempre, porque merecia sofrer agora? Isso era, injusto! Seu Tamuía nunca sentiria orgulho em ver a índia regressar deixando de lado os ideais de seu povo e deixando de honrar seu sangue. Não poderia permitir isso, sua liberdade poderia esperar. Então os três voltaram e ao chegarem no acampamento o Sr. Ankell estava gritando com a cantora que estava caída no chão com a mão no rosto e seu marido (nem um pouco corajoso) a segurando. Quando todos viram Kuanna voltar de cabeça baixa, arregalaram os olhos, não por ela voltar, mas pelo o que Ankell poderia fazer. Ele aproximou-se furioso da garota, lhe entregando um tapa no rosto a fazendo quase cair. -- Eu sou seu dono! O que pensa que está fazendo? Lhe dou comida, deixo cuidarem de você e o direito de sair e me faz isso? – Artemio gritava furioso. Ele então preparou outro tapa, mas Chang segurou em seu braço, fazendo um sinal negativo com a cabeça enquanto Quon o encarava seriamente, Ankell foi forçado a se acalmar, respirando fundo e após alguns segundos pensou no que poderia fazer com aquela garota. -- Em nossa próxima parada, irei lhe vender para o primeiro que desejar compra-la. – Ele disse friamente. -- Não! Não quero! – Desesperada Kuanna gritou para ele. -- Quem é você para decidir? Não sabe fazer nada, é apenas uma exibição que irá acabar um dia e já me deu problemas demais. – Mantinha sua expressão, como uma rocha. -- Dançar! Eu poder dançar! Me deixe tentar! – Ela juntava as mãos na direção do homem, estava suplicando para ficar ao lado da amiga. -- Dançar? E o que você pode dançar? – Ankell cruzou os braços duvidando dela. A menina não perdeu tempo, foi para o centro do acampamento e começou a imitar os passos da mulher do Sr. Ankell, balançando seu vestido para lá e para cá, não era nenhuma perola em uma concha, mas era uma concha pronta para fazer uma perola. Todos ficaram a admirar a garota a dançar, era engraçado por não imitar perfeitamente, mas era bela, era uma criança querendo ser uma mulher e isso fascinou Nadja que estava na porta de sua carroça. -- Kuanna! Quanto tempo ficou a me vigiar? Que menina bela... – A mulher saia de sua carroça, imponente como era e segurando sua saia em uma mão na cintura tendo um pano vermelho em sua cabeça. – Meu marido, deixe-a ficar. Estou ficando velha para continuar a dançar, seria bom ter uma substituta. A índia parou e sorriu, os monges voltaram para sua carroça e ficaram bebendo o vinho novamente, Ankell não teve como contrariar sua esposa, apenas resmungando e bufando. -- Você é quem sabe minha mulher... – Ankell saiu do lugar, batendo a porta de sua carroça sem ao menos falar com ninguém. -- Menina, fique tranquila, irei ensinar tudo que precisa saber e não fique atentada com este homem, está velho demais já. – A bela senhora botava ambas mãos em cada ombro da menina, abrindo um sorriso amarelado para ela, os cabelos negros da cigana eram hipnóticos como seu olhar de vidro, mas parece que apenas o bufão mais jovem conhecido como Olaf riu depois do que ela comentou. Ele era calado e tinha o habito de sumir quando não estavam em viajem ou no meio de um espetáculo e quase não prestavam atenção no rapaz por isso poucos além da indiazinha viam suas reações. Kuanna então voltou para sua amiga Eliza, abaixando-se e abraçando a mulher, ela retribuía, não possuía nenhum rancor ou raiva da menina, sabia que a liberdade era o que mais sonhava e compreendeu bem, permanecendo em paz com a criança. Mais um mês se passou, a Sra. Ankell sentava-se no centro do acampamento e ao som dos instrumentos tocados por Elizabeth e Gustav, Kuanna dançava, a mulher a corrigia, a via errar, gritava, tentava a acalmar, mas tudo ia ocorrendo bem, pois a determinação da criança seguia firme, e assim passou um bom tempo com o aprendizado de Kuanna sobre aquela dança tão cativante e ardente, onde ate mesmo Nadja costuraria uma roupasespecialmente para a aprendiz e conforme crescia a menina também ganhava roupas antigas da cigana que era usadas em sua juventude mas que ainda hoje eram lindas, chamativas e algumas até um pouco provocantes. 06 de Março de 1537. Mais uma apresentação da companhia itinerante do Sr. Ankell, todos faziam seus números e atrações, ate que era a vez de Kuanna no centro da praça daquela cidade. Ela já era uma mulher para a idade, possuía um corpo estrutural e seu corpo se encaixava belissimamente naquele vestido, não poderia ser tão bela quanto a cigana, mas cativava muitos homens. Ela começava seu numero com passos leves e ao som da voz de Gustav e Elizabeth que sentavam em cadeiras em ambos os cantos da carroça-palco, os passos da moça eram incríveis e belíssimos, sua velocidade ia aumentando junto a musica e as pessoas aplaudiam a todo instante, durava bastantes minutos, mas logo Kuanna se cansava e improvisava um final, se retirando do palco, o povo pedia por mais, entretanto Kuanna era fraca por não ter sido cuidada direito, as pessoas detestavam quando ela saia do palco. Sr. Ankell disse que teria de vendê-la realmente, pois ela não estava dando conta de seu próprio numero. Então, em uma noite enquanto a índia ficava a olhar as estrelas no centro do acampamento perto da cidade, Quon e Chang chegavam da cidade. Como sempre, bêbados e com seus passos tortos, eles viam a menina triste e sabiam bem porque, decidiram então se aproximar dela. -- Ku-*gulp*-anna, não fique assim... – Chang tentava a acalmar. -- É, você pode não ser boa como o resto, mas é *gulp* linda. – Quon piorava a situação. Os olhos da jovem enchiam-se de lagrimas, ela então botava as mãos na face e escondia o rosto enquanto chorava novamente. Os irmãos se olhavam, sabiam que poderiam ajuda-la, mas deveriam? O silencio permaneceu por alguns minutos, ate que se decidiram por olhares, ou, pela mente. -- Menina...Temos...Uma maneira de ajudar. – Chang tentava manter-se serio. -- Mas, não poderá passar isso para mais ninguém que não seja de... Bom coração. – Quon desistia de ficar em pé e caia no chão ao lado dela, se apoiando em uma pedra. -- Mas, como? – Ela erguia o rosto vermelho, esperando que os monges a salvassem. -- Seu treinamento...Começa amanha! – Ambos diziam, ate Chang cair no chão dormindo e Quon adormecer junto. Capitulo 6 24 de Julho de 1542. Muitos anos se passaram dês do dia em que o treinamento da índia se iniciou, as pessoas estavam um pouco tristes pela morte dos outros dois bufões durante esses anos pela idade, a menina sempre se lembraria da manhã em que foram enterrados na terra molhada pela neve em uma cova não muito funda cavada pelos monges marcados por duas pedras quase do seu tamanho na época, Elizabeth chorava a perda dos antigos companheiros do ombro do marido abalado pela morte repentina dos dois, Sr.Ankell estava berrando com a esposa em uma língua os poucos ali entendiam mas que Nadja ensinou um pouco a Kuanna dizendo ser a língua dos ciganos e que ela devia saber e honrar já que estava aprendendo também a dança e graças a isso ela sabia que estavam discutindo por ciúmes que e velho tinha de sua esposa com o jovem adulto e bonito que avia se tornado Alef, o último bufão da companhia enquanto a mulher dizia se enfurecia com a desconfiança do homem enquanto ela apenas consolava o solitário rapaz e essas brigas eram tão constantes que já nem se dava mas atenção a elas. Os velhos bufões eram engraçados até fora do palco e lhe faziam lembrar seu velho avô e a morte dos dois lhe fez pensar se ele ainda estaria vivo, se ainda se lembraria da pequena desobediente, se ainda guardava rancor e isso a distraiu por todo o dia, até mesmo em seu treino diário com seus mestres monges e neste dia Chang estava lhe ensinando a manusear o vento deixando que ele percorresse por seu corpo e assim usando seu cosmo mas a menina ainda não conseguia fazer isso e nem conseguiria já que não prestava o mínimo de atenção repetindo os movimentos do mestre em o menor cuidado e se perdendo em seus pensamentos, mas neste dia treinavam em um rio um pouco mais violento que o comum e pela falta de atenção Kuanna pisou em falso na água e a correnteza arrastou a garota e antes que a se desse conta ela já estava caindo na cachoeira a poucos metros do local de treino e do acampamento, ela via a água se aproximar e com ela sua morte, se entregou a ela com o pensamento de se juntar ao seu povo em espírito ao menos fechando seus olho e abrindo os braços pode sentir-se em paz com o mundo e permitiu que o vento lhe carregasse, ele fluía pelo seu corpo e ela sentia que ele estava em seu comando porem não desejava fazer nada, e foi então que em sua mente por um segundo viu uma mulher de vestido branco segurando um cetro com uma aura de poder e respeito que ordenou com sua voz firme -- Ainda não amazona! Reaja! A voz ecoou em seu peito e com o susto os ares antes tranquilos que a rodeavam foram liberados de seu corpo e ela sentiu a energia ir embora em rajadas furiosas que formaram um globo ao seu redor bem no momento em que se chocaria contra a água salvando-lhe a vida, aquela imagem nunca saiu de sua mente e seus mestres nunca souberam lhe dizer quem era a mulher, apenas disseram que esse susto fez com que liberasse seu cosmo pela primeira vez. Isso incentivou a jovem, que pensou que se conseguisse liberar seu cosmo logo e por completo talvez pudesse voltar a ver a mulher e assim passou a se focar em seu treinamento não apenas para fortalece-la nos espetáculos mas também em batalhas e em tudo o que seus mestre pudessem ensinar. Era noite, ela agora era uma mulher extremamente formosa, inteligente, forte e dedicada. Sua personalidade era indiscutível e já tinha sua mente formada sobre o mundo, ela estava no meio da floresta meditando, a paz era precisa para o equilíbrio de alma e corpo acontece-se, então ela se erguia e apenas com o som das folhas caindo era possível distinguir onde ela estava, Kuanna então dava um passo na direção da folha e socava o ar, transferindo uma energia branca em forma de ar, jogando a folha contra uma arvore e assim a desfazendo, logo outra folha caia, Kuanna erguia um pé e uma pedra se prendia a ele, sendo arremessado junto aquela energia branca contra a folha. Ela estava se tornando uma mulher inteira, assim como uma guerreira. Ela passava todas suas horas livres do dia treinando e se aperfeiçoando, corpo e mente, alma e mente, alma e corpo. Ela poderia agora lutar por sua liberdade, destruir arvores era tão fácil quanto levantar um prato, um segredo bem guardado de Quon e Chang era os ensinamentos que Kuanna recebeu sobre a energia que circundava o mundo e tudo, disseram a ela muitos nomes sobre esta energia: Chakra, Chi, Cosmos e Essência. Ela não se importava com o nome, só sabia que isso a mantinha ainda na companhia a fazendo durar horas e horas no show, tornando-se a atração principal junto a seus dois mestres. -- Já esta bom menina, porque você não se diverte um pouco? – Mestre Chang se aproximava dela enquanto esta estava distraída. Ela via seu mestre se aproximar e então fazia uma reverencia respeitável para ele, este fazia sinal para ela se erguer, a mulher se levantou então, mostrando para ele o manuseio do ar a sua volta, mestre Chang era um grande dono do elemento ar, regia o pensamento, era um homem com expectativas longínquas e grande domínio para a inteligência, mas era um grande brincalhão nas horas certas. -- Veja mestre, já estou controlando o ar a meu bel prazer, qual será a próxima lição? – Kuanna perguntava calmamente, mas a ansiedade era vista em seus olhos. -- Não haverá próxima lição hoje, na verdade, iremos para a cidade nos divertir um pouco, lembre-se: Wu ji bi fan. – Ele falava seriamente. – Quon já está nos esperando, vamos. -- Nada em exagero é bom...Eu sei, eu realmente devo ir? – Ela tentava permanecer treinando, mas seu mestre insistia. Caminharam então ate a cidade, era noite, mas haveria uma taverna cheia de pessoas se divertindo, era estranho pensar o que dois monges tão sábios faziam ali, mas a historia era simples: Monges de um monastério nas montanhas Huangshan na China. Haviam treinado há anos, aperfeiçoado seus corpos, se tornado mestres daquela energia que regia o corpo e outras artes. Mas então chegou a seu monastério um novo ensinamento, o budismo Maaiana, onde diziam que qualquer um que lesse ou simplesmente ouvisse os sutras poderia expurgar todo o mal de seu corpo, então mesmo um ladrão ou assassino estaria no nível de purificação de um Buda, ambos não aceitaram este termo e largaram seus ensinamentos e aquele lugar, se dedicando a uma vida de renegados e descrendo em tudo que estudaram e se dedicaram. Mas por isto conheceram um lado bom da vida, um lado que jamais haveriam experimentado, eles acreditaram que todos deveriam experimentar todos os lados bons da vida, pois é para isso que existem as reencarnações, para se aperfeiçoar, mas também para experimentar os gostos que o mundo criou. -- Aproveita que hoje é por nossa conta, mas se acostume garota! – Quon disse sorrindo e lhe entregando um caneco grande cheio de vinho. A jovem não tinha o hábito de beber embora já tivesse experimentado a bebida, aceitou o vinho que seu mestre lhe deu agradecendo com um sorriso e começou a rodar pela taverna observando as pessoas dali. Os homens eram a maioria e geralmente aparentando entre os 17 e 45 anos, todos bebendo e falando alto coisas fúteis porem engraçadas, como casos que tiveram que deram errado. Kuanna não reparava de principio, mas se tornou logo visível que estava chamando muita atenção, não só por ser uma das poucas mulheres como também por ainda estar usando suas roupas de treinamento que foram roupas antigas dos seus mestres adaptadas para o seu corpo para lhe dar mais mobilidade, como as calças mostrando as canelas e um top feito de faixas de tecido revelando seus ombros e barriga. Seu corpo bem treinado chamava atenção pelas suas curvas e estranhamente isso há agradava um pouco, depois de tanto tempo sendo exposta como animal era bom finalmente ser vista como uma mulher. Seu rosto estava um pouco quente e percebeu que o caneco já estava vazio, ao procurar Chang acabou por encontrá-lo em um cantinho muito perto de uma jovem, sussurrando coisas em seu ouvido enquanto ela ria timidamente com o rosto muito vermelho, ela achou melhor não incomoda-lo. Não foi difícil encontrar Quon, ele estava agarrado com uma mulher quase subindo no balcão com ela enquanto se beijavam violentamente. Definitivamente teria que ir pedir sua bebida pessoalmente, e assim fez, mas quando já estava bebendo seu terceiro caneco de vinho e já estava começando a se sentir extremamente leve achando graça de tudo ao seu redor, chegaram um grupo de músicos que se instalaram no local e começaram a tocar músicas animadas e dançantes, provavelmente contratados pelo taverneiro. A mulher não conseguiria andar em linha reta muito bem, mas sem dúvida poderia dançar! Com mais um caneco cheio se embrenhou no meio da multidão e começou seus passos belos e provocantes. A noite se resumiria em flashes na manhã seguinte de canecos e mais canecos de vinho, dança e um rapaz estranho. A libriana se surpreende ao acordar no acampamento da companhia mesmo sem se lembrar de ter saído da taverna ou simplesmente de ter parado de dançar, suas vestes estavam jogadas do seu lado o que a fez pensar que estaria nua, mas ao olhar para seu corpo viu que usava apenas um corpete que definitivamente não era dela. Levantando-se com dificuldade pela dor de cabeça que lhe castigava, foi caminhando até um pequeno riacho em que se banhava e tirou o corpete, mas antes de entrar na água gelada a índia fitou boquiaberta o seu reflexo: uma mecha de seu cabelo estava roxa e por mais que a mulher esfregasse o cabelo, a tinta não saía. No decorrer do dia em meio as dores de cabeça apareciam em sua mente rápidas cenas da noite anterior, dentre elas Mestre Chang dançando tentando imitar os passos da aluna e falhando miseravelmente fazendo brotar gargalhadas, Mestre Quon a cada momento caindo nos braços de uma mulher diferente e no fim terminando com um tapa de cada uma, do rapaz estranho com cabelos tinjidos de roxo que tocava alaúde e olhava para cada curva de seu corpo enquanto a amazona dançava de forma provocante, do mesmo jovem propor uma disputa de bebedeira com a jovem apostando que o perdedor pintaria o cabelo, lembrou-se de sua derrota e de seguir com ele até a carroça em que os músicos moravam parada em frente a taverna . Depois desta noite isso acabaria se tornando uma diversão para ela, sair com seus mestres era sempre o melhor jeito de acabar um dia de treinamento rígido. Então em uma noite estavam longe demais da cidade mais próxima, Kuanna sentava-se sozinha no meio da floresta próximo a o acampamento, estava meditativa, refletia sobre seu passado e sobre seu lar, havia conhecido o mundo e muito alem, mas sua terra ainda lhe chamava. A jovem então se erguia, começando então passos de dança, mas não ciganos, passos rígidos e fortes enquanto permanecia de olhos fechados, ela imitava os grandes guerreiros de sua tribo em uma dança tribal misturada ao rebolar cigano, ela fingia que estava em casa, entre seus entes queridos e isso a fazia sorrir ainda mais. 04 de Agosto de 1542, Kuanna e a companhia estavam se retirando de uma cidade ao qual fizeram mais um espetáculo. A índia havia permanecido com a mecha de cabelo roxa, haveria gostado disso e a cigana haveria ensinado para ela como fazer. A libriana iria ate a carroça de seus mestres, ate que viu algo incrível: Chang estava estendendo ambas as mãos na direção do braço de Quon, ao qual saia uma energia esverdeada e começava a cicatrizar sua ferida, a mulher entrou no mesmo instante na carroça sem ao menos bater, perplexa pelo o que haveria acabado de ver, ela controlava o ar e a terra, haveria criado técnicas incríveis com sua dança, mas isso jamais haveria visto. -- Como...Como fez isso mestre? – A índia perguntava sorrindo. -- Através do meu karma, Kuanna, eu o feri acidentalmente em nosso espetáculo e agora devo cuidar dele para saciar meu karma... – Chang falava preocupado com o irmão. -- Deixe de ser criança Chang, vai chorar? – Quon fazia uma piada, mesmo falando serio. A libriana ficou fascinada pelo que viu, implorando novamente para seus mestres a ensinarem, eles nunca acharam que era necessário ensinar esta arte para ela, mas a demonstração de compaixão por aqueles de bom coração da índia era um ótimo motivo, desde então os treinos físicos passaram a ser horas meditavas sobre o corpo e a energia necessária para curar as feridas, aprendendo que aqueles de karma bom devem ser mais beneficiados do que os de karma ruim, para sempre manter o equilíbrio. Dois dias se passaram, a índia retornava da floresta para sua carroça, ate gemidos no meio da mata puderam-se ouvidos, poderiam ser ladrões ou algo assim? Ela se esgueirou ate o local, com passos longos e lentos, espreitava entre as folhagens para enfim ver algo que não desejaria. A Sra. Ankell estava se deitando com outro homem, não, ela reconhecia aquele homem! Era Alef, o bufão da companhia! A libriana botou as mãos sobre a boca e então começou a andar para trás, mas por descuido acabará por pisar em um galho seco. -- Que...Quem está ai? – A cigana perguntava junto a sons de roupas sendo tocadas rapidamente. A índia não demorou e partiu dali, indo diretamente para sua carroça que era dividida com Elizabeth e Gustav, se fechando lá. Era uma cena horrível de se presenciar, mas não pode deixar de lembrar a todo instante em que se revirou na cama naquela noite, e depois desta noite, começou a achar Nadja e Alef se encontravam sempre. Ela não poderia contar para o cigano, a mulher haveria ensinado ela a dançar e permanecer na companhia, mas era traição e isso era horrível para os conceitos de Kuanna, como uma injustiça. A duvida a cercou por muito tempo, ate que decidiu um dia parar de pensar nisso. Capitulo 7 O treino continuava, porém mais intensivo a cada mês que se seguia, Mestre Cheng mal deixava a jovem dormir levando-a todas as noites para treinos na penumbra forçando-a a apurar seus sentidos para ter alguma chance contra o hábil mestre, que a vendava mesmo na escuridão. Em 2 anos sua audição era como um radar que lhe assegurava com perfeição a aproximação de quem fosse. Todas as manhãs Mestre Quon vendava a jovem e a deixava assim por no metade do dia ou até 2 horas antes das apresentações, era difícil pois o mestre dificultava a vida da menina trocando sua comida por terra, sua água por óleo e coisas do gênero, a menina passou a identificar o odor das coisas e pessoas e identifica-los de longe com o decorrer do tempo. Os dias eram longos e puxados e os anos se arrastavam mas o treino nunca a desanimava. Um dia ela seria tão boa quanto os mestres e poderia seguir seu destino sem que nada mas entrasse em seu caminho. 16 de Setembro de 1548. -- Você não deve confiar no que seus olhos veem. – Mestre Cheng falava enquanto andava envolta de Kuanna enfaixada nos olhos. -- Muito menos no que ouve. – Quon andava do outro lado, rondando a garota. Os três estavam distantes do acampamento em uma floresta na Bulgária, estavam dando os últimos treinamentos da índia, esta empunhando uma lança nas duas mãos, a muitos anos atrás Kuanna haveria se fascinado pelas armas que eles usavam no espetáculo e ate tentou praticar, era boa, mas sempre acabava se cortando. Como não haveria muito que fazer nas viagens, eles passaram a ajuda-la a treinar as armas brancas, assim como a lança era a favorita da índia pela sua terra natal. Mestre Cheng avançou por trás da garota, esta ouviu perfeitamente seus passos com os olhos vendados, ele vinha com um poderoso soco, porem a índia dava espaço e derrubava-o com a lança. Quon vinha em seguida, mas este manipulava a terra do outro lado da mesma para fazer barulho, ela já estava em um nível muito avançado, sentindo facilmente o cheiro dele e se afastando por não saber exatamente como iria atacar, mas seu contra ataque era perfeito e conseguiria botar a lança no pescoço do mesmo. Audição e olfato, estranhamente eram sentidos mais apurados que a visão da índia, eles retiraram a venda da mesma e fizeram uma reverencia a ela, esta ficava surpresa. -- Mas, mestres, porque disso? – Kuanna se preocupava pelo ato de ambos. -- Não há mais nada para lhe ensinar Kuanna. – Cheng falou como um sussurro. -- Você superou seus mestres, está mais que preparada. – Quon completava com sua voz forte. Um sorriso imenso aparecia nos lábios da mulher, ela largava a lança e abraçava ambos ao mesmo tempo, agradecendo por todos os ensinamentos que passaram em tantos anos, sentaram-se então para conversar, vendo que ainda haveria tempo para ficarem ali. A índia era fascinada por historias, e ambos conheciam muitas historias sobre muitos povos, pessoas e ate religiões. Embora a índia já soubesse de tudo, ela sempre gostava de ouvir sobre a deusa grega, Atena, era uma lenda que haveriam ouvido a muito enquanto passavam pela Grécia. Uma deusa haveria assumido o corpo de uma humana para juntar seus cavaleiros, guerreiros para proteger a humanidade. Isso para muitos poderia ser só uma historia, mas para os indígenas quando um deus descia para o mundo, era sinal de guerra, ela sempre ficava muito feliz por ouvir está historia e imaginar que haveria uma deusa que lutava pela liberdade e proteção da humanidade, como um deus que fica tão longe dos humanos pode descer a terra apenas para protegê-los? -- Mas como sabe, isso é apenas uma lenda. – Chang terminava de contar novamente sobre a deusa. -- Não apostaria nisso se fosse vocês... – Sr. Ankell aparecia entre as arvores, ele estava velho e acabado, sorte de sua esposa, que mesmo na idade ainda era um diamante. -- Então...Uma deusa assim existe?! – Kuanna se ergueu e aproximou-se do dono da companhia. -- Mas é claro guria!Em seu santuário, ne vila de Rodorio na Grecia. Eu nasci lá... E minha família ainda está lá, mas não posso voltar... Eles não aceitam minha esposa.... – O cigano fazia um sinal com a cabeça para acompanharem ele, talvez já estivesse de partida. -- E podemos visitar este lugar para eu vê-la?! – A índia juntava as mãos na frente do peito, ficando de frente para o velho homem. -- Não irei voltar para aquele lugar, são pobres, não me rendem dinheiro algum! Minha família nem ao menos aceita minha esposa, como quer que eu volte?! – Ele retirava a mulher de sua frente, apenas sendo acompanhado pelos monges. A libriana fechava o punho, não podia acreditar que a deusa existia, teria de arrumar algum meio de ir para lá. Teria de insistir. No entardecer, quando todos estavam arrumando as coisas para partir, a índia entrou na carroça do Sr. Ankell, este estava sozinho lá apenas contando o dinheiro que havia recebido. -- Sr. Ankell...Podemos conversar? – Perguntou a índia. -- Kuanna, o que quer? – Respondeu a pergunta dela com outra pergunta. -- Eu gostaria de saber...Porque deixou seu lar próximo a aquela deusa? – Ela não saberia bem como perguntar isso, mas não tinha vergonha. -- Nunca iria ficar rico lá, apenas, agora saia. – Ele respondia friamente. -- Por favor Sr. Ankell, me leve lá... – O desejo por ver a deusa era visível em seus olhos. -- Não! – Ele batia com o punho na madeira – Já disse uma vez e não irei repetir, agora saia! A índia se enchia de raiva, então se retirava da carroça dele de forma normal, para ninguém aparentar nenhuma mudança. A Sra. Ankell estava mais longe de todos ali, ela fazia um sinal com a mão para que a moça se aproxima-se, Kuanna não hesitou nenhum instante, acompanhando a mulher até a parte de trás deu ma das carroças, onde ela encostava a índia contra a parede. -- O que contou para meu marido? – Ela apertava com uma mão o pescoço da índia, poderia facilmente quebrar o braço dela, mas não era preciso vendo que esta não tinha forças para machuca lá. – Fale-me, contou sobre meu segredo? Kuanna apenas balançou a cabeça de forma negativa, encarando a mulher nos olhos, era muito bela, mas era traiçoeira como cascavel. -- Se eu souber que meu segredo foi revelado, eu faço todos se rebelarem contra você e ainda a desminto, entendeu? – A fúria era visivel nos olhos daquela mulher perdida. A libriana não fez nenhuma sinal, a Sra. Ankell a largou então, abrindo um leque para esconder a mão vermelha de tanto segurá-la e voltava para sua carroça assim como Kuanna de cabeça baixa. A índia passou a madrugada toda a pensar, não conseguiria pensar no que fazer, desejava ver a deusa, estava querendo que o karma agisse contra a velha, tudo a confundia. Ate que entrou em meditação como seus mestres ensinaram, e a iluminação interior a explicou tudo: O karma deveria agir através da índia. 27 de Dezembro de 1548, estavam enfim na Grécia, a índia reuniu coragem a muito tempo para esse dia, assim como bolou um plano muito calculado para esta chegada, em uma noite quando a Sr. Ankell fugia para o mato junto ao jovem bufão, a libriana se retirava de sua cama, ela iria fazer a justiça que deveria ter feito a muito tempo, adentrando assim a carroça do cigano, balançando seu braço lentamente para o acordar. Este sonolento olhava para a mulher. -- Kuanna? O que faz aqui? – Os olhos do velho quase não se abriam. Ela apenas fez sinal para que ele a seguisse, este o fez, também fazendo sinal para que não fizesse barulho, andaram um pouco no mato, ate que começaram a ouvir ambos gemidos e palavras carinhosas, quando está mostrou a cena para ele, este não soube o que fazer, estava chocado, paralisado, tudo estava destruído para ele, a cigana que conheceu na estrada e que o acompanhou a vida todo estava o traindo com alguém mais novo. Artemio apenas se virou e voltou para sua carroça fechando assim a porta, Kuanna pensou em ir até ele ver seu próximo passo, mas viu que o casal estava se preparando para voltar e decidiu ir dormir. Um dia então se passou, faltava apenas um dia para a próxima cidade e estavam acampando novamente, a índia ficou a olhar pela janela de grades a cigana sair, só que desta vez que haveria saído era o dono da companhia, ela se surpreendeu, pois este carregava um machado, o que ele faria? Ele entrou na carroça do bufão, um barulho de golpe rápido foi ouvido pela índia, já que está estava acordada e os monges bêbados. Tudo que ela via a seguir era o velho sair pela carroça sem o machado, este voltava para sua carroça, com sua audição ela pode ouvir ele começando a juntar roupas aparentemente, pegando diversas dentro do baú que rangia, rapidamente a índia escrevia uma carta, escrevia o mais rápido que podia ate enfim terminar, quando viu este estava arrumado e saia da carroça com um saco, talvez ele também tivesse terminado com a mulher, ela não sabia, mas foi intervir. -- Ankell, aonde vai senhor? – Ela segurou na roupa do homem. -- Kuanna, saia daqui, eu irei embora para minha casa, este lugar não é mais meu. – A preocupação era vista nos olhos dele. -- Irá para sua vila? Me leve junto. – Suplicou mais uma vez. -- Já disse que não, agora solte minha roupa antes que alguém acorde. – Tentavam sussurrar e gritar ao mesmo tempo. -- Se você negar a me levar, irei arranca-lo deste cavalo e terá de enfrentar as consequências de seu crime perante a todos aqui. O senhor sabe que treinei com Quon e Cheng e sabe muito bem do que sou capaz. – O olhar dela era intimidador, nunca imaginara que haveria uma mulher tão assustadora quanto a sua falecida esposa. Ankell permaneceu a pensar um pouco, não haveria como argumentar com ela, apenas mandando ela subir no outro cavalo, esta assim fazia, não haveria nada para levar consigo alem da roupa do corpo, estava já pronta para partir. Ela sentiria falta sim daquele lugar, daquelas pessoas, mas sem ela reparar, Cheng e Quon estavam sentados na porta da carroça deles apenas observando eles irem embora. -- Deveríamos traze-los de volta? – Quon perguntou pronto para correr. -- Não, esse karma não é nosso...Afinal, este velho nunca nos levou ate onde queríamos, temos um mundo irmão. – Cheng sorria, bebendo mais uma jarra de vinho, mas ambos sabiam que sentiriam saudades da aprendiz. Então partiram em ambos cavalos, demoraria alguns dias ainda para chegar a vila, mas a ansiedade de Kuanna, poderia esperar. O velho conduzia a índia sempre pelos caminhos mais fechados, contornando as cidades sem nunca atravessá-las. Na pressa de fugir acabaram não levando muita comida o que gerou certas discussões entre os fugitivos já que o velho insistia que a índia devia roubar já que acampavam fora da cidade e as formações de pedra que Kuanna fazia para lhes servir de abrigo durante a noite se camuflavam bem pelas florestas e bosques que geralmente cercavam as cidades tornando difícil que os pegassem mesmo se seguissem a jovem, mas ela preferia vestir seu a capa de viagem do Sr, Ankell e se misturar a multidão se aproximar dos mercadores e oferecer pequenos serviços como carregar caixas e coisas do tipo para ganhar seus trocado ou uma cesta das sobras da feira. Os caminhos que percorriam eram perigosos, sem sombra de dúvida o senhor idoso teria sido morto por vagabundos ou ladrões antes de completar 3 dias de viagem se não fosse pela dançarina que tomava a frente em todas as batalhas. Mesmo quando o numero de inimigos era grande o velho não pensava duas vezes em se esconder e deixar a jovem cuidar de tudo e com o tempo ela aprendeu a cuidar do assunto criando sua própria técnica que enganava os inimigos com um falso exercito de amazonas. Os dias se passavam tão lentamente, talvez pela ansiedade da jovem, fazendo com que perdesse um pouco da energia para a viagem plantando dúvidas em sua mente e as montanhas pareciam nunca se aproximarem. Quando o velho anunciou que se aproximavam da cidade e que em poucos dias chegariam o ânimo de Kuanna retornou e as palpitações de seu coração acompanhavam o ritmo dos cascos de seu cavalo. A estrada era quase escondida e sem dúvida se Sr. Ankell não tivesse passado metade de sua vida naquela cidade sem dúvida nunca conheceria aquele caminho. A índia já escutava o som de passos, de pessoas falando e algumas carroças conforme se concentrava na espectativa de chegar a cidade com uma única frase ecoando em sua mente: Estou tão perto! Capitulo 8 02 de Janeiro de 1549, eles chegaram em Rodorio durante a noite, estava tudo muito quieto e vazio, Kuanna já haveria avistado o santuário e achava-o belíssimo, Ankell partiria para sua casa, onde sua família o aguardava e a mulher o seguiu até lá mas a tentação de investigar os arredores do santuário era maior e não podia chamar atenção ou logo poderiam associa-la a família Ankell e não sabia quanto tempo o crime do velho ficaria abafado e a prisão não era uma opção. Se aproximou discretamente na medida do possível pela sua aparência e as roupas ciganas foi atravessando a cidade passando pelas pessoas que seguiam seus caminhos e algumas criança que corriam e brincavam pelas ruas sem nem ao menos esbarrar em nenhuma mas ao se aproximar do portão se viu encurralada por seis guardas que estavam passando por lá , provavelmente de patrulha, eles se aproximavam da índia pelos lados empunhando suas lanças. -- Ei, mulher, está perdida? – Um deles perguntava, o olhar daqueles homens nada agradava a ela. Pareciam nervosos, como se algo houvesse ocorrido de muito grave naquele lugar. -- Apenas desejo ver a deusa, obrigada. – Ela desviava seu olhar para o santuário almejando entrar e já dando passos na direção. -- Alto! – Gritou um dos guardas. – Não poderá entrar no Santuário antes de sabermos quem é você, mulher! Um deles até se aproximou da índia, mas parou tão logo pôde ver sair três homens armados, com armaduras diferentes. Eram berserkers de Ares, manchados de sangue, com um ou outro ferimento, evadindo-se. Os soldados de Athena gritavam para a ameaça e avançavam, mas como hienas que sofriam uma dura derrota quando avançavam contra leões, o resquício da tropa da Ares acabava por assassinar os seis soldados num único movimento. A visão dos homens sendo assassinados sem ao menos terem tido uma chance, mas ainda sim encarando o inimigo sem trouxe ao coração da amazona o desejo de lutar em sua honra partindo em direção se jogando contra o inimigo e eliminando um dos berserkers com a Ira de Anhangá e já partindo para o próximo. – Maldita! – Disse um dos berserkers que por muito pouco não era também atingido. Kuanna virava-se já preparando-se para lutar, mas a cena a frente não era das mais favoráveis. Experientes, ardilosos e frios, os dois berserkers agarram duas crianças, uma cada um, voltando ao pescoço delas a lamina de suas armas. - Soltem-nas covardes! - Kuanna tomou a defensiva temendo pelas crianças, mas a atitude covarde enraiveceu a índia e isso foi visível para os inimigos. Os servos de Ares sorriam satisfeitos. Haviam conseguido o ponto que queriam. - Mulher!... Avance contra nós, e tomaremos a vida destas pestes! – A verdade é que fariam de toda forma, mas um pouco mais de sadismo não faria mal, e Kuanna percebia pelo cheiro de mentira e impiedade que emitiam a sanguinolência daqueles seres enquanto um deles alisava a ponta da lamina do pescoço da jovem criança, e lambia o sangue que escorria, voltando um olhar pecaminoso para a índia. – Parem! – Gritava Kuanna sentindo a raiva dentro de si, e o sentimento de impotência. Era rápida, forte, e contra aqueles não teria qualquer remorso, mas seria o suficiente para impedi-los antes de ferir aquelas crianças? Se não fizesse nada elas morreriam na sua frente, mas atacar agora seria fatal para os pequeninos. Essa impotência e a duvida corroíam a índia por dentro. – Olhe para ela... Loge ficaria feliz se a levássemos para ele. Hehehehe... – Disse o primeiro berserker. – Dispa-se, mulher! Hihihihehehahaha... - Disse o segundo, agarrando o pescoço da criança, colocando a lamina na orelha da jovem, fazendo pequenos movimentos que iam abrindo um filete de sangue. Kuanna tentava se decidir. Seu cosmo se elevava quase em pico. Mas o que era certo fazer naquele momento? Seus pés firmavam no solo. Tinha de haver algum modo de atacar os dois antes que fizesse algo com aquelas crianças. – Cansei de esperar! – Esticou o braço, levantando a lamina. – NÃOOO!! - Kuanna. O tempo parou. Moveu-se quadro a quadro conforme os olhos espantados de Kuanna viam a lamina descendo centímetro a centímetro em direção ao pescoço da criança. Seu cosmo explodiu, mas não foi a índia que se moveu. Dois raios dourados vieram do céu como um relâmpago na velocidade da luz. O tempo voltou a correr normalmente quando a lamina bateu contra um escudo dourado que rotacionava, envolvido do barulho de correntes, destruindo a arma do berserker enquanto que o outro era desarmado, quase perdendo o punho. – Mas o que diabos é isso?! – Gritaram os berserkers, soltando as crianças que fugiam apavoradas com lágrimas nos olhos. Os escudos dourados então se acoplaram aos braços de Kuanna. Os servos de Ares se moveram para fugir quando outros quatro raios se voltaram na direção dos dois, derrubando-os pelas pernas, quase lhes quebrando os ossos. As barras triplas e nunchakus se voltavam para índia, equipando-se a ela, que ainda mal entendia o que estava acontecendo ali. Os dois guerreiro se levantaram tentando pegar as crianças que haviam fugido. Mais dois raios avançaram atacando e transpassando um dos berserkers. Eram estes as espadas douradas que finalizavam um dos inimigos. – O que você está fazendo!?! Pare ou mato esse pirralho!! – O último deles agarra a criança pela perna, e se levanta, colocando sua vítima a frente, prendendo-a pelo pescoço. O pavor aflorava em sua face. Teria que usar o garoto para ter alguma chance de sair vivo dali. – Não vai encostar um dedo nele!! – E a índia avançou saltando. E neste momento vários raios dourados enfeitaram o céu. Alguns cobriam a amazona. Outro atacava o berserker por trás e por baixo, fazendo-o soltar a criança, ferindo-o o peito, lançando-o no ar. E o último raio vinha para a mão de Kuanna. A lança dourada, usada para cravar no peito do inimigo, levando-o ao chão num rápido movimento, prendendo-o na própria poça de sangue. O cosmo dourado. A armadura dourada de Libra. Essa se vestia a amazona, adaptando-se a seu corpo. – Não vai ferir e nem usar mais ninguém como escudo para fugir da sua punição. – Falava Kuanna, com a lança cravada no peito do inimigo, segura pela mão direita, e a perna esquerda pisando seu ombro esquerdo enquanto o cabelo caia de lado. – Tratarei bem de seu corpo, quando visitar o inferno! Hahahahaha!! Argh!! – Aaaaahhh!!!! – Gritou a índia enfurecida. Um grito selvagem de guerreira. A mão livre sacava a espada dourada de Libra e golpeava lateralmente o pescoço do inimigo, decapitando-o. E foi neste momento que um ar quente lhe chegou ao toque da pele. Um cosmo poderoso, tanto como o dela. Ela virava para trás e via, ainda tentando entender quem era e o que havia acontecido. Era um homem branco, ruivo e alto que trajava uma armadura dourada parecida com a que agora protegia seu corpo. Ele a encarava e com o calor da batalha recente e que o homem emanava Kuanna não sabia o que esperar. Seria um inimigo? Mas então por que tinha uma armadura parecida com a sua? E de onde veio essa armadura que agora ela portava? As duvidas não deixavam de rondar sua mente, as se sentia pronta para se defender se necessário. Mas o destino lhe revelou um amigo, ele se apresentou como Kedar de EsCorpião, um dos Cavaleiros Dourados de Athena e que agora ela o seguiria para o encontro tão aguardado com a deusa no topo das escadarias do santuário. [align=right]HISTÓRICO DA ARMADURA DE LIBRA[/align] Nome do Usuário: Kuanna Período de uso: 1549 - XXXX Histórico resumido: Nascida em Pindorama retirada à força pelos colonos, foi exibida em Portugal como um animal antes de entrar para uma companhia itinerante e ser treinada por monges que trabalhavam na mesma. Ao fim do treinamento, fugiu da companhia com do dono da mesma para Rodório, onde ao tentar adentrar o santuário foi parada pelos guardas e se viu em uma batalha com bersekes de Ares da qual saiu vitoriosa com o auxilio da armadura de libra, tendo em seguida sido guiada para dentro do santuário por um cavaleiro de ouro. Situação Atual: A armadura agora está em posse da índia que está na entrada do santuário de Atena. |
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